Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Primeiro de Agosto de 2016.

NUNCA MAIS VOU COÇAR O NARIZ
Para eu ter tomado uma decisão política dessa envergadura deve ter acontecido alguma coisa.
E aconteceu. Foi no café da manhã, há uns dias atrás. Um espirro homérico! O que espantava não era a meleca, gigante e amarela, grudada na parede, e sim as marcas de sangue nela.
É uma gripe fazendo charminho e eu estou bem, sem mais algum sintoma estranho. Mas é claro que sangue no fundo do nariz é sempre diferente do sangue de algum machucado no joelho, por exemplo. Infecções tem algo de loteria e se você espremer uma espinha sem se preocupar com higiene, você pode dar adeus para a sua meninge saudável. Como em outras situações parecidas, eu me dividi: uma parte de mim realmente achava que eu ia morrer logo e outra parte encarava tudo com mais serenidade. Podia ser um ataque de hipocondria, podia ser a fome de fantasia (“leve-me daqui, ilusão qualquer, leve-me daqui, por favor!”), sei lá, até isso eu acho difícil saber. Eu respirei fundo a fumaça do café naquele dia, como se isso pudesse me ajudar.
SOLDADO DESCONHECIDO: - O antisséptico que a gente tinha durante o Vietnã era a pouca água de nosso cantil para a única chance de limpeza do ferimento, um pedaço de roupa para estancar o sangue que jorrava e o fechar dos olhos em oração plena e profunda. Se morríamos, ainda sim morríamos puros.
AMOR: - Guerra é ruim.
SOLDADO DESCONHECIDO: - Estou ao lado de minhas vítimas, não de meus generais.
Sempre fui muito sensível e impressionável. E como nunca fui de ter muitos amigos e nem de conseguir mantê-los, a minha principal influência era a minha família. Infelizmente a minha família nunca foi muito rica de “alegria de viver”. O perfeccionismo de meu pai (ateu) e as histórias que minha mãe e que minha avó materna (ambas católicas) contavam a mim em diversas ocasiões! Não vou dar detalhes aqui, por questão de bom gosto e por gratidão. Mas o fato é que é preciso ter cuidado com o que se diz a uma criança. Mas eles não tinham como saber que eu era tão sensível e impressionável. É meio estranho escrever isso, mas parece que ainda somos bastantes desconhecidos um aos outros.

“ESCOLA SEM PARTIDO”
Quando os liberais brasileiros pedem uma maior atuação do Estado na vida de nós, brasileiros; podemos começar a tremer. E muito.
Não basta pedir para os grandes produtores rurais, de um país que não tem reforma agrária como Brasil, terem mais boa vontade e empréstimos camaradas por parte do Governo Federal; agora os liberais brasileiros querem leis para cuidar de nossos professores e escolas. Já não temos leis suficientes para punir professores e escolas que se comportem mal? Eu achava que o excesso de leis, que começou com Dom Pedro II, fosse um dos lemas mais antigos e preciosos para os liberais brasileiros, quando os mesmos clamam por mudanças em nosso país.
Depois os liberais ficam magoados quando a gente, mais à esquerda, diz que essa história de “Escola sem Partido” cheira a sangue (fascismo).
É fácil rir da maioria dos esquerdistas brasileiros, tão fracos e infantis, - a gente tem mesmo muito a evoluir -, mas os liberais brasileiros conseguem ser piores. Muito piores.

APRESENTAÇÕES PEQUENAS
Vou comprar uma daquelas caixas de plásticos em que se pode guardar comida. É como a caixa de isopor grande que a gente tem aqui em casa, a vantagem dessa caixa de plástico é que sua tampa tampa mesmo. E também vou comprar mais uma coberta grossa para o inverno.
Tudo isso é para o apertamento que temos em Belo Horizonte. Ninguém mora lá e não podemos alugá-lo, ainda, porque ele esta f* demais. Mas ele tem uma pequena cama de solteiro feita de ferro, dobrável. E tem um saco preto gigante, onde guardo uma roupa de cama e umas roupas minhas. As coisas que vou comprar vão me deixar mais confortável neste apartamento. Ele não é um barraco de favela, admito, mas as janelas quebradas e que não fecham direito, a parede da cozinha trincada, o cheiro de inseticida que depois de tantos anos ainda mora lá e, principalmente, uma atmosfera de solidão invencível e de má lembrança (que Belo Horizonte nunca foi sinônimo de sucesso para nós), tornam aquele apertamento complicado. É assim: quando estou passando alguns dias lá, por causa de algum compromisso na capital mineira, não quero mais sair de lá. Mas quando eu saio de lá, não quero voltar lá nunca mais.
“Lá, lá, lá...” (risos) Já não basta o assunto ser complicado, eu ainda tenho que escrever mal!
Bom, a caixa de plástico e uma coberta a mais, vão me ajudar. Não vai ter rato fazendo visita e nem frio parando o coração no meio do sono. Aliás, eu tenho que contar a história do rato. A história do rato foi doida.
QUEIJO: - E você tem alguma história que não seja maluca?
AMOR: - F* para isso. Quero dar dignidade literária para as minhas misérias.
IAGO: - Quer tirar vantagem do fato de você ser um caso perdido? (Expressão de espanto e incredulidade, seguida de uma expressão de revolta) E eu protesto! Não falei “caso perdido”! Na última hora é que você colocou essas palavras em minha boca! Cadê a minha liberdade de personagem? Eu ia dizer que a sua mente te faz parecer uma espécie de “Homem Elefante”.
QUEIJO (risos)
AMOR: - Cale-se, Iago. “Homem Elefante”? O mundo é um circo, a questão é sempre saber quantos aplausos você consegue e quantos aplausos você precisa.
Onde eu estava? Onde você esta? Você ainda esta me lendo?
Com uma caixa de plástico e uma coberta a mais, vou poder ficar mais em Belo Horizonte. Tem uma casa de shows chamada “Matrix”, que é razoavelmente fácil de ir e voltar. Ela é pequena e ter um ar de “desleixo” e “brutalidade”, bem calculados e expressos. Mas o principal é que ali costumam tocar bandas pequenas de rock. Não quero saber de bandas famosas e poderosas. Essas bandas que vão a m*! Quero assistir é shows de bandas pequenas. Não é para procurar defeitos pelos defeitos, é para ouvir e ser cúmplice deles na caminhada. Se tiver, e na maioria das vezes tem, grupo de amigos na plateia torcendo pela banda, melhor ainda.
Não precisa ser só rock e só essa casa de show. Só quero ir mais a Belo Horizonte.
M*, acho que não precisava ter escrito nem 80% do que escrevi acima sobre o apartamento em Beagá. Pareço o Jorge Amado quanto à prolixidade. Quando começo... Aliás, quando criança eu era meio tagarela na escolinha e foi apenas quando entrei no Santo Agostinho, com 10 anos, que parei de falar tanto e fiquei quieto. Aliás, me ocorreu agora, será que essa coisa de ter  “ficado mudo” é a chave para...

