Voltaire ajuda

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

15 de dezembro de 2017 o2

Como eu não consigo cuidar da minha vida, eu vou cuidar da vida dos outros.

"Senador Aécio Neves da uma entrevista exclusiva ao Jornal da Itatiaia."
"Tite, técnico da Seleção Masculina de Futebol, concede entrevista exclusiva ao Esporte Espetacular, da Globo."
"Presidente Temer concede uma entrevista exclusiva ao Jornal da Band."

Houve uma época que "entrevista exclusiva" significava uma entrevista que era difícil de ser realizada: muitos tentavam, mas só determinado veículo de comunicação conseguia. Era, sim, achar o Livingstone no centro da África ("Doctor Livingstone, i presume?").


A entrevista de Aécio durou 20 minutos, talvez 21 minutos. A entrevista até que foi razoável, não foi muito crítica, mas também não foi uma "assessoria de imprensa". Um, dois minutos na hora do resumo das notícias. E mais a metade da Conversa de Redação. Totalizando uns 26 minutos de Aécio Neves no Jornal da Itatiaia hoje. A Conversa de Redação foi bastante crítica a Aécio Neves, mas as duas mensagens de WhatZap escolhidas para serem lidas no ar foram, sim, bem "colher de chá".
"Aécio foi um bom governador, mas hoje é uma decepção", dizia a última mensagem lida.
Ah, seu Eduardo Ramos, seu Eduardo Ramos! Espero que as outras mensagens contra o Aécio, que pode concorrer ao cargo de Governador de Minas, tenham sido realmente impublicáveis. 
Mas é provável que Aécio concorra mesmo à reeleição no Senado. É mais fácil pra ele, com certeza.

15 de dezembro de 2017

Ano que vem vai fazer 5 anos de meu programa na rádio comunitária. Já entrevistei uma professora de Direito e o MC Cafuringa (Augusto Reis). A professora de Direito veio com uma amiga minha. A entrevista foi excelente, mas até hoje não entreguei a ela o CD com programa. A professora e essa minha amiga são distantes de mim. Eu sou distante de todo mundo! rs rs
A entrevista com o MC Cafuringa foi interessante. Ele é um desses artistas populares que sempre aparecem pedindo espaço: uma fala para anunciar um show ou novo CD e também pedindo para que a gente toque alguma música. O dia que entrevistei ele foi na semana do suicídio do ator Philip Seymour Hoffman. É que falamos sobre a solidão desses super artistas. O MC Cafuringa foi muito inteligente. Tem duas músicas dele que eu gosto: "Playboy e seu Chevette diferente" e "Minha Gordinha". Vou tocar essas músicas no próximo sábado. Elas estão no YouTube, caso quem me leia se interesse. E músicas do Senhor Irineu, que é outro cantor popular de Rio Acima também vou tocar.
Mas essas entrevistas são exceções. Normalmente eu só toco músicas.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

14 de dezembro de 2017

Ainda estou respirando. Ela não foi a minha melhor chance, simplesmente uma amiga que me ensinou o que é o Amor. Ainda estou devendo à Gabrielle Colette um comentário de respeito sobre "A Vagabunda". E "I stardet a joke", do Bee Gees, é a canção de minha vida. 

Adoro recomeçar.

domingo, 3 de dezembro de 2017

3 de dezembro de 2017

Meu computador de 2007 finalmente estragou ontem. Digitando no programa Bloco de Notas, sem revisão de ortografia, em um computador "estranho"; mas até orgulhoso de enfrentar este contratempo técnico. Deve me estimular a virar um fotógrafo melhor e um escritor de blog melhor. 
Não tenho dinheiro para um computador novo, mas tenho dois mini dicionários e uma gramática de capa tão branca que me parece um livro de medicina. Isso quer dizer, espero, que os erros de português aqui vão aparecer aos montes, mas tenderão a diminuir com o tempo.

Até nas fotos em que a Gabrielle Sidoine Colette esta muito idosa eu acho-a bonita. É. Paixão é assim mesmo. Paixão súbita, aliás. "A Vagabunda" é um livro curto, mas não é para ser lido tão rapidamente assim como eu fiz. 
Mas eu fiz e foi marcante. Li o livro, assim subitamente, por curiosidade diante de um título tão atraente e também porque achei que iria me ajudar a conhecer esse mistério chamado "mulher". Mas Gabrielle Colette deve ter adivinhado a minha intenção porque ela encheu o seu romance de reticências de infinito mistério. Ah, Gabrielle, Gabrielle!
Mas além d´eu ter me identificado com este livro, senti que o li na hora certa. E para mim essa sensação de ler um livro na hora certa... Ah!

Prefiro planta a cachorros e gatos. Plantas não se movem, não te mordem e cuidar para que uma planta cresça saudável e bonita é como, um pouco, construir uma escultura.

domingo, 26 de novembro de 2017

26 de novembro de 2017

Por que eu ainda entro em uma livraria, por quê? O processo de racionalização de um desejo estúpido é fascinante e engraçado. Eu devia estudar psicologia e psicanálise apenas para entender como usamos a criatividade para inventar as nossas desculpas esfarrapadas do dia a dia. Para entender como a nossa poderosa razão é instrumento para a criança com sede em nós mandar no adulto que vemos no espelho.
Quatro livros em uma semana? Vamos transformar isso em um texto. Não recupero o meu dinheiro e nem a respeitabilidade diante da sociedade, mas talvez alguém aí do outro lado do monitor possa sorrir diante disso tudo. Isso para mim é muito. Muito, quase tudo. Sou artista, sou palhaço e, secretamente, porque não se deve confessar esse tipo de coisa, eu acho que isso explica e justifica a quantidade de liberdade que concedo aos demônios que moram em mim.

Balzac.
Um dos maiores escritores do mundo. Eu sei disso há muito tempo, mas nunca nunca me interessei em comprar um livro dele. Sei lá por que, sei lá. Até...
Estava feliz, estava bastante adulto. Tinha mandado imprimir nova versão de meu cartão de fotógrafo e agora era para valer, estava quase o dia inteiro em Belo Horizonte e eu gosto de andar pelo centro da capital de Minas Gerais, estava chovendo muito e desde criança eu amo tanto deixar a chuva me molhar todo!
Mas o que digo? Na verdade a culpa foi do banheiro daquele cinema que fica ao lado da Praça da Liberdade. Sempre esqueço o nome daquele cinema. É um banheiro “público”, você pode entrar lá sem que alguém impeça; mas é difícil que alguém do “povão” se sinta a vontade de entrar ali. De fato, aquele cinema tem uma atmosfera áspera. De dia e de tarde ali é sempre escuro e vazio. Eu mesmo não me sinto a vontade. Mas foi ali que eu cumprimentei o guitarrista dos Mutantes e foi ali que eu vi o crítico de cinema Pablo Villaça. Queria ter perguntado ao Pablo Villaça porque Lavoura Arcaica não representou o Brasil no Oscar, se foi arrogância do diretor como foi dito na época ou se foi sabotagem invejosa mesmo (a mesma coisa que aconteceu com Carlos Chagas quando ele foi indicado pela segunda vez ao Nobel. Conhecem a história? Coisa horrorosa, coisa horrorosa. Pior que no caso do Dom Helder e do Chico Xavier no caso do Nobel da Paz, porque no caso de Chagas ali eram todos cientistas e eles deveriam ser mais racionais, não é?). Mas fiquei com vergonha de puxar um papo. Ele estava mexendo no telefone e sentado num local meio escondido da lanchonete que tem naquele cinema que até agora não lembrei o nome.
Mas peraí! Onde eu estava? Ah, minha concentração, minha concentração! Nunca vou conseguir passar em um concurso publico por sua causa, mas pelo menos as paisagens que você me da de presente são sempre bonitas e coisas raras.

Aproveito essa interrupção indesculpável para informar que eu simplesmente não estou conseguindo escutar Primavera, samba de Nelson Sargento, na íntegra. É que eu fico apertando pause e stop, apenas para apertar depois o play e escutar de novo o início deste samba clássico. A parte de sua voz em solo, antes de entrar o coro; para ser mais exato. Fico fazendo isso o tempo todo. Rs rs. Sou meio doidinho mesmo. A voz de Sargento é idosa e jovem ao mesmo tempo, e doce de um jeito misterioso para mim. E a letra desta canção é bonita.
E tem as fotos da Kalki Koechlin que eu fico vendo ao mesmo tempo em que escuto Primavera. Kalki é uma atriz e ativista indiana e é a mulher mais linda que eu já vi até hoje. Ao contrário do que nos parece sugerir todos esses séculos de sua história longa, a Índia nunca foi politeísta. Nunca. Entenderam? Nunca! Ainda que eu caminhe por vale tenebroso nenhum mal temerei, pois o sorriso da Kalki Koechlin me protege e me deixa tranquilo. Então que fique beeeem esclarecido aqui: todas as virtudes de 26 de novembro de 2017 são culpa da Kalki Koechlin e do Nelson Sargento, os defeitos, naturalmente, são responsabilidade minha.
Agora podemos voltar à nossa programação normal.

