Voltaire ajuda

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

21 de setembro de 2016.

A Hora da Toupeira Anarquista
Depois do “Quiabo Comunista”, do Carlos Eduardo Novaes, temos a “Toupeira Anarquista”, do Friedrich Nietzsche.
Uma toupeira a trabalhar no subterrâneo. Mas qual subterrâneo? A da horta da Maria? No que restou daquela praça esquecida? Não, não, a toupeira anarquista esta cavando, trabalhando e comendo as raízes da moral. A toupeira cava e come, para depois compreender e contar. Vocês todos podem vê-la ou não, depende de vocês. Mas logo logo todos vão ouvi-la o que ela tem a dizer.
A toupeira espera a sua aurora, a toupeira vai fazer a sua aurora; e é então que todos irão ouvi-la.

Eu? Eu quem?
É mais fácil os nossos filósofos decifrarem o incognoscível númeno kantiano do que decifrar o explícito coração que grita em todos nós. Não é hábito nosso querer descobrir a nós mesmos. Somos desconhecidos, somos outro. A gente não é a gente nem quando sentimos dor na hora de uma injeção!
Vamos mudar isso? Pois, como disse Nietzsche, o conhecimento é doce como mel.

Um Sorriso na Montanha
E por causa de uma nota de Paulo César de Souza, em sua tradução de “Genealogia da Moral” de Nietzsche, eu acabei indo parar em uma montanha especial e ouvindo algumas palavras especiais. Pela primeira vez.
Um encontro inesperado e feliz. Merece uma comemoração. Segue o parágrafo inteiro, já que estamos aqui.
“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde esta o teu tesouro aí estará também teu coração.” (Mateus, cap. 6, v. 19-21)
Bonito sermão. Obrigado Jesus, Nietzsche e você também Paulo César de Souza.

Uma Dúvida Real
Eu realmente não sei o que pensar destes vídeos pitorescos que muitos candidatos a vereadores divulgam pela televisão. Refiro-me aos vídeos, mas também posso incluir os informes no radio também pitorescos e, para incluir os jornais, os nomes oficiais bem toscos desses candidatos. É tudo engraçado, eu sei; todo mundo gosta, eu também.
Eu também gosto, mas... Há um sabor amargo na boca que surge depois de ver tantos candidatos se apresentando de maneira humorística aos eleitores.
Não acredito que todos ali sejam ladrões e mentirosos, não acredito que todos ali estejam fazendo aquilo por não levar a sério a liberdade que a democracia lhes garante. Não é isso. É preciso manter a boa fé, até mesmo por uma questão de etiqueta e bons modos. O que acontece é que eu não sei se isso tudo é sinal de vigor democrático e autenticidade quanto às origens populares dos autores, ou se tudo isso é uma ofensa e um crime contra a democracia. Eu realmente não sei o que pensar sobre isso. Tendo a levar na esportiva, na graça... Mas o sabor amargo...

A Verdade Morde
Acabei de ver na televisão: uma briga entre um jardineiro e um prefeito. A briga terminou com vários tiros e um assassinato. Foi tudo filmado por uma câmera de segurança de um estacionamento.
Filmado. Tudo. Explícito. A surpresa e os tiros. O cadáver eterno.
Vi tudo isso assistindo a um programa policial que passa na TV aberta, o “Brasil Urgente”, da Rede Bandeirantes de Televisão. O apresentador do programa, José Luiz Datena, nem quis comentar a reportagem. Datena logo falou sobre mais um caso de um taxista assassinato enquanto trabalhava.
Nós brasileiros somos um povo violento e os tribunais e as polícias não dão conta do recado, neste cenário é irresponsabilidade defender que a legislação que trata do porte de arma seja mais liberal e flexível. É melhor, e teoricamente possível ser feito em menos de 20 anos, equipar as nossas polícias com todos os equipamentos que elas precisem.

Diagnósticos Fantasmas
O problema é que essa divisão que dizem que há em sua mente ele também encontra na realidade: o pai e a mãe vivem discordando de tudo, e sendo essencialmente e integralmente diferentes.

Diagnósticos Fantasmas 2
E o patriarca é ateu. E daí? Daí nada, absolutamente nada.
Ele trocou a ideia de Deus pela ideia de Perfeição, o que na prática (no sentido negativo), da na mesma: a mesma impotência autoimposta.
O quanto isso o contaminou?

Diagnósticos Fantasmas 3
Ela dormia mais cedo do que nós dois. Acontecia, às vezes, dela ir dormir lamentando que tinha esquecido de dar algum recado importante. Então depois de dormir ela acordava, se levantava da cama quentinha e ia até a sala dar o recado que ela acabara de lembrar. E era um recado tão bobo! Tão bobo! Esse sacrifício dela me deixava completamente louco, alucinado e pensando que tipo de força demoníaca ou divina dominava a minha mãe que a levava a fazer isso. Agora, hoje, confesso não saber quantas vezes ela fez isso quando eu era criança. Vai ver foi só uma vez e eu estou fazendo todo este carnaval e tempestade.  Mas tenho em mim a memória da profunda impressão que sempre deixou em mim a ansiedade impressionante de minha mãe.
Quanto isso me contaminou?

