Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

domingo, 25 de junho de 2017

25 de junho de 2017.

HANS KELSEN: - Essa ideia de “Diretas-Já” é inconstitucional. Eu sinto muito, mas lei é lei.
AMOR: - Mas seu Kelsen, faz algum sentido falar que algo é ou não é constitucional no Brasil; um país em que a Constituição é violada com emendas a cada dois meses em média?
HANS KELSEN: - Como diria um dos maiores gênios do futebol brasileiro de todos os tempos e que infelizmente me escapa o nome: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Uma coisa é um governo federal que troca diálogo por medidas provisórias e coisas do tipo. Uma coisa é deputado federal inútil que acha que vai ficar “imortal” ao colocar mais um parágrafo à constituição. Uma coisa é isso, outra coisa é desrespeitar o espírito das leis. Quando a lei é desrespeitada, mesmo com a melhor das intenções, a tempestade sangrenta surge. E não demora muito a ela despontar ao horizonte.
[Tenho que conferir. É que muitos textos deste blog ficam semanas dentro de mim e eu me esqueço de publicar. Parece que houve a aprovação de uma emenda ou coisa do tipo sobre as “diretas-já”. Tenho que conferir. De qualquer forma, parece que não fez muita diferença. Como era a citação de Marx: a tragédia (anos de 1980) e depois a farsa (2017)? De qualquer forma, o diálogo acima ainda mantém algum vigor.]

Fui vítima de um truque tão antigo quanto o próprio mundo. O autor é alguém querido, alguém que eu quero muito bem, o que justifica o efeito tremendo que o golpe teve em mim.
É; eu vou ter que fazer mesmo um pequeno jornal pessoal meu. Mas como sou hipocondríaco jurídico, o jornalzinho vai ser tão inofensivo quanto desesperado e humanista. Livros, filmes, música, essas coisas. Se eu cismar de falar mal de alguma pessoa poderosa, vai ter que ser de maneira tão indireta que nem advogados viciados em dinheiro seriam capazes de me pegar. Vai ser um jornalsinho de resenhas mesmo.
Ah, vai ser difícil mudar o mundo com um jornalzinho de resenha de filmes em cartaz e de livros que só eu leio; mas tento me consolar pensando que o jornalismo cultural feito pela grande imprensa é uma porcaria imensa que então qualquer pequeno oásis realmente autoral faz muita diferença.
Já tenho o nome do jornal e as cores dele. Só falta o resto. O resto absoluto.

Já escrevi algo sobre isso aqui: a memória é misteriosa e mágica. Há quantos anos eu não relia Minhas Mulheres e Meus Homens, de Mario Prata? As minhas histórias favoritas continuam ainda mais favoritas depois de mais de uma década e eu descubro, surpreso, que meus aforismos deste blog foram tremendamente influenciados pelo Mario Prata. Impressionante! 
Falo o tempo todo da minha dívida para com Nietzsche, Joseph Campbell, Rubem Alves, Will Durant, Lúcio Flávio Pinto, mas é aquela coisa: como estou em atividade, é difícil eu ter um distanciamento crítico para saber exatamente de onde vêm todas as minhas influencias.
É Mario Prata, você acabou de entrar oficialmente no mais marmota dos clubes: o meu panteão. Mais um pobre Virgílio a guiar esse Dante de cabeça para baixo pelos caminhos do humano.

Da série segredos que nem aos médico de cabeça a gente conta.
O LOBO DE WALL STREET (The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese, 2013)
Minha cena favorita? A da prostituta barata. Aquela que esta sentada na mesa, enquanto um cara em pé faz sexo com ela. O modo como ela olha para os executivos da sala: com genuína perplexidade. A expressão da prostituta barata diante daqueles homens acaba comigo. É minha cena favorita de um dos meus filmes favoritos.
Por que eu gosto dessa cena, Freud? Pura estética, apenas pelo humor ou há algo mais? Mas o que é este algo mais? Olhar dela, o olhar dela! Aquele olhar dela, aquele olhar dela! Ah!
CLUBE DA LUTA (Fight Club, David Fincher, 1999)
Minha cena favorita? A da mulher velha-esquelética-câncer-terminal, pedindo, por favor, para algum homem daquele grupo de apoio a doentes ir à casa dela fazer sexo com ela. Ela apela, ela repete, ela começa a chorar, conta que comprou filmes eróticos para ajudar e outros objetos eróticos com a mesma finalidade. Tem esta cena breve no YouTube. Toda vez que eu assisto essa cena eu sou partido ao meio. E eu assisto a esta cena muitas vezes.
Por quê?

FREUD: - Eu acho que você já sabe muito mais do que deixa transparecer. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.