Nunca me interessei em comprar um livro do Balzac e um dos motivos é que o francês fofinho não tem exatamente uma obra-prima. Assim como Agatha Christie e Charles Dickens, por exemplo, ele escreveu muito e muito e o que temos são dois ou três sucessos de público e crítica e tal. Ele é perfeito e imortal, ok, um dos fundadores do que entendemos como “romance moderno”, ok novamente, mas é difícil saber exatamente em que texto seu ele mudou a história da literatura mundial.
Mesmo assim se eu resolvesse comprar um livro do Balzac eu sabia exatamente qual comprar. Motivo? O companheiro esta aqui do meu lado então eu vou ter o privilégio de colocar as palavras na ordem certa:
“Embora, naturalmente, os pontos essenciais da ética de Nietzsche se encontrem em Platão, Maquiavel, Hobbes, La Rochefoucauld e até mesmo no Vautrin de O Pai Goriot, de Balzac.”
É uma nota de rodapé de A História da Filosofia, do Will Durant que li há muito tempo. Will e Nietzsche, eu já contei aqui várias vezes neste blog - porque quando a gente ama a gente não se cansa de cantar o nosso amor no meio da praça para todo mundo ouvir até todo mundo dizer “chega!”- são um dos meus mestres. Que se dane se a nota de rodapé é correta ou não, se escandaliza ou não ler que Nietzsche e Platão estão mais próximos do que todos os especialistas em Nietzsche dizem, Will Durant elogiou e isto basta para mim como critério. Então eu tinha essa nota de rodapé sempre na memória, mas nunca me preocupei em comprar o livro. E também ele não é muito fácil de achar por aí.
Aí eu resolvi comprar O Pai Goriot. E já que eu estava ali, também aproveitei e levei Reflexões do Gato Murr, do E. T. A. Hoffmann. Mas aí é por causa do Roberto Schumann que transformou o livro em música para piano (a Kreisleriana) e porque o livro me pareceu leve e engraçado. Preciso ler mais histórias que sejam engraçadas.
O problema é que na estante da livraria havia outros títulos do Balzac... E justamente as outras obras populares dele... Ah... Dois dias depois, após ajudar minha avó materna a cuidar de sua saúde, eu subi a Rua da Bahia... E eu sempre subo a Rua da Bahia quando vou a Belo Horizonte...
Pausa.
A página quatro do Word esta ocupada em mais do que a sua metade e eu não quero escrever muito.
Vão as notas.
Ajudei a minha avó materna e apesar de termos a teimosia no mesmo nível incivilizado, não discutimos ou brigamos. E ficamos a manhã inteira juntos! Esse semestre realmente me transformou.
O Laboratório Hermes Pardini tem uma atendente que é uma tremenda gata. Uma das unidades do Barreiro. Rosto delicado, cabelos curtos e muito encaracolados e de um dourado queimado. Linda mesmo. Fiquei hipnotizado o tempo todo enquanto esperava a hora de atenderem a minha avó.
Antes do Laboratório teve o acordar as 5 da manhã, os dois ônibus lotação e o motorista engraçadinho que não me informou direito qual ônibus eu devia pegar para ir do BH Shopping ao Barreiro. Fiquei bravo com o motorista, mas de um jeito que só fez a moça em pé ao lado dele rir sem parar. Gargalhou mesmo a danada! Ela era bonita, muito bem vestida e parecia mesmo que não ria assim há tempos. Eu devia aprender a dar cambalhotas e usar maquiagem, e arranjar um circo e fugir com eles. Adeus livros e herança cultural do ocidente, o mais sábio é fazer as pessoas rirem enquanto comem pipoca em um domingo de manhã! Ah, a moça que riu de mim tinha o cabelo ao estilo do cabelo da atendente do Hermes Pardini. Tirei o dia 24 de novembro para reverenciar as mulheres de cabelos curtos e cheio de caracóis.
Já estou na página cinco do Word. Foda-se, mas foda-se mesmo.

Embaixo da Biblioteca Pública Francisco Iglesias tem um espaço em que você pode pegar livros de graça. Dois por pessoa e você deixa o seu nome depois de pegar a sua cota. O local é uma espécie de “casinha” de madeira. Parecia que só tinha livro ruim, livros didáticos velhos e uns outros trens sem noção, mas aí me lembrei da cena do cálice do filme Indiana Jones em Busca do Cálice Sagrado: fui na parte mais feia e bagunçada daquelas estantes: aqueles xerox com folhas presas em espiral. Deu certo e fiz boa pescaria. Vale a pena ir naquele local. Uma dica: ali tem um monte de revistas estranhas e curiosas. Entre livro e revista, eu preferi livro, mas talvez quem esteja me lendo se interesse por aquelas revistas bizarras.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20 de novembro de 2017

Comecei a ler a obra completa de Joaquim Maria Machado de Assis. É um momento muito importante em minha vida de leitor e de brasileiro. Que dia é hoje? 14 de novembro de 2017.
Baixei gratuitamente a sua obra através do site do Ministério da Educação. É mais completo que a edição da Editora Nova Aguilar. Deu muito trabalho nomear corretamente os arquivos que o MEC preparou e depois colocá-los em ordem cronológica. Achei que ler tudo em ordem cronológica seria mais mágico e racional do que por estilos literários, que é como o MEC dividiu os arquivos.
O primeiro texto é um poema curto chamado A Palmeira. Ele foi publicado em janeiro de 1855 na “Marmota Fluminense” e dedicado ao Francisco Gonçalves Braga. Não sei quem é este homem. Esse é um grande defeito dessa iniciativa do Ministério da Educação: ausência de notas para explicar detalhes importantes do texto do Machado de Assis. Imagino quando eu for ler as crônicas, um tipo de texto em que a temporariedade do momento em que o texto é escrito é fundamental para entendê-lo. “Mas de que diabos ele esta falando?” “Mas que piada é essa?”. Bom, paciência! Pelo menos o principal – os textos – estão ali.
O poema A Palmeira é ao estilo romântico. Machado de Assis era inicialmente um escritor romântico, só depois se tornou um escritor realista. Segundo uma professora de colégio que eu tive, o momento da virada é o exato momento em que Bentinho, em Dom Casmurro, começa a ter ciúmes da Capitu. É uma boa interpretação. Talvez eu deixe de concordar com ela à medida que eu conheça mais o Machado de Assis em primeira mão, quem sabe?
O poema A Palmeira é bonzinho, nada de extraordinário. O narrador dirige suas lamentações amorosas para uma imponente palmeira. Frustração e elogio à natureza. Seguiu mesmo o cardápio do romantismo. A palmeira merece essa reverência toda por se revelar mais promissora e viva que os sonhos amorosos do narrador?Já contei aqui neste blog que por causa da reprovação no Colégio Santo Agostinho e das minhas aventuras nos supletivos Rui Barbosa e Emboabas, eu estudei romantismo quase três anos consecutivos?
“Adeus, palmeira! ao cantor
Guarda o segredo de amor;
Sim, cala os segredos meus!
Não reveles o meu canto,
Esconde em ti o meu pranto
Adeus, ó palmeira! ... adeus!”
Como os arquivos preparados pelo MEC são digitais, eu tenho que imprimir um por um. E vai demorar eu mandar encadernar tudo. Então a leitura tem essa coisa diferente: manusear folhas soltas. E eu escolhi para imprimir um papel meio amarelado. Coisa feita de propósito: é mesmo para dar um ar mágico. Como se eu lesse pergaminhos antigos, sacaram? É Joaquim Maria Machado de Assis, p*! achando que é pouca coisa?
(Gosto de imaginar que apenas agora estou maduro o suficiente para lê-lo.)

Dia nove de novembro é aniversário do Ivan Turguêniev. Eu li Pais e Filhos três vezes em sequência. (risos) Não sei bem explicar por que. Para usar uma metáfora que a Lygia Bojunga usa, acho que gostei de respirar toda aquela “atmosfera” do livro.

Namorando, ainda que de muito muito de longe, a literatura feminina do século XIX, especificamente Austen e as irmãs Brontë, e em especial o seu aspecto romântico; de repente me ocorreu que eu não tenho um casal favorito no mundo da literatura. Logo eu tão orgulhoso de ser brega e cafona!
Mas acabou que o aniversário do Turguêniev me fez lembrar sim de um casal, embora não seja dele e sim de um conterrâneo seu: Leão Tolstoi. O casal formado por Kitty e Liêvin, de Ana Karenina. É que tanto em Pais e Filhos, de Turguêniev, quanto Ana Karenina, de Tolstoi; temos dois casais no centro da história: um feliz e outro infeliz. Ocorre que no caso do último livro o casal feliz é mostrado mais extensamente e mais profundamente. Eis aí um livro para reler!
(Meu Amor pela literatura só não é maior do que meu Amor pela música. Quando criança, quando eu descobria uma música que eu gostava demais, ao tentar racionalizar sobre o motivo que aquela nova descoberta me impactara tanto, eu pensava numa ideia dos espíritas: era como se eu conhecesse aquela música de alguma vida passada, daí que a sua descoberta/reencontro me impactara tão forte assim. Como se eu sempre tivesse, diante da eternidade, gostado daquela música que pela primeira vez, agora, eu ouvia. Claro que, criança, eu não pensava exatamente nesses termos todos, mas a ideia, a impressão geral era essa mesmo.
Pois bem.
Eu sempre sempre gostei muito de Wuthering Heights, canção da Kate Bush. Apenas ontem, dia 16 de novembro, ao pesquisar sobre O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, eu descobri uma dessas coisas óbvias que sempre estiveram na frente de meu nariz bobo. Quem me mandou não terminar o curso de inglês do Fisk, ou, no mínimo, ter mais curiosidade?
Então, então.
Ana Karenina – Kitty e Liêvin.
O Morro dos Ventos Uivantes – Cathy e Heathcliff.
Ora, pois, pois.
Kitty e Cathy, Kitty e Cathy, Cathy e Kitty.
Hum!
Vamos ver se eu sou mais Liêvin ou mais Heathcliff. Vamos ver. Mas a resposta eu já sei: eu sou mais eu mesmo.)

