Voltaire ajuda

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

29 de maio de 2017.

QUEIJO: - Você pode resistir ao chamado que vem do meio das pernas, mas não ao chamado que vem do coração. Não pode evitar se apaixonar inesperadamente. A fidelidade é antinatural.
AMOR: - Tanto quanto a Grande Pirâmide de Quéops. E seu queijo ricota, você esquecestes a lição de Vinícius? Cada relacionamento verdadeiro será infinito.
QUEIJO: - Diante da falta de confiança em cada novo relacionamento e diante de uma traição, isso dificilmente servirá de consolo.
AMOR: - Mas você procura consolo ou procura a verdade?

E a Samarco venceu: a mineradora voltará a funcionar em Mariana. Nem precisou mudar de nome, como o jornalista Eduardo Costa uma vez disse na radio Itatiaia quando a maior tragédia ambiental não tinha completado um mês e tudo parecia contra a mineradora. Mas segura dos 15 mil empregos que tem nas mãos diante de uma cidade sem alternativas, peitou os tribunais, enrolou o máximo que pode, fez meia dúzia de reformas “mixurucas” em prol do meio ambiente, pagou um “tiquinho” das inúmeras multas impostas e etc. e tal.
E o Ministério Público de Minas Gerais esta se sentindo como a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo sentiu logo após os ataques do PCC.
Provavelmente o resto das multas será paga de maneira “indireta”, ao longo de anos, por meio de benefícios aos seus funcionários pobres, algumas creches para os filhos dos funcionários e moradores da região; e outras migalhas que parecem reluzir como “ouro”. Mas não são ouro.

Ei ei, computador computador! Eu ligo e depois reinicio, reinicio, reinicio e reinicio até o computador de 2007 “pegar no tranco”!
Não sei até quando eu e o computador conseguiremos resistir. O plano é comprar um computador novo apenas no ano que vem. Vou sentir falta do Windows XP, que não para poucos entendidos foi o melhor sistema operacional que a Microsoft já criou.

Qual é a verdadeira vantagem de escolher o Bem em vez do Mal? É a mais pura aborrecência: você rema contra a maré das multidões, contra as leis injustas (a maioria, como ensina o anarquismo?), contra o azar, a preguiça, o universo, contra tudo e contra todos. Você escolhe o Bem por grito, por raiva e protesto. No século XXI você só pode ser uma pessoa boa com sangue fervendo e olhos crispados? Parece que sim.
Não faz muito sentido, faz?

Minha fama de ateu malvado iria para o brejo se vissem como eu escuto “Santa Clara Clareou”, de Jorge Ben e “Sweet Lord”, de George Harrison, sozinho em meu quarto.
Não sou ateu, eu sou agnóstico, eu não tenho certeza se Deus existe ou não. É que a primeira frase lá em cima perderia o seu efeito poético se eu escrevesse “agnóstico” em vez de “ateu”. Entendem? Me perdoam? Primeiro o lirismo, depois o resto. Primeiro a beleza, depois a verdade. Estou errado ou certo, Anatole France?
Acho que já escrevi algo parecido aqui neste blog. Vou conferir. Morro de medo de me repetir. Limpar esgotos, assinar a revista Veja ou trabalhar com jornalismo policial ou jornalismo de colunismo social; tudo bem; mas ser um artista e se repetir? Nunca! Cruz credo!

Tédio. Tédio é algo terrível, devora e desrespeita o tempo e o tempo é um dos tesouros mais preciosos do humano. Graças a minha incompetência formidável, a minha vida de fotógrafo não é tediosa. Dá-lhe, dá-lhe fotos e fotos desfocadas! Espero em breve usar motivos melhores para que minha vida de fotógrafo fuja do tédio.

“Pescador de ilusões” (The Fisher King, Terry Gilliam, 1991).
Eu amo este filme. Simplesmente amo. Por Júpiter, como eu amo este filme! Mais que “Cinema Paradiso” (Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore, 1988)? Talvez, talvez.
Uma vez este filme de Gilliam passou na tevê e eu estava com uma vontade tremenda de ir ao banheiro, sentindo uma daquelas dor de barriga de te partir ao meio mesmo; mas eu consegui me conter. Por amor. O amor pode tudo.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

26 de maio de 2017.

