Voltaire ajuda

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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

5 de agosto de 2016.

Futuro
Um bicho do mato que leu os livros errados na hora certa.
Escrevendo errado por linhas certas. A hora de mostrar os absurdos passou, agora é hora de fazer os absurdos dançarem.
O que sobra no chão do salão, depois do melhor baile de todos? É este o nosso futuro. Não gostaram dessa profecia, leitoras e leitores? E vocês tem alguma outra opção? É melhor dançar. Acreditem em mim: é melhor dançar.
A Lua manda em mim, mas não gosto de sair à noite. Gosto de sair ao dia. Não é medo, é que sou espião da Lua.

Solidão
Peludo, um dos cachorros criados pelo vizinho, não consegue defecar na casa dele. Ele só consegue fazer cocô no terreno de minha família. Pelo menos isso você consegue encontrar aqui: um lugar para defecar.
Pobre Peludo, doente e sempre à espera do último sono. O olhar deste cachorro em direção da gente! Eu devia brincar mais com você, assim como eu devia brincar com o meu cachorro Bingo. Eu sempre penso nisso, mas nunca brinco. Uma entrega que eu não consigo realizar, uma constância de atenção que eu não consigo realizar. E não foi preciso nem 4 meses!
É de cortar o coração ver a tristeza e solidão dos dois cachorros. Quantos animais solitários cabem aqui?

Fugindo da Gi.
Almoço.
Assistindo à TV. A moça do tempo é perfeita, não é? Cabelos longos e lisos, boca carnuda, branca, nariz fininho, alta, olhos claros... Ôô... Tão perfeita... Tão tãão perfeita... Quem vê uma mulher igual a ela na rua? Numa rua aqui do Brasil?
Mas esta beleza na verdade me da é sono, sono precedido de alguns bocejos de tédio. Esta beleza já tem a admiração da TV, das revistas, da boca pra fora de milhões que concordam que ela é mesmo perfeita; pois aprenderam direito a aceitar esta estética externa.
Não precisa de mim. Um, pelo menos. Um pelo menos não precisa admirar. O um que não consegue desviar o olhar para aquela pinta perto da boca de Marylin Monroe.
Entenderam a metáfora da “pinta”? Um defeitinho-tempero que me é fundamental para que meus olhos e pensamentos sejam capturados por um rosto feminino, e que assim deixa de ser defeitinho-tempero e torna-se tempero-tempero.

O Chuveeeeeiiroo... O Chuveeeeeiiroo vai te pegaaarr...!
Por que os psiquiatras, psicólogos, terapeutas e “médicos de cabeça” em geral, não tem medo de um chuveiro quente? O que três semanas consecutivas tomando banho em um chuveiro quente não curariam?

Quanto tempo vocês acham que a consulta durou?
Antes do emprego, ficar de cueca para o médico e abrir minha alma para o doutor.
- Aqui em sua ficha posso ver que você é filho único e torce pelo Clube Atlético Mineiro.
- Sim.
- Sim?
- Sim.
- Então você confirma? A informação? Você confirma a informação?

Novo Herói
Ele anda de bicicleta e não de carro, ele repreende o próprio chefe quando o mesmo joga um copo de plástico no chão do escritório e não em um lixo exclusivo para peças de plástico para reciclagem e já é engajado politicamente antes da história do filme começar etc.
Faz alguns meses já que revi “Independence Day” (Independence Day, 1996, Roland Emmerich), e me atinei para este detalhe interessante: o nascimento do novo herói.
Novo, apesar de divorciado. Os heróis de Hollywood continuam a maioria sendo divorciados. Mas eles agora já estão preocupados com ecologia e com a política antes de uma crise começar a história deles e dos seus filmes.

O Mais Importante
Então eu interrompo o meu trabalho ou qualquer outra coisa que eu estiver fazendo.
Eu.
Paro.
Paro.
.
Uma aranha Salticidae caiu no balde de água.
Mas quem colocou este balde, meu Deus! “Pela minha culpa, minha ó grande culpa”!
Então eu paro.
Salvo a aranha. Fico feliz. Até converso com a aranha e penso no São Chico de Assis.
E se alguém me perguntar:
- O que de melhor você fez hoje?
Respondo:
- Salvei a Salticidae de uma morte indigna e molhada, e me recusei a assistir a abertura da Olimpíada Rio 2016.

“Um, dois, feijão com arroz; três, quatro, eu tenho um pato...”
Eu sou lento. Um presente que recebi no berço e que transformei em protesto político.
O que acontece se você não respeitar o ritmo de seu corpo, o ritmo de seu coração?
Escolhe: vira máquina, morre e é carregado pela multidão sem rosto para um lugar que não tem nome.
Alguns não obedecem ao ritmo da maioria, alguns impõem o seu ritmo á maioria.
Sei lá o que você deve fazer.
Aqui do meu lado eu tento manter a cabeça erguida, apesar de tantos tropeçarem e caírem em cima de mim.