Uma espinha gigante, recente e nascida acima do meu nariz e exatamente entre minhas sobrancelhas. Interpretei o seu surgimento como a versão aldriniana do “terceiro olho” dos hindus, a indicar que estou mais maduro e espiritual. Um epílogo humorístico deste semestre doloroso em que aprendi mais sobre mim e sobre o mundo do que em todos os anos que já vivi. Mas é bom ser humilde: Maya ainda não retirou todos os seus véus sobre meus olhos. Ainda sou muito imaturo, egoísta e com uma tolerância à frustração que não combina com a minha idade e com tudo que já sei da vida.


Na semana passada eu não fui à academia de ginástica e musculação porque eu estava deprimido demais, mas tenho ido toda semana. Pode parecer mentira, ou drama barato, mas pela primeira vez em minha vida eu não sinto vergonha de ficar sem camisa em frente ao espelho. Estou até usando camisa regata!

domingo, 12 de novembro de 2017

12 de novembro de 2017.

E naqueles textos cometi contra ela o mesmo erro – ironia amarga e clássica – que acuso tanto o meu pai de ter cometido contra mim todos esses anos: a sinceridade sem habilidade. Ela ficou muito triste com alguns textos meus. Tinha lirismo, filosofia, personagens de Shakespeare, pontos de vistas diferentes, é verdade; mas eu agora compreendo porque ela não gostou deles. Agora me parece óbvio, o que me assusta quando penso o quanto eu sabia ou não sabia sobre o que eu estava fazendo.

Não importa se o cara era feio ou bonito, importa o livre arbítrio da mulher: ela fez porque quis. E não foi traição porque éramos apenas amigos. E na amizade entre homens e mulheres tem ambiguidades que são gostosas para ambos: humildade e boa memória se um dos dois inventar de ter crise de ciúme. E basta deste assunto.


Não devo receber parabéns por colocar dezenas e dezenas de posts feministas em minha página no Facebook, por todos esses anos. Isso é obrigação. Devo receber parabéns se conseguir abster-me de colocar posts machistas, mesmo que a dor que me motiva seja genuína e intensa. Um homem de verdade não deve deixar que a dor que sente fale mais alto que sua razão. As lágrimas continuam livres, estamos falando de outra coisa aqui.

domingo, 25 de junho de 2017

25 de junho de 2017.

HANS KELSEN: - Essa ideia de “Diretas-Já” é inconstitucional. Eu sinto muito, mas lei é lei.
AMOR: - Mas seu Kelsen, faz algum sentido falar que algo é ou não é constitucional no Brasil; um país em que a Constituição é violada com emendas a cada dois meses em média?
HANS KELSEN: - Como diria um dos maiores gênios do futebol brasileiro de todos os tempos e que infelizmente me escapa o nome: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Uma coisa é um governo federal que troca diálogo por medidas provisórias e coisas do tipo. Uma coisa é deputado federal inútil que acha que vai ficar “imortal” ao colocar mais um parágrafo à constituição. Uma coisa é isso, outra coisa é desrespeitar o espírito das leis. Quando a lei é desrespeitada, mesmo com a melhor das intenções, a tempestade sangrenta surge. E não demora muito a ela despontar ao horizonte.
[Tenho que conferir. É que muitos textos deste blog ficam semanas dentro de mim e eu me esqueço de publicar. Parece que houve a aprovação de uma emenda ou coisa do tipo sobre as “diretas-já”. Tenho que conferir. De qualquer forma, parece que não fez muita diferença. Como era a citação de Marx: a tragédia (anos de 1980) e depois a farsa (2017)? De qualquer forma, o diálogo acima ainda mantém algum vigor.]

Fui vítima de um truque tão antigo quanto o próprio mundo. O autor é alguém querido, alguém que eu quero muito bem, o que justifica o efeito tremendo que o golpe teve em mim.
É; eu vou ter que fazer mesmo um pequeno jornal pessoal meu. Mas como sou hipocondríaco jurídico, o jornalzinho vai ser tão inofensivo quanto desesperado e humanista. Livros, filmes, música, essas coisas. Se eu cismar de falar mal de alguma pessoa poderosa, vai ter que ser de maneira tão indireta que nem advogados viciados em dinheiro seriam capazes de me pegar. Vai ser um jornalsinho de resenhas mesmo.
Ah, vai ser difícil mudar o mundo com um jornalzinho de resenha de filmes em cartaz e de livros que só eu leio; mas tento me consolar pensando que o jornalismo cultural feito pela grande imprensa é uma porcaria imensa que então qualquer pequeno oásis realmente autoral faz muita diferença.
Já tenho o nome do jornal e as cores dele. Só falta o resto. O resto absoluto.

Já escrevi algo sobre isso aqui: a memória é misteriosa e mágica. Há quantos anos eu não relia Minhas Mulheres e Meus Homens, de Mario Prata? As minhas histórias favoritas continuam ainda mais favoritas depois de mais de uma década e eu descubro, surpreso, que meus aforismos deste blog foram tremendamente influenciados pelo Mario Prata. Impressionante! 
Falo o tempo todo da minha dívida para com Nietzsche, Joseph Campbell, Rubem Alves, Will Durant, Lúcio Flávio Pinto, mas é aquela coisa: como estou em atividade, é difícil eu ter um distanciamento crítico para saber exatamente de onde vêm todas as minhas influencias.
É Mario Prata, você acabou de entrar oficialmente no mais marmota dos clubes: o meu panteão. Mais um pobre Virgílio a guiar esse Dante de cabeça para baixo pelos caminhos do humano.

Da série segredos que nem aos médico de cabeça a gente conta.
O LOBO DE WALL STREET (The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese, 2013)
Minha cena favorita? A da prostituta barata. Aquela que esta sentada na mesa, enquanto um cara em pé faz sexo com ela. O modo como ela olha para os executivos da sala: com genuína perplexidade. A expressão da prostituta barata diante daqueles homens acaba comigo. É minha cena favorita de um dos meus filmes favoritos.
Por que eu gosto dessa cena, Freud? Pura estética, apenas pelo humor ou há algo mais? Mas o que é este algo mais? Olhar dela, o olhar dela! Aquele olhar dela, aquele olhar dela! Ah!
CLUBE DA LUTA (Fight Club, David Fincher, 1999)
Minha cena favorita? A da mulher velha-esquelética-câncer-terminal, pedindo, por favor, para algum homem daquele grupo de apoio a doentes ir à casa dela fazer sexo com ela. Ela apela, ela repete, ela começa a chorar, conta que comprou filmes eróticos para ajudar e outros objetos eróticos com a mesma finalidade. Tem esta cena breve no YouTube. Toda vez que eu assisto essa cena eu sou partido ao meio. E eu assisto a esta cena muitas vezes.
Por quê?

FREUD: - Eu acho que você já sabe muito mais do que deixa transparecer. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

22 de junho de 2017.

- Foi o mais bonito sábado da minha vida!
HOMER SIMPSON: - Foi o mais bonito sábado da sua vida até hoje.
- Foi o melhor sábado da minha vida!
HOMER SIMPSON: - Foi o melhor sábado da sua vida até hoje.

Não consigo parar de pensar no sábado passado. E parece Deus ou o artista em sua obra criada: onipresente e invisível. Até as cores e os cheiros estão diferentes nesses últimos dias.
E como a objetividade é inútil nessas coisas: tudo pode significar um sim ou um não. Aquele gesto, aquela palavra dita, aquele engano, tudo, tudo pode ser sim ou não. O coração é poderoso e suporta tudo, tudo menos o talvez. Num momento a fé sorri para o sim e noutra sente a presença do não; mas o talvez é o tabu em sentido estrito. E estou neste balanço constante em meu peito.
E agora, o que fazer? Eu não sei. No último telefonema eu fiquei muito tempo calado, sem saber o que dizer. Foi adoravelmente aborrecente. Como leitor de Nietzsche e de Saint-Exupéry, eu deveria mesmo era seguir o coração/o mais profundo instinto.

Junho, o mês de meu aniversário. Meu presente será comprar mais livros do Lúcio Flávio Pinto, o mais importante jornalista brasileiro. Mandarei um e-mail e farei um pedido. Fiz isso em 2008, quando ganhei meu primeiro salário no serviço em Sabará. Quero e vou comprar todos os livros dele, mas como minha fonte de renda é irregular eu tenho que fazer isso aos poucos. Aos poucos, mas já no ano que vem comprarei todos que faltam.
Até penso pedir ao Lúcio dois livros que não são de autoria dele, mas que imagino deva ser mais fácil a ele encontrar do que eu (o Rio de Raivas, de Haroldo Maranhão e Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas, do Padre João Daniel; sobre a qual Lúcio escreveu recentemente em sua página na internet: https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2017/06/19/a-historia-na-chapa-quente-235/). Mas acho que já seria muito abuso. Lúcio tem humor, mas descobrir que tem um fã tão marmota como eu deve deixar ele um pouco aborrecido.
Lúcio inspirou-se, de maneira amazonida e tropical, no Isidore Feinstein Stone; poderia eu fazer algo do tipo em relação ao Lúcio? Ah... Nem um tabloide cultural eu fiz! Mas...