- Os corpos besuntados dos bailarinos negros é uma referência à escravidão ou é apenas um truque copiados das competições de halterofilismo? Eu conheço o halterofilismo e não sabia que os escravos negros tinham seus corpos besuntados para disfarçar as feridas dos meses e meses de transporte precário nos navios negreiros. Eu acredito que assim como eu, a Mallu Magalhães deve conhecer mais o halterofilismo e como mostrar mais atraente um corpo já atlético, do que detalhes técnicos do tráfico de escravos. Que a equipe dela seja composta, digamos, para efeito de "exercício mental", por mil pessoas não muda muita coisa: a história da escravidão negra ainda é bastante ignorada.

- O detalhe da "hipersexualização" na crítica de João Vieira é tão grosseiramente moralista que é difícil tentar ser equilibrado ao comentar aqui. Ora, se quis fazer um clipe sensual. Como se faz um clipe sensual? Bom, deve ter mil maneiras de se fazer um clipe sensual com bailarinos negros, sem ofender alguém mas acreditar que a ofensa foi proposital é demais.

Estamos no Brasil em 2017 e queremos reformar como o negro é retratado no Brasil. João Vieira quer, eu quero e até a Mallu Magalhães também deve querer, mas é natural que neste longo caminho erros aconteçam. E enganos também.
Acredito na salvação pela arte, uma das poucas coisas em que realmente eu acredito. Na arte livre. Não sou ingênuo, mas para atacar uma obra de arte eu realmente sou reticente. É que qualquer erro na dose a criatividade recua e a criatividade demora tempo demais para se recuperar. E aí todo mundo sofre. Todo mundo.
Até por uma questão de etiqueta, de educação, devo presumir que Mallu Magalhães não teve a intensão de machucar. No máximo fez um clipe de mau gosto. Naturalmente que um clipe musical de mau gosto não é pouca coisa, mas realmente acho que o pessoal exagerou. 
Mas talvez eu esteja enganado e o "trem da história" esta passando mais rápido do que eu possa perceber. As coisas mudam. Perder o "trem da história" é ruim, mas ser um chato implicante também.
Acho que inconscientemente eu devo estar pressentindo algo de minha falta de atenção, pois escrever este texto foi bem cansativo para mim.
E também me lembro que eu fiquei meio assustado quando vi, anos atrás, uma criança européia defendendo de maneira bem sofisticada o ateísmo. Eu realmente fiquei assustado com aquilo.
Não quero perder o "trem da história". 
http://virgula.uol.com.br/musica/voce-nao-presta-7-estereotipos-racistas-reforcados-por-mallu-magalhaes-em-clipe/#img=1&galleryId=1079011 

Meu computador esta dando sinais de que quer se aposentar. Ele é de 2007. Bravo computador! Foi o segundo computador da família e foi com ele que conhecemos a internet e o mundo da computação mesmo. Tenho que lembrar aqui de contar algumas histórias do primeiro computador e da internet daquele tempo. Salas de bate-papo do UOL, Icq, barulho da conexão, disquetes e a placa de fax modem que queimava o tempo todo e etc.

Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, foi ontem, em uma cerimônia com industriais e falou de bilhões e milhões para ajudar a indústria de Minas e tal.
Quem tem esse dinheiro, Governador? Você não quer vender um monte de prédios do Governo ou alugar eles por causa da crise? Enquanto isso a Santa Casa fecha centenas de leitos e o Governo de Minas não paga-lhe o que deve. 
É tão básico! Por favor, Governador; fique com a boca calada.
Com certeza, se fôssemos espanhóis e estivéssemos em Barcelona em 1991, diríamos e ouviríamos coisas do tipo: "Mas essa Olimpíada é um luxo agressivo! Temos tantas coisas básicas ainda a resolver e esses políticos nos inventam uma coisa dessas!" Ocorre que o básico em Barcelona em 1991 não é tão básico quanto o básico no Brasil de 2017 ou no Rio de Janeiro de 2013.
E por falar em Rio de Janeiro: quantos milhões e milhões o Governo Federal já deu para este estado? Como brasileiro eu amo o Rio, mas tudo tem limite e eu acho que é hora do povo fluminense tomar uma atitude firme.

Eu escrevi "um beijo" e ela me respondeu "um abraço". Isso pode ser nada, mas também pode ser um universo inteiro. A porcaria de um universo inteiro.

