Voltaire ajuda

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sábado, 6 de agosto de 2016

6 de agosto de 2016.

Humildade, Humildade

Acordei, abri a janela e a primeira coisa que vi foi o Peludo, o velho e doente cachorro do vizinho, tentando defecar mais uma vez. Ele arqueou o corpo, dobrou-se todo e nada. Nada das fezes saírem. Além do corpo arqueado, ele chegava a dar um lento rodopio também. Mas nada das fezes saírem.
Quer dizer, a metade das vezes já tinha saído e estava pendurada em seu ânus. O difícil era a outra metade sair. Pobre Peludo, sentindo dor pela prisão de ventre e não tento remédio ou um amigo ou colega cachorro com quem desabafar. Ou não: vai ver os cachorros conversam entre si e entre os assuntos estejam os problemas da velhice, o que incluiria a prisão de ventre. E também assuntos amenos e engraçados, como quando eles riem da companhia destes insatisfeitos e confusos mamíferos que são os humanos.
Recusei-me a assistir à abertura das Olimpíadas Rio 2016. Isso foi ontem, sexta-feira à noite. Hoje, sábado de manhã, as algemas ainda voavam livres em bancos, igrejas e as bandeiras negras do anarquismo estavam amarradas em elásticos dentro de caixas de papelão. Parece mesmo que uma andorinha é uma andorinha. Mas o relógio não para.

Dois Momentos Gays

Quando o Galvão Bueno aparece na televisão eu só consigo olhar para o queixo dele. É tão perfeitamente quadrado! Incrível, incrível! Realmente parece algo desenhado! Espero que alguém já tenha dito isso a ele e que ele tenha se sentido orgulhoso.
Eu sinceramente acho que o Kim Kataguiri tem o direito, - e eu diria mais: o dever -, de defender as ideias e valores da escola de pensamento político liberal. Se ele acredita que é por ali o melhor caminho para o Brasil, ele tem mesmo que escrever, organizar protestos e tal. Apenas não consigo compreender porque ele usava o mesmo corte de cabelo da Margareth Tacher, as vezes. Exagero.

Deveres
“30 de junho de 1983”
“30 de junho de 1984”
“30 de junho de 1985”
“30 de junho de 1986”
...
Pesquisar pela internet o que aconteceu. Imprimir e guardar. Fazer uma pasta. Vocês me entendem? Acho que pode ficar o máximo. Sugiram que vocês façam o mesmo com o aniversário de vocês. Não precisa ser algo completo, mas algo que ajude a entender o contexto do trem (o mundo em que a gente vive).
E por falar em “trem”: pesquisar pela internet tudo sobre “ser mineiro”, “mineiridade” e “mineirice”. Aqui o trem tem que ser completo. Tudo, tudo mesmo.

Em um lugar só
Gostosa. P**, como ela era gostosa!

Alta, morena, aquele cabelo crespo em formato Black Power, o batom exageradamente vermelho, magra e as pernas grossas, shortinho grande tipo safári (?), olhar e um caminhar confiante e seguro de si. Uma deusa.
Gostosa, gostosa, gostosa, gostosa demais! E me dava raiva e me dava medo, e dava vergonha daquilo que eu via e não via quando me olhava no espelho. Se na fila para pagar o almoço ela olhasse para mim e me perguntasse onde era o banco da cidade, era capaz d´eu chorar e gritar e de construir com os restos do meu desejo frustrado um altar a ela.
Desejo, medo, raiva e frustração. Na mesma moeda e no mesmo pedacinho de tempo entre vê-la se dirigir ao caixa e ir embora com uma amiga.
E o pior: toda essa tempestade no mesmo peito. Que naturalmente não tem os músculos necessários para ser visto e para segurar.

Freud e a Ofensa

Nada me ofende como ver um vira-lata passar por mim com medo.
Mas que p*! É ele que pode morder-me, infectar-me com alguma doença e tudo e é ele que esta com medo de mim?
Isso não esta certo. Isso mexe comigo de uma maneira estranha. Ofende-me. Acreditem se quiser, expliquem se puderem. Alô, Freud?

De onde veio a escolha?
- “Não andoo no breeeeeeu, nem aaandoo nas trevas... Não aaandooo no breeuu e nem andoo nas trevas... Éé por onde eu vou, que o santo me leva, é-por-onde-eu-vou que o santo me levaa...”

Um mistério realmente digno. De onde saiu a escolha para que esta música seja a trilha-sonora de meu dia hoje?
Acordei cantando essa música da Maria Bethânia e estou cantando ela o dia inteiro, inclusive agora enquanto escrevo estas palavras no computador. De onde saiu a escolha dessa música?

O suspiro foi duplo
A torneira esta pingando sem parar, desperdiçando a água preciosa.

Estou no minúsculo banheiro público da Igreja de Santo Antônio. O banheiro é mínimo, mas seu teto é máximo: loooongo e em seu final vemos uma caixa d’água gigante e que não cai em nossa cabeça por causa de duas toras de madeira. Sempre fico com um pouco de torcicolo quando uso este banheiro. Mas isso vocês já devem ter suspeitado.
Fui ali para fazer três coisas: urinar, escapar do enxame de telefonemas dos ouvintes da radio comunitária e congratular-me por uma pequena vitória.

Eu cheguei atrasado e estava uma pilha de nervos. 20 minutos para fazer meu programa e ficar ali por três horas para ajudar outro locutor a fazer o programa dele. Os mesmos telefonemas e as mesmas músicas. Repetições me matam. Mas basta achar a fórmula e facilmente viro um anjo: duas ou três músicas a ouvir e basta para mim.

Mas qual foi a vitória? Eu enrolei um pouco, me fiz de bobo e consegui tocar “fora do meu tempo”, “Dear Prudence” da Sioux and The Banshees e “Cars”, de Gary Numan. Adoro tocar essas músicas. Gosto de fantasiar: em uma cidade do interior, em uma rádio humilde e escondida alguém toca Gary Numan... Mas que p*, isso não merece uma medalha olímpica? Cadê a justiça deste mundo? 

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