O poder corrompe, um chuveiro quente corrompe ainda mais. Como não sou bom em matemática, não sei se estou realmente economizando ao usar o chuveiro no lugar de Freud e Jung.

Depois de Camus, Emil Cioran (Sobre a França). Olha na companhia de que tipo de francês eu ando. Mais um pouco e eu vou abrir um bar para que meus clientes, entre uma coxinha de catupiry e uma água ardente, decifrem o propósito da existência.
Camus e Cioran. Camus em O Homem Revoltado é difícil de ler, por causa da erudição muito concentrada: em quatro frases ele atravessava séculos e escolas de pensamento com uma facilidade de moleque. A gente fica tonto ao tentar acompanhar.
Com Cioran é diferente. Cioran é anti Machado de Assis: é adjetivo demais no texto. Muito, mas muitos adjetivos! As imagens, como os aforismo de Nietzsche, são atraentes à nossa reflexão; mas Cioran enjoa rápido como um bolo doce demais e que não é nutritivo. As imagens de Nietzsche, por outro lado, são nutritivas e não enjoam (é uma questão de paladar, naturalmente, mas pelo menos é fato objetivo que Nietzsche muda de opinião o tempo todo, então de tédio os seus leitores não sofrem).
E Cioran enjoa seus leitores muito rápido. O livrinho tinha menos de 120 páginas, mas quando cheguei à página 80 eu pensei em desistir. Acabei terminando o livro sem prazer. Sem prazer mesmo. Fiquei triste e aborrecido. Pretendo me entregar aos braços do Albert Camus por toda a vida, mas o Cioran eu já vi o suficiente.

Ah, é chato falar mal de um autor aqui. Paciência! 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

14 de junho de 2017.

Eu falo muito de literatura e de filosofia por aqui. Parece algo esquisito ou “alienígena”, mas foram os livros que me salvaram.
Falo de filosofia e arte com essa informalidade de adolescente cheio de hormônios na cabeça, pois nenhuma formalidade, por mais didática e científica, seria capaz de conter a selvageria do rio que comanda tudo aqui.
Os livros me salvaram e ainda me salvam do mundo e de mim mesmo. É que pés são pisados enquanto dançamos e aprendemos com os nossos demônios e anjos, e uma formação humanista ajuda aqui como um Merthiolate seguido de Band-Aid.

E o TSE acabou absolvendo a Chapa Dilma-Temer.
Acho que a lição mais importante aqui nada tem haver com Dilma, Temer, empreiteiras querendo “ajudar” campanhas políticas e etc. É uma dessas lições fundamentais e que infelizmente temos que nos lembrar porque sempre a esquecemos, por preguiça e pela força do cotidiano. A lição é que justiça não é vingança. No caso aqui isso se transforma em: não se deve entrar com um processo se você estiver com o coração sujo. O senador Aécio Neves disse que entrou com o processo no TSE para “encher o saco”, em uma gravação divulgada por toda imprensa; e acabou prejudicando o próprio TSE, o PSDB, o PT, o PMDB, a economia e o Brasil inteiro que por semanas ficou tenso e falando sobre esse julgamento do TSE. O senador Aécio Neves é mesmo um bobo.
O PSDB entrou, ou vai entrar, com um recurso na justiça contra essa decisão do TSE. Isso vai “aguar” a decisão de origem venenosa do Aécio Neves, porque dessa vez a decisão tucana é técnica e blábláblá. E também serve para mostrar que o PSDB é independente do Governo Temer, apesar de ter decidido continuar a apoiar o Governo do Temer. Muito inteligente do ponto de vista da guerra de propaganda essa decisão do PSDB, mas vai servir de motivo para que mais gente acuse o PSDB de estar virando um “PMDB da vida”. Ou seja: de gostar de poder pelo poder.
Falei que o julgamento do TSE sobre a Chapa Dilma-Temer deixou o Brasil inteiro na expectativa e isso é verdade. Foram semanas de especulações, palpites, conversas de bastidores e tal no Brasil inteiro. Agora compare como a grande imprensa estava dois dias depois do resultado do TSE. Nada, nada!
- Se pacifica Brasil, se pacifica!

Se eu fosse editor chefe de algum órgão da imprensa, eu mandaria todos os textos repetirem o nome por extenso dos partidos políticos. Não teria essa história de no começo do texto/fala ter “o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira)” e depois, ao longo do texto/fala, “PSDB” e “PSDB”. Não, não! Repetiria o nome dos partidos por extenso sempre. Sigla-nome, sigla-nome. Seria correto do ponto de vista da gramática e ajudaria a evidenciar que entre PT, PSDB, PSOL, PCB, PPS, PEN, PP, DEM, PSB, PR e etc. não há muitas diferenças assim.
Até sou favorável a ter no Brasil muitos partidos, mas fico triste quando percebo que eles são iguais nos defeitos e que as suas qualidades não são assim ricas e nem variadas. A ideia de ter muitos partidos se justifica quando sonhamos com a possibilidade de termos muitas alternativas para um futuro feliz para o Brasil. Serem muitos os caminhos, vocês me entendem? Se existem muitas maneiras de destruir um país, deve haver, igualmente, muitas maneiras de se salvar um país. Sei lá. Acho isso.

O que uma filósofa e um filósofo mais amam? Essa é fácil: a verdade. E em segundo lugar? Certezas? Não. Colegas professores e alunos achando que você a última cocada do pacote? Também não. Um livro seu lançado com capa dura? Também não. Difícil, não é? O filósofo de cabeça para baixo aqui ajuda. O que os filósofos mais amam depois da verdade é a nota de rodapé.
As notas de rodapé! A metáfora veio a mim depois de ver na televisão uma propaganda do filme “Chocolate” (Chocolat, Lasse Hallström, 2000). Aquele filme com a Juliette Binoche e Johnny Depp. Assistiram? Recomendo. Esta só um pouquinho abaixo da média. Vamos lá, é uma comédia romântica. Só o sorriso da Binoche vale as duas horas nunca mais recuperadas para assistir ao filme.
Onde eu estava? Além de estar sempre de cabeça para baixo o filósofo aqui é disperso e dislexo. Falei do filme é porque é para vocês imaginarem uma criança, vadia e cigana, entrando frequentemente para roubar um bombom da loja mais chique e grã fina daquela cidade do filme. Imaginaram a cena? Agora vem a metáfora.
Sempre vou à prateleira ler as notas de rodapé de A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de Karl Popper.
Agora quem, quem, termina de ler todas as notas de um livro antes de ler o próprio livro?

Em vez de prestar atenção ao meu programa de radio e no programa dos meus colegas locutores a quem ajudo atendendo telefone e preparando músicas, eu fico é vendo vídeos do YouTube. Trailers de filmes e vídeos promocionais da Canon, a marca da minha câmera fotográfica.
Eu já devo ter visto todos os vídeos em que a atriz Katherine Waterston esta de cabelo curtinho. Tem umas cenas de Alien Covenant em que ela esta de boné e outras em que ela esta com uma camiseta regata bem justa e segurando uma arma; e aí eu quase tenho um ataque cardíaco.
(O pessoal jogou mesmo a toalha: os trailers tem agora média de três minutos e querem contar toda a história dos filmes. Nem tentam disfarçar. Criativo e misterioso apenas os trailers de documentários, o que é estranho e pode ser sinal de esperança. Outro detalhe: além dos trailers longos que contam a história dos filmes, ainda tem outros vídeos promocionais, tipo entrevistas com atores e tal, de modo que quase temos mais ou menos 10 minutos de filme revelados antes do mesmo ir aos cinemas.)

Você sabia que havia cidadãos estadunidenses presos na Coréia do Norte? Fiquei sabendo ontem e acho que o mundo inteiro também.
Desconfio que estejam preparando uma guerra e devagarzinho, devagarzinho estão tornando essa ideia mais palatável ao grande publico, para que este não fique muito chocado quando a guerra acontecer.

O problema é que guerra é guerra e o EUA nem salvaram o Afeganistão ainda. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

3,4,5,6 de junho de 2017

Um documentário sobre a Amy Winehouse, cantora e compositora britânica de grande talento e de vida breve e trágica. O documentário é famoso e premiado [ “Amy” (Amy, Asif Kapadia, 2015) ]. Passou hoje de tarde na televisão.
Queria destacar um ponto: temos fotos e cenas de tudo. Um registro de seu talento quando era ainda era uma adolescente, um registro de sua primeira gravação quando ela era ainda uma promessa e um registro, feito por amigos em um carro em movimento, de cartazes nas ruas londrinas anunciando o seu primeiro disco. Tudo, tudo, registrado. Tudo, tudo!
“E daí?”, as leitoas e os leitores poderiam perguntar aqui. E daí que isso é século XXI e não século XX. É importante notar isso. É século XXI essa “coisa” de querer registrar tudo e depois guardar todo esse material sem saber exatamente por que. Estavam todos prevendo que Amy seria mundialmente famosa e por isso registraram aquela cena na cozinha, aquela foto triste, aquele momento de assinatura de contrato? Muita coisa é registrada e disso, muita coisa é guardada e muita coisa também é apagada. Qual é o critério? O que bastaria para que a maioria do material exibido pelo documentário de Asif Kapadia sobre a Amy fosse ser deletado: dois discos com poucas vendas e alguns shows com poucas pessoas na plateia?
Tudo muito frágil.
- A carreira de Amy poderiam seguir o seu caminho e que diferença ter mais ou menos registros de tudo?
Não é isso que eu estou falando, é que nós gravamos e apagamos os registros no nosso século XXI de uma maneira meio cega de critérios. Não sei explicar direito. Tudo muito frágil. Gravamos e apagamos, gravamos e apagamos.
Aposto que a maioria diria que a vida dos historiadores do século XXII será mais fácil do que seus irmãos de disciplina dos séculos XX e XX, mas eu acho que poderá é ser mais difícil e pelo mesmo motivo: os nossos arquivos digitais. Essa bagunça de nossos arquivos digitais.
- Quando drama! Todos os historiadores sabem que tem que tentar montar um quebra-cabeça louco na hora de tentar decifrar o passado da humanidade. Fiquemos, por exemplo, no exemplo que iniciou esta questão: que a Amy do documentário não é a Amy de verdade qualquer historiador iniciante saberia de antemão. Qual é o risco exatamente?
- Um vídeo caseiro digital ser considerado mais completo que a Pedra de Roseta.
- Um talvez não, mas talvez milhões de vídeos digitais... O poder da quantidade...
- O poder da quantidade!

