Voltaire ajuda

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

9 de setembro de 2016.

O que existe: estrelas ou Reis-Filósofos?  
Será que bactérias e estrelas existem mesmo quando não as observamos? Não ache graça da pergunta, a epistemologia esteve no centro do interesse da filosofia ocidental por mais de dois séculos. 
Não foi pouco tempo e não envolveu pessoas tolas em seus desafios. E Will Durant reclama: perdemos tempo que poderia ter sido gasto com assuntos mais relevante, como, por exemplo, a criação de reis-filósofos entre nós. Quem lucrou com tantos livros sobre epistemologia foram os impressores de livros.

Reis-filósofos... Estamos bem longe disso, héin? Aqui no Brasil, por exemplo, como a educação é tratada...
(Texto de reserva)

Não deixa de ser uma boa coincidência eu publicar isto em 9 de setembro de 2016, este resumo de uma leitura de Will Durant e (no final) um resumo-reapresentação de mais um aforismo de Nietzsche. É que hoje nós acordamos de mais uma ressaca da educação brasileira: mais um teste (acho que nacional, mas pode ter sido internacional) em que os alunos adolescentes se saíram muito mal. Mais um teste, mais uma vez a educação brasileira se saiu mal.

Anatole France invade o Laboratório!
É difícil imaginar que os nossos geneticistas e biólogos em geral, perguntem ao Anatole France, afinal, qual é a diferença entre nós humanos e outros animais. Mas nós somos mais curiosos que eles e queremos saber.
Então diz aí, Anatole; qual a diferença entre a gente e outros animais?
- A literatura e a mentira.

Dilma Rousseff no Senado
A Grande Imprensa repete que o que a presidenta afastada disse, no dia 29 de agosto de 2016, era apenas repetições, o que em parte é verdade, mas também é uma justificativa para não enumerar os argumentos da sua defesa. As acusações, por outro lado, a Grande Imprensa não se incomoda de repetir sempre que pode. Parcialidade e má vontade flagrante.
A grande novidade, porém, foi o fato dela ter ido ao senado se defender. Ela vai ser derrotada, mas a questão é que Dilma estava entrando para a história do Brasil não só como má administradora e mais ou menos implicada em casos de corrupção, mas ela também estava entrando para história como uma líder fraca. E ali no Senado ela foi forte, falou de improviso e não cometeu gafes. Enfrentou oradores que são muito, mas muito melhores do que ela.
Hoje, quando escrevo isso, será o dia da parte mais técnica do processo no Senado: os advogados entrarão em cena para os debates. Diferente de ontem, que acompanhei quase todo o dia, hoje não estou muito interessado. Dilma não será derrubada pelas barbeiragens que fez no orçamento e sim porque, principalmente, depois de quase duas décadas de PT, uma hora a oposição ia resolver ficar forte.
Questão política, questão de força. Ainda demora um pouco para que eu possa acreditar em políticos que falem em responsabilidades quando ao orçamento, quanto ao bem público.
Nota: acabei assistindo um pouco aos debates entre os advogados de defesa e de acusação. Fiquei encantado com a oratória. O povo brasileiro talvez seja o povo mais musical do planeta e talvez por isso gostemos tanto de uma oratória de qualidade.
(Mais um texto antigo usado como reserva)

E Dilma realmente foi derrotada. Eu assisti à defesa da Dilma feita pelo advogado José Eduardo Cardoso e realmente gostei dele. Fiz até o download do vídeo, depois, à noite. Dilma e o PT fizeram muita coisa errada e tal, mas na derrubada da Era do PT os seus antagonistas aprontaram algumas: funcionários do Tribunal de Contas fazendo manobras “suspeitas”, malabarismos com a legislação (parece que retrocederam a lei, o que é proibido segundo os cânones do direito), prazos e interpretações de conceitos de economia usados de maneiras um tanto “criativas” e etc.
Bom, isso é passado. Dilma e o PT já tinham perdido o Senado e a Câmara dos Deputados de maneira tão completa que falar em “golpe” pode até ser, eu disse “até ser”, igual a reclamar que a chuva molha: algo fútil, infantil.
Logo após a queda da Dilma houve protestos em vários pontos do Brasil. Pareceu-me que pela primeira vez, desde que começaram os protestos contra Dilma após as eleições de 2014, a esquerda tinha conseguido se organizar e colocar mais gente nas ruas. Foi uma surpresa e foi bonito. Mas foi tarde demais? Talvez, pois durante algumas semanas teria sido possível evitar que o PMDB se afastasse do Governo Dilma? Naqueles dois dias do Senado, a TV Senado entrevistou alguns especialistas e teve um que eu gostei. Não sei o nome dele, mas lembro me que ele era meio gordinho. Ele falou, com bastante imparcialidade e objetividade, sobre o segundo Governo Dilma. Ele disse que algumas decisões da Dilma afastaram o seu governo dos grandes empresários, que antes a apoiavam. O PMDB, naturalmente, é sensível ao sentimento dos grandes empresários, mas também é das vozes das ruas e poderia ter tomado outra posição se nestas a esquerda tivesse colocado mais gente a mais tempo. O PMDB é um partido gigante e se gostava de ficar nos bastidores do poder, em vez de disputar a presidência, é porque via ali nesta posição vantagens. Bom, mas isso tudo é passado.
O que não é passado é a violência da polícia militar ao acompanhar manifestações contra o impeachment de Dilma, principalmente a de São Paulo; e a violência de um editorial do Jornal da Band (da Rede Bandeirantes de Televisão) vinculado após o impeachment e de um editorial da Folha de S. Paulo alguns dias depois, ambos atacando quem não esta disposto a aceitar o novo governo. A violência policial e a dos dois editoriais da imprensa indicam que os tempos sombrios continuam, mesmo após a queda do PT.

Muita bagunça na Educação
A situação educacional não vai nada bem, lamenta Nietzsche. Os nossos formandos saem das escolas e universidades confusos, e achando que na verdade os verdadeiros professores que eles tiveram eram agentes do acaso. Isso, “acaso”, “bagunça”; pois ordem é que ali não há no sistema educacional.
Isso acontece porque o nosso tempo, por mais irônico que possa parecer, é muito rico em herança cultural. Não que sejamos “ponto culminantes da história” e blá blá, nada disso. Nada disso mesmo, aliás. Acontece, apenas, que não estamos sabendo o que fazer com a herança cultural que temos.
Nossos museus estão todos bagunçados e a cabeça de nossos estudantes também.


(Caramba, modéstia a parte; acho que realmente fui feliz em resumir e reapresentar este aforismo de Nietzsche. Tudo bem que não é um aforismo particularmente subversivo e etc. e tal, mas eu realmente fui feliz aqui.).

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