Não existe um "sindicato único pelos negros" e um "sindicato único pelo feminismo", o que é bom para a liberdade; mas complica pois sempre haverá militantes pelos negros e pelas mulheres a nos dizerem diante de uma situação polêmica: "é mesmo, o pessoal tava bem intencionado mas exagerou"; e "polícia, processo, não pode ceder mais, não é para isso se repetir!". 
Daí que a gente repete o velho apelo pelo diálogo e empatia. E a calma. 


quarta-feira, 24 de maio de 2017

24 de maio de 2017.

A geladeira esta fazendo tanto barulho que, eu seguindo o princípio de A Navalha de Ockhan, apenas posso pensar que ela fora possuído por algum espírito da floresta. 

O protesto em Brasília não teve muita gente, mas teve muita violência: depredações e até salas pegando fogo. A violência nas manifestação, sabemos, é ruim como toda violência, e não vai fazer Brasília sentir compaixão pelo Brasil. Lamentável.
Independente de Temer completar o mandato ou não, o veneno para a próxima liderança do Executivo será grande. A economia estará bem melhor, eu sei, mas o veneno estará lá. A democracia esta sofrendo. A Dilma era fraca, mas era para ela ter recebido ajuda e continuado. Por outro lado, Temer teve ajuda e boa vontade e estamos desse jeito. Mas é melhor ajudar do que derrubar, mas acreditar nisso diante de figuras como Dilma ou Temer é realmente complicado. 

Estou lendo meu primeiro livro sobre povos indígenas. Quando eu tinha uns 10 anos, fiquei o dia inteiro, nas férias, assistindo aquela antiga série Xingu que meu pai e eu gravamos na fita VHS. Lembram? Passava na Rede Manchete os episódios. Mas ficou apenas nisso, meu precoce engajamento intelectual quanto aos índios.
Durante os anos da faculdade, fui para o Mato Grosso participar da comemoração pelos 50 anos de casado de um tio-avô. Minha mãe falou assim para mim:
- Quando eu era mais nova, fui a Mato-Grosso e vi alguns índios. Eles eram altos, forte e bonitos. 
Quando cheguei na rodoviária eu vi os únicos índios que eu veria em toda essa viagem: baixinhos, gordos, com bermudão, chinelão e camisa do Flamengo. Pensei que eu estava dentro de uma piada do Casseta&Planeta, de tão perfeitamente sem graça que era todo o episódio. 
É realmente doloroso, como brasileiro, ler alguma coisa sobre índios. E não importa se você é ativista ou não, dói do mesmo jeito. É óbvio que é melhor ser um ativista e tal, mas dói do mesmo jeito. Me entendem? 

terça-feira, 23 de maio de 2017

23 de maio de 2017.

Quantas vezes o prefeito João Dória já deu entrevistas ao Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes de Televisão, nas últimas semanas? 2018 mesmo, héin? Impressionante! Mas a estratégia é inteligente sim: se Dória vencer a Cracolândia ele chega a Brasília em 2018. Muita gente ainda torce o nariz para o Bolsonaro, que como é de um partido pequeno vai ter que se complicar para conseguir apoio de um monte de partidos pequenos. Dória já é de um partido grande.

Mas a Bandeirantes não morre de amores apenas pelo Dória, também gosta do Temer. “Não é pelo Temer, é pelas reformas que o Brasil precisa!”; “A quem interessa um Congresso e um Brasil paralisado pela oposição?”; “Logo agora que a economia esta começando a respirar desde a maior crise desde os tempos da pedra lascada, vocês querem botar fogo em tudo? Olhe a responsabilidade para com o país! Olhe como a bolsa de valores sofreu na última semana!”; “A gravação foi editada e esses delatores são uns bundões!”; é a mensagem subliminar (e nem tão subliminar, em se tratando de jornalismo daquela emissora) transmitida desde a semana passada pelo Jornal da Band.
Rodrigo Maia vai segurar os pedidos de impeachment o máximo que puder e as manifestações ainda estão bem fracas. A gente esta chocado, mas também cansado. Temer tem experiência e sabe o que faz, já deve ter até um plano Z. rs rs O cara é muito forte. Agora, um pedido de impeachment da OAB nacional tem um peso danando tem.