Já esta todo mundo dizendo que o julgamento da Chapa Dilma-Temer será adiado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por causa de algum pedido de vista por parte de algum juiz de lá; então eu também quero fazer parte deste círculo vicioso e também apostar que alguém pedirá vista e este julgamento que já dura “um milhão de anos” vai ainda demorar mais.
Falei em círculo vicioso, pois é óbvio que quem vai pedir vista lê jornais e ouve radio. Vai ter gente de saia preta lavando as mãos e gente de saia preta, mais consciencioso, se sentindo um verdadeiro bobo.
Alguns juízes foram para o TSE recentemente, o que é uma justificativa bastante adequada para o adiamento.
Temer completará o mandato, pois seria muito “anarquismo” ter a queda de Dilma e Temer em tão pouco tempo. Todos os políticos são “iguais”, entende? Em linguagem jurídica: precedentes. E mais: tirando Temer, quem entraria? Quem iria querer entrar?
Vamos prender a respiração até 2018 e “começar do zero” lá. Um “novo Brasil após o furacão” e blá blá blá. Mas a memória de uns, não é a memória de outros; e o veneno da mágoa vai estar lá em 2018 também.

Onde esta a máquina do tempo quando a gente precisa dela? Ir para o futuro, ler os autores certos e voltar para 2017 e dizer as coisas mais inteligentes. Parece bom, mas será que os meus contemporâneos iriam reconhecer o valor das minhas declarações?
Seria interessante responder: a Operação Lava-Jato esta agonizando ou não? As vezes acho que ela esta e as vezes acho que ela não esta. Sei que já são muitos anos e tem gente poderosa na cadeia e tal; mas também sei que já são muitos anos e as leis e o povo brasileiro continua os mesmos.

A semana passada foi maravilhosa. Quero que ela se metamorfoseie nas próximas semanas que virão. Próximas semanas e meses.

Lendo pela milésima vez trechos de Confissões de um Filósofo, de Bryan Magee. O livro de não ficção que mais li na vida. Parece sopro divino, sexo e uma deliciosa pizza gigante meia quatro queijos e meia champignon; tudo misturado e sempre. Ao alcance das mãos. Fácil, fácil. E não há tédio, pois o livro muda junto comigo.
Mas desta vez os trechos que li e reli estavam no final, o que não é comum quando folheio e releio este livro. E aí eu “viajei na maionese” (amo essa expressão popular, um tanto esquecida hoje em dia) e muito.
“As pessoas não morrem, elas ficam encantadas.” – Citação atribuída a Guimarães Rosa.
Seria estas palavras um resumo da segunda parte de O Ser e o Tempo, que Heidegger ficou de escrever e não escreveu? Seria estas palavras de Guimarães Rosa a resposta final às perguntas de Kant, e responder a Kant é a tarefa da filosofia, e que Schopenhauer tanto procurou?
Caminhar e encantar-se, caminhar e encantar-se, caminhar e encantar-se e caminhar e encantar-se; - eis o que os nossos eus podem fazer na existência.
Viajei muito na maionese?

Depois de políticos de esquerda e de direita, temos os políticos empresários e que se exibem pela mídia de maneira mais “nova” e “direta”. Tipo o prefeito de São Paulo, o Dória e o Kalil aqui em Belo Horizonte. Mais uma maneira de unir e pacificar o povo, uma vez que essas discussões entre esquerda e direita nos últimos tempos mais assustam vê nos deixam com raiva do que qualquer outra coisa.
- Oba, oba!
Hum, hum, sei, sei. Um bom político-administrador talvez arrume o buraco na minha rua mais rápido, mas o “fim” das discussões entre direita e esquerda não pode ser o fim das ideias e valores: questões como “porque esta penitenciaria nova antes de uma escola nova” ou “porque aumento de salário para políticos antes de construir um hospital”, continuarão. Devem continuar. As discussões entre esquerda e direita vão continuar.

Até mesmo porque é humano e saudável conversar sobre política. Então desconfiem quando ouvirem essa conversa “bonitinha” de “fim das discussões entre direita e esquerda”. Isso é ruim, isso não é democrático e justo. Isso é ruim. E de direita, aliás.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

29 de maio de 2017.

QUEIJO: - Você pode resistir ao chamado que vem do meio das pernas, mas não ao chamado que vem do coração. Não pode evitar se apaixonar inesperadamente. A fidelidade é antinatural.
AMOR: - Tanto quanto a Grande Pirâmide de Quéops. E seu queijo ricota, você esquecestes a lição de Vinícius? Cada relacionamento verdadeiro será infinito.
QUEIJO: - Diante da falta de confiança em cada novo relacionamento e diante de uma traição, isso dificilmente servirá de consolo.
AMOR: - Mas você procura consolo ou procura a verdade?

E a Samarco venceu: a mineradora voltará a funcionar em Mariana. Nem precisou mudar de nome, como o jornalista Eduardo Costa uma vez disse na radio Itatiaia quando a maior tragédia ambiental não tinha completado um mês e tudo parecia contra a mineradora. Mas segura dos 15 mil empregos que tem nas mãos diante de uma cidade sem alternativas, peitou os tribunais, enrolou o máximo que pode, fez meia dúzia de reformas “mixurucas” em prol do meio ambiente, pagou um “tiquinho” das inúmeras multas impostas e etc. e tal.
E o Ministério Público de Minas Gerais esta se sentindo como a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo sentiu logo após os ataques do PCC.
Provavelmente o resto das multas será paga de maneira “indireta”, ao longo de anos, por meio de benefícios aos seus funcionários pobres, algumas creches para os filhos dos funcionários e moradores da região; e outras migalhas que parecem reluzir como “ouro”. Mas não são ouro.

Ei ei, computador computador! Eu ligo e depois reinicio, reinicio, reinicio e reinicio até o computador de 2007 “pegar no tranco”!
Não sei até quando eu e o computador conseguiremos resistir. O plano é comprar um computador novo apenas no ano que vem. Vou sentir falta do Windows XP, que não para poucos entendidos foi o melhor sistema operacional que a Microsoft já criou.

Qual é a verdadeira vantagem de escolher o Bem em vez do Mal? É a mais pura aborrecência: você rema contra a maré das multidões, contra as leis injustas (a maioria, como ensina o anarquismo?), contra o azar, a preguiça, o universo, contra tudo e contra todos. Você escolhe o Bem por grito, por raiva e protesto. No século XXI você só pode ser uma pessoa boa com sangue fervendo e olhos crispados? Parece que sim.
Não faz muito sentido, faz?

Minha fama de ateu malvado iria para o brejo se vissem como eu escuto “Santa Clara Clareou”, de Jorge Ben e “Sweet Lord”, de George Harrison, sozinho em meu quarto.
Não sou ateu, eu sou agnóstico, eu não tenho certeza se Deus existe ou não. É que a primeira frase lá em cima perderia o seu efeito poético se eu escrevesse “agnóstico” em vez de “ateu”. Entendem? Me perdoam? Primeiro o lirismo, depois o resto. Primeiro a beleza, depois a verdade. Estou errado ou certo, Anatole France?
Acho que já escrevi algo parecido aqui neste blog. Vou conferir. Morro de medo de me repetir. Limpar esgotos, assinar a revista Veja ou trabalhar com jornalismo policial ou jornalismo de colunismo social; tudo bem; mas ser um artista e se repetir? Nunca! Cruz credo!

Tédio. Tédio é algo terrível, devora e desrespeita o tempo e o tempo é um dos tesouros mais preciosos do humano. Graças a minha incompetência formidável, a minha vida de fotógrafo não é tediosa. Dá-lhe, dá-lhe fotos e fotos desfocadas! Espero em breve usar motivos melhores para que minha vida de fotógrafo fuja do tédio.

“Pescador de ilusões” (The Fisher King, Terry Gilliam, 1991).
Eu amo este filme. Simplesmente amo. Por Júpiter, como eu amo este filme! Mais que “Cinema Paradiso” (Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore, 1988)? Talvez, talvez.
Uma vez este filme de Gilliam passou na tevê e eu estava com uma vontade tremenda de ir ao banheiro, sentindo uma daquelas dor de barriga de te partir ao meio mesmo; mas eu consegui me conter. Por amor. O amor pode tudo.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

26 de maio de 2017.