Prova
Eu não limpo a minha câmera fotográfica há muito tempo. Calma. Isso não me impede de, agora, ou até daqui uns meses, tirar muitas fotos com qualidade.
Mas não limpar a câmera é desagradavelmente revelador. Revelador. Revelador e tira o foco qualquer desculpa que eu possa enquadrar para dizer.

Onde você esta? Onde você esta?
É mesmo todo um infinito profundo pensar na questão de como a gente marca as outras pessoas. Sem querer ou querendo, a gente passa e marca. Outros passam e também podem nos rasgar em dois pedaços, no mínimo. Vai lá saber qual é a razão que determina se é um caso ou outro?
De repente me lembrei de uma lembrança especial. (risos) Especial, pois esta me deixa com saudade de saber. Outras lembranças à gente lembra apenas por lembrar, como quando a gente come um doce e pronto.
Onde essa garota esta agora?
Terceira ou quarta série, 10 ou 11 anos, 1993 ou 1994. A professora mandou a gente fazer um trabalho. Era escrever uma pequena biografia de uma figura histórica. Escolhi Chaplin. Até um tio paterno me ajudou, emprestando-me um daqueles livrinhos biográficos da Martin Claret. Estes livrinhos são bem populares, vai ver você deve ter algum deles em casa. Este meu tio paterno gosta muito de Chaplin e acho que deve ter sido ele que arranjou aquele quadro grande do Chaplin que esta até hoje na casa dos meus avós paternos. Este quadro é importante para mim. É que minha família por alguns anos morou no barracão atrás da casa dos meus avós. Eu via este quadro todo dia e ele marcou visualmente minha infância. Sei lá como. A gente até sabe que a marca esta ali, que uma marca esta ali, mas vai saber o que a marca é? As vezes quando a gente não lembra é exatamente quando a lembrança esta trabalhando mais ainda na gente. Como eu disse: sei lá!
Então fiz meu trabalho, minha pequena biografia sobre Chaplin. Caprichei no trem. Eu era um bom aluno mesmo.
No dia de entregar, houve um evento. A professora juntou as mesas e todos nós exibimos nossos “pequenos livrinhos”.
Um me chamou a atenção.
Assim, eu não me lembro dos trabalhos de meus colegas. Lembro que estava contente com o meu trabalho e orgulhoso dele. Devo ter achado os personagens históricos escolhidos pelos meus colegas meios bobinhos ou óbvios. Nunca fui muito sociável e devia achar meus colegas “todos iguais”.
Então.
Bom, ali do lado havia um “Gandhi”. Gandhi???? Olhei para a menina que havia feito. Lembro do rostinho dela até hoje. Cabelo curtinho, loirinho e uma expressão facial que juntava as palavras “atenção” e “esperteza”.
Eu levei um tremendo susto. “Oh!, oh!, ela fez sobre Gandhi!”
E pronto.
É.
Pronto.
(risos)
A lembrança termina aqui. Lembro-me de mais nada. Nunca conversei com a garota.
Acabou. Acabou a lembrança.

Cartões Postais
Uma tia materna esta me ajudando. Parece que eu não posso simplesmente ir negociar diretamente com os lojistas para que eles vendam, eu tenho que ir à prefeitura me informar sobre meus direitos e deveres e tal. Nunca vendi um cartão desse jeito e o monstrinho da burocracia brasileira já veio me dizer “bom dia!”.
Já posso imaginar-me aguardando por horas em uma sala de espera lotada e quente.
- O senhor precisa pagar XX, precisa pagar X de porcentagem de cada venda à prefeitura e ao Governo Federal e precisa ir ao cartório arranjar um documento que prove que você nasceu.
- Certo.
- Mês que vem você faz tudo de novo.

Política da Natureza
A natureza gosta de fazer política. Salvei uma salticidae de morrer afogada e ganho como obrigado ver uma salticidade, cujo corpo tinha desenhos em branco em preto formando traços que me lembraram da arquitetura islâmica espanhola.
Aliás.
Aliás.
Eu devia viajar. George Orwell, Jack London não precisavam de tanto dinheiro assim para fazer as suas odisseias. Eu devia viajar e fazer a minha tão sonhada expedição fotográfica científica pelo cerrado e caatinga.
Mas acho que não da tempo. Amanhã mesmo tudo ali já deve ter virado pasto para bois holandeses e sojas transgênicas.

Metáforas
Alguém aí do outro lado do monitor do computador gosta de metáforas? E quem não gosta de metáforas? Metáforas são borboletas coloridas e loucas, ou são aqueles filhotinhos alegres e que plantam sorrisos em nossos rostos e corações.

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