Voltaire ajuda

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

29 de junho de 2017

Um pouco mais de 24 horas para os meus 34 anos e a vontade que tenho é terminar tudo com uma linda cortina vermelha a me cobrir.

Deve ter sido o veneno para matar praga de horta que a gente usa e que ficou forte na casa toda, e que respirei a manhã inteirinha. Deve ter sido o funeral a tarde. Deve ter sido mais um "um abraço!" no final da mensagem. 
Não estou bem não.

Estou cada vez mais o Sem-Pernas, de Capitães da Areia. E com vontade de bancar o Iago, vilão de Otelo, de Shakespeare, e soltar dezenas e dezenas de palavras venenosas para a garota. 
Não estou bem não.

E o modo aleatório do Windows Media Player só tocando música romântica! Como que para me provocar! Cuspir em meu rosto a tatuagem do fracasso e frustração. Quase meia hora de música romântica, p****! Pela quantidade de música clássica, AC/DC e Beatles... É claro que só pode ser provocação do Windows Media Player!
O que Iago e o Sem-Pernas estão falando dentro de mim eu não tenho coragem de escrever aqui. Otelo e Desdêmona não estão falando tão alto para me ajudar.

O sábado maravilhoso parece que desapareceu.
Não estou bem. Parece que é a desgraça de mais uma "amizade". Por outro lado, apesar de tantos anos, a gente só começou mesmo alguma coisa naquele sábado. Então eu estou é ansioso e com pressa. Por outro lado, se era para a gente andar de mãos dadas; já era para ter acontecido.
Ela é mulher, mulher já nasce mulher: ela sabe o que ta fazendo comigo. Eu é que sei nada. Só sei que eu entendo o Iago e o Sem-Pernas. 
Não estou bem não.
Deve ser egoísmo. Vou cometer com ela o mesmo erro que cometi com Diana? Trocar a amizade pelo desejo carnal? 
Amizade é melhor que nada e as vezes termina em cama. É algo para servir de consolo.
Mas essas ambiguidades não me servem. Esses tons de cinza. Sou atleticano, pô! Nada de cinzas! Ou é preto ou é branco.
Mas nada é exatamente preto ou branco, eu sei. 
Que merda.
"um abraço!"
Estou me rasgando por dentro e agora lembro de todos os meus defeitos e de todas as minhas misérias. Para ela ainda conhecer!
- Eu sou uma aberração, mas dizem que sou bonzinho também!

Queria morder os ombros de bailarina dela. 
Queria morder os braços dela.
Subir meus dedos por sua nuca.

Que merda.
"Um abraço!"
Ora, enfie esse seu abraço no...
Acho que estou estragando tudo ao escrever essas coisas. Mas nem sei se ela lê meu blog. Não conversamos sobre isso. Não conversamos sobre muita coisa. 
Eu fiz chá para ela. Contei aqui? Fiz duas vezes naquele sábado. Achei a coisa mais fabulosa do mundo, como se fazer chá fosse a mesma coisa que fazer sexo numa Ferrari conversível em Mônaco. Ou levá-la para passear pela noite selvagem de Tel-Aviv ou Nova York.
Olhe para mim.
Que porcaria.
Eu estou mal. 

Comprei uns DVDs em promoção. Um inclusive eu vou dar de presente para ela. Uma desculpa para encontrá-la, entendem? O filme francês Germinal, com o Depardieu. A cena mais marcante é a do velho pobre estrangulando a única aristocrática que tinha coração naquela cidade: a injustiça: difícil esquecer uma cena dessas.
Vou assistir a esses filmes. Vou me distrair um pouco.

34 anos.
Idade de Cristo não é? Sou filho do século XX e herdei nada: todos os ismos, do marxismo ao ecologismo, passando pelo liberalismo, misticismo, todos os ismos morreram. Todos os sonhos morreram no século passado. Temos que recomeçar do zero. Temos que recomeçar do zero e já perdemos 17 anos. 17 anos fazendo besteira.
Vou parar por aqui. Sou um frustrado no amor e estou descontando no pobre mundo.

domingo, 25 de junho de 2017

25 de junho de 2017.

