Voltaire ajuda

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

26 de maio de 2017.

- Os corpos besuntados dos bailarinos negros é uma referência à escravidão ou é apenas um truque copiados das competições de halterofilismo? Eu conheço o halterofilismo e não sabia que os escravos negros tinham seus corpos besuntados para disfarçar as feridas dos meses e meses de transporte precário nos navios negreiros. Eu acredito que assim como eu, a Mallu Magalhães deve conhecer mais o halterofilismo e como mostrar mais atraente um corpo já atlético, do que detalhes técnicos do tráfico de escravos. Que a equipe dela seja composta, digamos, para efeito de "exercício mental", por mil pessoas não muda muita coisa: a história da escravidão negra ainda é bastante ignorada.

- O detalhe da "hipersexualização" na crítica de João Vieira é tão grosseiramente moralista que é difícil tentar ser equilibrado ao comentar aqui. Ora, se quis fazer um clipe sensual. Como se faz um clipe sensual? Bom, deve ter mil maneiras de se fazer um clipe sensual com bailarinos negros, sem ofender alguém mas acreditar que a ofensa foi proposital é demais.

Estamos no Brasil em 2017 e queremos reformar como o negro é retratado no Brasil. João Vieira quer, eu quero e até a Mallu Magalhães também deve querer, mas é natural que neste longo caminho erros aconteçam. E enganos também.
Acredito na salvação pela arte, uma das poucas coisas em que realmente eu acredito. Na arte livre. Não sou ingênuo, mas para atacar uma obra de arte eu realmente sou reticente. É que qualquer erro na dose a criatividade recua e a criatividade demora tempo demais para se recuperar. E aí todo mundo sofre. Todo mundo.
Até por uma questão de etiqueta, de educação, devo presumir que Mallu Magalhães não teve a intensão de machucar. No máximo fez um clipe de mau gosto. Naturalmente que um clipe musical de mau gosto não é pouca coisa, mas realmente acho que o pessoal exagerou. 
Mas talvez eu esteja enganado e o "trem da história" esta passando mais rápido do que eu possa perceber. As coisas mudam. Perder o "trem da história" é ruim, mas ser um chato implicante também.
Acho que inconscientemente eu devo estar pressentindo algo de minha falta de atenção, pois escrever este texto foi bem cansativo para mim.
E também me lembro que eu fiquei meio assustado quando vi, anos atrás, uma criança européia defendendo de maneira bem sofisticada o ateísmo. Eu realmente fiquei assustado com aquilo.
Não quero perder o "trem da história". 
http://virgula.uol.com.br/musica/voce-nao-presta-7-estereotipos-racistas-reforcados-por-mallu-magalhaes-em-clipe/#img=1&galleryId=1079011 

Meu computador esta dando sinais de que quer se aposentar. Ele é de 2007. Bravo computador! Foi o segundo computador da família e foi com ele que conhecemos a internet e o mundo da computação mesmo. Tenho que lembrar aqui de contar algumas histórias do primeiro computador e da internet daquele tempo. Salas de bate-papo do UOL, Icq, barulho da conexão, disquetes e a placa de fax modem que queimava o tempo todo e etc.

Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, foi ontem, em uma cerimônia com industriais e falou de bilhões e milhões para ajudar a indústria de Minas e tal.
Quem tem esse dinheiro, Governador? Você não quer vender um monte de prédios do Governo ou alugar eles por causa da crise? Enquanto isso a Santa Casa fecha centenas de leitos e o Governo de Minas não paga-lhe o que deve. 
É tão básico! Por favor, Governador; fique com a boca calada.
Com certeza, se fôssemos espanhóis e estivéssemos em Barcelona em 1991, diríamos e ouviríamos coisas do tipo: "Mas essa Olimpíada é um luxo agressivo! Temos tantas coisas básicas ainda a resolver e esses políticos nos inventam uma coisa dessas!" Ocorre que o básico em Barcelona em 1991 não é tão básico quanto o básico no Brasil de 2017 ou no Rio de Janeiro de 2013.
E por falar em Rio de Janeiro: quantos milhões e milhões o Governo Federal já deu para este estado? Como brasileiro eu amo o Rio, mas tudo tem limite e eu acho que é hora do povo fluminense tomar uma atitude firme.

Eu escrevi "um beijo" e ela me respondeu "um abraço". Isso pode ser nada, mas também pode ser um universo inteiro. A porcaria de um universo inteiro.

Não existe um "sindicato único pelos negros" e um "sindicato único pelo feminismo", o que é bom para a liberdade; mas complica pois sempre haverá militantes pelos negros e pelas mulheres a nos dizerem diante de uma situação polêmica: "é mesmo, o pessoal tava bem intencionado mas exagerou"; e "polícia, processo, não pode ceder mais, não é para isso se repetir!". 
Daí que a gente repete o velho apelo pelo diálogo e empatia. E a calma. 


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