Auto Sabotagem 1
Estou a quanto tempo tentando fazer essa merda de portfólio? Tenho medo de completá-lo e conseguir um emprego? Tenho medo de ser feliz? Não acho que mereço? Por causa de um detalhe técnico e de minha falta de organização, a criação do portfólio esta demorando. É que eu me esqueci de assinar algumas fotos. Faltam menos de 10 fotos a serem nomeadas, mas cada foto me custa um universo de energia emocional. É incompreensível e eu realmente estou com medo se caso um especialista me visse agora. Sem mencionar que o programa de computador é lento também. Isso tudo esta me enlouquecendo. A minha capacidade de me auto sabotar é olímpica e o mundo também não me ajuda muito.
Li, recentemente, sobre uma mulher que esta internada em um hospital há 40 anos. Isso é muito tempo. Ainda não fiquei internado em um hospital por 40 anos e não sei se isso pode me acontecer amanhã. Mas sei que devo agradecer por nunca ter tido um problema de saúde tão grave quanto ao desta mulher e se eu fosse uma pessoa de rezar, eu rezaria por esta mulher. Eu escrevo o que escrevo, sempre, porque gosto de escrever e porque isso me faz bem e me dar prazer. Como não sou tão sui generis quanto às vezes eu gosto de pensar, sei que as besteiras sinceras que escrevo podem ser úteis a alguém.

Fotografia e Dinheiro
Escrever para mim é mais fácil que fotografar, mas escolhi a fotografia para tentar ganhar dinheiro.
Fotografia é mais prática porque você sabe quando termina: em demissão ou algum super prêmio. Não há angústia, se você for sangue-frio como um estoico...
Na literatura não há essa certeza maravilhosa de uma obra acabada: qualquer texto pode ser melhorado, de modo que qualquer ponto final é apenas ilusão que te apavora.

Sei que vão interpretar o que eu disse como que eu acho a fotografia mais fácil. Não é o caso, eu apenas disse que na fotografia ou você tirou a foto ou não tirou a foto. Isso é alguma coisa, não é? Pelo menos isso os fotógrafos tem. Na escrita não temos nem isso.
(Como em uma piada ruim, eu fui me explicar e só piorei a situação. Ai, ai!)

Fedor e Sonhos
Meu quarto esta fedendo a meu suor, para alegria dos pernilongos que virão me visitar mais tarde. Acabei de escutar Beethoven e Liszt e, como sempre, me imaginei ao piano no meio da rua a seduzir inocentes pedestres a conhecerem um universo diferente do deles. Muitas vezes as lágrimas que me acompanham nestes sonhos, também me acompanham na vida real. Acho que eu seria um bom ator. Também...
Quarto fedendo a suor e a sonhos jogados ao ar, ao ar, ao ar, ao ar...
“Se você não cuidar de seus sonhos, eles podem apenas seduzir pernilongos.” Espero que alguém esteja anotando isso, pois se a lição parece boba; pelo menos saibam que poucas vezes fracassos ensinaram assim a preço tão barato.

Mais Bryan Magee
Em “ Confissões de um filósofo”, Magee confessa que seu coração esta na Grécia Clássica e na Alemanha da época de Beethoven e Kant. Isso ao mesmo tempo em que ele, Bryan, continua morando na Inglaterra e sendo um britânico típico e patriótico.
“E eu?”, na hora pensei: “além de ser um brasileiro, orgulhoso de viver neste país tropical, onde meu coração também esta?”

Levando em consideração meu amor a Tchaikovsky e a outros compositores conterrâneos dele e ao meu amor à literatura de mesmo período e lugar, meu coração com certeza esta na Rússia da segunda metade do século XIX. Mas me falta um segundo lugar e época. E aqui complica porque eu ainda não sei. A França na época do renascimento? As terras árabes na época das “Mil e Uma Noites”? Gostosa dúvida!

É bom as vezes perder-se nesses devaneios. São inofensivos e belos. As vezes é bom fugir desse cotidiano que exige nosso sangue e lágrimas com tanta força e cerimônia, mas esquece sempre de dizer porquê.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

20 de setembro de 2016.

Improviso
Feijão e o Sonho – Orígenes Lessa.
A Terceira Margem do Rio – João Guimarães Rosa.
O Grande Inquisidor – Fiódor Dostoievski.
Lidos sem preparo prévio, lidos em um só gole e tomada de ar, lidos sem avisos de prudência. De quantos golpes de Muhammad Ali no nariz você precisa para ser levado à lona e depois levantar já sendo outra pessoa? Em verdade vos digo: é violento, injusto e  inútil queimar livros, mas a gente consegue entender os fascistas. Livros são perigosos mesmos e, felizmente, são inúteis alertas a este respeito.

Nota: Mas o livro de Orígenes Lessa, um dos cinco livros de minha vida, eu li mais de uma vez. Essa confissão estraga o aforismo, mas eu tinha que confessar.

