Voltaire ajuda

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

13 de julho de 2017.

Uma pausa nas minhas misérias para falar das misérias dos outros.
E Aécio Neves é ainda mais poderoso do que a gente poderia imaginar. Mas não é sobre ele que quero falar, pelo menos não diretamente.
Não lembro o dia, lembro que foi em uma segunda-feira bem no começinho de junho. Carlos Vianna e Eduardo Costa, dois dos principais jornalistas da radio Itatiaia, comentaram que a carreira política de Aécio Neves “acabara”. Os dois falaram isso. Foi no Jornal da Itatiaia. Menos de 48 horas depois Aécio teve uma ou duas vitórias. E era apenas o começo. E agora, no começo de julho, Aécio Neves esta livre leve e solto, ele sua irmã e aquele seu primo, e brilhando em seu poder.
O ponto aqui é que os jornalistas Eduardo Costa e Carlos Vianna não são como o autor deste texto: não são bobos. Por que eles se arriscaram e deram uma declaração como aquela? Mesmo porque, na história, são muito comuns políticos “mortos” “ressuscitarem”. Óbvio que eles sabiam que Aécio não estava acabado. Por que fazer uma declaração como aquela? Uma declaração tão boba assim?
Tenho um palpite. A coisa é freudiana. Carlos Vianna e Eduardo Costa sabem que a radio Itatiaia sempre apoiou Aécio Neves e seu grupo: o Antônio Anastasia e o PSDB mineiro e etc. Entrevistas em momentos estratégicos, declaração de mais de um minuto (em radio ou televisão, uma fala de mais de 30 segundos já é uma eternidade) e etc. A Itatiaia sempre foi parcial aqui.
Então eles sabiam que dificilmente teriam outra oportunidade. Então eles tentaram “dar as costas”, “superar o peso”, “vencer o passado”. Foi o desespero! Foi sim. Eu senti. Eu senti sim, não me enganei quanto a esta percepção.

Eu, assim como qualquer pessoa normal e de bem, considero o Laerte um gênio do Brasil. O meu personagem favorito dele era aquele Robson Crusoé que fica perdido no meio da metrópole gigante. Adorava as tirinhas daquele baixinho na Folha de S. Paulo. Quando a minha família assinava este jornal.
Se eu ficar famoso e tal, vou tentar pedir para o Laerte fazer para mim um desenho daquele Robson Crusoé.

Comprei um presente. Um cd de música que vou dar para uma pessoa famosa. Conheço o grupo musical, o UAKTI, mas não conheço o cd em questão. Então tive que comprar dois.
Sou uma pessoa de critérios razoáveis. Se o cd for ruim, eu ainda mando; só se o cd for muito ruim é que não mandarei.

“Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão.”
Não sei por que, mas acabei de me lembrar desse lema que aquele político, o Arthur da Távola, apresentava sempre naquele seu programa de música clássica na TV.
Gostava daquele programa e simpatizava com esse cara. Gente sincera em seu entusiasmo sempre me comove, principalmente se o seu sonho tiver algo de “coisa vã neste mundo cinza e sangrento”. Apresentar um programa dedicado a música clássica no Brasil é justamente um sonho deste tipo. Um dia, em um sebo, encontrei um livro de contos escritos por ele: Leilão de Mim. Nem sabia que ele era um escritor. Comprei o livro. Gostei muito. Muito mesmo. Até do fato do livro ser repetitivo em forma e em conteúdo eu gostei.

Martin. Martin é meu amigo estadunidense. Não o vejo há anos e há anos que eu não troco palavras com ele. F*****!, ele é meu amigo e pronto!
Essas coisas são assim: gratuitas. Se decide e pronto. Nem se eu tivesse dentro de um prédio militar em 1970 mudaria de opinião. Nem se passar 90 anos o trem mudará. Decidi e fim. Decidi e pronto. É gratuito. Não tem motivo ou ciência. É gratuito. Tão vago quanto absoluto. Tão sólido quanto invisível, como um vento eterno.

Claro que é sorte minha nessa história com o Martin o fato dele estar longe e nunca ter pedido ajuda. A distância não seria problema, nessas situações, mas que ajuda eu poderia dar ao coitado? Eu sou uma marmota!
Assim longe e abstrato, posso facilmente pensar nele como alguém para qual eu sou amigo.
Então chegamos a uma daquelas conclusões amargas e maquiavélicas sobre política e vida: é fácil tratar os outros bem quando não se tem intimidade. Então lembramos, mais uma vez, daquelas obras de ficção científica sobre um futuro cheio de paz e vazio de calor humano.

