Voltaire ajuda

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terça-feira, 21 de março de 2017

21 de março de 2017.

O Fotógrafo Evandro Teixeira
Assisti a um episódio da série Homo Brasilis dedicado a este fotógrafo celebrado no Canal Arte1.
O fotógrafo Evandro Teixeira é uma mistura de Gandhi e Espinosa: é impossível não gostar desse sujeito. Se não bastasse a humildade ser do tamanho de seu talento, ele ainda tem aquele sotaque nordestino que soa como açúcar aos ouvidos.
Dito isso, deixo manifestar um pouco a minha inveja sempre assanhada: mas precisava mostrar tantas câmeras Leica? Precisava, Evandro, precisava?
Nota: o documentário, bem feito, tem muito senso de humor por parte dos realizadores, o que não é comum. Não é mesmo.

Um momento inteligente
Então finalmente aquela borboleta saiu do seu imobilismo e começou a voar. Mas não adiantou muito, pois ela continuava fora do alcance de minha mão. Se ela continuasse assim, no dia seguinte eu iria vê-la morta pelas patas de alguma aranha e sua teia. E não faltavam ali aracnídeos candidatos. Em determinado momento ela começou a rodear a lâmpada acesa. “Mas ela gosta de luz, como mariposas e tal?”, pensei. Ela entrou na cozinha pela manhã, a procura de escuridão? Enfim, sei lá. Ocorreu-me de desligar a luz e não deu outra: a borboleta começou a voar mais baixo, imediatamente. Peguei um copo e rapidamente consegui prendê-la, levei-a para fora e a soltei. Era uma dessas borboletas que tem as asas transparentes. Gosto dessas, assim como gostos das gigantes de asas azuis e que também são comuns por aqui.

Radio
Mais um programa e mais uma vez feito no improviso. Nada de músicas com introdução antes.
Eu realmente perdi o gás.
A última vez que fiz um programa direito eu apresentei uma música do Chuck Berry e ele estava vivo, com 89 anos. Fora a primeira e única vez que toquei uma música dele. Lembro-me do susto que levei ao descobrir que ele estava vivo.

Reflexões de um ex-noveleiro
A última novela que assisti de verdade foi “Éramos Seis”, no SBT. Depois foi apenas pedaços de capítulos e o que vejo nos comerciais e algumas cenas no YouTube. Pouca coisa. A narrativa é muito lenta, muito teatral no sentido pejorativo do termo “teatral”.  Tentei assistir ‘Presença de Anita”, quando reprisaram uma vez, mas não consegui passar do primeiro bloco do primeiro capítulo. Mesmo assim algumas coisas eu sei:
- Casais com muita diferença de idade não costumam dar certo.

- É mais fácil ver uma mulher seduzir e agarrar um homem e levá-lo para cama do que o contrário, por um motivo óbvio: fazer o contrario sem parecer um estupro exigiria muita muita sensibilidade e técnica por parte dos diretores. E há uma vantagem adicional ao mostrar mulheres predadoras, que é o de agradas a maioria do público das novelas que costumam mser mesmo feminino.

- Às vezes da um desespero ver algumas de ação, como cenas de acidentes de carro. Eles repetem a cena de 20 ângulos diferentes, como se dissessem aos espectadores: “seus estúpidos, vocês entenderam que o que estão assistindo é um acidente de carro?” Mas há aqui um motivo que a gente esquece: dificilmente os espectadores estão exclusivamente assistindo a novela, sendo mais comum que estejam assistindo enquanto cozinham, vão ao banheiro, jantam, arrumam a sala, atendam uma visita e etc. Daí que muitas vezes realmente a narrativa seja lenta por necessidade.

- Se você assiste a todos os comerciais de uma novela nova você sabe tudo que vai acontecer, mesmo considerando as reviravoltas no final. E ultimamente piorou: os comerciais da Globo estão mais didáticos, com um narrador explicando a psicologia dos personagens principais e o enredo da trama. Isso diminui o mistério, mas acalma os espectadores como acontece em muitos trailers de filmes no cinema.  


- Não assisto novela há muito tempo, mas que da uma saudade de “Pantanal”, “Rei do Gado”, “Carrossel” (a primeira versão, naturalmente; sou o Cirilo desde aquela época em constante procura da minha Maria Joaquina) e “Tieta”; dá. E muita. Nossos atores brasileiros são muito bons. Eles são. Não podemos dizer o mesmo dos roteiristas e diretores. Por exemplo, o final de Eta Mundo Bom não terminou com a fala final do conto Cândido, de Voltaire, em que obviamente foi inspirado livremente. A fala de Cândido ao professor Pangloss: - Esta tudo muito bem, professor; mas vamos cuidar de nosso jardim. Seria fácil fazer essa referência mais explícita a Voltaire e depois, no VideoShow, eles poderiam fazer uma auto-reportagem-homenagem, como é o costume desse programa, explicando como aquela novela das seis é inteligente, filosófica e etc. Seria tão fácil, mas eles não fizeram. Devem ter tremido.

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