9 Olhares
As pessoas falam que para começar a viver melhor, com alto astral e tudo, a primeira coisa a fazer é arrumar o ambiente. O lugar em que você vive, trabalha e etc. Para todos falarem isso é porque deve ser verdade, deve haver algum estudo psicológico com homens e macacos que confirme isso. Comecei e mudei um pouco a minha jaula. Ela ficou mais limpa e vazia e me fez mesmo me sentir melhor. Até ajudou a organizar as minhas leituras.
E fiz uma coisa que todos os adolescentes e aborrecentes fazem: enchi a parede de imagens para me inspirar e motivar-me. Mas nada de mulher pelada ou de jogadores de futebol: eu usei foi filósofos e artistas amados, além de alguns desenhos bonitos em geral. Tudo pego na internet e impresso em minha impressora caseira. Esta uma pobreza miserável, porque coloquei tudo em plásticos e depois usei fita adesiva. Ficou tosco e sincero e bonito.
Na verdade só colei os filósofos, as outras imagens eu só imprimi. Então em minha frente, quando escrevo, estou sendo vigiado e abençoado pelo Voltaire, Nietzsche, Bertrand Russell, Joseph Campbell e pelo casal Ariel e Will Durant (o desenho do casal foi um verdadeiro achado, muito bonito e emocionante). Os autores de não-ficção que mais amo. Rubem Alves e George Orwell ficaram com ciúmes, naturalmente, mas eu os coloquei na família dos artistas e assim vão ficar em outra parede. E como não canso de repetir: é a arte que vai mais longe e é apenas por ela que temos a salvação.
Curiosamente, sem que tivesse esta intenção, a posição e as capas de alguns livros que coloquei em meu quarto fazem que outros olhos também me vigiem e me abençoem. Um desses olhares é do filósofo luso-holandês Espinosa (capa da edição de 1979 da coleção “Os Pensadores”, da Abril Cultural), os outros olhares são de dois índios brasileiros da tribo dos Borun do Watu (capa do livro de Geralda Chaves Soares “Os Borun do Watu – Os Índios do Rio Doce”, Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva [Cedefes], 1992). A expressão do olhar de Espinosa denota seriedade e calma, além de um pouco de altivez. Os dois índios olham para mim com curiosidade viva e uma cumplicidade divertida.
Assim como a criança que fui, também as esses olhares todos eu não posso decepcionar. Não posso! Não posso!

Você acabou de ouvir uma história, então agora seja uma estrela
O que deve acontecer quando ouvimos a história do mundo.
Nas palavras de Nietzsche:
“A história natural, enquanto história da guerra e do triunfo da força ético-espiritual em luta contra o medo, presunção, inércia, supertição, loucura, deveria ser narrada de maneira tal que cada um que a ouvisse fosse irresistivelmente levado ao empenho por saúde e florescimento espiritual e físico, ao feliz sentimento de ser herdeiro e prosseguidor do humano, e a uma cada vez mais nobre necessidade de empreendimento.” (Opiniões e Sentenças Diversas, 1879) Um livro de ciência nos deve falar sobre Doença de Chagas e do Diagrama de Linus Pauling, mas também nos deve provocar um orgulho de ser um humano e uma sede capaz de devorar galáxias inteiras.
Nietzsche elogia os livros ingleses que tratam da história natural e lamenta a qualidade dos livros alemães que tratam do mesmo tema. Não é coisa simples escrever estes livros, os autores tem que ser muito talentosos.


Aqui no Brasil, em 2016, os nossos livros didáticos não fazem seus leitores (jovens alunos ou qualquer outro público) explodirem como uma estrela super nova ao serem lidos. Na verdade nossas escolas ainda estão tendo dificuldade de ensinar adolescentes a ler e interpretar textos e a efetuar operações elementares de matemática, além de outros problemas dolorosos e numerosos demais para serem aqui colocados aqui agora. A educação formal no Brasil é muito ruim e isso ajuda a impedir o Brasil de ser um país poderoso. Precisaríamos de vários governos consecutivos pensando e agindo mais ou menos do mesmo jeito na educação por uns 8 ou 12 anos, pelo menos. Infelizmente isso seria um milagre. É comum, para exemplificar, que um parque infantil fique abandonado apenas por ter sido feito por um prefeito que não esta mais no poder. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

19 de setembro de 2016.

(Estou com dor na gengiva e dor na cabeça. Pode ser a falta de sono, o excesso “de” computador ou apenas medo de consultar um dentista. Isso pode ser alguma coisa ou pode ser nada.
Vou apressar a publicação dos textos que eu tenho no arquivo. Não quero, depois, que digam que eu atrasei a revolução mundial por um mero detalhe técnico como o meu inesperado e prematuro encantamento [obrigado, Guimarães Rosa!].
É engraçado como a gente é engraçado quando não quer ser engraçado. É sério como a gente não sabe o que é serio e o que não é quando o momento sério nos exige saber.)

Perfeição, Heróis, Deuses e o Amor
Perfeito, heroico, que a todos conseguiu agradar. Que maravilha, não? Pois não mesmo! Quem a todos consegue agradar, quem para todos é um herói, perde muito de sua humanidade e de sua liberdade. É um escravo amado.
Seus gestos devem ser previsíveis, assim como seus pensamentos e sentimentos; e se assim não é, assim vai ser considerado pelos outros. O público consegue tornar a ilusão real. Coitado do humano tornado mito ainda em vida!
E cabe aqui uma palavra de apoio e consolação a Deus, pois de onde estou, e ouvindo todos os que falam em Seu nome; é claro que O coitado tem tudo menos liberdade.
Deve ser possível deixar quem a gente ama livre, deve ser possível.

Tempo e Justiça
Uma colega de colégio reapareceu em minha vida. Assim, apenas conversamos um pouco pela internet; mas fiquei super animado. Não pensem cópula, não é o caso. A única coisa que consigo pensar é ao encontrá-la, dá-lhe um abraço, um sorriso e uma promessa: “não acredito, você, você! Olhe guria, sou uma marmota, um excepcional traste, mas tudo que eu puder para te ajudar eu tentarei.”
Minha animação é que, de certa forma, conseguir a amizade e o carinho dessa garota é um pouco salvar os meus anos malditos de Colégio Santo Agostinho.