- Os corpos besuntados dos bailarinos negros é uma referência à escravidão ou é apenas um truque copiados das competições de halterofilismo? Eu conheço o halterofilismo e não sabia que os escravos negros tinham seus corpos besuntados para disfarçar as feridas dos meses e meses de transporte precário nos navios negreiros. Eu acredito que assim como eu, a Mallu Magalhães deve conhecer mais o halterofilismo e como mostrar mais atraente um corpo já atlético, do que detalhes técnicos do tráfico de escravos. Que a equipe dela seja composta, digamos, para efeito de "exercício mental", por mil pessoas não muda muita coisa: a história da escravidão negra ainda é bastante ignorada.

- O detalhe da "hipersexualização" na crítica de João Vieira é tão grosseiramente moralista que é difícil tentar ser equilibrado ao comentar aqui. Ora, se quis fazer um clipe sensual. Como se faz um clipe sensual? Bom, deve ter mil maneiras de se fazer um clipe sensual com bailarinos negros, sem ofender alguém mas acreditar que a ofensa foi proposital é demais.

Estamos no Brasil em 2017 e queremos reformar como o negro é retratado no Brasil. João Vieira quer, eu quero e até a Mallu Magalhães também deve querer, mas é natural que neste longo caminho erros aconteçam. E enganos também.
Acredito na salvação pela arte, uma das poucas coisas em que realmente eu acredito. Na arte livre. Não sou ingênuo, mas para atacar uma obra de arte eu realmente sou reticente. É que qualquer erro na dose a criatividade recua e a criatividade demora tempo demais para se recuperar. E aí todo mundo sofre. Todo mundo.
Até por uma questão de etiqueta, de educação, devo presumir que Mallu Magalhães não teve a intensão de machucar. No máximo fez um clipe de mau gosto. Naturalmente que um clipe musical de mau gosto não é pouca coisa, mas realmente acho que o pessoal exagerou. 
Mas talvez eu esteja enganado e o "trem da história" esta passando mais rápido do que eu possa perceber. As coisas mudam. Perder o "trem da história" é ruim, mas ser um chato implicante também.
Acho que inconscientemente eu devo estar pressentindo algo de minha falta de atenção, pois escrever este texto foi bem cansativo para mim.
E também me lembro que eu fiquei meio assustado quando vi, anos atrás, uma criança européia defendendo de maneira bem sofisticada o ateísmo. Eu realmente fiquei assustado com aquilo.
Não quero perder o "trem da história". 
http://virgula.uol.com.br/musica/voce-nao-presta-7-estereotipos-racistas-reforcados-por-mallu-magalhaes-em-clipe/#img=1&galleryId=1079011 

Meu computador esta dando sinais de que quer se aposentar. Ele é de 2007. Bravo computador! Foi o segundo computador da família e foi com ele que conhecemos a internet e o mundo da computação mesmo. Tenho que lembrar aqui de contar algumas histórias do primeiro computador e da internet daquele tempo. Salas de bate-papo do UOL, Icq, barulho da conexão, disquetes e a placa de fax modem que queimava o tempo todo e etc.

Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, foi ontem, em uma cerimônia com industriais e falou de bilhões e milhões para ajudar a indústria de Minas e tal.
Quem tem esse dinheiro, Governador? Você não quer vender um monte de prédios do Governo ou alugar eles por causa da crise? Enquanto isso a Santa Casa fecha centenas de leitos e o Governo de Minas não paga-lhe o que deve. 
É tão básico! Por favor, Governador; fique com a boca calada.
Com certeza, se fôssemos espanhóis e estivéssemos em Barcelona em 1991, diríamos e ouviríamos coisas do tipo: "Mas essa Olimpíada é um luxo agressivo! Temos tantas coisas básicas ainda a resolver e esses políticos nos inventam uma coisa dessas!" Ocorre que o básico em Barcelona em 1991 não é tão básico quanto o básico no Brasil de 2017 ou no Rio de Janeiro de 2013.
E por falar em Rio de Janeiro: quantos milhões e milhões o Governo Federal já deu para este estado? Como brasileiro eu amo o Rio, mas tudo tem limite e eu acho que é hora do povo fluminense tomar uma atitude firme.

Eu escrevi "um beijo" e ela me respondeu "um abraço". Isso pode ser nada, mas também pode ser um universo inteiro. A porcaria de um universo inteiro.

Não existe um "sindicato único pelos negros" e um "sindicato único pelo feminismo", o que é bom para a liberdade; mas complica pois sempre haverá militantes pelos negros e pelas mulheres a nos dizerem diante de uma situação polêmica: "é mesmo, o pessoal tava bem intencionado mas exagerou"; e "polícia, processo, não pode ceder mais, não é para isso se repetir!". 
Daí que a gente repete o velho apelo pelo diálogo e empatia. E a calma. 


quarta-feira, 24 de maio de 2017

24 de maio de 2017.

A geladeira esta fazendo tanto barulho que, eu seguindo o princípio de A Navalha de Ockhan, apenas posso pensar que ela fora possuído por algum espírito da floresta. 

O protesto em Brasília não teve muita gente, mas teve muita violência: depredações e até salas pegando fogo. A violência nas manifestação, sabemos, é ruim como toda violência, e não vai fazer Brasília sentir compaixão pelo Brasil. Lamentável.
Independente de Temer completar o mandato ou não, o veneno para a próxima liderança do Executivo será grande. A economia estará bem melhor, eu sei, mas o veneno estará lá. A democracia esta sofrendo. A Dilma era fraca, mas era para ela ter recebido ajuda e continuado. Por outro lado, Temer teve ajuda e boa vontade e estamos desse jeito. Mas é melhor ajudar do que derrubar, mas acreditar nisso diante de figuras como Dilma ou Temer é realmente complicado. 

Estou lendo meu primeiro livro sobre povos indígenas. Quando eu tinha uns 10 anos, fiquei o dia inteiro, nas férias, assistindo aquela antiga série Xingu que meu pai e eu gravamos na fita VHS. Lembram? Passava na Rede Manchete os episódios. Mas ficou apenas nisso, meu precoce engajamento intelectual quanto aos índios.
Durante os anos da faculdade, fui para o Mato Grosso participar da comemoração pelos 50 anos de casado de um tio-avô. Minha mãe falou assim para mim:
- Quando eu era mais nova, fui a Mato-Grosso e vi alguns índios. Eles eram altos, forte e bonitos. 
Quando cheguei na rodoviária eu vi os únicos índios que eu veria em toda essa viagem: baixinhos, gordos, com bermudão, chinelão e camisa do Flamengo. Pensei que eu estava dentro de uma piada do Casseta&Planeta, de tão perfeitamente sem graça que era todo o episódio. 
É realmente doloroso, como brasileiro, ler alguma coisa sobre índios. E não importa se você é ativista ou não, dói do mesmo jeito. É óbvio que é melhor ser um ativista e tal, mas dói do mesmo jeito. Me entendem? 

terça-feira, 23 de maio de 2017

23 de maio de 2017.

Quantas vezes o prefeito João Dória já deu entrevistas ao Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes de Televisão, nas últimas semanas? 2018 mesmo, héin? Impressionante! Mas a estratégia é inteligente sim: se Dória vencer a Cracolândia ele chega a Brasília em 2018. Muita gente ainda torce o nariz para o Bolsonaro, que como é de um partido pequeno vai ter que se complicar para conseguir apoio de um monte de partidos pequenos. Dória já é de um partido grande.

Mas a Bandeirantes não morre de amores apenas pelo Dória, também gosta do Temer. “Não é pelo Temer, é pelas reformas que o Brasil precisa!”; “A quem interessa um Congresso e um Brasil paralisado pela oposição?”; “Logo agora que a economia esta começando a respirar desde a maior crise desde os tempos da pedra lascada, vocês querem botar fogo em tudo? Olhe a responsabilidade para com o país! Olhe como a bolsa de valores sofreu na última semana!”; “A gravação foi editada e esses delatores são uns bundões!”; é a mensagem subliminar (e nem tão subliminar, em se tratando de jornalismo daquela emissora) transmitida desde a semana passada pelo Jornal da Band.
Rodrigo Maia vai segurar os pedidos de impeachment o máximo que puder e as manifestações ainda estão bem fracas. A gente esta chocado, mas também cansado. Temer tem experiência e sabe o que faz, já deve ter até um plano Z. rs rs O cara é muito forte. Agora, um pedido de impeachment da OAB nacional tem um peso danando tem.

Não era um maribondo qualquer que estava sendo devorado por aquela aranha. Era o maribondo que fez uma casinha de argila naquela corda fina que fica na cortina. Qual o nome daquele trem? Esqueci. A parte mais frágil da cortina inteira e o maribondo inventa de fazer uma casa para ele justamente ali! Ele fez e se trancou lá. Por meses. Sei lá, vai ver ele gostou de algum documentário do Discovery sobre ursos polares e cismou de hibernar também. Aí quando ele sai do casulo cai na teia da aranha, ele  é devorado. E é sempre bom lembrar que o veneno da aranha é para paralisar, ou seja: o cara é devorado... Entenderam, não é?
Como todo animal humano,  igual a quem me lê agora, sou instintivamente hábil em criar símbolos e significados. Eu estava triste e tinha que dar um jeito de me consolar. Imaginei que a aranha que devorava o maribondo era também o maribondo que devorava a aranha, que não havia morte ou nascimento e que a vida era na realidade um rio que ninguém sabia de onde vinha e nem para onde vai. E pronto. Pensamento meio oriental e meio filme “Contato” (Contact, Robert Zemeckis, 1997), aquele com a Jodie Foster. 

