Voltaire ajuda

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

31 de agosto de 2016.

Deístas Estadunidenses
E Joseph Campbell sempre leva em seu bolso um exemplar de um dos grandes símbolos dos Estados Unidos: o grande selo, aquela grande “pirâmide grande de 4 lados” com uma pirâmide-pirâmide mesmo pequena e com um olho aberto. (Não descrevi o símbolo direito, melhor digitar “um dólar” e procurar este símbolo na internet.).

E Campbell lembra que os grandes fundadores dos EUA eram deístas: não acreditavam na Queda, não acreditavam que os humanos estavam separados assim de Deus; acreditavam, sim, que pela razão trilhando o caminho mais nobre nós estaríamos sempre em comunhão com o divino.

O HOMEM REVOLTADO – Albert Camus.
Livrinho difícil. Gosto de ouvir paradoxos, mas confesso que estou tendo dificuldades. Camus, como ensaísta, não tem a poesia agradável de um Rubem Alves e nem a didática de um Bertrand Russell. Diante desses dois, assim como diante de autores como Luis Fernando Veríssimo e Ruy Castro, podemos devorar dezenas de paginas muito muito antes de darmos conta disso. O jeito vai ser bancar a tartaruga intrépida: destrinchar um parágrafo por vez.

Então vamos aos trabalhos! Camus nos espera! Um homem cujo um dos apelidos era de “o santo sem Deus”, deve ser um homem com alguma pressa.


1951, o nosso mundo do Pós-Guerra é um mundo do crime perfeito, em que a paixão e a lógica se encontram para cometer um crime e em que a filosofia é usada com advogada de defesa deste mesmo crime. Cenário catastrófico, como nós podemos ver. Isso em 1951 e em 2016? Como acho importante este livro de Camus, a tendência seria eu dizer que o cenário de 1951 esta se repetindo, mas isso seria uma avaliação meio sentimental. Não diria que em 2016 a filosofia fosse usada para transformar criminosos em juízes, eu diria que hoje o cenário é tomado por uma perigosa onda anti razão, anti cultura. A ignorância, hoje, é a advogada preferida pelos terroristas do Oriente Médio e fanáticos políticos de todo tipo e não mais a filosofia. Donde se segue que o grande remédio para o nosso mundo de 2016 é saber, saber, saber, ousar saber!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

30 de agosto de 2016.

Dilma Rousseff e a Globo
Vou assistir ao pronunciamento da presidenta afastada pela TV Senado e não pela Rede Globo de Televisão, apesar da segunda ter uma melhor imagem e som. É um protesto político pequeno, mas tem a seu favor um aspecto técnico que não é irrelevante: mesmo que não quisessem, a Globo teria que interromper a transmissão por causa dos comentaristas, por causa dos comerciais e etc.

Nota: Isso que acontece escrever aforismos e deixá-los em reserva. A Globo não passou a Dilma no Senado, foi o canal fechado Globo News. Tenho que lembrar de colocar data nos aforismos.

Bryan
“Confissões de um Filósofo” (Martins Fontes, SP, 2001) é o livro de não ficção que eu mais li na vida. Os livros do Will Durant eu não lia tantas vezes porque não precisava: bastava uma única e poderosa primeira leitura para as suas ideias ficarem como tatuagens dentro de mim. O mesmo com Nietzsche. Mas este livro de Bryan Magee, por outro lado, eu lia e lia todo dia.

Lia um capitulo inteiro, lia pedaços de capítulos, lia partes que estavam no fim e depois eu ia ao início do livro, lia de cabeça para baixo, eu lia enquanto dormia e enquanto eu voava e lia enquanto eu tinha que salvar formosa e casta donzela em perigo por causa de algum dragão malvado. Mas isso faz tempo. Tempo da faculdade para ser mais exato.


Agora, relendo para “matar a saudade”, verifico que o apelo dessa obra continua intacto para mim. Em menos de um dia, eu já devo ter lido uns 10 trechos. Bryan ainda tem muito a me dizer.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

29 de agosto de 2016.

Sabedoria e Otimismo
Não é fácil ser sábio e ser alegre. Já mencionei que o Leandro Karnal já declarara que muita consciência nos paralisa covardemente. Em “Pais e Filhos” Ivan Turguêniev escrevera: “Quem sabe muito envelhece depressa” e em algum lugar da Bíblia é mencionado que quem aumenta em sabedoria acaba aumentando o seu próprio sofrimento. Ainda na Bíblia é interessante lembrar-se do nome da árvore em que o fruto proibido estava, na historia de Adão e Eva. Eis, porém, que Nietzsche aparece aqui e diz que não precisa ser assim.

Nietzsche sonha com um mundo em que todos estudem e estudem muito e que todos tenham fé no progresso.

E por fim Nietzsche sonha com um novo tipo de mestre:
Clérico + Artista + Médico + Mundano + Sábio = Um novo tipo de mestre.
Certa santidade, certa espiritualidade.
A liberdade criativa.
O dom de curar nossas dores.
Os pés e as mãos sujos da terra e a pele queimada de sol. O suor.
E que tenha muito a ensinar.