HANS KELSEN: - Essa ideia de “Diretas-Já” é inconstitucional. Eu sinto muito, mas lei é lei.
AMOR: - Mas seu Kelsen, faz algum sentido falar que algo é ou não é constitucional no Brasil; um país em que a Constituição é violada com emendas a cada dois meses em média?
HANS KELSEN: - Como diria um dos maiores gênios do futebol brasileiro de todos os tempos e que infelizmente me escapa o nome: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Uma coisa é um governo federal que troca diálogo por medidas provisórias e coisas do tipo. Uma coisa é deputado federal inútil que acha que vai ficar “imortal” ao colocar mais um parágrafo à constituição. Uma coisa é isso, outra coisa é desrespeitar o espírito das leis. Quando a lei é desrespeitada, mesmo com a melhor das intenções, a tempestade sangrenta surge. E não demora muito a ela despontar ao horizonte.
[Tenho que conferir. É que muitos textos deste blog ficam semanas dentro de mim e eu me esqueço de publicar. Parece que houve a aprovação de uma emenda ou coisa do tipo sobre as “diretas-já”. Tenho que conferir. De qualquer forma, parece que não fez muita diferença. Como era a citação de Marx: a tragédia (anos de 1980) e depois a farsa (2017)? De qualquer forma, o diálogo acima ainda mantém algum vigor.]

Fui vítima de um truque tão antigo quanto o próprio mundo. O autor é alguém querido, alguém que eu quero muito bem, o que justifica o efeito tremendo que o golpe teve em mim.
É; eu vou ter que fazer mesmo um pequeno jornal pessoal meu. Mas como sou hipocondríaco jurídico, o jornalzinho vai ser tão inofensivo quanto desesperado e humanista. Livros, filmes, música, essas coisas. Se eu cismar de falar mal de alguma pessoa poderosa, vai ter que ser de maneira tão indireta que nem advogados viciados em dinheiro seriam capazes de me pegar. Vai ser um jornalsinho de resenhas mesmo.
Ah, vai ser difícil mudar o mundo com um jornalzinho de resenha de filmes em cartaz e de livros que só eu leio; mas tento me consolar pensando que o jornalismo cultural feito pela grande imprensa é uma porcaria imensa que então qualquer pequeno oásis realmente autoral faz muita diferença.
Já tenho o nome do jornal e as cores dele. Só falta o resto. O resto absoluto.

Já escrevi algo sobre isso aqui: a memória é misteriosa e mágica. Há quantos anos eu não relia Minhas Mulheres e Meus Homens, de Mario Prata? As minhas histórias favoritas continuam ainda mais favoritas depois de mais de uma década e eu descubro, surpreso, que meus aforismos deste blog foram tremendamente influenciados pelo Mario Prata. Impressionante! 
Falo o tempo todo da minha dívida para com Nietzsche, Joseph Campbell, Rubem Alves, Will Durant, Lúcio Flávio Pinto, mas é aquela coisa: como estou em atividade, é difícil eu ter um distanciamento crítico para saber exatamente de onde vêm todas as minhas influencias.
É Mario Prata, você acabou de entrar oficialmente no mais marmota dos clubes: o meu panteão. Mais um pobre Virgílio a guiar esse Dante de cabeça para baixo pelos caminhos do humano.

Da série segredos que nem aos médico de cabeça a gente conta.
O LOBO DE WALL STREET (The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese, 2013)
Minha cena favorita? A da prostituta barata. Aquela que esta sentada na mesa, enquanto um cara em pé faz sexo com ela. O modo como ela olha para os executivos da sala: com genuína perplexidade. A expressão da prostituta barata diante daqueles homens acaba comigo. É minha cena favorita de um dos meus filmes favoritos.
Por que eu gosto dessa cena, Freud? Pura estética, apenas pelo humor ou há algo mais? Mas o que é este algo mais? Olhar dela, o olhar dela! Aquele olhar dela, aquele olhar dela! Ah!
CLUBE DA LUTA (Fight Club, David Fincher, 1999)
Minha cena favorita? A da mulher velha-esquelética-câncer-terminal, pedindo, por favor, para algum homem daquele grupo de apoio a doentes ir à casa dela fazer sexo com ela. Ela apela, ela repete, ela começa a chorar, conta que comprou filmes eróticos para ajudar e outros objetos eróticos com a mesma finalidade. Tem esta cena breve no YouTube. Toda vez que eu assisto essa cena eu sou partido ao meio. E eu assisto a esta cena muitas vezes.
Por quê?

