Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

sábado, 20 de agosto de 2016

20 de agosto de 2016.

Extremos
Finalmente o portfólio irá ser impresso. Perdi o medo que alguém na loja de fotografia roube alguma foto minha, e aí fique milionário e com uma banheira cheia de gostosas em Las Vegas.

Como vocês podem ver, eu passo rapidamente do sentimento de ser o mais verme dos vermes para os pensamentos de grandeza mais delirantes.

Leandro Karnal disse que ter muita consciência “nos faz covardes”, pois também pensamos nas coisas ruins que podem acontecer e isso nos paralisa e blá blá... E é verdade, quando criança eu já fiquei em um banheiro com um morcego voando sobre minha cabeça e eu estava bem tranquilo sentado na privada. Hoje eu já não faria o mesmo, sendo muito mais provável que eu pulasse da janela.

Muita consciência nos faz covardes... Hum... No meu caso, acho,  eu apenas não sei onde estou na montanha-russa.
Admito que seja uma tragédia metafísica de meia tigela, mas me respeitem! Ora!

Obrigado, FaceBook
Depois da faculdade só teve ela. Ela, ela, ela, ela...    E    l    a   .
E
L
A
!
Ela...
Ela...
Ela...
...

Faz tempo. Que nós acabamos e que ela me deu um “pé na bunda”? Três anos. De vez enquanto eu lembro. Se estou na internet eu dou uma espiada. E deve ser amor. Deve ser amor se basta a sua expressão petulante em uma foto para me deixar de pau duro. Os olhos pequenos, o narizinho fino, os lábios também finos. Aí ela levanta um pouco o rosto, a luz trás uma sombra e... bingo! Arght! Deve ser amor ou falta de opção.
Aí um dia desses, sei lá em que “clima” ou “ocasião” eu e o universo estávamos na dança para que a semente da ação nascesse, achei que sobreviveria se lhe mandasse uma solicitação de amizade no FaceBook.
Mandei e ela aceitou o pedido, uns 10 minutos depois.

Meu coração quase parou. Pensei em um monte de coisas românticas, mas depois fui ver as suas fotos. E foi muito, mas muito mais gostoso do que eu poderia esperar. Deve ser amor. Deve ser a raiva. Deve ser a história que ainda pulsa.

IAGO: - Posso fazer um comentário?
OTELO: - Cale-se, verme! Guarde suas palavras venenosas para você mesmo.

Aí ela me bloqueou novamente. Quase exatamente após a minha volta ao banheiro. A raiva domina e cria: “ela deve ter feito de propósito, colocando em minhas mãos uma miragem feita para machucar! Cadela!”.

Eu me ofendo, logo deve ser amor. Eu me apequeno, logo deve ser amor. Eu sinto raiva, logo deve ser amor. Eu fico confuso, logo deve ser amor. Eu não sei, logo deve ser amor. Eu quero que seja amor, logo não deve ser.
E aí a história acabou.


DESDÊMONA: - Mas você não fica triste por ter transformado um caso que poderia terminar em amor, em um “personagem” de um texto fictício sarcástico e amargo? Se existe vida, existe a esperança que faz!
AMOR: - Fico, é claro que fico. Mas ela brincou com os meus sentimentos e ninguém faz isso. Então que o meu orgulho seja mais real que tudo!

Aí o modo aleatório do Windows Media Player me toca “Aquilo”, do Lulu Santos. Sou um Henry Miller preso em uma comédia romântica da Meg Ryan.

Um caso de um livro mágico
Existem livros que são mágicos. Não vou acrescentar, aqui, um “e falo sério!” O que eu falei esta perfeitamente de acordo com a opinião de todos que amam a palavra. A Palavra.

De repente descubro que leio muito alemães e anglo-saxões. Até literatura brasileira anda sumida de minhas mãos e olhos.
QUEIJO: - E literatura latino-americana? Aqui a coisa é totalmente zero!
AMOR: - Eu preciso resolver isso.

Eu resolvo o problema ao encontrar um enorme “Poesia Contemporânea da Costa Rica”. O decote provocante esta no subtítulo: “Selección y Prólogo Carlos Rafael Duverrán”.
Caracas!, a última vez que li um livro em língua estrangeira foi sobre um terrível combate contra um incêndio gigantesco na floresta! O livro tinha dez páginas, os heróis eram uns pirralhos escoteiros e eu estava no Fisk aprendendo inglês. Isso foi há muito tempo.

Aí eu pego o livro e deixo na minha mesa. Passa um, passa dois dias, passa uma semana, passa duas seman Mas antes disso, eu o folheio mais uma vez ao acaso.

“Creo en el tigre y creo en el zarpazo.
Pero creo en el hombre sobre todo.
Creo em el mar desesperadamente.
Pero creo em el hombre sobre todo.
Creo en la rebelión, creo em la cólera,
en la desolación y em la ternura.” (Rebelion, Marco Aguilar [1944 - ?])

P*!
P*!
Humanismo vigoroso e paradoxos indomáveis? Isso me excita tanto quanto ver fotos de quem eu nunca vou beijar e morder os ombros na manhã seguinte a uma noite de amor! AAAAAArrrgghtt!!!!
Livros são mágicos.
Livros são mágicos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.