Lúcio Flávio Pinto & Mario Sergio Cortella
Cenas imaginadas.
Com Lúcio Flávio Pinto a coisa é igual a ele: sério, conciso, dramático e importante. Depois de uma palestra qualquer, em vez de um cumprimento formal eu o abraço chorando:
- Desculpa Lúcio, sou um fã fraco. Não fiz tudo que podia e tudo que devia. Não consegui evitar que a Vale (***censurado***) a cidade de Rio Acima.
E ele, compreensivo no alto de sua condição de o maior jornalista brasileiro em atividade, apenas sorriria.
Com Mario Sergio Cortella a coisa é igual a ele: sorridente, divertido, simpático e inteligente. Na fila de autógrafos, em vez de lhe dar um livro de sua autoria para ser autografado, eu lhe entrego a minha edição de Gargântua e Pantagruel, de Rabelais. Cortella é um dos melhores e mais queridos oradores brasileiros e o povo brasileiro deve ser um dos mais musicais do mundo, para nós quem tem o dom da oratória é uma pessoa que merece nossa estima. Eu mesmo já assisti vários vídeos dele no YouTube. Para mim é muito fácil imaginar este diálogo e ouvir a voz dele interpretando este meu texto.
- Mas espere aí, este livro não fui eu que escrevi!
- É, né? Pois é, mas foi por sua causa que eu me interessei pelo Rabelais e pelo Renascimento. E olhe o prejuízo:
Eu folheio as primeiras páginas do livro para Cortella.
- Olha aí, olha aí! Mais de 100 reais e o livro nem capa dura tem! Olha o prejuízo!
- Mas aí a culpa é da editora. Você tem que reclamar com ela...
E ele sorria, eu sorria e todo mundo na fila sorria gostoso. E fim.
Fim das cenas imaginadas.

Ah!, mas se eu fosse um fantasma...
Eu seria visto em todos os lugares, menos no clássico cemitério. Mesmo porque ninguém mais vai aos cemitérios (nós finalmente realizamos um dos pesadelos do Aldous Huxley: banalizamos a morte).
Eu seria um fantasma que seria visto em locadoras de vídeo, bibliotecas, livrarias, cinemas (mas apenas nas seções em que estivesse passando um filme bom e o público fosse pequeno na sala), lanchonetes metidas a cult e lugares assim.
Mas o que eu faria com os vivos? Bom, morto ou vivo, eu não gosto de violência. Então nada de violência. Então tudo de travessuras: cócegas nos pés, petelecos nas orelhas, sustos diversos (alternando os infantis e os tétricos), miragens surpreendentes, confusões infinitas... Ah, eu seria um bom fantasma! Eu seria!

Max Stirner
Por que não comprei “O Único e sua Propriedade”, do Max Stirner?
Primeiro porque fiquei com medo da negatividade do livro. De negatividade já basta o que o berço me ensinou.
Em parte porque livro de filosofia agora ou é do Platão, ou do Aristóteles ou do Kant, e eu já tenho o suficiente do trio parada dura da filosofia. Só falta eu terminar o Nietzsche e o Campbell para eu mergulhar nestes três gigantes imortais, divinos e assombrosos.
Em parte porque eu intuía que eu já tinha muito em mim do Max Stirner. Coisa que, aliás, eu senti quando descobri e decidi ler o “Lobo da Estepe”, do Hesse. E eu não estava tão enganado assim quanto ao Hesse. Mas aí surge um problema: se eu tenho algo do Max Stirner em mim, eu não teria que lê-lo para evitar que eu o repetisse? Lendo-o é claro que eu continuaria a caminhada a partir dele. Coisa que acontecesse com qualquer um que goste de um livro, seja este de filosofia, de poesia, de culinária ou de engenharia.
Bom, vou arriscar. Camus deve falar do Stirner o suficiente em “O Homem Revoltado” e eu já li o suficiente sobre ele em “História da Filosofia”, do Reali e Antiseri. Quero falar e falar primeiro aqui neste blog, depois me preocupo com qualidade e originalidade. Se der tempo e for importante.
Uma nota: Max Stirner pode ser um louco, mas ele se sacrificou como poucos em nome daquilo que acreditava. Passou fome e dormia em lugares insalubres. Isso foi alguma coisa de valor na época dele e ainda é hoje.

A Última Legião
Ouvindo, depois de tanto tempo, algumas músicas da Legião Urbana, eu fui tomado por uma pergunta um tanto dolorida: nascido em 1983, eu sou da última geração que cantou “Faroeste Cabloco” no ônibus durante as excursões do colégio?

Dá o que pensar depois de ouvir a conversa de algumas crianças pobres que estudam em escola pública aqui em Rio Acima. A linguagem delas e os temas das conversas! Mas eu não sei. Talvez não seja o fim do mundo, talvez seja apenas eu que esteja envelhecendo. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

14 de setembro de 2016.

Pecado
Quase deixei de registrar aqui e se esquecesse de registrar ia ser um grande pecado.
 - Dormi ontem ao som da chuva.

Então Fique Quieto e Crie Mitos!

