Voltaire ajuda

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

24 de maio de 2017.

A geladeira esta fazendo tanto barulho que, eu seguindo o princípio de A Navalha de Ockhan, apenas posso pensar que ela fora possuído por algum espírito da floresta. 

O protesto em Brasília não teve muita gente, mas teve muita violência: depredações e até salas pegando fogo. A violência nas manifestação, sabemos, é ruim como toda violência, e não vai fazer Brasília sentir compaixão pelo Brasil. Lamentável.
Independente de Temer completar o mandato ou não, o veneno para a próxima liderança do Executivo será grande. A economia estará bem melhor, eu sei, mas o veneno estará lá. A democracia esta sofrendo. A Dilma era fraca, mas era para ela ter recebido ajuda e continuado. Por outro lado, Temer teve ajuda e boa vontade e estamos desse jeito. Mas é melhor ajudar do que derrubar, mas acreditar nisso diante de figuras como Dilma ou Temer é realmente complicado. 

Estou lendo meu primeiro livro sobre povos indígenas. Quando eu tinha uns 10 anos, fiquei o dia inteiro, nas férias, assistindo aquela antiga série Xingu que meu pai e eu gravamos na fita VHS. Lembram? Passava na Rede Manchete os episódios. Mas ficou apenas nisso, meu precoce engajamento intelectual quanto aos índios.
Durante os anos da faculdade, fui para o Mato Grosso participar da comemoração pelos 50 anos de casado de um tio-avô. Minha mãe falou assim para mim:
- Quando eu era mais nova, fui a Mato-Grosso e vi alguns índios. Eles eram altos, forte e bonitos. 
Quando cheguei na rodoviária eu vi os únicos índios que eu veria em toda essa viagem: baixinhos, gordos, com bermudão, chinelão e camisa do Flamengo. Pensei que eu estava dentro de uma piada do Casseta&Planeta, de tão perfeitamente sem graça que era todo o episódio. 
É realmente doloroso, como brasileiro, ler alguma coisa sobre índios. E não importa se você é ativista ou não, dói do mesmo jeito. É óbvio que é melhor ser um ativista e tal, mas dói do mesmo jeito. Me entendem? 

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