Voltaire ajuda

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

14 de junho de 2017.

Eu falo muito de literatura e de filosofia por aqui. Parece algo esquisito ou “alienígena”, mas foram os livros que me salvaram.
Falo de filosofia e arte com essa informalidade de adolescente cheio de hormônios na cabeça, pois nenhuma formalidade, por mais didática e científica, seria capaz de conter a selvageria do rio que comanda tudo aqui.
Os livros me salvaram e ainda me salvam do mundo e de mim mesmo. É que pés são pisados enquanto dançamos e aprendemos com os nossos demônios e anjos, e uma formação humanista ajuda aqui como um Merthiolate seguido de Band-Aid.

E o TSE acabou absolvendo a Chapa Dilma-Temer.
Acho que a lição mais importante aqui nada tem haver com Dilma, Temer, empreiteiras querendo “ajudar” campanhas políticas e etc. É uma dessas lições fundamentais e que infelizmente temos que nos lembrar porque sempre a esquecemos, por preguiça e pela força do cotidiano. A lição é que justiça não é vingança. No caso aqui isso se transforma em: não se deve entrar com um processo se você estiver com o coração sujo. O senador Aécio Neves disse que entrou com o processo no TSE para “encher o saco”, em uma gravação divulgada por toda imprensa; e acabou prejudicando o próprio TSE, o PSDB, o PT, o PMDB, a economia e o Brasil inteiro que por semanas ficou tenso e falando sobre esse julgamento do TSE. O senador Aécio Neves é mesmo um bobo.
O PSDB entrou, ou vai entrar, com um recurso na justiça contra essa decisão do TSE. Isso vai “aguar” a decisão de origem venenosa do Aécio Neves, porque dessa vez a decisão tucana é técnica e blábláblá. E também serve para mostrar que o PSDB é independente do Governo Temer, apesar de ter decidido continuar a apoiar o Governo do Temer. Muito inteligente do ponto de vista da guerra de propaganda essa decisão do PSDB, mas vai servir de motivo para que mais gente acuse o PSDB de estar virando um “PMDB da vida”. Ou seja: de gostar de poder pelo poder.
Falei que o julgamento do TSE sobre a Chapa Dilma-Temer deixou o Brasil inteiro na expectativa e isso é verdade. Foram semanas de especulações, palpites, conversas de bastidores e tal no Brasil inteiro. Agora compare como a grande imprensa estava dois dias depois do resultado do TSE. Nada, nada!
- Se pacifica Brasil, se pacifica!

Se eu fosse editor chefe de algum órgão da imprensa, eu mandaria todos os textos repetirem o nome por extenso dos partidos políticos. Não teria essa história de no começo do texto/fala ter “o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira)” e depois, ao longo do texto/fala, “PSDB” e “PSDB”. Não, não! Repetiria o nome dos partidos por extenso sempre. Sigla-nome, sigla-nome. Seria correto do ponto de vista da gramática e ajudaria a evidenciar que entre PT, PSDB, PSOL, PCB, PPS, PEN, PP, DEM, PSB, PR e etc. não há muitas diferenças assim.
Até sou favorável a ter no Brasil muitos partidos, mas fico triste quando percebo que eles são iguais nos defeitos e que as suas qualidades não são assim ricas e nem variadas. A ideia de ter muitos partidos se justifica quando sonhamos com a possibilidade de termos muitas alternativas para um futuro feliz para o Brasil. Serem muitos os caminhos, vocês me entendem? Se existem muitas maneiras de destruir um país, deve haver, igualmente, muitas maneiras de se salvar um país. Sei lá. Acho isso.

O que uma filósofa e um filósofo mais amam? Essa é fácil: a verdade. E em segundo lugar? Certezas? Não. Colegas professores e alunos achando que você a última cocada do pacote? Também não. Um livro seu lançado com capa dura? Também não. Difícil, não é? O filósofo de cabeça para baixo aqui ajuda. O que os filósofos mais amam depois da verdade é a nota de rodapé.
As notas de rodapé! A metáfora veio a mim depois de ver na televisão uma propaganda do filme “Chocolate” (Chocolat, Lasse Hallström, 2000). Aquele filme com a Juliette Binoche e Johnny Depp. Assistiram? Recomendo. Esta só um pouquinho abaixo da média. Vamos lá, é uma comédia romântica. Só o sorriso da Binoche vale as duas horas nunca mais recuperadas para assistir ao filme.
Onde eu estava? Além de estar sempre de cabeça para baixo o filósofo aqui é disperso e dislexo. Falei do filme é porque é para vocês imaginarem uma criança, vadia e cigana, entrando frequentemente para roubar um bombom da loja mais chique e grã fina daquela cidade do filme. Imaginaram a cena? Agora vem a metáfora.
Sempre vou à prateleira ler as notas de rodapé de A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de Karl Popper.
Agora quem, quem, termina de ler todas as notas de um livro antes de ler o próprio livro?

Em vez de prestar atenção ao meu programa de radio e no programa dos meus colegas locutores a quem ajudo atendendo telefone e preparando músicas, eu fico é vendo vídeos do YouTube. Trailers de filmes e vídeos promocionais da Canon, a marca da minha câmera fotográfica.
Eu já devo ter visto todos os vídeos em que a atriz Katherine Waterston esta de cabelo curtinho. Tem umas cenas de Alien Covenant em que ela esta de boné e outras em que ela esta com uma camiseta regata bem justa e segurando uma arma; e aí eu quase tenho um ataque cardíaco.
(O pessoal jogou mesmo a toalha: os trailers tem agora média de três minutos e querem contar toda a história dos filmes. Nem tentam disfarçar. Criativo e misterioso apenas os trailers de documentários, o que é estranho e pode ser sinal de esperança. Outro detalhe: além dos trailers longos que contam a história dos filmes, ainda tem outros vídeos promocionais, tipo entrevistas com atores e tal, de modo que quase temos mais ou menos 10 minutos de filme revelados antes do mesmo ir aos cinemas.)

Você sabia que havia cidadãos estadunidenses presos na Coréia do Norte? Fiquei sabendo ontem e acho que o mundo inteiro também.
Desconfio que estejam preparando uma guerra e devagarzinho, devagarzinho estão tornando essa ideia mais palatável ao grande publico, para que este não fique muito chocado quando a guerra acontecer.

O problema é que guerra é guerra e o EUA nem salvaram o Afeganistão ainda. 

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