Uma mitologia nova para nós? Mas como? Como é possível se hoje tudo é tão rápido, tudo muda tão rápido. Não temos tempo para cuidar de nossa saúde, não temos tempo para amar quem amamos, não temos tempo para preservar o verde também não temos tempo de criar os mitos necessários para o nosso mundo. Então o jeito é acreditar, e acreditar de maneira muito muito precária, em mitos criados a três mil anos atrás.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

13 de setembro de 2016

Humanidade Tomando Vergonha na Cara
O que é a genialidade? Uma definição de Arthur Schopenhauer, lembra Nietzsche, nos enche de otimismo quanto aos caminhos de nossa humanidade tão perdida e machucada.
É assim, Schopenhauer escreve que a genialidade é lembrar vivamente e coerentemente o que nos aconteceu. A memória que pulsa e racionaliza, entendem? Não é apenas lembrar, mas viver e raciocinar a respeito. Bem, afirma Friedrich Nietzsche, a nossa época se distingue das outras épocas pelo esforço incessante em entender a evolução histórica. A modernidade quer porque quer saber como a história funciona e como tudo muda e como é essa evolução afinal. Bom, este esforço lembra Nietzsche, com Schopenhauer, não deixa de ser um sinal que a humanidade esta querendo melhorar.
Olha aí: uma noticia boa!

500 a. C.
Buda, Pitágoras e Confúcio. Foi uma época rica e foi quando a humanidade descobre o caminho da razão. Foi ali, foi mais ou menos naquele instante. 500 a. C.

Uma observação interessante de Joseph Campbell nos faz e logo em seguida, mantendo a classe e a discrição, ele lamenta que os políticos estejam tão gananciosos. Acho que ele se referia especificamente aos políticos estadunidenses, mas podemos ampliar esse lamento aos nossos políticos aqui no Brasil.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

12 de setembro de 2016.

Excessos
O queijo foi comprado ontem e hoje, menos de 24 horas depois, apenas sobrou um terço dele.
Mas não é este tipo de excesso que a sociedade esperaria, a sociedade pensaria em algo como alcoolismo ou algo como fazer sexo sujo em um banheiro sujo em uma boate suja. Sobre este tipo de coisa os “homens de Deus” rogariam aos céus protestos lancinantes e poetas escreveriam canções de rock para fazer os jovens ficarem aos prantos sozinhos em seus quartos. Mas um maníaco por queijo? Quem ouviria um grito surdo vindo de um maníaco por queijo?
Mas nem para ser um porra louca eu sirvo.

Dilma
Antes uma confissão: deveria tê-la defendido mais diretamente, em vez de no FaceBook apenas mostrado que os golpistas eram um bando de babacas. Mas defendê-la diretamente era complicado porque ela realmente parecia distante, fria, arrogante, fraca diante do jogo normal da política normal. Era virtude e era defeito da Dilma isso (ou defeito meu?). E o PT também dava canseira pela quantidade de problemas com a justiça, mesmo que a gente considerasse que os políticos de oposição e a imprensa “exagerassem” ao lidar com esses casos.

E agora? Agora é começar do zero. Dilma deve percorrer o país e novamente formar uma multidão de apoio. Marcar uma posição diante das besteiras que Temer e seu governo podem fazer e já estão fazendo.

domingo, 11 de setembro de 2016

11 de setembro de 2016.

O que mais Artistas e Filósofos podem fazer?
E na elite as coisas não vão bem. Há uma dupla improvável e muito triste morando entre a elite:
Dissolução e Frieza
ou
Desejos Ardentes e o Coração Congelando.
Com uma dupla como essa a enfrentar, tanto os artistas quanto os filósofos se encontram em uma situação delicada.
Veja que o pobre artista tem que se dar por satisfeito se conseguir apenas esquentar igualmente os ânimos: esquentar os corações e aumentar a chama do desejo. Só isso! Só!
Os filósofos, por sua vez, já vão trabalhar com o coração congelando, coisa que, aliás, eles têm em comum com a elite, dizendo não ao mundo eles acabam conseguindo também esfriar a chama do desejo.
Desejos cada vez mais ardentes e um coração cada vez mais frio – combinação terrível. Arrepia. A elite europeia e do mundo todo, hoje século XXI, ainda é assim? E entre as pessoas pobres, como deve ser a temperatura comparada entre desejo e coração?

Uma Armadilha na Cultura
Nem tudo na cultura são flores, há também grandes armadilhas! Um desses perigos Nietzsche nos avisa é ficar viciado em “inquietante desassossego” ao tentar salvar a cultura. E este, como todo vício, impede sua vítima de fazer algo melhor. Mas vamos explicar mais.
Arte! Fazer arte! Fazer algo excelente e também buscar o excelente. Nietzsche recomenda fazer o primeiro e depois o segundo, quando se é um jovem artista. Mas é claro que a gente pode equilibrar e fazer ambas as coisas. Independente da idade. Mas, claro, a prioridade é fazer.

A questão aqui, o perigo aqui, é que na nossa luta pela arte, e falamos aqui da boa arte, a gente não fique gastando energia e tempo a criticar a arte ruim. Uma música, uma escultura que nos gere dúvida a respeito de sua própria qualidade já poderia ser abandonada apenas pela dúvida. É meio radical, admito, mas é claro que a gente deve treinar ter um gosto apurado, para não julgar apressadamente e errado.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

9 de setembro de 2016.

O que existe: estrelas ou Reis-Filósofos?  
Será que bactérias e estrelas existem mesmo quando não as observamos? Não ache graça da pergunta, a epistemologia esteve no centro do interesse da filosofia ocidental por mais de dois séculos. 
Não foi pouco tempo e não envolveu pessoas tolas em seus desafios. E Will Durant reclama: perdemos tempo que poderia ter sido gasto com assuntos mais relevante, como, por exemplo, a criação de reis-filósofos entre nós. Quem lucrou com tantos livros sobre epistemologia foram os impressores de livros.