Memória afetiva é algo poderoso. Poderoso demais. Da até um frio na espinha se pensar direito nisso.
Eu simplesmente não consigo encontrar uma versão de “O Molvavia”, de Smetana, que me agrade. Simplesmente porque todas são diferentes do registro que meu pai botava para tocar naquele disco de vinil que a gente escutava quando eu era criança.
Sempre acho que tocam esta música de Smetana muito rápido. Ela tem que ser tocada mais lentamente, mas parece que quanto mais afamado é um maestro, mais ele sofre de ejaculação precoce na hora de reger a orquestra.
Smetana foi internado em um hospício injustamente. Se viesse parar aqui, nos dias de hoje, ele ia pedir para ser internado! Olhe o que estão fazendo com a música dele, ô Caracas!


segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de maio de 2017.

Carlos Vianna, jornalista da radio Itatiaia, criticou hoje um protesto marcado para esta quarta-feira na capital Brasília. “Quem tem tempo para viajar até Brasília numa quarta-feira?”, ele questionou. É um questionamento interessante. Fiquei pensando muito nisso. Existe dia certo da semana para mudar o Brasil ou pelo menos manifestar o que pensamos e sentimos sobre o que acontece em nosso país?
Os manifestantes vão perder pelo menos dois dias de serviço, no mínimo. O desemprego no Brasil é enorme atualmente e muitos patrões vão fechar a cara se um empregado fizer um pedido de folga com esta justificativa. Contra a Dilma e o Partido dos Trabalhadores, houve muitas manifestações no domingo de manhã e outras que foram de domingo de manhã e até domingo a tarde, com tempo para os manifestantes voltarem para casa, prepararem o jantar e assistir ao Faustão e ao Fantástico, da Rede Globo junto com suas famílias. Ou outros programas de tevê. A alternativa aqui, mais popular, é filmes. Assistir filmes. É uma opção razoável só haver manifestações para mudar o Brasil no domingo? É bom recordar que a imprensa disse que estas manifestações de domingo ajudaram a derrubar a Dilma e o PT, embora seja bom relevar: do jeito que as coisas estavam até o bater das asas de uma borboleta no Tibet derrubaria Dilma e o PT.
Repito: é uma opção razoável só haver manifestações para mudar o Brasil no domingo? É uma questão complicada. Veja o detalhe das ambulâncias e da Polícia Militar. No domingo, quando tinha as manifestações contra Dilma e o PT, com certeza havia ambulâncias precisando andar pelas ruas cheias de gente. A gente não via isso pela tevê, mas eu sei que no domingo existem acidentes acontecendo e pessoas doentes precisando de ajuda. A Polícia Militar pode ter mais dificuldade para manter a ordem numa manifestação em um dia útil, do que no fim de semana, é verdade; mas para isto existe planejamento: até mesmo para ter bastante gente, os organizadores avisam todo mundo que o protesto vai acontecer. O pessoal se prepara. 
Ou deveria. Lembro-me de uma vez que o grupo musical U2 fez um show em São Paulo, o pessoal não prestou muita atenção e o congestionamento foi colossal, até para os padrões de São Paulo. Eu lembro, foi sinistro o trem. Acho que não havia muitos fãs de U2 trabalhando na prefeitura de São Paulo naquele ano.

Se você ler o livro de memórias de algum importante jornalista político aposentado, com certeza você vai encontrar trechos como: “apresentei fulano para o ministro”, “o secretário me perguntou, totalmente fora do contexto da conversa, sobre uma terrível dúvida que ele tinha”, “telefonei para o Presidente”, “a prefeita confidenciou-me alguns segredos de alguns desafetos políticos” e etc. Coisa natural, esperada. Nada demais, qualquer jornalista político tem histórias interessantes para contar e nem todas ele pode contar na época em que trabalhava e tal.
O que é muito difícil encontrar em algum livro de memórias de algum jornalista político é que o mesmo tenha participado de alguma manifestação pela diminuição do preço da passagem de ônibus, junto com o povão.
No meio da semana. Tipo, por exemplo, numa terça-feira.

O silêncio da casa as vezes cria algum problema com a privacidade. Se bem que não há demônios que sejam desconhecidos por nós por aqui.
- Aí chamamos um fotógrafo e...
- Fotógrafo? Porque vocês não chamaram o Aldrin?
- Ah, o Aldrin não sabe trabalhar.
Ah, ah! Sem mágoa e raiva, pois sei o que você sente quando olha para ela, olha para mim e olha para o que você esperava e o que você fez pela sua própria vida.
Como vocês podem ver, nem sempre quando falamos a verdade os anjos nos acompanham.

São muitos os questionamentos críticos feitos à Lava-Jato, a grande investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Lava-Jato e as investigações “filhas” dela. Muitos desses questionamentos são de natureza técnica, feita por pessoas que não são contrárias às investigações.
Será que a Polícia Federal e sua Lava-Jato saíram do controle? O diacho é que o Brasil é um país tão complicado, mas tão complicado que é difícil saber a diferença entre o caos completo e a linha reta e dura da justiça.

Ler um livro e resumir este mesmo livro para terceiros são coisas distintas. Bom, parabéns a mim: descobri a América! Tomemos como exemplo o último livro que li: O Homem Revoltado, de Albert Camus. Meu primeiro Camus, aliás.
Livro curto, mas denso e complicado. Precisarei ler várias vezes e até mesmo destrinchar parágrafo por parágrafo. O bichinho é nervoso assim.
Agora, alguma coisa eu entendi nesta primeira leitura. Agora; o que você diria se eu lhe dissesse que o livro é um elogio ao serviço voluntário em creches, na alfabetização de adultos, na praia protegendo filhotes de tartaruga e outras coisas do tipo? Que o livro é uma crítica às revoluções por meio da violência? Que o livro alerta sobre o lado assassino das doutrinas e utopias políticas mais bonitinhas e inofensivas?
Fica parecendo mesmo que o livro não é lá grande coisa. Ou pelo menos nada tem de super fantástico.

Nada substitui uma leitura em primeira mão. Então vão lá!

domingo, 21 de maio de 2017

21 de maio de 2017.

Consegui atualizar o meu Digital Photo Professional, o programa que uso para editar fotos. Coisa boa, pois a versão que eu tinha é de 2013. Não sei se atualizei tudo que podia, mas as mudanças que consegui me agradaram bastante.

E foi relativamente fácil, até usei um programa que descompacta arquivos. Achei que nunca saberia usar um desses programas que descompacta arquivos. Mas foi só preciso um pouco de coragem e intuição para mexer no trem. É bom lembrar que os bobos sempre são maioria no mundo, de modo que essas coisas sofisticadas tem que ser feitas para nós também. Essa coisa de descompactar arquivos é meio “mágica”.

As mudanças foram que agora eu tenho mais estilos prontos de imagens e o filtro para tirar fotos em HDR (High Dinamic Range). Os estilos prontos de imagens são legais, mas eu perco uns 6 segundos para “abrir a janela” onde estão os novos estilos e testá-los. Uns seis segundos para testar cada um dos seis, todas as vezes é bastante tempo. Se eles estivem no mesmo lugar dos antigos estilos prontos, me pouparia bastante tempo. Os estilos são: Nostalgia, Clear, Twilight, Emerald, Autumn Hules, P-Studio e P-Snapshot. Cada estilo pronto é útil, a partir deles a gente pode fazer modificações na fotografia. Assim como com o filtro HDR.

O filtro HDR é famoso. Lembro-me que muitas vezes eu via fotografias na internet e parecia-me que havia uma semelhança anormal entre todas aquelas fotografias. Eu associava essa semelhança a algum programa de computador, provavelmente o todo-poderoso-e-popular PhotoShop, que a fotógrafa ou fotógrafo com certeza usou. Mas era principalmente esse filtro HDR.
Seria interessante explicar o que ele faz. Bom, digamos que ele mostre detalhes onde tem sombra e onde tem claridade demais na foto, mas faz isso de uma maneira “forçada”: a fotografia fica parecendo um desenho, com muito relevo e um “misterioso véu rubro”.
Desculpem-me o “misterioso véu rubro”, mas é que eu não sei explicar essa mudança de saturação que o filtro HDR produz na foto, e é coisa importante para mim pois é justamente para mim o seu pior defeito. A questão do relevo para mim não é problema, adoro relevo nas fotos desde que li uma pequena biografia de Michelângelo há muito tempo.
Comecei usando muito o filtro HDR, mas depois parei e só uso ele de vez enquanto. Gostei disso, pois fiquei com medo de ficar “viciado” nesse filtro para fotografias. Para ser sincero, esse filtro HDR só é bom mesmo para mim para ajudar depois que eu decido que determinada fotografia vai ficar em preto e branco, e mesmo assim só as vezes.

Fiquei mais de um mês sem editar fotos. Tive meu frequente momento de “perda de gás”. Difícil lutar contra isso. Falta de concentração, perda de vontade; fortes inimigos!

