Voltaire ajuda

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

21 de setembro de 2016.

A Hora da Toupeira Anarquista
Depois do “Quiabo Comunista”, do Carlos Eduardo Novaes, temos a “Toupeira Anarquista”, do Friedrich Nietzsche.
Uma toupeira a trabalhar no subterrâneo. Mas qual subterrâneo? A da horta da Maria? No que restou daquela praça esquecida? Não, não, a toupeira anarquista esta cavando, trabalhando e comendo as raízes da moral. A toupeira cava e come, para depois compreender e contar. Vocês todos podem vê-la ou não, depende de vocês. Mas logo logo todos vão ouvi-la o que ela tem a dizer.
A toupeira espera a sua aurora, a toupeira vai fazer a sua aurora; e é então que todos irão ouvi-la.

Eu? Eu quem?
É mais fácil os nossos filósofos decifrarem o incognoscível númeno kantiano do que decifrar o explícito coração que grita em todos nós. Não é hábito nosso querer descobrir a nós mesmos. Somos desconhecidos, somos outro. A gente não é a gente nem quando sentimos dor na hora de uma injeção!
Vamos mudar isso? Pois, como disse Nietzsche, o conhecimento é doce como mel.

Um Sorriso na Montanha
E por causa de uma nota de Paulo César de Souza, em sua tradução de “Genealogia da Moral” de Nietzsche, eu acabei indo parar em uma montanha especial e ouvindo algumas palavras especiais. Pela primeira vez.
Um encontro inesperado e feliz. Merece uma comemoração. Segue o parágrafo inteiro, já que estamos aqui.
“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde esta o teu tesouro aí estará também teu coração.” (Mateus, cap. 6, v. 19-21)
Bonito sermão. Obrigado Jesus, Nietzsche e você também Paulo César de Souza.

Uma Dúvida Real
Eu realmente não sei o que pensar destes vídeos pitorescos que muitos candidatos a vereadores divulgam pela televisão. Refiro-me aos vídeos, mas também posso incluir os informes no radio também pitorescos e, para incluir os jornais, os nomes oficiais bem toscos desses candidatos. É tudo engraçado, eu sei; todo mundo gosta, eu também.
Eu também gosto, mas... Há um sabor amargo na boca que surge depois de ver tantos candidatos se apresentando de maneira humorística aos eleitores.
Não acredito que todos ali sejam ladrões e mentirosos, não acredito que todos ali estejam fazendo aquilo por não levar a sério a liberdade que a democracia lhes garante. Não é isso. É preciso manter a boa fé, até mesmo por uma questão de etiqueta e bons modos. O que acontece é que eu não sei se isso tudo é sinal de vigor democrático e autenticidade quanto às origens populares dos autores, ou se tudo isso é uma ofensa e um crime contra a democracia. Eu realmente não sei o que pensar sobre isso. Tendo a levar na esportiva, na graça... Mas o sabor amargo...

A Verdade Morde
Acabei de ver na televisão: uma briga entre um jardineiro e um prefeito. A briga terminou com vários tiros e um assassinato. Foi tudo filmado por uma câmera de segurança de um estacionamento.
Filmado. Tudo. Explícito. A surpresa e os tiros. O cadáver eterno.
Vi tudo isso assistindo a um programa policial que passa na TV aberta, o “Brasil Urgente”, da Rede Bandeirantes de Televisão. O apresentador do programa, José Luiz Datena, nem quis comentar a reportagem. Datena logo falou sobre mais um caso de um taxista assassinato enquanto trabalhava.
Nós brasileiros somos um povo violento e os tribunais e as polícias não dão conta do recado, neste cenário é irresponsabilidade defender que a legislação que trata do porte de arma seja mais liberal e flexível. É melhor, e teoricamente possível ser feito em menos de 20 anos, equipar as nossas polícias com todos os equipamentos que elas precisem.

Diagnósticos Fantasmas
O problema é que essa divisão que dizem que há em sua mente ele também encontra na realidade: o pai e a mãe vivem discordando de tudo, e sendo essencialmente e integralmente diferentes.

Diagnósticos Fantasmas 2
E o patriarca é ateu. E daí? Daí nada, absolutamente nada.
Ele trocou a ideia de Deus pela ideia de Perfeição, o que na prática (no sentido negativo), da na mesma: a mesma impotência autoimposta.
O quanto isso o contaminou?

