Voltaire ajuda

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quarta-feira, 15 de março de 2017

15 de março de 2017.

MGTV Primeira Edição, Rede Globo Minas
“A PM não fez estimativa de quantas pessoas participam do protesto.”
“A PM não divulgou quantas pessoas estão participando neste momento dos protestos.”
“A PM não calculou quantas pessoas estão protestando neste instante.”
“A PM não divulgou o número de manifestantes.”
E foi assim por toda a edição do telejornal.
A arte da indireta! Naturalmente que a Globo Minas queria dizer algo do tipo: “Segundos os sindicatos e organizadores 100 mil pessoas participam do protesto. A PM estima que sejam 38 mil.” E esperou o telejornal inteiro para poder dizer isso.
Ocorre que alguém na produção do jornal poderia ter se lembrado de que a PM e as próprias Forças Armadas também não estão muito simpáticas à reforma da Previdência Social.
Talvez no MGTV Segunda Edição eles consigam dizer o que tanto desejam.

Brasileiro, Demasiado Brasileiro
As cesarianas.
Esqueça um dos nossos pais, o português, e seu desespero pela terra e ouro. Esqueça outro nosso pai, o africano, e sua vida de escravo aqui no Brasil. Esqueça o massacre dos pais índios e das nossas crianças. Esqueça as escolas e hospitais. E aquelas leis.
Esqueça.
Lembre-se das cesarianas.
O recorde absurdo de cesarianas feitas no Brasil. O brasileiro já nasce sob a marca da violência.
O que é a cesariana diante de todos os outros detalhes aqui citados? Ora... É detalhe. Mas é detalhe que é tudo e é suficiente.
Não concordam?

Moralismos
Lendo Capitães da Areia, de Jorge Amado. Os que chamaram Monteiro Lobato de racista, por causa da polêmica do livro infantil Caçadas de Pedrinho há anos atrás, leram o livro citado de Jorge Amado?
Ah... descobri a roda! Os preconceituosos e moralistas em geral precisam ler mais, precisam ter mais experiências. Uma maior “bagagem cultural” deixa a gente mais leve diante das polêmicas. É o que acho.

Entrevista: Antônio Fernandes dos Santos
No corredor da morte – Vítima da tragédia da hemodiálise de Caruaru conta como era a vida e a agonia entre amigos mortos, médicos poucos atenciosos e autoridades ausentes
Silvania Dal Bosco e Manoel Fernandes (Veja, 17 de abril de 1996)
“Na última quinta-feira, quando se preparava para dar a última parte da entrevista que vem a seguir, Santos travou. Trancou-se num quarto do Hospital Barão de Lucena, no Recife, desesperado, chorando convulsivamente. Lembrava-se da dona de casa Marinete Antônia de Andrade, de 41 anos, sua companheira de doença renal que, às 11h20 da manhã daquele dia, se transformou na 38ª vítima fatal do mais grave incidente já ocorrido em todo o mundo no setor de hemodiálise.”
VEJA – E como o senhor se sente ao saber que “eles” fizeram coisas erradas com a sua saúde?
SANTOS – Eu sou muito burro. Só estudei até a 4ª série, o máximo que aprendi foi “fazer” o meu nome. Quando me submeto a algum exame médico, é a minha filha de 9 anos que lê os resultados para mim. Só que não adianta nada, porque estas palavras dos médicos são difíceis, em inglês, e eu não entendo. Olhe o meu braço (aponta para o direito): esta todo inchado. O médico me explicou o problema e disse que não dá para resolver neste hospital. Só entendi a segunda parte – que não dá para resolver.”

Trancou-se em um quarto do hospital? Uma vez me contaram que em hospital não tem essa história de porta que se tranca. E se alguém passar mal? Até alguém notar! Até conseguirem abrir a porta à força!

Tudo, tudo errado.

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