Voltaire ajuda

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quinta-feira, 22 de junho de 2017

22 de junho de 2017.

- Foi o mais bonito sábado da minha vida!
HOMER SIMPSON: - Foi o mais bonito sábado da sua vida até hoje.
- Foi o melhor sábado da minha vida!
HOMER SIMPSON: - Foi o melhor sábado da sua vida até hoje.

Não consigo parar de pensar no sábado passado. E parece Deus ou o artista em sua obra criada: onipresente e invisível. Até as cores e os cheiros estão diferentes nesses últimos dias.
E como a objetividade é inútil nessas coisas: tudo pode significar um sim ou um não. Aquele gesto, aquela palavra dita, aquele engano, tudo, tudo pode ser sim ou não. O coração é poderoso e suporta tudo, tudo menos o talvez. Num momento a fé sorri para o sim e noutra sente a presença do não; mas o talvez é o tabu em sentido estrito. E estou neste balanço constante em meu peito.
E agora, o que fazer? Eu não sei. No último telefonema eu fiquei muito tempo calado, sem saber o que dizer. Foi adoravelmente aborrecente. Como leitor de Nietzsche e de Saint-Exupéry, eu deveria mesmo era seguir o coração/o mais profundo instinto.

Junho, o mês de meu aniversário. Meu presente será comprar mais livros do Lúcio Flávio Pinto, o mais importante jornalista brasileiro. Mandarei um e-mail e farei um pedido. Fiz isso em 2008, quando ganhei meu primeiro salário no serviço em Sabará. Quero e vou comprar todos os livros dele, mas como minha fonte de renda é irregular eu tenho que fazer isso aos poucos. Aos poucos, mas já no ano que vem comprarei todos que faltam.
Até penso pedir ao Lúcio dois livros que não são de autoria dele, mas que imagino deva ser mais fácil a ele encontrar do que eu (o Rio de Raivas, de Haroldo Maranhão e Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas, do Padre João Daniel; sobre a qual Lúcio escreveu recentemente em sua página na internet: https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2017/06/19/a-historia-na-chapa-quente-235/). Mas acho que já seria muito abuso. Lúcio tem humor, mas descobrir que tem um fã tão marmota como eu deve deixar ele um pouco aborrecido.
Lúcio inspirou-se, de maneira amazonida e tropical, no Isidore Feinstein Stone; poderia eu fazer algo do tipo em relação ao Lúcio? Ah... Nem um tabloide cultural eu fiz! Mas...

O poder corrompe, um chuveiro quente corrompe ainda mais. Como não sou bom em matemática, não sei se estou realmente economizando ao usar o chuveiro no lugar de Freud e Jung.

Depois de Camus, Emil Cioran (Sobre a França). Olha na companhia de que tipo de francês eu ando. Mais um pouco e eu vou abrir um bar para que meus clientes, entre uma coxinha de catupiry e uma água ardente, decifrem o propósito da existência.
Camus e Cioran. Camus em O Homem Revoltado é difícil de ler, por causa da erudição muito concentrada: em quatro frases ele atravessava séculos e escolas de pensamento com uma facilidade de moleque. A gente fica tonto ao tentar acompanhar.
Com Cioran é diferente. Cioran é anti Machado de Assis: é adjetivo demais no texto. Muito, mas muitos adjetivos! As imagens, como os aforismo de Nietzsche, são atraentes à nossa reflexão; mas Cioran enjoa rápido como um bolo doce demais e que não é nutritivo. As imagens de Nietzsche, por outro lado, são nutritivas e não enjoam (é uma questão de paladar, naturalmente, mas pelo menos é fato objetivo que Nietzsche muda de opinião o tempo todo, então de tédio os seus leitores não sofrem).
E Cioran enjoa seus leitores muito rápido. O livrinho tinha menos de 120 páginas, mas quando cheguei à página 80 eu pensei em desistir. Acabei terminando o livro sem prazer. Sem prazer mesmo. Fiquei triste e aborrecido. Pretendo me entregar aos braços do Albert Camus por toda a vida, mas o Cioran eu já vi o suficiente.

Ah, é chato falar mal de um autor aqui. Paciência! 

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