Talvez essa minha solidão tenha essa raiz no fato d´eu não mudar ou mudar tão lentamente. O que eu vou contar? O que eu vou dizer? O que me interessa interessa aos outros? Os outros já sabem que não mudei e assim me conhecem, o que posso fazer diante disso? É uma velha pergunta que carrego: o que eu já tenho?
Quando eu era mais novo, com mais ou menos 15 anos, eu ainda andava pela rua com os olhos sempre mirados ao chão. Hoje ando de cabeça erguida e olho nos olhos dos outros. Mas faço isso protegido pelo meu silêncio. Uma palavra nunca esta sozinha e isso as vezes é perigoso para a nossa fragilidade.
(Na época do colégio eu tinha uma colega que reclamava que eu não olhava nos olhos dos outros para conversar. Então, quando ela conversava comigo, ela desviava os olhos teatralmente para me provocar. Rs rs Onde ela deve estar agora? Ela gostava de mim e como sempre acontece quando a gente gosta, a gente quer ficar perto e mudar, era por isso que ela ficava brava com o fato d´eu não olhar nos olhos dos outros na hora de conversar.)

“Não é pelo Temer, é pelas reformas que o Brasil precisa!”
Depois dessa, vale a pena sair de casa no domingo votar? Não importa se é Temer, Lula, Jader Barbalho ou Tom Cruise na presidência em Brasília; o que importa são os donos da economia e seus desejos. Mas não vou agradecer por ensinarem essa velha lição de maneira tão explícita.

Já falei mil vezes e vou falar de novo: Temer não cai sozinho, ele vai levar o jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão junto. O governismo deles é repugnante. Mas é saudável e didático em um ponto: quem não conhece a imprensa chapa-branca em um país totalitário pode ter um pequeno vislumbre de como ela é: o otimismo irresponsável, os números que interessam, os entrevistados úteis, trabalhadores com os uniformes limpinhos e etc.
No clássico Notícias do Planalto – A Imprensa e Fernando Collor, do Mario Sérgio Conti, eu fiquei admirado com o Saad que, de todos os donos da imprensa brasileira, parecia ser o mais lúcido diante do Fenômeno Collor. Roberto Marinho também era lúcido, mas foi mais discreto sobre a sua opinião pessoal. Mas naquela época e hoje, os negócios e o pragmatismo falam mais alto. Eles sabem exatamente o que fazem. E assim como na história de Adão e Eva: este saber entra em conflito com a inocência.

O melhor do Luís da Câmara Cascudo é que ele é brasileiro.
Depois de mais uma das minhas frases de efeito estapafúrdias, deixe-me tentar explicar. Seguinte: até hoje a minha formação intelectual foi por meio de mãos estrangeiras. Os autores mais importante em minha formação até agora foram os estrangeiros. Sequer latinos. Então encontro, finalmente, o Câmara Cascudo e ele é diferente. Mas aqui esta o ponto: diferente mesmo. O cara é diferente.
Vejam: tradutores podem ter alguma dificuldade para traduzir meus amados Rubem Alves, Ruy Castro, Contardo Calligaris, Paulo Prado, Joaquim Nabuco. Mas não seriam dificuldades que requereriam milagres. A questão é que Câmara Cascudo é diferente. O modo como ele cita outros autores, a oralidade dele misturada com a sua escrita, a informalidade misturada com a formalidade, a poesia misturada com rigor científico e etc. É uma diferença assim... É uma coisa assim como eu nunca tinha visto antes... É... É... diferente! Tipo; deve ter um Joaquim Nabuco versão estadunidense ou indiana, entendem? Mas Câmara Cascudo só tem um e é aqui, no Brasil.
(Não vou usar a metáfora da jabuticaba porque os jornalistas embaixadores da classe média alta e classe rica usaram a metáfora da jabuticaba para atacar a tomada brasileira de três pinos. A revista Veja e quase duas semanas depois do Bom Dia, Brasil, da Rede Globo; eu lembro, tenho boa memória para esses detalhes pequenos. A elite acha que era muito sacrifício em prol do combate aos acidentes domésticos com eletricidade reformar as tomadas da suas casinhas. Imagino como deve se comportar a elite brasileira quando o colégio pede ajuda para reformar a quadra poliesportiva ou a biblioteca. Elite de m***).
Ainda sobre Câmara Cascudo: a erudição dele causa assombro profundo em quem o lê. Eu disse assombro?, o cara toca o terror mesmo! O filho da mãe leu tudo, tudo, tudo, tudo! O domínio que ele tem do assunto que ama, - o folclore, a cultura popular brasileira -, é absoluta: ele conhece a rua e um livro alemão obscuro do século XVI. E detalhe: ele não faz hierarquia: a rua ajuda o livro e vice versa. É sabedoria como S maiúsculo! Uma tal formação eu só conheço paralelo em Shakespeare e em Leonardo da Vinci.
Existe um desenho alemão representando o momento do nascimento de Beethoven. É um desenho ao estilo realista, se não fosse por um detalhe: o recém-nascido e a mãe e o pai, estão acompanhados de duas mulheres. Quem são essas duas mulheres? Bem altas e vestidas com mantos, elas só podem ser gregas. Duas musas, duas graças. Como uma segura uma pequena harpa, é óbvio que são duas musas, duas graças representantes da Música. Uma coloca uma coroa de louros na cabeça do recém-nascido. Detalhe interessante é que a criança olha para a divindade e não para a própria mãe neste momento de coroação. Para a parte da divindade e não para a parte do humano, entenderam? Ou seja, a decisão já esta feita: sua vida pela música.
Tenho certeza que quando Luís da Câmara Cascudo nasceu algo parecido aconteceu.