WALDEN
Li “Walden”, de Henry David Thoreau, e infelizmente não me tornei um ser humano. Ainda continuo como a maioria: um escravo cego que deixa pedaços de seus sonhos pelas ruas, enquanto vai a lugares aonde não quer ir.
Mas pelo menos decidi criar uma horta exclusiva para temperos.

WINDOWS MEDIA PLAYER
Não vou dizer quantas músicas em mp3 eu tenho em meu computador, tenho medo que o juiz Sérgio Moro apareça em meu quarto com aquele japonês que usa os mesmo óculos escuros desde a década de 1980. (Desde que a Polícia Federal saiu dos aeroportos para salvar o resto do Brasil, eles as vezes ficam meio “afobados”.).
Bom, mas eu tenho algumas músicas aqui em meu computador. O ponto é que não adianta quantas músicas eu tenha: o modo aleatório sempre me toca “Suicide Blonde”, do INXS.
Isso é sinal? Vou procurar a tradução da letra. De Deus não deve ser, isso é coisa de anjo da guarda. Óbvio, óbvio, depois de ter ficado tanto tempo perto de mim, ele deve ter se contaminado com minha loucura.

GEORGE ORWELL
Estou lendo “O Povo do Abismo”, de Jack London. Só não terminei porque ele é tão bom que se eu ler muitas páginas de uma vez só eu entro em parafuso. Leio este livro antes de dormir, embaixo das cobertas, todo quentinho e protegido; ou este livro me transforma ou eu corro o risco de ir para o inferno ao morrer! Imagine o inferno: ficar a eternidade lembrando tudo que você não fez porque teve medo e por egoísmo; todas essas lembranças em loop infinito jogadas na sua cara!
QUEIJO: - Ô coisa, isso é o “olhar de penitência” do Motoqueiro Fantasma...
AMOR: - Cale-se, queijo!
Eu ia fazer uma comparação deste livro de Jack London com dois outros livros “parentes” dele: “Na Pior em Paris e Londres”(1933) e “O Caminho para Wigan Pier”(1937), de George Orwell (1903-1950). Se todos os socialistas e comunistas brasileiros lessem a segunda parte de “O Caminho para...
Pausa.
P*!
P*!
DESDÊMONA (preocupada): - Que foi, franguinho?
George Orwell morreu com 47 anos??!!!??
DESDÊMONA: - Mas não sabia?
Sou um fã meu desleixado quanto a esses detalhes técnicos que me lembram prova de história de fim de bimestre.
47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos! 47 anos!
47 anos!
47 anos!
47 anos!
47 anos!
47 anos!
47 anos!
47 anos!
DESDÊMONA: - Calma, franguinho! Ele é um dos autores mais populares da Inglaterra. Ele sabia o que fazia e sua mensagem e testemunho ainda respiram entre nós. Ele venceu, ele esta no pantheon neste exato momento. Observando e abençoando a gente aqui.
Onde eu tava?
QUEIJO: - Você disse que ia fazer uma comparação entre Jack London e George Orwell.
OTELO: - Pelos gritos de justiça de toda África, você precisa se acalmar! Se usardes este ímpeto para tudo em sua vida, construiria impérios ou morreria cedo. Racharia o universo ao meio ou mereceria ouvir de bela dama um “eu te amo”!
IAGO: - Bah, ele é apenas um bicho do mato em um momento exaltado!

RIO ACIMA
De repente me ocorreu: Rio Acima ainda não é uma cidade turística forte porque o povo de nossa cidade abandona esse tanto de cachorros que a gente vê pelas ruas.
Pelos olhos suplicantes e movimentos receosos, a gente logo percebe se determinado cachorro tem menos de um ano de abandono.
Pode parecer metafísico este meu comentário sobre cachorros e economia sustentável, mas a verdade verdadeira é que na Gandarela, atrás de uma árvore morta e sombria, a mineradora Vale esta à espera e à espreita.

NÃO PARA TCHAIKÓVSKY
“Capricho Italiano” (opus 45).
Windows Media Player.
Estou com uma vontade terrível de ir ao banheiro urinar, mas não posso apertar o “pause” ou “stop” e começar novamente outra hora.
Ser-se-ia absurdo fazer isso com uma tempestade ou com o pulsar de meu coração, o que se diria de fazer isso com Tchaikóvsky?


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.