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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

19 de agosto de 2016.

Senhor Barriga e Homero
Não sou tão chato como o Senhor Barriga, eu mal consigo preencher direito o recibo de pagamento; mas a verdade verdadeira é que se aqueles jovens encontrarem um lugar melhor para se divertir, eu estarei no sal.

HOMERO: - Ó Aldrin, filho do belo planeta Saturno e da honrosa cidade de Rio Acima! Ó Aldrin, de grande imaginação e de pênis ainda maior, PORQUE NÃO VAIS TRABALHAR SEU TRASTE INÚTIL??!?

Pegar fotos velhas e depois de usar um scanner, eu as edito no computador para que fiquem um pouco mais “novas”. O problema, como sempre no caso de imagens digitais, é a impressão. Vou imprimir em casa mesmo. Ainda tenho algum resto de papel “sofisticado” aqui em casa e, depois de tantos anos, eu já consegui domar a Epson CX5600: já sei o brilho e o contraste que eu tenho que colocar para vencer a “escuridão” que a impressora coloca na foto na hora de imprimir. Qual é o preço que irei cobrar? O pessoal aqui em Rio Acima é tão carente quanto pão duro, - eu sei, eu sou um deles. Vou fazer propaganda desse serviço em meu programa no radio. Deve me dar alguns trocados. 20 Reais por foto! 1 e 99 é apenas o preço de meu coração. E eu tenho certeza que quase ninguém vai querer meu serviço.

No meu primeiro emprego eu estava tão em pânico e nervoso que minhas pernas doíam, em uma manifestação poderosa do fenômeno psicossomático. Como eu estava sozinho para enfrentar todo o processo, a coisa ficou feia. A dor aparecia e sumia, mas na prática eu acabava andando mancando.
Mas na verdade não foi por isso que eu fracassei neste trabalho, é que ali a coisa era muito informal e eu me sentia meio intimidado com essa história de reescrever o texto dos outros. “Criação artística é coisa sagrada” eu pensava. Como eu consigo ser santo, às vezes! Eu tinha que ter sido mais prático, mais frio, aquele emprego era pequeno e por isso mesmo poderia me ajudar muito. O que ficou foi mesmo algumas cenas pitorescas que testemunhei: um idoso imigrante mostrando-me o “menor jornal do mundo”(acho que italiano) e uma discussão bem barra pesada entre um dos meus chefes e um outro sujeito. Em vez de reescrever o texto eu fiquei olhando para aqueles dois quase saindo “no braço”. Eu e quem esta me lendo somos brasileiros, sabemos o quanto a violência pode fascinar.

Teve uns empregos que eram maravilhosos, mas o pessoal não me pagava. Teve o trem tipo “Maria Fumaça” e o projeto “Shakespeare e as Crianças”, mas esses casos me partiram o coração e eu não quero falar sobre eles. Como recenseador temporário do IBGE eu vi muitas casas precárias, o que marca mesmo a gente; mas eu recebi direitinho o que eu tinha que receber. A melhor coisa daqueles meses no IBGE era andar com um chapéu mexicano gigante, acho que o nome é “sombreiro”, pelas ruas de Rio Acima. Adorava a reação tímida dos adultos e das gargalhadas incontidas das crianças. Amava aquilo! Sou basicamente um palhaço, apesar da minha timidez (não “criminosamente vulgar”, como diz uma canção, mas meio orgulhosa) e do meu gosto por solidão.

O melhor emprego que tive foi quando substituí um vigia-porteiro. Não era 24 horas, eu ficava apenas na parte da manhã e tarde. Eu ficava o tempo todo tomando o café que a mulher da cozinha me dava e lendo Joseph Campbell na guarita. Adorava o café e descobri que Joseph Campbell era quase tão importante quanto Friedrich Nietzsche e que unir os dois poderia ser algo interessante. E eu era um ótimo vigia-porteiro: enchia o “saco” de todo mundo que queria entrar (principalmente os que estavam de carro).

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