Não era um maribondo qualquer que estava sendo devorado por aquela aranha. Era o maribondo que fez uma casinha de argila naquela corda fina que fica na cortina. Qual o nome daquele trem? Esqueci. A parte mais frágil da cortina inteira e o maribondo inventa de fazer uma casa para ele justamente ali! Ele fez e se trancou lá. Por meses. Sei lá, vai ver ele gostou de algum documentário do Discovery sobre ursos polares e cismou de hibernar também. Aí quando ele sai do casulo cai na teia da aranha, ele  é devorado. E é sempre bom lembrar que o veneno da aranha é para paralisar, ou seja: o cara é devorado... Entenderam, não é?
Como todo animal humano,  igual a quem me lê agora, sou instintivamente hábil em criar símbolos e significados. Eu estava triste e tinha que dar um jeito de me consolar. Imaginei que a aranha que devorava o maribondo era também o maribondo que devorava a aranha, que não havia morte ou nascimento e que a vida era na realidade um rio que ninguém sabia de onde vinha e nem para onde vai. E pronto. Pensamento meio oriental e meio filme “Contato” (Contact, Robert Zemeckis, 1997), aquele com a Jodie Foster. 

Memória afetiva é algo poderoso. Poderoso demais. Da até um frio na espinha se pensar direito nisso.
Eu simplesmente não consigo encontrar uma versão de “O Molvavia”, de Smetana, que me agrade. Simplesmente porque todas são diferentes do registro que meu pai botava para tocar naquele disco de vinil que a gente escutava quando eu era criança.
Sempre acho que tocam esta música de Smetana muito rápido. Ela tem que ser tocada mais lentamente, mas parece que quanto mais afamado é um maestro, mais ele sofre de ejaculação precoce na hora de reger a orquestra.
Smetana foi internado em um hospício injustamente. Se viesse parar aqui, nos dias de hoje, ele ia pedir para ser internado! Olhe o que estão fazendo com a música dele, ô Caracas!


segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de maio de 2017.

Carlos Vianna, jornalista da radio Itatiaia, criticou hoje um protesto marcado para esta quarta-feira na capital Brasília. “Quem tem tempo para viajar até Brasília numa quarta-feira?”, ele questionou. É um questionamento interessante. Fiquei pensando muito nisso. Existe dia certo da semana para mudar o Brasil ou pelo menos manifestar o que pensamos e sentimos sobre o que acontece em nosso país?
Os manifestantes vão perder pelo menos dois dias de serviço, no mínimo. O desemprego no Brasil é enorme atualmente e muitos patrões vão fechar a cara se um empregado fizer um pedido de folga com esta justificativa. Contra a Dilma e o Partido dos Trabalhadores, houve muitas manifestações no domingo de manhã e outras que foram de domingo de manhã e até domingo a tarde, com tempo para os manifestantes voltarem para casa, prepararem o jantar e assistir ao Faustão e ao Fantástico, da Rede Globo junto com suas famílias. Ou outros programas de tevê. A alternativa aqui, mais popular, é filmes. Assistir filmes. É uma opção razoável só haver manifestações para mudar o Brasil no domingo? É bom recordar que a imprensa disse que estas manifestações de domingo ajudaram a derrubar a Dilma e o PT, embora seja bom relevar: do jeito que as coisas estavam até o bater das asas de uma borboleta no Tibet derrubaria Dilma e o PT.
Repito: é uma opção razoável só haver manifestações para mudar o Brasil no domingo? É uma questão complicada. Veja o detalhe das ambulâncias e da Polícia Militar. No domingo, quando tinha as manifestações contra Dilma e o PT, com certeza havia ambulâncias precisando andar pelas ruas cheias de gente. A gente não via isso pela tevê, mas eu sei que no domingo existem acidentes acontecendo e pessoas doentes precisando de ajuda. A Polícia Militar pode ter mais dificuldade para manter a ordem numa manifestação em um dia útil, do que no fim de semana, é verdade; mas para isto existe planejamento: até mesmo para ter bastante gente, os organizadores avisam todo mundo que o protesto vai acontecer. O pessoal se prepara. 
Ou deveria. Lembro-me de uma vez que o grupo musical U2 fez um show em São Paulo, o pessoal não prestou muita atenção e o congestionamento foi colossal, até para os padrões de São Paulo. Eu lembro, foi sinistro o trem. Acho que não havia muitos fãs de U2 trabalhando na prefeitura de São Paulo naquele ano.