FREUD: - Eu acho que você já sabe muito mais do que deixa transparecer. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

22 de junho de 2017.

- Foi o mais bonito sábado da minha vida!
HOMER SIMPSON: - Foi o mais bonito sábado da sua vida até hoje.
- Foi o melhor sábado da minha vida!
HOMER SIMPSON: - Foi o melhor sábado da sua vida até hoje.

Não consigo parar de pensar no sábado passado. E parece Deus ou o artista em sua obra criada: onipresente e invisível. Até as cores e os cheiros estão diferentes nesses últimos dias.
E como a objetividade é inútil nessas coisas: tudo pode significar um sim ou um não. Aquele gesto, aquela palavra dita, aquele engano, tudo, tudo pode ser sim ou não. O coração é poderoso e suporta tudo, tudo menos o talvez. Num momento a fé sorri para o sim e noutra sente a presença do não; mas o talvez é o tabu em sentido estrito. E estou neste balanço constante em meu peito.
E agora, o que fazer? Eu não sei. No último telefonema eu fiquei muito tempo calado, sem saber o que dizer. Foi adoravelmente aborrecente. Como leitor de Nietzsche e de Saint-Exupéry, eu deveria mesmo era seguir o coração/o mais profundo instinto.

Junho, o mês de meu aniversário. Meu presente será comprar mais livros do Lúcio Flávio Pinto, o mais importante jornalista brasileiro. Mandarei um e-mail e farei um pedido. Fiz isso em 2008, quando ganhei meu primeiro salário no serviço em Sabará. Quero e vou comprar todos os livros dele, mas como minha fonte de renda é irregular eu tenho que fazer isso aos poucos. Aos poucos, mas já no ano que vem comprarei todos que faltam.
Até penso pedir ao Lúcio dois livros que não são de autoria dele, mas que imagino deva ser mais fácil a ele encontrar do que eu (o Rio de Raivas, de Haroldo Maranhão e Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas, do Padre João Daniel; sobre a qual Lúcio escreveu recentemente em sua página na internet: https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2017/06/19/a-historia-na-chapa-quente-235/). Mas acho que já seria muito abuso. Lúcio tem humor, mas descobrir que tem um fã tão marmota como eu deve deixar ele um pouco aborrecido.
Lúcio inspirou-se, de maneira amazonida e tropical, no Isidore Feinstein Stone; poderia eu fazer algo do tipo em relação ao Lúcio? Ah... Nem um tabloide cultural eu fiz! Mas...

O poder corrompe, um chuveiro quente corrompe ainda mais. Como não sou bom em matemática, não sei se estou realmente economizando ao usar o chuveiro no lugar de Freud e Jung.

Depois de Camus, Emil Cioran (Sobre a França). Olha na companhia de que tipo de francês eu ando. Mais um pouco e eu vou abrir um bar para que meus clientes, entre uma coxinha de catupiry e uma água ardente, decifrem o propósito da existência.
Camus e Cioran. Camus em O Homem Revoltado é difícil de ler, por causa da erudição muito concentrada: em quatro frases ele atravessava séculos e escolas de pensamento com uma facilidade de moleque. A gente fica tonto ao tentar acompanhar.
Com Cioran é diferente. Cioran é anti Machado de Assis: é adjetivo demais no texto. Muito, mas muitos adjetivos! As imagens, como os aforismo de Nietzsche, são atraentes à nossa reflexão; mas Cioran enjoa rápido como um bolo doce demais e que não é nutritivo. As imagens de Nietzsche, por outro lado, são nutritivas e não enjoam (é uma questão de paladar, naturalmente, mas pelo menos é fato objetivo que Nietzsche muda de opinião o tempo todo, então de tédio os seus leitores não sofrem).
E Cioran enjoa seus leitores muito rápido. O livrinho tinha menos de 120 páginas, mas quando cheguei à página 80 eu pensei em desistir. Acabei terminando o livro sem prazer. Sem prazer mesmo. Fiquei triste e aborrecido. Pretendo me entregar aos braços do Albert Camus por toda a vida, mas o Cioran eu já vi o suficiente.

Ah, é chato falar mal de um autor aqui. Paciência! 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

14 de junho de 2017.