Reis-filósofos... Estamos bem longe disso, héin? Aqui no Brasil, por exemplo, como a educação é tratada...
(Texto de reserva)

Não deixa de ser uma boa coincidência eu publicar isto em 9 de setembro de 2016, este resumo de uma leitura de Will Durant e (no final) um resumo-reapresentação de mais um aforismo de Nietzsche. É que hoje nós acordamos de mais uma ressaca da educação brasileira: mais um teste (acho que nacional, mas pode ter sido internacional) em que os alunos adolescentes se saíram muito mal. Mais um teste, mais uma vez a educação brasileira se saiu mal.

Anatole France invade o Laboratório!
É difícil imaginar que os nossos geneticistas e biólogos em geral, perguntem ao Anatole France, afinal, qual é a diferença entre nós humanos e outros animais. Mas nós somos mais curiosos que eles e queremos saber.
Então diz aí, Anatole; qual a diferença entre a gente e outros animais?
- A literatura e a mentira.

Dilma Rousseff no Senado
A Grande Imprensa repete que o que a presidenta afastada disse, no dia 29 de agosto de 2016, era apenas repetições, o que em parte é verdade, mas também é uma justificativa para não enumerar os argumentos da sua defesa. As acusações, por outro lado, a Grande Imprensa não se incomoda de repetir sempre que pode. Parcialidade e má vontade flagrante.
A grande novidade, porém, foi o fato dela ter ido ao senado se defender. Ela vai ser derrotada, mas a questão é que Dilma estava entrando para a história do Brasil não só como má administradora e mais ou menos implicada em casos de corrupção, mas ela também estava entrando para história como uma líder fraca. E ali no Senado ela foi forte, falou de improviso e não cometeu gafes. Enfrentou oradores que são muito, mas muito melhores do que ela.
Hoje, quando escrevo isso, será o dia da parte mais técnica do processo no Senado: os advogados entrarão em cena para os debates. Diferente de ontem, que acompanhei quase todo o dia, hoje não estou muito interessado. Dilma não será derrubada pelas barbeiragens que fez no orçamento e sim porque, principalmente, depois de quase duas décadas de PT, uma hora a oposição ia resolver ficar forte.
Questão política, questão de força. Ainda demora um pouco para que eu possa acreditar em políticos que falem em responsabilidades quando ao orçamento, quanto ao bem público.
Nota: acabei assistindo um pouco aos debates entre os advogados de defesa e de acusação. Fiquei encantado com a oratória. O povo brasileiro talvez seja o povo mais musical do planeta e talvez por isso gostemos tanto de uma oratória de qualidade.
(Mais um texto antigo usado como reserva)

E Dilma realmente foi derrotada. Eu assisti à defesa da Dilma feita pelo advogado José Eduardo Cardoso e realmente gostei dele. Fiz até o download do vídeo, depois, à noite. Dilma e o PT fizeram muita coisa errada e tal, mas na derrubada da Era do PT os seus antagonistas aprontaram algumas: funcionários do Tribunal de Contas fazendo manobras “suspeitas”, malabarismos com a legislação (parece que retrocederam a lei, o que é proibido segundo os cânones do direito), prazos e interpretações de conceitos de economia usados de maneiras um tanto “criativas” e etc.
Bom, isso é passado. Dilma e o PT já tinham perdido o Senado e a Câmara dos Deputados de maneira tão completa que falar em “golpe” pode até ser, eu disse “até ser”, igual a reclamar que a chuva molha: algo fútil, infantil.
Logo após a queda da Dilma houve protestos em vários pontos do Brasil. Pareceu-me que pela primeira vez, desde que começaram os protestos contra Dilma após as eleições de 2014, a esquerda tinha conseguido se organizar e colocar mais gente nas ruas. Foi uma surpresa e foi bonito. Mas foi tarde demais? Talvez, pois durante algumas semanas teria sido possível evitar que o PMDB se afastasse do Governo Dilma? Naqueles dois dias do Senado, a TV Senado entrevistou alguns especialistas e teve um que eu gostei. Não sei o nome dele, mas lembro me que ele era meio gordinho. Ele falou, com bastante imparcialidade e objetividade, sobre o segundo Governo Dilma. Ele disse que algumas decisões da Dilma afastaram o seu governo dos grandes empresários, que antes a apoiavam. O PMDB, naturalmente, é sensível ao sentimento dos grandes empresários, mas também é das vozes das ruas e poderia ter tomado outra posição se nestas a esquerda tivesse colocado mais gente a mais tempo. O PMDB é um partido gigante e se gostava de ficar nos bastidores do poder, em vez de disputar a presidência, é porque via ali nesta posição vantagens. Bom, mas isso tudo é passado.
O que não é passado é a violência da polícia militar ao acompanhar manifestações contra o impeachment de Dilma, principalmente a de São Paulo; e a violência de um editorial do Jornal da Band (da Rede Bandeirantes de Televisão) vinculado após o impeachment e de um editorial da Folha de S. Paulo alguns dias depois, ambos atacando quem não esta disposto a aceitar o novo governo. A violência policial e a dos dois editoriais da imprensa indicam que os tempos sombrios continuam, mesmo após a queda do PT.

