Voltaire ajuda

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sexta-feira, 28 de julho de 2017

28 de julho de 2017.

A última postagem, a do dia 20 de julho: que porcaria! Tento me consolar pensando que muita regularidade é ruim, sinal de que estamos virando máquina, jabuti e funcionário de escritório. Tento me consolar. Tento.

Olho para dentro da privada.
- Parece cólera, mas sem as dores abdominais!
Hipocondria, mania de morte e sofrimento com charminho. Charminho falso, claro. É um pedido de ajuda, indireto como tantos outros. Ajuda para quê e para quem? Foi a morte do Leonardo ao meu lado naquele jogo de vôlei? Foi a educação que recebi? São as minhas perguntas que me deixaram hipocondríaco e tal?
Como um bom vira-lata não fui ao médico, apesar daquela terça-feira bem feia. Não tomei remédio, tomei limonadas. 
E quantas limonadas! E é poético isso, pois o que mais tem aqui é pé de limão. A natureza quer me ajudar. O inconsciente quer me ajudar, pois até meus pesadelos nem são tão pesadelos assim, pois terminam com final feliz. É apenas o meu consciente que é frouxo e ignorante. 
Sei que os médicos de cabeça vão discordar e dizer que há esse conflito entre consciência e o inconsciente e blá blá. Para mim a própria arte e a civilização são evidências otimistas. A guerra e a fome parecem eternos, mas também são eternos as nossas tentativas de vencê-los. Enfim, deixe eu ser otimista aqui. 

Olho para o telefone. Eu deveria ligar para ela. Mas dizer o que? O que resta a dizer só pode ser enviado pelo olhar, pela boca apenas sairiam cansaços e frustrações. Até as mensagens de celular me saem forçadas e artificiais! Mas meus olhos ainda não estão tão envenenados. 
Porcaria de forró vegetariano. Deveria ter ido naquele dia, mas realmente não deu. Porcaria.

Quero ler. Qual o próximo livro? Dúvida gostosa! Penso, penso... Aí resolvo olha para o meu (***censurado***) sonhador e frustrado e a resposta vem rápida: Decamerão, de Giovanni Boccaccio. 
Uma das virtudes deste clássico medieval é a generosidade: celebra o escutar e o contar histórias. Um livro que ensina a amar os outros livros. 

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