Voltaire ajuda

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segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de maio de 2017.

Carlos Vianna, jornalista da radio Itatiaia, criticou hoje um protesto marcado para esta quarta-feira na capital Brasília. “Quem tem tempo para viajar até Brasília numa quarta-feira?”, ele questionou. É um questionamento interessante. Fiquei pensando muito nisso. Existe dia certo da semana para mudar o Brasil ou pelo menos manifestar o que pensamos e sentimos sobre o que acontece em nosso país?
Os manifestantes vão perder pelo menos dois dias de serviço, no mínimo. O desemprego no Brasil é enorme atualmente e muitos patrões vão fechar a cara se um empregado fizer um pedido de folga com esta justificativa. Contra a Dilma e o Partido dos Trabalhadores, houve muitas manifestações no domingo de manhã e outras que foram de domingo de manhã e até domingo a tarde, com tempo para os manifestantes voltarem para casa, prepararem o jantar e assistir ao Faustão e ao Fantástico, da Rede Globo junto com suas famílias. Ou outros programas de tevê. A alternativa aqui, mais popular, é filmes. Assistir filmes. É uma opção razoável só haver manifestações para mudar o Brasil no domingo? É bom recordar que a imprensa disse que estas manifestações de domingo ajudaram a derrubar a Dilma e o PT, embora seja bom relevar: do jeito que as coisas estavam até o bater das asas de uma borboleta no Tibet derrubaria Dilma e o PT.
Repito: é uma opção razoável só haver manifestações para mudar o Brasil no domingo? É uma questão complicada. Veja o detalhe das ambulâncias e da Polícia Militar. No domingo, quando tinha as manifestações contra Dilma e o PT, com certeza havia ambulâncias precisando andar pelas ruas cheias de gente. A gente não via isso pela tevê, mas eu sei que no domingo existem acidentes acontecendo e pessoas doentes precisando de ajuda. A Polícia Militar pode ter mais dificuldade para manter a ordem numa manifestação em um dia útil, do que no fim de semana, é verdade; mas para isto existe planejamento: até mesmo para ter bastante gente, os organizadores avisam todo mundo que o protesto vai acontecer. O pessoal se prepara. 
Ou deveria. Lembro-me de uma vez que o grupo musical U2 fez um show em São Paulo, o pessoal não prestou muita atenção e o congestionamento foi colossal, até para os padrões de São Paulo. Eu lembro, foi sinistro o trem. Acho que não havia muitos fãs de U2 trabalhando na prefeitura de São Paulo naquele ano.

Se você ler o livro de memórias de algum importante jornalista político aposentado, com certeza você vai encontrar trechos como: “apresentei fulano para o ministro”, “o secretário me perguntou, totalmente fora do contexto da conversa, sobre uma terrível dúvida que ele tinha”, “telefonei para o Presidente”, “a prefeita confidenciou-me alguns segredos de alguns desafetos políticos” e etc. Coisa natural, esperada. Nada demais, qualquer jornalista político tem histórias interessantes para contar e nem todas ele pode contar na época em que trabalhava e tal.
O que é muito difícil encontrar em algum livro de memórias de algum jornalista político é que o mesmo tenha participado de alguma manifestação pela diminuição do preço da passagem de ônibus, junto com o povão.
No meio da semana. Tipo, por exemplo, numa terça-feira.

O silêncio da casa as vezes cria algum problema com a privacidade. Se bem que não há demônios que sejam desconhecidos por nós por aqui.
- Aí chamamos um fotógrafo e...
- Fotógrafo? Porque vocês não chamaram o Aldrin?
- Ah, o Aldrin não sabe trabalhar.
Ah, ah! Sem mágoa e raiva, pois sei o que você sente quando olha para ela, olha para mim e olha para o que você esperava e o que você fez pela sua própria vida.
Como vocês podem ver, nem sempre quando falamos a verdade os anjos nos acompanham.

São muitos os questionamentos críticos feitos à Lava-Jato, a grande investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Lava-Jato e as investigações “filhas” dela. Muitos desses questionamentos são de natureza técnica, feita por pessoas que não são contrárias às investigações.
Será que a Polícia Federal e sua Lava-Jato saíram do controle? O diacho é que o Brasil é um país tão complicado, mas tão complicado que é difícil saber a diferença entre o caos completo e a linha reta e dura da justiça.

Ler um livro e resumir este mesmo livro para terceiros são coisas distintas. Bom, parabéns a mim: descobri a América! Tomemos como exemplo o último livro que li: O Homem Revoltado, de Albert Camus. Meu primeiro Camus, aliás.
Livro curto, mas denso e complicado. Precisarei ler várias vezes e até mesmo destrinchar parágrafo por parágrafo. O bichinho é nervoso assim.
Agora, alguma coisa eu entendi nesta primeira leitura. Agora; o que você diria se eu lhe dissesse que o livro é um elogio ao serviço voluntário em creches, na alfabetização de adultos, na praia protegendo filhotes de tartaruga e outras coisas do tipo? Que o livro é uma crítica às revoluções por meio da violência? Que o livro alerta sobre o lado assassino das doutrinas e utopias políticas mais bonitinhas e inofensivas?
Fica parecendo mesmo que o livro não é lá grande coisa. Ou pelo menos nada tem de super fantástico.

Nada substitui uma leitura em primeira mão. Então vão lá!

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