Voltaire ajuda

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terça-feira, 6 de junho de 2017

3,4,5,6 de junho de 2017

Um documentário sobre a Amy Winehouse, cantora e compositora britânica de grande talento e de vida breve e trágica. O documentário é famoso e premiado [ “Amy” (Amy, Asif Kapadia, 2015) ]. Passou hoje de tarde na televisão.
Queria destacar um ponto: temos fotos e cenas de tudo. Um registro de seu talento quando era ainda era uma adolescente, um registro de sua primeira gravação quando ela era ainda uma promessa e um registro, feito por amigos em um carro em movimento, de cartazes nas ruas londrinas anunciando o seu primeiro disco. Tudo, tudo, registrado. Tudo, tudo!
“E daí?”, as leitoas e os leitores poderiam perguntar aqui. E daí que isso é século XXI e não século XX. É importante notar isso. É século XXI essa “coisa” de querer registrar tudo e depois guardar todo esse material sem saber exatamente por que. Estavam todos prevendo que Amy seria mundialmente famosa e por isso registraram aquela cena na cozinha, aquela foto triste, aquele momento de assinatura de contrato? Muita coisa é registrada e disso, muita coisa é guardada e muita coisa também é apagada. Qual é o critério? O que bastaria para que a maioria do material exibido pelo documentário de Asif Kapadia sobre a Amy fosse ser deletado: dois discos com poucas vendas e alguns shows com poucas pessoas na plateia?
Tudo muito frágil.
- A carreira de Amy poderiam seguir o seu caminho e que diferença ter mais ou menos registros de tudo?
Não é isso que eu estou falando, é que nós gravamos e apagamos os registros no nosso século XXI de uma maneira meio cega de critérios. Não sei explicar direito. Tudo muito frágil. Gravamos e apagamos, gravamos e apagamos.
Aposto que a maioria diria que a vida dos historiadores do século XXII será mais fácil do que seus irmãos de disciplina dos séculos XX e XX, mas eu acho que poderá é ser mais difícil e pelo mesmo motivo: os nossos arquivos digitais. Essa bagunça de nossos arquivos digitais.
- Quando drama! Todos os historiadores sabem que tem que tentar montar um quebra-cabeça louco na hora de tentar decifrar o passado da humanidade. Fiquemos, por exemplo, no exemplo que iniciou esta questão: que a Amy do documentário não é a Amy de verdade qualquer historiador iniciante saberia de antemão. Qual é o risco exatamente?
- Um vídeo caseiro digital ser considerado mais completo que a Pedra de Roseta.
- Um talvez não, mas talvez milhões de vídeos digitais... O poder da quantidade...
- O poder da quantidade!

Já esta todo mundo dizendo que o julgamento da Chapa Dilma-Temer será adiado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por causa de algum pedido de vista por parte de algum juiz de lá; então eu também quero fazer parte deste círculo vicioso e também apostar que alguém pedirá vista e este julgamento que já dura “um milhão de anos” vai ainda demorar mais.
Falei em círculo vicioso, pois é óbvio que quem vai pedir vista lê jornais e ouve radio. Vai ter gente de saia preta lavando as mãos e gente de saia preta, mais consciencioso, se sentindo um verdadeiro bobo.
Alguns juízes foram para o TSE recentemente, o que é uma justificativa bastante adequada para o adiamento.
Temer completará o mandato, pois seria muito “anarquismo” ter a queda de Dilma e Temer em tão pouco tempo. Todos os políticos são “iguais”, entende? Em linguagem jurídica: precedentes. E mais: tirando Temer, quem entraria? Quem iria querer entrar?
Vamos prender a respiração até 2018 e “começar do zero” lá. Um “novo Brasil após o furacão” e blá blá blá. Mas a memória de uns, não é a memória de outros; e o veneno da mágoa vai estar lá em 2018 também.

Onde esta a máquina do tempo quando a gente precisa dela? Ir para o futuro, ler os autores certos e voltar para 2017 e dizer as coisas mais inteligentes. Parece bom, mas será que os meus contemporâneos iriam reconhecer o valor das minhas declarações?
Seria interessante responder: a Operação Lava-Jato esta agonizando ou não? As vezes acho que ela esta e as vezes acho que ela não esta. Sei que já são muitos anos e tem gente poderosa na cadeia e tal; mas também sei que já são muitos anos e as leis e o povo brasileiro continua os mesmos.

A semana passada foi maravilhosa. Quero que ela se metamorfoseie nas próximas semanas que virão. Próximas semanas e meses.

Lendo pela milésima vez trechos de Confissões de um Filósofo, de Bryan Magee. O livro de não ficção que mais li na vida. Parece sopro divino, sexo e uma deliciosa pizza gigante meia quatro queijos e meia champignon; tudo misturado e sempre. Ao alcance das mãos. Fácil, fácil. E não há tédio, pois o livro muda junto comigo.
Mas desta vez os trechos que li e reli estavam no final, o que não é comum quando folheio e releio este livro. E aí eu “viajei na maionese” (amo essa expressão popular, um tanto esquecida hoje em dia) e muito.
“As pessoas não morrem, elas ficam encantadas.” – Citação atribuída a Guimarães Rosa.
Seria estas palavras um resumo da segunda parte de O Ser e o Tempo, que Heidegger ficou de escrever e não escreveu? Seria estas palavras de Guimarães Rosa a resposta final às perguntas de Kant, e responder a Kant é a tarefa da filosofia, e que Schopenhauer tanto procurou?
Caminhar e encantar-se, caminhar e encantar-se, caminhar e encantar-se e caminhar e encantar-se; - eis o que os nossos eus podem fazer na existência.
Viajei muito na maionese?

Depois de políticos de esquerda e de direita, temos os políticos empresários e que se exibem pela mídia de maneira mais “nova” e “direta”. Tipo o prefeito de São Paulo, o Dória e o Kalil aqui em Belo Horizonte. Mais uma maneira de unir e pacificar o povo, uma vez que essas discussões entre esquerda e direita nos últimos tempos mais assustam vê nos deixam com raiva do que qualquer outra coisa.
- Oba, oba!
Hum, hum, sei, sei. Um bom político-administrador talvez arrume o buraco na minha rua mais rápido, mas o “fim” das discussões entre direita e esquerda não pode ser o fim das ideias e valores: questões como “porque esta penitenciaria nova antes de uma escola nova” ou “porque aumento de salário para políticos antes de construir um hospital”, continuarão. Devem continuar. As discussões entre esquerda e direita vão continuar.

Até mesmo porque é humano e saudável conversar sobre política. Então desconfiem quando ouvirem essa conversa “bonitinha” de “fim das discussões entre direita e esquerda”. Isso é ruim, isso não é democrático e justo. Isso é ruim. E de direita, aliás.

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