Eu falo muito de literatura e de filosofia por aqui. Parece algo esquisito ou “alienígena”, mas foram os livros que me salvaram.
Falo de filosofia e arte com essa informalidade de adolescente cheio de hormônios na cabeça, pois nenhuma formalidade, por mais didática e científica, seria capaz de conter a selvageria do rio que comanda tudo aqui.
Os livros me salvaram e ainda me salvam do mundo e de mim mesmo. É que pés são pisados enquanto dançamos e aprendemos com os nossos demônios e anjos, e uma formação humanista ajuda aqui como um Merthiolate seguido de Band-Aid.

E o TSE acabou absolvendo a Chapa Dilma-Temer.
Acho que a lição mais importante aqui nada tem haver com Dilma, Temer, empreiteiras querendo “ajudar” campanhas políticas e etc. É uma dessas lições fundamentais e que infelizmente temos que nos lembrar porque sempre a esquecemos, por preguiça e pela força do cotidiano. A lição é que justiça não é vingança. No caso aqui isso se transforma em: não se deve entrar com um processo se você estiver com o coração sujo. O senador Aécio Neves disse que entrou com o processo no TSE para “encher o saco”, em uma gravação divulgada por toda imprensa; e acabou prejudicando o próprio TSE, o PSDB, o PT, o PMDB, a economia e o Brasil inteiro que por semanas ficou tenso e falando sobre esse julgamento do TSE. O senador Aécio Neves é mesmo um bobo.
O PSDB entrou, ou vai entrar, com um recurso na justiça contra essa decisão do TSE. Isso vai “aguar” a decisão de origem venenosa do Aécio Neves, porque dessa vez a decisão tucana é técnica e blábláblá. E também serve para mostrar que o PSDB é independente do Governo Temer, apesar de ter decidido continuar a apoiar o Governo do Temer. Muito inteligente do ponto de vista da guerra de propaganda essa decisão do PSDB, mas vai servir de motivo para que mais gente acuse o PSDB de estar virando um “PMDB da vida”. Ou seja: de gostar de poder pelo poder.
Falei que o julgamento do TSE sobre a Chapa Dilma-Temer deixou o Brasil inteiro na expectativa e isso é verdade. Foram semanas de especulações, palpites, conversas de bastidores e tal no Brasil inteiro. Agora compare como a grande imprensa estava dois dias depois do resultado do TSE. Nada, nada!
- Se pacifica Brasil, se pacifica!

Se eu fosse editor chefe de algum órgão da imprensa, eu mandaria todos os textos repetirem o nome por extenso dos partidos políticos. Não teria essa história de no começo do texto/fala ter “o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira)” e depois, ao longo do texto/fala, “PSDB” e “PSDB”. Não, não! Repetiria o nome dos partidos por extenso sempre. Sigla-nome, sigla-nome. Seria correto do ponto de vista da gramática e ajudaria a evidenciar que entre PT, PSDB, PSOL, PCB, PPS, PEN, PP, DEM, PSB, PR e etc. não há muitas diferenças assim.
Até sou favorável a ter no Brasil muitos partidos, mas fico triste quando percebo que eles são iguais nos defeitos e que as suas qualidades não são assim ricas e nem variadas. A ideia de ter muitos partidos se justifica quando sonhamos com a possibilidade de termos muitas alternativas para um futuro feliz para o Brasil. Serem muitos os caminhos, vocês me entendem? Se existem muitas maneiras de destruir um país, deve haver, igualmente, muitas maneiras de se salvar um país. Sei lá. Acho isso.

O que uma filósofa e um filósofo mais amam? Essa é fácil: a verdade. E em segundo lugar? Certezas? Não. Colegas professores e alunos achando que você a última cocada do pacote? Também não. Um livro seu lançado com capa dura? Também não. Difícil, não é? O filósofo de cabeça para baixo aqui ajuda. O que os filósofos mais amam depois da verdade é a nota de rodapé.
As notas de rodapé! A metáfora veio a mim depois de ver na televisão uma propaganda do filme “Chocolate” (Chocolat, Lasse Hallström, 2000). Aquele filme com a Juliette Binoche e Johnny Depp. Assistiram? Recomendo. Esta só um pouquinho abaixo da média. Vamos lá, é uma comédia romântica. Só o sorriso da Binoche vale as duas horas nunca mais recuperadas para assistir ao filme.
Onde eu estava? Além de estar sempre de cabeça para baixo o filósofo aqui é disperso e dislexo. Falei do filme é porque é para vocês imaginarem uma criança, vadia e cigana, entrando frequentemente para roubar um bombom da loja mais chique e grã fina daquela cidade do filme. Imaginaram a cena? Agora vem a metáfora.
Sempre vou à prateleira ler as notas de rodapé de A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de Karl Popper.
Agora quem, quem, termina de ler todas as notas de um livro antes de ler o próprio livro?

