Voltaire ajuda

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

29 de junho de 2017

Um pouco mais de 24 horas para os meus 34 anos e a vontade que tenho é terminar tudo com uma linda cortina vermelha a me cobrir.

Deve ter sido o veneno para matar praga de horta que a gente usa e que ficou forte na casa toda, e que respirei a manhã inteirinha. Deve ter sido o funeral a tarde. Deve ter sido mais um "um abraço!" no final da mensagem. 
Não estou bem não.

Estou cada vez mais o Sem-Pernas, de Capitães da Areia. E com vontade de bancar o Iago, vilão de Otelo, de Shakespeare, e soltar dezenas e dezenas de palavras venenosas para a garota. 
Não estou bem não.

E o modo aleatório do Windows Media Player só tocando música romântica! Como que para me provocar! Cuspir em meu rosto a tatuagem do fracasso e frustração. Quase meia hora de música romântica, p****! Pela quantidade de música clássica, AC/DC e Beatles... É claro que só pode ser provocação do Windows Media Player!
O que Iago e o Sem-Pernas estão falando dentro de mim eu não tenho coragem de escrever aqui. Otelo e Desdêmona não estão falando tão alto para me ajudar.

O sábado maravilhoso parece que desapareceu.
Não estou bem. Parece que é a desgraça de mais uma "amizade". Por outro lado, apesar de tantos anos, a gente só começou mesmo alguma coisa naquele sábado. Então eu estou é ansioso e com pressa. Por outro lado, se era para a gente andar de mãos dadas; já era para ter acontecido.
Ela é mulher, mulher já nasce mulher: ela sabe o que ta fazendo comigo. Eu é que sei nada. Só sei que eu entendo o Iago e o Sem-Pernas. 
Não estou bem não.
Deve ser egoísmo. Vou cometer com ela o mesmo erro que cometi com Diana? Trocar a amizade pelo desejo carnal? 
Amizade é melhor que nada e as vezes termina em cama. É algo para servir de consolo.
Mas essas ambiguidades não me servem. Esses tons de cinza. Sou atleticano, pô! Nada de cinzas! Ou é preto ou é branco.
Mas nada é exatamente preto ou branco, eu sei. 
Que merda.
"um abraço!"
Estou me rasgando por dentro e agora lembro de todos os meus defeitos e de todas as minhas misérias. Para ela ainda conhecer!
- Eu sou uma aberração, mas dizem que sou bonzinho também!

Queria morder os ombros de bailarina dela. 
Queria morder os braços dela.
Subir meus dedos por sua nuca.

Que merda.
"Um abraço!"
Ora, enfie esse seu abraço no...
Acho que estou estragando tudo ao escrever essas coisas. Mas nem sei se ela lê meu blog. Não conversamos sobre isso. Não conversamos sobre muita coisa. 
Eu fiz chá para ela. Contei aqui? Fiz duas vezes naquele sábado. Achei a coisa mais fabulosa do mundo, como se fazer chá fosse a mesma coisa que fazer sexo numa Ferrari conversível em Mônaco. Ou levá-la para passear pela noite selvagem de Tel-Aviv ou Nova York.
Olhe para mim.
Que porcaria.
Eu estou mal. 

Comprei uns DVDs em promoção. Um inclusive eu vou dar de presente para ela. Uma desculpa para encontrá-la, entendem? O filme francês Germinal, com o Depardieu. A cena mais marcante é a do velho pobre estrangulando a única aristocrática que tinha coração naquela cidade: a injustiça: difícil esquecer uma cena dessas.
Vou assistir a esses filmes. Vou me distrair um pouco.

34 anos.
Idade de Cristo não é? Sou filho do século XX e herdei nada: todos os ismos, do marxismo ao ecologismo, passando pelo liberalismo, misticismo, todos os ismos morreram. Todos os sonhos morreram no século passado. Temos que recomeçar do zero. Temos que recomeçar do zero e já perdemos 17 anos. 17 anos fazendo besteira.
Vou parar por aqui. Sou um frustrado no amor e estou descontando no pobre mundo.

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