Voltaire ajuda

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

19 de setembro de 2016.

(Estou com dor na gengiva e dor na cabeça. Pode ser a falta de sono, o excesso “de” computador ou apenas medo de consultar um dentista. Isso pode ser alguma coisa ou pode ser nada.
Vou apressar a publicação dos textos que eu tenho no arquivo. Não quero, depois, que digam que eu atrasei a revolução mundial por um mero detalhe técnico como o meu inesperado e prematuro encantamento [obrigado, Guimarães Rosa!].
É engraçado como a gente é engraçado quando não quer ser engraçado. É sério como a gente não sabe o que é serio e o que não é quando o momento sério nos exige saber.)

Perfeição, Heróis, Deuses e o Amor
Perfeito, heroico, que a todos conseguiu agradar. Que maravilha, não? Pois não mesmo! Quem a todos consegue agradar, quem para todos é um herói, perde muito de sua humanidade e de sua liberdade. É um escravo amado.
Seus gestos devem ser previsíveis, assim como seus pensamentos e sentimentos; e se assim não é, assim vai ser considerado pelos outros. O público consegue tornar a ilusão real. Coitado do humano tornado mito ainda em vida!
E cabe aqui uma palavra de apoio e consolação a Deus, pois de onde estou, e ouvindo todos os que falam em Seu nome; é claro que O coitado tem tudo menos liberdade.
Deve ser possível deixar quem a gente ama livre, deve ser possível.

Tempo e Justiça
Uma colega de colégio reapareceu em minha vida. Assim, apenas conversamos um pouco pela internet; mas fiquei super animado. Não pensem cópula, não é o caso. A única coisa que consigo pensar é ao encontrá-la, dá-lhe um abraço, um sorriso e uma promessa: “não acredito, você, você! Olhe guria, sou uma marmota, um excepcional traste, mas tudo que eu puder para te ajudar eu tentarei.”
Minha animação é que, de certa forma, conseguir a amizade e o carinho dessa garota é um pouco salvar os meus anos malditos de Colégio Santo Agostinho.

Lúcio Flávio Pinto & Mario Sergio Cortella
Cenas imaginadas.
Com Lúcio Flávio Pinto a coisa é igual a ele: sério, conciso, dramático e importante. Depois de uma palestra qualquer, em vez de um cumprimento formal eu o abraço chorando:
- Desculpa Lúcio, sou um fã fraco. Não fiz tudo que podia e tudo que devia. Não consegui evitar que a Vale (***censurado***) a cidade de Rio Acima.
E ele, compreensivo no alto de sua condição de o maior jornalista brasileiro em atividade, apenas sorriria.
Com Mario Sergio Cortella a coisa é igual a ele: sorridente, divertido, simpático e inteligente. Na fila de autógrafos, em vez de lhe dar um livro de sua autoria para ser autografado, eu lhe entrego a minha edição de Gargântua e Pantagruel, de Rabelais. Cortella é um dos melhores e mais queridos oradores brasileiros e o povo brasileiro deve ser um dos mais musicais do mundo, para nós quem tem o dom da oratória é uma pessoa que merece nossa estima. Eu mesmo já assisti vários vídeos dele no YouTube. Para mim é muito fácil imaginar este diálogo e ouvir a voz dele interpretando este meu texto.
- Mas espere aí, este livro não fui eu que escrevi!
- É, né? Pois é, mas foi por sua causa que eu me interessei pelo Rabelais e pelo Renascimento. E olhe o prejuízo:
Eu folheio as primeiras páginas do livro para Cortella.
- Olha aí, olha aí! Mais de 100 reais e o livro nem capa dura tem! Olha o prejuízo!
- Mas aí a culpa é da editora. Você tem que reclamar com ela...
E ele sorria, eu sorria e todo mundo na fila sorria gostoso. E fim.
Fim das cenas imaginadas.

Ah!, mas se eu fosse um fantasma...
Eu seria visto em todos os lugares, menos no clássico cemitério. Mesmo porque ninguém mais vai aos cemitérios (nós finalmente realizamos um dos pesadelos do Aldous Huxley: banalizamos a morte).
Eu seria um fantasma que seria visto em locadoras de vídeo, bibliotecas, livrarias, cinemas (mas apenas nas seções em que estivesse passando um filme bom e o público fosse pequeno na sala), lanchonetes metidas a cult e lugares assim.
Mas o que eu faria com os vivos? Bom, morto ou vivo, eu não gosto de violência. Então nada de violência. Então tudo de travessuras: cócegas nos pés, petelecos nas orelhas, sustos diversos (alternando os infantis e os tétricos), miragens surpreendentes, confusões infinitas... Ah, eu seria um bom fantasma! Eu seria!

Max Stirner
Por que não comprei “O Único e sua Propriedade”, do Max Stirner?
Primeiro porque fiquei com medo da negatividade do livro. De negatividade já basta o que o berço me ensinou.
Em parte porque livro de filosofia agora ou é do Platão, ou do Aristóteles ou do Kant, e eu já tenho o suficiente do trio parada dura da filosofia. Só falta eu terminar o Nietzsche e o Campbell para eu mergulhar nestes três gigantes imortais, divinos e assombrosos.
Em parte porque eu intuía que eu já tinha muito em mim do Max Stirner. Coisa que, aliás, eu senti quando descobri e decidi ler o “Lobo da Estepe”, do Hesse. E eu não estava tão enganado assim quanto ao Hesse. Mas aí surge um problema: se eu tenho algo do Max Stirner em mim, eu não teria que lê-lo para evitar que eu o repetisse? Lendo-o é claro que eu continuaria a caminhada a partir dele. Coisa que acontecesse com qualquer um que goste de um livro, seja este de filosofia, de poesia, de culinária ou de engenharia.
Bom, vou arriscar. Camus deve falar do Stirner o suficiente em “O Homem Revoltado” e eu já li o suficiente sobre ele em “História da Filosofia”, do Reali e Antiseri. Quero falar e falar primeiro aqui neste blog, depois me preocupo com qualidade e originalidade. Se der tempo e for importante.
Uma nota: Max Stirner pode ser um louco, mas ele se sacrificou como poucos em nome daquilo que acreditava. Passou fome e dormia em lugares insalubres. Isso foi alguma coisa de valor na época dele e ainda é hoje.

A Última Legião
Ouvindo, depois de tanto tempo, algumas músicas da Legião Urbana, eu fui tomado por uma pergunta um tanto dolorida: nascido em 1983, eu sou da última geração que cantou “Faroeste Cabloco” no ônibus durante as excursões do colégio?

Dá o que pensar depois de ouvir a conversa de algumas crianças pobres que estudam em escola pública aqui em Rio Acima. A linguagem delas e os temas das conversas! Mas eu não sei. Talvez não seja o fim do mundo, talvez seja apenas eu que esteja envelhecendo. 

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