Se você ler o livro de memórias de algum importante jornalista político aposentado, com certeza você vai encontrar trechos como: “apresentei fulano para o ministro”, “o secretário me perguntou, totalmente fora do contexto da conversa, sobre uma terrível dúvida que ele tinha”, “telefonei para o Presidente”, “a prefeita confidenciou-me alguns segredos de alguns desafetos políticos” e etc. Coisa natural, esperada. Nada demais, qualquer jornalista político tem histórias interessantes para contar e nem todas ele pode contar na época em que trabalhava e tal.
O que é muito difícil encontrar em algum livro de memórias de algum jornalista político é que o mesmo tenha participado de alguma manifestação pela diminuição do preço da passagem de ônibus, junto com o povão.
No meio da semana. Tipo, por exemplo, numa terça-feira.

O silêncio da casa as vezes cria algum problema com a privacidade. Se bem que não há demônios que sejam desconhecidos por nós por aqui.
- Aí chamamos um fotógrafo e...
- Fotógrafo? Porque vocês não chamaram o Aldrin?
- Ah, o Aldrin não sabe trabalhar.
Ah, ah! Sem mágoa e raiva, pois sei o que você sente quando olha para ela, olha para mim e olha para o que você esperava e o que você fez pela sua própria vida.
Como vocês podem ver, nem sempre quando falamos a verdade os anjos nos acompanham.

São muitos os questionamentos críticos feitos à Lava-Jato, a grande investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Lava-Jato e as investigações “filhas” dela. Muitos desses questionamentos são de natureza técnica, feita por pessoas que não são contrárias às investigações.
Será que a Polícia Federal e sua Lava-Jato saíram do controle? O diacho é que o Brasil é um país tão complicado, mas tão complicado que é difícil saber a diferença entre o caos completo e a linha reta e dura da justiça.

Ler um livro e resumir este mesmo livro para terceiros são coisas distintas. Bom, parabéns a mim: descobri a América! Tomemos como exemplo o último livro que li: O Homem Revoltado, de Albert Camus. Meu primeiro Camus, aliás.
Livro curto, mas denso e complicado. Precisarei ler várias vezes e até mesmo destrinchar parágrafo por parágrafo. O bichinho é nervoso assim.
Agora, alguma coisa eu entendi nesta primeira leitura. Agora; o que você diria se eu lhe dissesse que o livro é um elogio ao serviço voluntário em creches, na alfabetização de adultos, na praia protegendo filhotes de tartaruga e outras coisas do tipo? Que o livro é uma crítica às revoluções por meio da violência? Que o livro alerta sobre o lado assassino das doutrinas e utopias políticas mais bonitinhas e inofensivas?
Fica parecendo mesmo que o livro não é lá grande coisa. Ou pelo menos nada tem de super fantástico.

Nada substitui uma leitura em primeira mão. Então vão lá!

domingo, 21 de maio de 2017

21 de maio de 2017.

Consegui atualizar o meu Digital Photo Professional, o programa que uso para editar fotos. Coisa boa, pois a versão que eu tinha é de 2013. Não sei se atualizei tudo que podia, mas as mudanças que consegui me agradaram bastante.

E foi relativamente fácil, até usei um programa que descompacta arquivos. Achei que nunca saberia usar um desses programas que descompacta arquivos. Mas foi só preciso um pouco de coragem e intuição para mexer no trem. É bom lembrar que os bobos sempre são maioria no mundo, de modo que essas coisas sofisticadas tem que ser feitas para nós também. Essa coisa de descompactar arquivos é meio “mágica”.

As mudanças foram que agora eu tenho mais estilos prontos de imagens e o filtro para tirar fotos em HDR (High Dinamic Range). Os estilos prontos de imagens são legais, mas eu perco uns 6 segundos para “abrir a janela” onde estão os novos estilos e testá-los. Uns seis segundos para testar cada um dos seis, todas as vezes é bastante tempo. Se eles estivem no mesmo lugar dos antigos estilos prontos, me pouparia bastante tempo. Os estilos são: Nostalgia, Clear, Twilight, Emerald, Autumn Hules, P-Studio e P-Snapshot. Cada estilo pronto é útil, a partir deles a gente pode fazer modificações na fotografia. Assim como com o filtro HDR.