Vou mandar imprimir mais cartões de fotógrafo. Preciso mais de serviços. O casal que estava esperando os filhos gostou das fotos minhas, não sou um profissional tão imprestável assim.

Um interessante dilema: a calça cheia de urina atrapalha a publicação de uma foto cheia de beleza e humanidade? Não dá para publicar aquela foto dos dois simpáticos bêbados, apesar do pedido de um deles. É que o amigo dele, como eu disse, estava em um estado degradante. E adeus aos sorrisos e olhares brilhantes, apesar de tudo. Mas se eu fosse um jornalista em serviço e se fosse durante uma tragédia natural tipo enchente ou vulcão com feridos? É real, aconteceu e não era apenas eu que estava vendo. As pessoas tiram fotos de mendigos e mendigos são pessoas em estado degradante. É... Um interessante dilema.
Mas decidi não publicar a foto. Fiz uma entrevista com um alcoólatra, na época da faculdade, e ele me disse depois que foi essa entrevista que o fez vencer o vício. Isso é com certeza a única coisa que preste que eu realizei em toda a minha vida, mas não posso esperar que uma foto tenha um efeito semelhante caso ela causasse alguma polêmica.

Já foi dito que apesar de tudo, e bota muito “tudo” aqui, o Brasil e os Estados Unidos tem muita coisa em comum. Assim como eles nós somos um povo violento e temos uma história violenta. E barris explosivos “sociais” esperando só a sua vez, também existem lá e aqui; de modo que é sempre útil encontrar formas para pacificar as coisas. De várias maneiras, inclusive as bobas e alienantes. Seria o caso dos filmes de Hollywood que contam e recontam o passado estadunidense de maneira maniqueísta e gloriosa? Talvez, pois a arte é algo que sempre vai ultrapassar classificações sociológicas e políticas: um filme alienante pode fazer sim um líder desabrochar na plateia do cinema.
No Brasil, por sermos um país muito pobre, em vez de filmes temos novelas da Globo. Recentemente temos a “Novo Mundo”, uma novela que conta os primeiros anos do reinado de Dom Pedro Primeiro. Como bom crítico de tevê eu só assisti uns 20 minutos e já acho suficiente para fazer julgamentos absolutos: mulheres com decotes suculentos, a personagem feminina da Princesa Leopoldina é a personagem principal (o seu sacrifício é maior e ela não perde o sorriso e a fé), o Dom Pedro é a caricatura-modelo de um político brasileiro (malandro, mas sempre com bom coração), um negro alfabetizado que trabalha como jornalista libertário, direitos para o povo indígena, liberdade para os escravos, paralelos manhosos com a política atual (o príncipe que sofre um “golpe” dentro da lei...) e etc. Não me levem a mal, eu admiro o conteúdo engajado da novela e realmente acho que pode funcionar. A questão é que também pode não funcionar. Mas a fé é importante, então vamos acreditar; como a Princesa Leopoldina também acredita.

domingo, 2 de abril de 2017

Um instante para Kant.

UM INSTANTE PARA KANT
Uma “amiga de FaceBook” pediu ajuda sobre um livro de Kant. O livro em questão eu não li, mas apaixonado por filosofia desde 1999 eu acumulei bastante material. E isso inclui muita coisa sobre Kant e o livro em questão.

O problema é que a “amiga de FaceBook” pediu ajuda muito em cima da hora, mas acho que da tempo. Não deu para “pedir ajuda” a História da Filosofia, de Reale e Antiseri; pois as suas mais de cem páginas dedicadas ao filósofo alemão priorizam as suas três críticas e acaba assim “espalhando” a análise da A Razão dentro dos Limites da Simples Razão em vários subcapítulos que pelos títulos eu não conseguia perceber se eram úteis à questão aqui. Vai mesmo História da Filosofia, de Will Durant, que tem um ótimo subcapítulo sobre o livro em questão e História da Filosofia, de Bryan Magee, que resume Kant de maneira rápida e completa.

Publico o que vou mandar por e-mail à essa “amiga de FaceBook”, pois é útil. Kant, ao lado de Platão e Aristóteles, forma o grande trio da filosofia.

Para o ensaio A Religião dentro dos Limites da Simples Razão
HISTORIA DA FILOSOFIA – Will Durant (Abril Cultural, São Paulo, SP, 2000)
- Sobre o ensaio A Religião dentro dos Limites da Simples Razão: Com todo o respeito às três Críticas, este é talvez o texto mais corajoso de Kant.

- A religião não deve ter como base a lógica da razão teórica, mas sim a prática do senso moral. Ou seja: as religiões devem ser julgadas pelo que elas acrescentam de valor á moralidade da sociedade. Pelo que elas podem ajudar as pessoas a se comportarem bem, pelo modo como podem ajudar as pessoas a se desenvolverem.
Por outro lado, as religiões não podem ser juízes de um código moral.

- Um líder religioso é muito importante, mas não pode substituir um presidente ou um rei. Isso aconteceu várias vezes durante a história e o resultado foram mil seitas e mil guerras religiosas.

- Testemunhos de milagres devem ser respeitados, mas não se pode confiar no testemunho dos envolvidos. Aqui a paixão domina e não podemos nos esquecer disso. Entendemos que uma pessoa deseje orar pedindo ajuda, mas temos que ter cabeça fria para compreender que uma oração não consegue ir contra as leis naturais que fazem parte da experiência.

Para um resumo da filosofia de Kant
HISTÓRIA DA FILOSOFIA – Bryan Magee (Edições Loyola, São Paulo, SP, 1999)
- Qual o limite do conhecimento humano? Antes de Kant este limite não estava bem esclarecido. A maioria dos filósofos acreditava que não havia mesmo um limite. Tudo que existia era possível que fosse conhecido pelo homem.
Kant diz que não é bem assim. O nosso corpo, nossos cinco sentidos, nosso celebro, tudo isso impõe limites ao que podemos conhecer. Podemos conhecer muito menos de tudo aquilo que existe, muito menos.

- Então podemos dividir a realidade total em aquilo que os humanos podem conhecer e aquilo que nunca poderemos conhecer, justamente por sermos humanos. Ocorre que a diferença entre esses dois mundos não era o que se pensava antes. Eles são ainda mais radicalmente diferentes do que se pensava. A coisa em si não é a representação desta mesma coisa, e apenas a representação desta mesma coisa é que temos algum acesso.

- O mundo dos fenômenos é o “nosso mundo”, é onde vemos as estrelas e sentimos o calor de uma xícara de café. Aqui temos as experiências que nos são possíveis.
O mundo numênico é o mundo das “coisas em si”, e não nos é acessível.

- O nosso mundo, o mundo dos fenômenos, não é um mundo louco. Há ordem aqui: leis matemáticas, leis da física... Qual é a estrutura de nossa experiência? Como podemos ter acesso à experiência de ver uma estrela de sentir o cheiro de uma rosa? Como é a “rede humana” pela qual podemos “pescar” aquilo que afinal podemos conhecer?
Esta “rede” é o espaço-tempo, a causalidade, as famosas categorias do entendimento identificadas por Kant. O que não se encaixa nessas categorias não nos é possível conhecer, é como se não existisse. Mas é claro que podem existir. Apenas não temos como saber. Como Deus e as almas imortais.

- Então neste nosso mundo podemos conhecer. Temos a ciência a nos ajudar. Mas neste nosso mundo existe um objeto material especial, algo meio complicado: nós mesmos. O nosso corpo é um objeto material. Como é possível o livre-arbítrio em um mundo que obedece as leis científicas?

- Kant acreditava que sim, temos livre-arbítrio. E isso era algo que podia ser demonstrado de uma maneira direta: pela ausência de uma pessoa que realmente acredite no determinismo aplicado a seres humanos.
Quem realmente acredita que não é livre? Se não existe livre-arbítrio, como uma pessoa poderia reclamar de um ladrão ou como poderia se arrepender de uma atitude triste ou ficar feliz diante de uma atitude generosa? Simplesmente não teria opção, agiu porque tinha que agir assim e pronto.
Mas não é assim. Sabemos intimamente que não é assim, sabemos intimamente que temos sim livre-arbítrio.

- Mas o livre-arbítrio não é contraditório com as leis deste nosso mundo fenomenológico, as leis científicas? É que a origem de nossos atos livres não é desse mundo dos fenômenos e sim no mundo numênico, aquela parte da realidade total que não temos acesso.
Mas como é possível o mundo numênico se manifeste por meio de nossas escolhas livres aqui no mundo humano dos fenômenos? É uma questão que Kant tentou responder mas não conseguiu muito e ainda esta em aberto. O seu grande seguidor Arthur Schopenhauer fez grandes avanços nesta área.

- Somos humanos e vimos que nossas decisões tem uma origem que transcende a experiência possível. Isso pode sugerir certa anarquia na moralidade, mas não é bem assim. Moralidade é para pessoas racionais e mais, a moralidade não é algo determinado por gostos individuais. Há uma universalidade aqui, há uma racionalidade aqui que impera a todos. E também intimamente acreditamos nisso, ou então não faria sentido querer convencer alguém por meio de argumentos. Uma razão que seja válida tem que ser universalmente válida.
Assim como na ciência existem leis que são universais, na moralidade também tem leis cuja aplicação é universal. Se é certo para mim, tem que ser certo para qualquer outra pessoa na mesma posição.
Estamos prontos para compreender o famoso imperativo categórico de Kant: “Age apenas segundo máximas que tu também queres que sejam leis universais”.