Em vez de prestar atenção ao meu programa de radio e no programa dos meus colegas locutores a quem ajudo atendendo telefone e preparando músicas, eu fico é vendo vídeos do YouTube. Trailers de filmes e vídeos promocionais da Canon, a marca da minha câmera fotográfica.
Eu já devo ter visto todos os vídeos em que a atriz Katherine Waterston esta de cabelo curtinho. Tem umas cenas de Alien Covenant em que ela esta de boné e outras em que ela esta com uma camiseta regata bem justa e segurando uma arma; e aí eu quase tenho um ataque cardíaco.
(O pessoal jogou mesmo a toalha: os trailers tem agora média de três minutos e querem contar toda a história dos filmes. Nem tentam disfarçar. Criativo e misterioso apenas os trailers de documentários, o que é estranho e pode ser sinal de esperança. Outro detalhe: além dos trailers longos que contam a história dos filmes, ainda tem outros vídeos promocionais, tipo entrevistas com atores e tal, de modo que quase temos mais ou menos 10 minutos de filme revelados antes do mesmo ir aos cinemas.)

Você sabia que havia cidadãos estadunidenses presos na Coréia do Norte? Fiquei sabendo ontem e acho que o mundo inteiro também.
Desconfio que estejam preparando uma guerra e devagarzinho, devagarzinho estão tornando essa ideia mais palatável ao grande publico, para que este não fique muito chocado quando a guerra acontecer.

O problema é que guerra é guerra e o EUA nem salvaram o Afeganistão ainda. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

3,4,5,6 de junho de 2017

Um documentário sobre a Amy Winehouse, cantora e compositora britânica de grande talento e de vida breve e trágica. O documentário é famoso e premiado [ “Amy” (Amy, Asif Kapadia, 2015) ]. Passou hoje de tarde na televisão.
Queria destacar um ponto: temos fotos e cenas de tudo. Um registro de seu talento quando era ainda era uma adolescente, um registro de sua primeira gravação quando ela era ainda uma promessa e um registro, feito por amigos em um carro em movimento, de cartazes nas ruas londrinas anunciando o seu primeiro disco. Tudo, tudo, registrado. Tudo, tudo!
“E daí?”, as leitoas e os leitores poderiam perguntar aqui. E daí que isso é século XXI e não século XX. É importante notar isso. É século XXI essa “coisa” de querer registrar tudo e depois guardar todo esse material sem saber exatamente por que. Estavam todos prevendo que Amy seria mundialmente famosa e por isso registraram aquela cena na cozinha, aquela foto triste, aquele momento de assinatura de contrato? Muita coisa é registrada e disso, muita coisa é guardada e muita coisa também é apagada. Qual é o critério? O que bastaria para que a maioria do material exibido pelo documentário de Asif Kapadia sobre a Amy fosse ser deletado: dois discos com poucas vendas e alguns shows com poucas pessoas na plateia?
Tudo muito frágil.
- A carreira de Amy poderiam seguir o seu caminho e que diferença ter mais ou menos registros de tudo?
Não é isso que eu estou falando, é que nós gravamos e apagamos os registros no nosso século XXI de uma maneira meio cega de critérios. Não sei explicar direito. Tudo muito frágil. Gravamos e apagamos, gravamos e apagamos.
Aposto que a maioria diria que a vida dos historiadores do século XXII será mais fácil do que seus irmãos de disciplina dos séculos XX e XX, mas eu acho que poderá é ser mais difícil e pelo mesmo motivo: os nossos arquivos digitais. Essa bagunça de nossos arquivos digitais.
- Quando drama! Todos os historiadores sabem que tem que tentar montar um quebra-cabeça louco na hora de tentar decifrar o passado da humanidade. Fiquemos, por exemplo, no exemplo que iniciou esta questão: que a Amy do documentário não é a Amy de verdade qualquer historiador iniciante saberia de antemão. Qual é o risco exatamente?
- Um vídeo caseiro digital ser considerado mais completo que a Pedra de Roseta.
- Um talvez não, mas talvez milhões de vídeos digitais... O poder da quantidade...
- O poder da quantidade!

