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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

4 de agosto de 2016.

“QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?”

Boa pergunta do Caetano Veloso. Aqui em casa, na hora da janta, a gente assiste a todo o “Jornal da Band”, um pedacinho do “Jornal do SBT” (eu levanto a minha mão para não olhar o rosto da Rachel Sheherazade) e depois assistimos o “Jornal Nacional” da Rede Globo. As vezes assisto ao “Jornal da Cultura”, da TV Cultura; que embora seja o menos popular dos quatro mencionados aqui, já exibiu alguns “furos” de reportagens. 

Irã, Igreja Católica, Islamismo, crise econômica, crise política, greve, índios... A mensagem é basicamente a mesma. Não discuto a legitimidade aqui, vai ver a verdade objetiva exista mesmo. Não discuto o conteúdo das mensagens, onde elas ficam no espectro das ideias políticas. O que me choca é a semelhança em tamanho grau! Os adjetivos, as expressões, as imagens... Da vontade de dar um grito radical: “é tudo igual, pô! Igual e que seja bom o tempo todo, só os discos dos Ramones e só!”
Me entendem? Pareço exagerado?

Criticar a imprensa rica, eu sei, pega mal: o pessoal criticado se faz de vítima e fica falando que você é “o maior Stálin do trem”. É mentira, mas a gente entende. Ser criticado é chato, mas a imprensa livre e corajosa é fundamental para uma democracia.

CAMINHO ESCURO

Fui criado para ser um funcionário público. A estabilidade eterna e invencível do funcionalismo público permitiria que meus pais tivessem certeza que cumpriram corretamente o dever e que assim poderiam “sair de cena” em paz, por assim dizer.

Mas eu não me tornei um funcionário público. Minha inteligência que era aclamada por “todos” não foi capaz de vencer esta instituição nacional de nossa educação que é a “decoreba” nas provas. Não marquei “b” e nem “d”, quando precisei. Como é se sentir derrotado por uma disputa que você nem queria participar? Você é um perdedor em dobro? A proclamada inteligência que eu tinha então se revelou o que ela sempre fora para os outros: uma simpática aberração?

O caminho que se abriu, então, é escuro. Não escuro por maldade, como se fosse “escuro” metáfora de um romance policial barato; mas escuro muito simplesmente porque nunca foi sequer considerado.

O que me atrasou tanto é que foi nos últimos anos que o meu espelho começou a ficar menos embaçado e mais nítido.

LIVROS E SEIOS

Calor, cansaço e secura do ar. Homero, Jack London, Henry Miller ou um que nunca lembro: Luiz Câmara Cascudo? Sem dinheiro e tempo, e sabendo que preciso de dinheiro para sair, é melhor pensar em outra coisa.

Peitos e as pernas grossas em um vestido curto de couro! Serei machista se eu disser que esta atendente formava um contraste interessante com os doentes pobres ali do lado, na sala de espera?

O que eu via e o que ela queria mostrar por meio de seu decote e pelo tamanho de seu vestido de couro. A fome de meus olhos me atrapalha de ser discreto nessas situações. Mas tudo bem, somos um pouco menos que “nada” um para o outro: a política ali era pouca.

O que fica é apenas a primeira vez que nossos olhos se cruzaram, em uma das vezes que eu tinha acabado de olhar para os seus seios. Apenas este instante, apenas este instante ficou. Mas não muito. Quando cobri a distância de um pouco mais de três metros que nos separava e conversamos sobre a saúde de minha mãe, tudo acabara e tudo tinha sido esquecido. E me ocupei de odiar a porcaria de ônibus que demorou a me levar daquele lugar e que balançava tanto que derrubou a  minha “Ilíada” ao chão. Aliás, o barulho que o livro fez no ônibus merecia pelo menos um... parágrafo!

Todo mundo olhou assustado quando o livro caiu no chão. Foi realmente um barulho tremendo.


Pronto, o parágrafo aí.

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