Voltaire ajuda

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domingo, 13 de agosto de 2017

7 e 11 de agosto de 2017.

Deveria usar uma metáfora espiritual como “Maya tirou o seu véu sobre os meus olhos” ou “Moisés voltando para os hebreus depois de seus anos de formação no deserto”, mas sabem como é: sou apenas eu, o Aldrin! Foi apenas a minha glicose fazendo drama no ônibus lotação “3838 Rio Acima – Belo Horizonte”. Mas alguma coisa que começou em 1997 terminou nesta segunda-feira, dia sete de agosto de 2017. Se não é assim, assim vai ser; decidido pela medida da coisa que aconteceu: eu mesmo!

Ainda estão aí? O aforismo acima foi mesmo feito para prender a atenção. Agora que vocês decidiram continuar a ler, eu vou tentar ser mais exato. Mas é difícil, a coisa toda é grande e pequena ao mesmo tempo, dramática e simples: eu vejo as cores do mesmo jeito que antes e continuo basicamente ainda a mesma marmota de antes. Mas estou mais atento e concentrado. Compreendi a natureza da minha solidão e percebi, ao mesmo tempo, como eu sou igual às outras pessoas e não inferior e exilado. Mas o mais importante: eu venci sozinho uma situação difícil e estou usando isso como a rocha fundadora para aprender amar aquele homem que vejo todo dia no espelho. Se vou conseguir? Isso é um problema meu e acho que vou sim. Uma segunda-feira única de uma semana única.

Mas confesso que é decepcionante num momento seminal como esse, que realmente pode mudar tudo para sempre, você verificar que sua vida tem elementos de filme da “Sessão da Tarde” da Globo.
O médico de cabeça que procurei por causa da minha ansiedade, na sexta, depois de uma consulta de meia hora, me indicou um trem que só de pensar me causa arrepio, humilhação e mais ansiedade: agora que finalmente despertei, você quer que durma ou vire zumbi? Bom, você pode ser um doutor e eu mais um anônimo com defeito de fabricação falando as mesmas coisas que o senhor ouve o dia inteiro; mas eu tenho uma vantagem nesta situação que o senhor não tem: sou eu eu que estou mais perto de mim! Preciso de ajuda, mas eu já fui um jornalista especialista em toxicomania na faculdade então afaste de mim esse trem! Vamos procurar outros métodos, eu sei que isso é possível. Qual é a insinuação? Que eu vou me matar; que eu vou virar um mendigo? É isso? Me digam, é isso? É? Ainda vão me deixar livre para dizer que isso não vai acontecer?
Nesse mesmo dia da consulta, que me deixou chocado e triste como nunca eu estive em toda minha vida, eu voltei a pé para casa. Quase uma hora de caminhada sob o sol de meio dia. Durante todo o percurso eu sempre estive a ponto de ter que parar para me desmanchar em lágrimas, pois imaginava que agora teria que policiar todas as minhas atitudes e falas pois agora eu teria que desconfiar de mim mesmo e ficava imaginando o que as pessoas diziam de mim pelas minhas costas e pela primeira vez senti o peso de meus 34 anos em flashes internos e violentos; mas a luz do sol me esquentava e fazia de mim uma planta que, eu sei, nunca entregaria uma luta desse jeito. Muito obrigado, Sol! Mas muito obrigado, mesmo!
Quando cheguei à minha casa eu contei tudo para meu pai e perguntei a ele se ele acreditava que eu poderia morar e vencer em Belo Horizonte. Como tentei antes, anos atrás. A resposta de meu pai foi muito encorajadora, para minha surpresa, mas o seu estilo continua o de sempre: lógico e distante. Mas se a resposta de meu pai foi perfeita, ele se esqueceu de um detalhe importante para mim: ele não conseguiu olhar nos meus olhos enquanto dizia que acreditava no próprio filho. Valeu o esforço, pai! Eu sei que custou muito ao senhor gastar assim tão indignamente aquelas palavras todas. Ainda bem que eu não perguntei ao meu pai sobre amor! Minha mãe, por sua vez, ficou explodindo em nervos durante todo o dia. “Minha mãe é a emoção e meu pai é a razão, e eu sou o quê?” Não conseguia responder essa pergunta quando eu era criança, mas agora acho que sei a resposta. Albert Camus namorava o absurdo, eu danço com a angústia e apenas tenho que evitar que ela pise muito em meu pé durante esta minha festa.
Então que coisa mais barata e clichê nós temos aqui: ninguém acredita no herói! Há anos atrás era exatamente o contrário. Bom, paciência! Os filmes da “Sessão da Tarde” não terminam bem?

O ponto nefrálgico é que estou começando o jogo “do zero” e ao mesmo tempo eu não estou. Vou ter que administrar essas duas dimensões e heranças em minha caminhada. Como se faz isso? Mais dança para eu participar.

Decidi tentar voltar a Belo Horizonte por mim, mas também decidi voltar a Belo Horizonte por ela. Eu devo isso a ela!
Como explico? É coisa de homem. Difícil de explicar. Mesmo que a gente nunca seja amigos ou namorados no futuro, - já aceitei essa hipótese -, ela precisa saber que eu não sou fraco. Pelo menos isso ela precisa saber! Que eu não sou um “eterno filho”. Só isso. Só saber disso. Que esta passagem sua em minha vida não foi gratuita e que ela me inspirou coisas boas. Mandei uma mensagem de celular para ela falando sobre isso. Agradecendo a ela a inspiração. A gente terminou, mas pelo menos assim a gente terminou bem. Um bom futuro para todos nós, então!

Mandei essa mensagem de celular na terça-feira, ou seja: o dia seguinte àquela segunda-feira. Nesta terça eu fui corajoso como nunca.
Mas isso fica para a próxima postagem. Na próxima postagem, também, vou contar que no dia 6 de agosto eu descobri que sou escritor. Então além de ganhar dinheiro com fotos eu posso também fazer algum serviço como redator.

Vocês ainda estão aí? Se alguém aí estiver precisando escrever alguma coisa importante ou estiver precisando de uma sessão de fotos, tem profissional novo na praça. E eu cobro barato! Mas se a cliente for mulher linda, não pode me tratar bem. Sou carente e me apaixono fácil.
MARQUÊS DE SADE: - E na verdade, nem te tratar mal...

Ah, é... Esqueci! Vixe, então deixa pra lá! 

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