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domingo, 8 de janeiro de 2017

8 de janeiro de 2017.

Luís da Câmara Cascudo

Comecei a ler a Antologia do Folclore Brasileiro, o livro mais antigo dos que comprei deste autor. É uma seleção de relatos de brasileiros e estrangeiros sobre o nosso folclore. 

Apesar disso, de ser basicamente uma seleção de trechos de outros autores, tem muito da personalidade de Cascudo no livro. Primeira coisa: o danado adora fazer citações em língua estrangeira. Ele pode, é um Mestre; mas a Editora Global poderia fazer as traduções em notas de rodapé. Como a Martins Fontes e a Abril Cultural fazem nos livros que tenho dessas editoras. Uma pena, pois além de facilitar a vida de leitores tornariam os livros ainda mais bonitos que já são por causa das capas: coloridas e com cores vivas. Outra coisa: Cascudo conversa com os leitores, em uma mistura bem única de formalidade e informalidade. Essa característica encanta e deve dar vontade em todos que o leem de imitá-lo. 

Como eu escrevi, Antologia do Folclore Brasileiro é uma seleção de relatos de brasileiros e estrangeiros sobre o nosso folclore. Chama atenção algumas coisas incômodas aos leitores do século XXI:

“Estas mulheres são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado, na cabeça.” 
(Adivinha quem o frei Gaspar de Carvajal (1504 - ?) esta descrevendo, adivinha? É, elas mesmo: as amazonas. Alvas, senhor Gaspar? O primeiro relato dessas guerreiras míticas em terras brasileiras. Apesar de tudo, emocionei-me quando encontrei esta frase histórica. Política a parte, não podemos perder a ternura.)

“... vêm uns feiticeiros de mui longes terras, fingindo trazer santidade e ao tempo de sua vinda lhes mandam limpar os caminhos...”
“... com grandes tremores em seu corpo, que parecem demoninhadas (como decerto o são), deitando-se em terra, e escumando pelas bocas...”
(A gente entende a posição do Padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), é uma religião encarando a outra pela primeira vez em uma cerimônia não muito amena, mas não da para negar a aspereza das palavras.) 

“Têm uma outra opinião idiota: estando sobre água, seja do mar ou dos rios, indo contra seus inimigos, se forem surpreendidos por uma tempestade ou furacão, como tantas vezes ocorre, creem que a origem é a...”
(“Idiota” é você, André Thevet (1502-1590/1592?). 

Já os relatos selecionados de José de Anchieta, Jean de Léry, Gabriel Soares de Sousa, Fernão Cardim e Anthony Knivet (que vida teve este inglês, quanta tragédia e desejo de liberdade! A minúscula biografia escrita para apresentá-lo, que Luís da Câmara Cascudo fez, impressionou-me.), são mais doces e adoráveis.
A leitura continua.

O Domingo
Tirei fotos da posse da prefeita Dorinha e dos vereadores aqui de Rio Acima, era esse o compromisso importante sobre a qual eu tinha escrito na postagem anterior. Deu tudo certo e as fotos que tirei me deixaram contentes. Estão entre as melhores que já tirei e, como um “pai coruja” não paro de olhar para elas. Foi a minha primeira vez com o flash externo e ele não aprontou para cima de mim. Para quem não sabe, a luz do flash é para os fotógrafos o que a língua portuguesa é para os alunos do ensino médio: um cavalo bravo.
Arredondando, eu tirei umas 300 fotos e aproveitei 60, o que da uma média de uma foto que presta em meio a cinco imprestáveis. É uma média razoável, apesar de obviamente o julgamento do que é uma “foto razoável” aqui é bem parcial. Fui convidado para o evento e me falaram que vou receber pelas fotos. Ainda não recebi e é isso que me impede de publicá-las na internet. Quero saber a opinião dos outros, embora os meus contatos sempre sejam muitos lacônicos quanto as minhas fotos. 
Acho que finalmente estou tirando fotos melhores, encontrando um estilo pessoal. 
Tive que usar “traje passeio completo”. O único terno aqui de casa é o que o meu pai usou em seu casamento, os outros vieram de um bazar feito com material de alguns alemães religiosos que visitaram Rio Acima. Eu escolhi uma camisa laranja e uma calça branca, o que me fez parecer um vilão do filme Scarface. Sobre o sapato é melhor nem comentar. Mas tudo isso é folclore pessoal de um domingo que vivi e foi feliz.

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