Tivemos muita sorte.
Se naquele primeiro dia Deus tivesse criado Johann Sebastian Bach, o resto do universo não teria sido criado. Ele obviamente teria ficado satisfeito.
Nós tivemos muita, mas muita sorte.
Tivemos muita sorte.
Se naquele primeiro dia Deus tivesse criado a música, o resto do universo não teria sido criado. Ele obviamente teria ficado satisfeito.
Nós tivemos muita, mas muita sorte.

O que foi isso? As “vinte mil palavras contra o terror” (Massimo Conti) de Kruschev no XX Congresso do Partido? Os comunistas se dividindo e atrapalhando uma oportunidade de ouro na Guerra Civil Espanhola? Karl Popper fazendo a mais consagrada crítica à tradição política que tem como eixo Platão, Hegel e Marx em A Sociedade Aberta e seus Inimigos? Não, foi apenas Lula em 12 de junho de 2017.
Para quem sempre votou no Partido dos Trabalhadores e se considera esquerdista e simpático à escola de pensamento político anarquista, eu até que não falo muito aqui da Venezuela, Cuba, PT, Coréia do Norte e URSS. Por quê?
Prefiro não responder e repetir uma pergunta que é feita desde a primeira vez que um humano encontrou outro: o que é justiça?
Melhor enfrentar uma pergunta sem resposta num momento como esse.
(Fiquei muito tempo pensando no que escrever. Aí começo a escrever no dia 9 de julho, para só então publicar amanhã, dia 13 de julho. Aí acontece uma coisa dessas. Bom, continuemos com as minhas bobagens que amo.)

Em homenagem aos índios Krenak eu vou fazer uma reprodução do totem JONKYON. Roubado na década de 1930, com a complacência do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
JIM MORRISON: - Se eu fosse você, não brincava com essa coisa de índio. Falo por experiência própria. É só brincadeira, é só amor, é só para você, é só um protesto político contra um crime que traumatizou aqueles índios, mas... Mas... Mas... Mas...
Em homenagem ao George Orwell eu ainda vou visitar a Espanha para unicamente tomar um café na cidade de Huesca. É por causa de uma piada que circulava entre os republicanos durante a Guerra Civil Espanhola, um momento triste que marcou este escritor que eu tanto amo.
(Eu tenho uma “amiga de FaceBook”, com o mesmo sobrenome que o meu. Ela é de origem espanhola e esta querendo, se já não foi, se mudar para a Espanha. Até pensei em brincar com ela que se a cidade de Huesca for perto da casa dela, eu faria questão de visitá-la. Na hora do almoço, óbvio. Como convém a uma visita sem noção. Mas essa minha “amiga de FaceBook é muito séria e eu tenho receio de conversar com ela sobre uma coisa assim.)


Quinta-feira e domingo. Vou tentar atualizar meu blog e meu FaceBook principalmente nesses dias. Vou tentar.

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