O filtro HDR é famoso. Lembro-me que muitas vezes eu via fotografias na internet e parecia-me que havia uma semelhança anormal entre todas aquelas fotografias. Eu associava essa semelhança a algum programa de computador, provavelmente o todo-poderoso-e-popular PhotoShop, que a fotógrafa ou fotógrafo com certeza usou. Mas era principalmente esse filtro HDR.
Seria interessante explicar o que ele faz. Bom, digamos que ele mostre detalhes onde tem sombra e onde tem claridade demais na foto, mas faz isso de uma maneira “forçada”: a fotografia fica parecendo um desenho, com muito relevo e um “misterioso véu rubro”.
Desculpem-me o “misterioso véu rubro”, mas é que eu não sei explicar essa mudança de saturação que o filtro HDR produz na foto, e é coisa importante para mim pois é justamente para mim o seu pior defeito. A questão do relevo para mim não é problema, adoro relevo nas fotos desde que li uma pequena biografia de Michelângelo há muito tempo.
Comecei usando muito o filtro HDR, mas depois parei e só uso ele de vez enquanto. Gostei disso, pois fiquei com medo de ficar “viciado” nesse filtro para fotografias. Para ser sincero, esse filtro HDR só é bom mesmo para mim para ajudar depois que eu decido que determinada fotografia vai ficar em preto e branco, e mesmo assim só as vezes.

Fiquei mais de um mês sem editar fotos. Tive meu frequente momento de “perda de gás”. Difícil lutar contra isso. Falta de concentração, perda de vontade; fortes inimigos!

Vou mandar imprimir mais cartões de fotógrafo. Preciso mais de serviços. O casal que estava esperando os filhos gostou das fotos minhas, não sou um profissional tão imprestável assim.

Um interessante dilema: a calça cheia de urina atrapalha a publicação de uma foto cheia de beleza e humanidade? Não dá para publicar aquela foto dos dois simpáticos bêbados, apesar do pedido de um deles. É que o amigo dele, como eu disse, estava em um estado degradante. E adeus aos sorrisos e olhares brilhantes, apesar de tudo. Mas se eu fosse um jornalista em serviço e se fosse durante uma tragédia natural tipo enchente ou vulcão com feridos? É real, aconteceu e não era apenas eu que estava vendo. As pessoas tiram fotos de mendigos e mendigos são pessoas em estado degradante. É... Um interessante dilema.
Mas decidi não publicar a foto. Fiz uma entrevista com um alcoólatra, na época da faculdade, e ele me disse depois que foi essa entrevista que o fez vencer o vício. Isso é com certeza a única coisa que preste que eu realizei em toda a minha vida, mas não posso esperar que uma foto tenha um efeito semelhante caso ela causasse alguma polêmica.

Já foi dito que apesar de tudo, e bota muito “tudo” aqui, o Brasil e os Estados Unidos tem muita coisa em comum. Assim como eles nós somos um povo violento e temos uma história violenta. E barris explosivos “sociais” esperando só a sua vez, também existem lá e aqui; de modo que é sempre útil encontrar formas para pacificar as coisas. De várias maneiras, inclusive as bobas e alienantes. Seria o caso dos filmes de Hollywood que contam e recontam o passado estadunidense de maneira maniqueísta e gloriosa? Talvez, pois a arte é algo que sempre vai ultrapassar classificações sociológicas e políticas: um filme alienante pode fazer sim um líder desabrochar na plateia do cinema.
No Brasil, por sermos um país muito pobre, em vez de filmes temos novelas da Globo. Recentemente temos a “Novo Mundo”, uma novela que conta os primeiros anos do reinado de Dom Pedro Primeiro. Como bom crítico de tevê eu só assisti uns 20 minutos e já acho suficiente para fazer julgamentos absolutos: mulheres com decotes suculentos, a personagem feminina da Princesa Leopoldina é a personagem principal (o seu sacrifício é maior e ela não perde o sorriso e a fé), o Dom Pedro é a caricatura-modelo de um político brasileiro (malandro, mas sempre com bom coração), um negro alfabetizado que trabalha como jornalista libertário, direitos para o povo indígena, liberdade para os escravos, paralelos manhosos com a política atual (o príncipe que sofre um “golpe” dentro da lei...) e etc. Não me levem a mal, eu admiro o conteúdo engajado da novela e realmente acho que pode funcionar. A questão é que também pode não funcionar. Mas a fé é importante, então vamos acreditar; como a Princesa Leopoldina também acredita.