Diagnósticos Fantasmas 3
Ela dormia mais cedo do que nós dois. Acontecia, às vezes, dela ir dormir lamentando que tinha esquecido de dar algum recado importante. Então depois de dormir ela acordava, se levantava da cama quentinha e ia até a sala dar o recado que ela acabara de lembrar. E era um recado tão bobo! Tão bobo! Esse sacrifício dela me deixava completamente louco, alucinado e pensando que tipo de força demoníaca ou divina dominava a minha mãe que a levava a fazer isso. Agora, hoje, confesso não saber quantas vezes ela fez isso quando eu era criança. Vai ver foi só uma vez e eu estou fazendo todo este carnaval e tempestade.  Mas tenho em mim a memória da profunda impressão que sempre deixou em mim a ansiedade impressionante de minha mãe.
Quanto isso me contaminou?

Auto Sabotagem 1
Estou a quanto tempo tentando fazer essa merda de portfólio? Tenho medo de completá-lo e conseguir um emprego? Tenho medo de ser feliz? Não acho que mereço? Por causa de um detalhe técnico e de minha falta de organização, a criação do portfólio esta demorando. É que eu me esqueci de assinar algumas fotos. Faltam menos de 10 fotos a serem nomeadas, mas cada foto me custa um universo de energia emocional. É incompreensível e eu realmente estou com medo se caso um especialista me visse agora. Sem mencionar que o programa de computador é lento também. Isso tudo esta me enlouquecendo. A minha capacidade de me auto sabotar é olímpica e o mundo também não me ajuda muito.
Li, recentemente, sobre uma mulher que esta internada em um hospital há 40 anos. Isso é muito tempo. Ainda não fiquei internado em um hospital por 40 anos e não sei se isso pode me acontecer amanhã. Mas sei que devo agradecer por nunca ter tido um problema de saúde tão grave quanto ao desta mulher e se eu fosse uma pessoa de rezar, eu rezaria por esta mulher. Eu escrevo o que escrevo, sempre, porque gosto de escrever e porque isso me faz bem e me dar prazer. Como não sou tão sui generis quanto às vezes eu gosto de pensar, sei que as besteiras sinceras que escrevo podem ser úteis a alguém.

Fotografia e Dinheiro
Escrever para mim é mais fácil que fotografar, mas escolhi a fotografia para tentar ganhar dinheiro.
Fotografia é mais prática porque você sabe quando termina: em demissão ou algum super prêmio. Não há angústia, se você for sangue-frio como um estoico...
Na literatura não há essa certeza maravilhosa de uma obra acabada: qualquer texto pode ser melhorado, de modo que qualquer ponto final é apenas ilusão que te apavora.

Sei que vão interpretar o que eu disse como que eu acho a fotografia mais fácil. Não é o caso, eu apenas disse que na fotografia ou você tirou a foto ou não tirou a foto. Isso é alguma coisa, não é? Pelo menos isso os fotógrafos tem. Na escrita não temos nem isso.
(Como em uma piada ruim, eu fui me explicar e só piorei a situação. Ai, ai!)

Fedor e Sonhos
Meu quarto esta fedendo a meu suor, para alegria dos pernilongos que virão me visitar mais tarde. Acabei de escutar Beethoven e Liszt e, como sempre, me imaginei ao piano no meio da rua a seduzir inocentes pedestres a conhecerem um universo diferente do deles. Muitas vezes as lágrimas que me acompanham nestes sonhos, também me acompanham na vida real. Acho que eu seria um bom ator. Também...
Quarto fedendo a suor e a sonhos jogados ao ar, ao ar, ao ar, ao ar...
“Se você não cuidar de seus sonhos, eles podem apenas seduzir pernilongos.” Espero que alguém esteja anotando isso, pois se a lição parece boba; pelo menos saibam que poucas vezes fracassos ensinaram assim a preço tão barato.

Mais Bryan Magee
Em “ Confissões de um filósofo”, Magee confessa que seu coração esta na Grécia Clássica e na Alemanha da época de Beethoven e Kant. Isso ao mesmo tempo em que ele, Bryan, continua morando na Inglaterra e sendo um britânico típico e patriótico.
“E eu?”, na hora pensei: “além de ser um brasileiro, orgulhoso de viver neste país tropical, onde meu coração também esta?”

Levando em consideração meu amor a Tchaikovsky e a outros compositores conterrâneos dele e ao meu amor à literatura de mesmo período e lugar, meu coração com certeza esta na Rússia da segunda metade do século XIX. Mas me falta um segundo lugar e época. E aqui complica porque eu ainda não sei. A França na época do renascimento? As terras árabes na época das “Mil e Uma Noites”? Gostosa dúvida!

É bom as vezes perder-se nesses devaneios. São inofensivos e belos. As vezes é bom fugir desse cotidiano que exige nosso sangue e lágrimas com tanta força e cerimônia, mas esquece sempre de dizer porquê.

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