Já esta todo mundo dizendo que o julgamento da Chapa Dilma-Temer será adiado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por causa de algum pedido de vista por parte de algum juiz de lá; então eu também quero fazer parte deste círculo vicioso e também apostar que alguém pedirá vista e este julgamento que já dura “um milhão de anos” vai ainda demorar mais.
Falei em círculo vicioso, pois é óbvio que quem vai pedir vista lê jornais e ouve radio. Vai ter gente de saia preta lavando as mãos e gente de saia preta, mais consciencioso, se sentindo um verdadeiro bobo.
Alguns juízes foram para o TSE recentemente, o que é uma justificativa bastante adequada para o adiamento.
Temer completará o mandato, pois seria muito “anarquismo” ter a queda de Dilma e Temer em tão pouco tempo. Todos os políticos são “iguais”, entende? Em linguagem jurídica: precedentes. E mais: tirando Temer, quem entraria? Quem iria querer entrar?
Vamos prender a respiração até 2018 e “começar do zero” lá. Um “novo Brasil após o furacão” e blá blá blá. Mas a memória de uns, não é a memória de outros; e o veneno da mágoa vai estar lá em 2018 também.

Onde esta a máquina do tempo quando a gente precisa dela? Ir para o futuro, ler os autores certos e voltar para 2017 e dizer as coisas mais inteligentes. Parece bom, mas será que os meus contemporâneos iriam reconhecer o valor das minhas declarações?
Seria interessante responder: a Operação Lava-Jato esta agonizando ou não? As vezes acho que ela esta e as vezes acho que ela não esta. Sei que já são muitos anos e tem gente poderosa na cadeia e tal; mas também sei que já são muitos anos e as leis e o povo brasileiro continua os mesmos.

A semana passada foi maravilhosa. Quero que ela se metamorfoseie nas próximas semanas que virão. Próximas semanas e meses.

Lendo pela milésima vez trechos de Confissões de um Filósofo, de Bryan Magee. O livro de não ficção que mais li na vida. Parece sopro divino, sexo e uma deliciosa pizza gigante meia quatro queijos e meia champignon; tudo misturado e sempre. Ao alcance das mãos. Fácil, fácil. E não há tédio, pois o livro muda junto comigo.
Mas desta vez os trechos que li e reli estavam no final, o que não é comum quando folheio e releio este livro. E aí eu “viajei na maionese” (amo essa expressão popular, um tanto esquecida hoje em dia) e muito.
“As pessoas não morrem, elas ficam encantadas.” – Citação atribuída a Guimarães Rosa.
Seria estas palavras um resumo da segunda parte de O Ser e o Tempo, que Heidegger ficou de escrever e não escreveu? Seria estas palavras de Guimarães Rosa a resposta final às perguntas de Kant, e responder a Kant é a tarefa da filosofia, e que Schopenhauer tanto procurou?
Caminhar e encantar-se, caminhar e encantar-se, caminhar e encantar-se e caminhar e encantar-se; - eis o que os nossos eus podem fazer na existência.
Viajei muito na maionese?

Depois de políticos de esquerda e de direita, temos os políticos empresários e que se exibem pela mídia de maneira mais “nova” e “direta”. Tipo o prefeito de São Paulo, o Dória e o Kalil aqui em Belo Horizonte. Mais uma maneira de unir e pacificar o povo, uma vez que essas discussões entre esquerda e direita nos últimos tempos mais assustam vê nos deixam com raiva do que qualquer outra coisa.
- Oba, oba!
Hum, hum, sei, sei. Um bom político-administrador talvez arrume o buraco na minha rua mais rápido, mas o “fim” das discussões entre direita e esquerda não pode ser o fim das ideias e valores: questões como “porque esta penitenciaria nova antes de uma escola nova” ou “porque aumento de salário para políticos antes de construir um hospital”, continuarão. Devem continuar. As discussões entre esquerda e direita vão continuar.

Até mesmo porque é humano e saudável conversar sobre política. Então desconfiem quando ouvirem essa conversa “bonitinha” de “fim das discussões entre direita e esquerda”. Isso é ruim, isso não é democrático e justo. Isso é ruim. E de direita, aliás.