Muita bagunça na Educação
A situação educacional não vai nada bem, lamenta Nietzsche. Os nossos formandos saem das escolas e universidades confusos, e achando que na verdade os verdadeiros professores que eles tiveram eram agentes do acaso. Isso, “acaso”, “bagunça”; pois ordem é que ali não há no sistema educacional.
Isso acontece porque o nosso tempo, por mais irônico que possa parecer, é muito rico em herança cultural. Não que sejamos “ponto culminantes da história” e blá blá, nada disso. Nada disso mesmo, aliás. Acontece, apenas, que não estamos sabendo o que fazer com a herança cultural que temos.
Nossos museus estão todos bagunçados e a cabeça de nossos estudantes também.


(Caramba, modéstia a parte; acho que realmente fui feliz em resumir e reapresentar este aforismo de Nietzsche. Tudo bem que não é um aforismo particularmente subversivo e etc. e tal, mas eu realmente fui feliz aqui.).

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

8 de setembro de 2016.

Bertrand Russell em um pedaço
Depois de tanto tempo estou de volta aos “Ensaios Céticos”, de Bertrand Russell. A memória teve, aqui, a ajuda do livro: a capa dura, a “aparência antiga” (o livro e suas páginas parecem-me sugerir um pergaminho milenar do Egito ou extremo oriente), as marcas escuras nas páginas, e principalmente o cheiro que continua o mesmo... Ah, o cheiro! Ah!
Mas chega de sentimentalismos, vamos aos trabalhos.

Acredite apenas quando tiver motivos sólidos, poxa vida!
As escolas e universidades, imprensa, os peritos, as famílias... Bom, teoricamente a coisa parece até razoavelmente fácil. Mas só parece.
Acreditamos muito e sabemos bem pouco.

Bertrand Russell:
1)   Respeitar quando a unanimidade entre os peritos acontecer. Sei que é difícil acontecer de todos os peritos concordarem, mas acontece e aí devemos ser humildes.
2)   Se, por outro lado, os peritos não concordarem e ficarem em meio a uma confusão tremenda; é melhor a gente não sair por aí acreditando na primeira afirmação sobre o assunto. Vamos resistir às seduções que acontecem.
3)   E quando os peritos afirmarem que não há base para uma opinião positiva; o melhor é a gente aqui manter reservado o nosso julgamento.
1 + 2 + 3 = Parece tudo inofensivo, mas essas observações são bem revolucionárias. E afinal, fazer ou propor revoluções não precisa ser sempre algo espalhafatoso.

Russell, em diversos momentos em “Ensaios Céticos”, expõe opiniões lisonjeiras a respeito da China. O livro foi publicado em 1928 e eu não sei explicar essa impressão tão positiva. Talvez seja a famosa moda entre os angustiados ocidentais de sonharem com a calma que há no oriente. Não é exatamente assim, mas a gente entende e simpatiza com o sentimento.

Atacar os que têm opiniões divergentes da maioria das pessoas, isso acontece mesmo e muito. O que é raro é a tentativa de se mostrar que a opinião majoritária seja realmente mais benéfica.

Nacionalismo é uma merda.
Vai dizer o mesmo que você diz em tempos de paz, durante o período que seu país estiver em plena guerra, vai!

O aprimoramento constante é sempre necessário. Somos os juízes de nossos próprios atos, lembremos-nos de melhorar sempre esses nossos julgamentos. É ruim quando nos enganamos quanto aos verdadeiros interesses nossos.

O Lunático + O Amoroso + o Poeta = A imaginação para Shakespeare.
Mas não adianta chorar ao assistir “As Troianas”, de Eurípedes, se você apoia o bloqueio econômico para a Alemanha e a Rússia (hoje diríamos Cuba e Irã), pois é líquido e certo que esses bloqueios econômicos têm um custo social imenso. Custo social imenso é certo, assim como é certo que políticos não mudam de opinião na base de bloqueio econômico e eles sempre dão um jeito de se dar bem em qualquer situação. Sobrou o povo. Lembrando-se disso tudo a gente que essa história de bloqueio econômico tem que ser visto com muito, muito cuidado.

Dengue
A Dengue passou e minha família ficou. Bom, mas os pernilongos também ficaram. Hoje já matei uns 10 ou 20 pernilongos e nem quero me lembrar de como foi ontem. É sério o trem, a raquete elétrica trabalha tanto que o cheiro de queimado fica até forte. Como antes, não temos como saber qual desses pernilongos é realmente perigoso.
Molhando-me no rio Ganges ou sendo iluminado pelos vitrais da Catedral de Chartres, vou tentar imaginar isso tudo para escrever sobre como a nossa vida é frágil e passageira.
Um instante.
Hum...
Imaginei.

Como a nossa vida é frágil e passageira.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

7 de setembro de 2016.

Até a próxima, Voltaire!
E quando lembramos o quanto os povos selvagens foram capazes de fazer, devemos sentir profunda reverência em nossos corações.

A descoberta da gravidade: Francis Bacon e Robert Hooke foram precursores. Não é justo esquecer esses dois, mesmo que gostemos de lembrar que Isaac Newton seja a maior mente científica da história.

E quando lembramos o quanto os povos selvagens foram capazes de fazer, devemos sentir profunda reverência em nossos corações.

A descoberta da gravidade: Francis Bacon e Robert Hooke foram precursores. Não é justo esquecer esses dois, mesmo que gostemos de lembrar que Isaac Newton seja a maior mente científica da história.

Não da para saber se somos mesmos imortais, infelizmente. Sobre a natureza humana, bem, podemos conhecer igualmente muito pouco, mas aqui pelo menos sabemos que o melhor é o caminho virtuoso.

Assim como uma pedra, meu corpo é um objeto físico. É material. Mas eu sou uma matéria e eu penso! Será que uma pedra ou uma lagartixa também pensam? Pergunta parece maluca, mas é bem difícil de responder. A existência da alma? Outra coisa complicada de saber.

Filósofos não são fanáticos e nem desejam guiar multidões, logo, não desejam criar seitas.

Voltaire critica Descartes: abandonou o seu trabalho genial em geometria e se deixou perder nos romances da metafísica. Voltaire defende Descartes: apesar de tudo, o saldo é positivo: Descartes pelo menos demoliu crenças que a dois mil anos nos prendiam e tudo bem que as alternativas que ele nos apresentou não sejam assim tão boas.

Guia de Estudos
Criei, pela milésima vez, um esquema de estudos. E pela milésima vez este esquema de estudos criado é completamente doido. Não posso reclamar mais. Desisti. É algo intrínseco mesmo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

6 de setembro de 2016.

Segue abaixo, sem explicações necessárias, algumas notas de uma antiga leitura que fiz do começo de “Cartas Inglesas”, de Voltaire.
Dias seguidos sem atualizar este blog, eu tinha que publicar algo. Felizmente tenho muito material de reserva.
Bagunçado, mas da para captar algo de Voltaire e daquilo que ficou conhecido como “O Século das Luzes”.

“Aqui é o país das seitas. Um inglês, como homem livre, vai para o céu pelo caminho que lhe agradar.” – Voltaire.

E os antigos romanos, héin? O que os explica? Tinham os seus imperadores tanto medo do próprio povo, que tinha que mandá-los ao exterior. Melhor eles gastarem toda essa energia conquistando o mundo do que ficando aqui e pensando se valeria ou não a pena derrubar o governo.

“Porque ele odiava a guerra acima de tudo...”.

Foi preciso muito tempo para que o que hoje conhecemos como “comunidade internacional” nascesse. Assim, agora, o que um país faz contra o seu próprio povo pode ser considerado como assunto para todos os países refletirem a respeito do que fazer.

Quem é mais útil ao Estado: um burocrata, um nobre puxa saco; ou um comerciante que paga imposto e gera emprego?

Comércio vigoroso torna um país forte. Forte e inteligente: olhemos o exemplo histórico dos circassianos ao derrotarem a varíola.

Eu esqueci os seus defeitos, pois era uma pessoa cujas virtudes eram de grande envergadura.


Francis Bacon pedindo que prestássemos atenção para que a ciência da época investigasse o básico: dar a volta ao mundo atrás de especiarias é bom, mas precisamos também saber como funciona a circulação sanguínea e o peso do ar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Alessandra Leão canta 'Boa Hora'- Shows - TDM - 15/01/2011





Junto com "cars", do Gary Numan e "Dear Prudence", da Sioux and The Banshes, esta é a música que mais toco numa radio comunitária em que sou voluntário. Obrigado pela postagem, TV Pernambuco.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dois de Setembro de 2016.

Encontros Inesperados
E Voltaire vai encontrar um Padre Malebranche entre os simpáticos Quacres ingleses: somos peças de Deus, mas peças livres; vamos então escolher viver em Deus.
Tenho que contar essa história direito. Voltaire não encontrou o Malebranche do outro lado do Canal da Mancha, encontrou um quacre inglês que fez reflexões teológicas que se assemelhavam muito com os pensamentos do Padre Malebranche. Aí Voltaire ficou espantado.
Eu tinha que contar aqui que Voltaire era francês e estava exilado na Inglaterra e que teve sempre muitas reservas a respeito da metafísica, achava que em geral era arrogância e inúteis aquelas reflexões sobre assuntos que estavam tão distantes da ciência (que já era uma coisa bem limitada) e da sempre modesta vida humana. Eu tinha. Vou fazer isso algum dia.

Contágio
Carrascos da prisão tornaram-se discípulos, pois e fato notório que entusiasmo é contagioso. É o que conclui Voltaire ao ouvir mais uma história interessante do quacres ingleses. Um deles tinha sido preso por heresia ou algo do tipo, e lá na masmorra acabou convertendo alguns dos guardas que o vigiavam.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Primeiro de Setembro de 2016.

O Não Artista
Entre o mais genial dos artistas e entre o mais medíocre e anônimo dos homens há apenas uma diferença verdadeira: apenas um dos dois tem algum pudor em exibir-se, nu e sujo de seu próprio sangue e de suas próprias fezes, em meio à praça pública para receber aplausos ou escárnio do povo.
A coisa fica interessante se considerarmos que todo humano nasce artista. É provável que Rousseau e Freud estivessem certos: o crescer nesta sociedade é um constante reprimir-se, castrar-se, diminuir-se.

Conversar com Fanáticos e a Democracia
Cuidado com os fanáticos: a conversa com eles costuma ser infrutífera. Uma recomendação razoável de Voltaire, e que devemos apimentar com a lição da democracia: o diálogo e a educação é o  caminho. É preciso conversar, é preciso convencer pela razão.


Em 2016, diante de tantas bobagens proferidas pela internet, ficou popular reclamar do “não sou especialista, mas eu acho que...”. Ok, mas a democracia é barulhenta mesmo. Democracia silenciosa e em que só os “autorizados” podem falar? Hum, isso me soa estranho. Acho que a etiqueta é suficiente aqui: pense antes de falar, ouça muito, peça desculpas se for o caso, tente ser melhor da próxima vez.