Capitalistas Brasileiros
Socialistas não podem usar Iphone, diz um grupo de humoristas no FaceBook; ao que a gente pode responder: os capitalistas brasileiros não podem usar o Governo Federal como usam. Quem é o incoerente aqui? Veja o que o Lúcio Flávio Pinto encontrou ao visitar, em março de 1988, o auditório da Associação Comercial do Pará.

Era uma bolsa de ações de empresas que recebiam colaboração financeira dos incentivos fiscais administrados pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Bolsa de ações? Ali tudo era vazio e silencioso! Nada de uma multidão de homens e mulheres com dois telefones sendo usados ao mesmo tempo, enquanto gritam e jogam papeis ao alto. É o que se imagina quando se fala em bolsa de valores, não é? Mas ali já estava tudo terminado. Ah, os incentivos do Governo Federal! Não vou dar detalhes porque a coisa ali é complicada de resumir e porque eu quero que vocês leiam o Lucio Flavio Pinto em primeira mão. Mas posso aqui dizer o básico: círculo vicioso e ninguém querendo lembrar-se de dar lucro para o povão.


Capitalismo assim é fácil.

domingo, 28 de agosto de 2016

28 de agosto de 2016.

Humildade e Literatura
Vendo trechos de vários vídeos de youtubers dedicados à falar de livros e literatura, eu resolvi voltar a ler com mais calma e seriedade; e não com tanta pressa e desespero. Calma e caaaalma. 
Gosto desse youtubers sinceramente e acho que eles prestam realmente um grande serviço de popularização da literatura, além que também eu acredito que eles ao lerem tantos livros tenham prazer e verdadeiro enriquecimento espiritual. Mesmo que a interpretação que eles fazem de obras consagradas sejam distantes do que o mundo acadêmico nos diz (o que não é problema, pois uma obra de arte deve mesmo inspirar infinitas interpretações e o máximo que o mundo acadêmico pode fazer por nós é molhar os nossos pés, quando nós estamos prestes a mergulhar no oceano de alguma obra específica).

Rio Acima e um Novo Turismo

Arranjei mais um trabalho voluntário. Pode ajudar a minha cidade e estarei em contato com várias pessoas, o que por si só é muito bom. Confesso que aqui tenho uma certa preguiça e um certo ceticismo também, mas vou tentar ser um pragmático razoável aqui. Pode dar certo. Eu tinha a mesma postura pouco antes da radio Super Nova FM entrar no ar e ela hoje é um tremendo sucesso.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pela Minha África.

Aconteceu ontem e hoje só tenho alguns reflexos rápidos do que aconteceu. Mesmo assim vou tentar contar da melhor maneira possível. Sou um prosador de meia tigela, mas também sei que não é uma sensação tão indescritível assim e, principalmente, eu sei o quão patético é essa história de um ser humano dizer para outro ser humano: “só quem viveu aquilo para saber” ou ainda “você não é assim, não conseguirá saber”. Basta ser um humano para saber, entender e sentir, basta ser um humano para sentir compaixão. Estou enganado? Neste mundo em que as pessoas precisam de testes vocacionais para saber o que fazer da suas próprias vidas profissionais, é provável que eu esteja errado mesmo. Vai ver esquecemos mesmo o que é conversar. Em 2016, não sabemos conversar. Formidável.

Dane-se, vamos do mesmo jeito. Era de tarde e eu estava no centro de Rio Acima. Nada havia para eu fazer e não havia alguém para conversar. Eu também não queria. Visto de fora eu era um sujeito sentado na calçada. Como se diz: “no meio fio”. Parado e olhando para “o infinito”. Divagando, divagando... A calmaria era interrompida regularmente e alguém poderia pensar que eu rapidamente começava a coçar a cabeça porque mil piolhos me atacaram ao mesmo tempo. Antes fosse os mil piolhos, mas era o mundo que me atacava. A sensação do terror e do vazio total.

O mundo e as memórias malditas me atacavam, mas o resultado era o vazio. Assim, é como se você estivesse com os braços e as pernas amarradas. Impotência total. E o vazio. Vazio em cima, vazio embaixo, vazio à esquerda e vazio à direita. Vazio no espaço e vazio também no tempo: como se você fosse um recém-nascido que acabou de ser colocado no meio da selva. Nada sabe do que fazer para sobreviver.

Havia racionalidade, havia algumas reflexões racionais ali, mas elas eram desesperadas e não conseguiam seguir uma linha organizada. Eu não conseguia encontrar uma ideia sequer que me parecesse útil e boa para que eu saísse daquela sensação/situação ruim. Eu sabia que muitas daquelas ideias eram boas e úteis para os outros, mas para mim não serviam: pode-se ser um egocêntrico quando se esta sozinho no universo?

E eu continuava com os braços e pernas amarradas, me afogando no vazio. Se eu finalmente morresse eu poderia cuspir na cara do demônio e dizer a ele que não tinha medo do inferno eterno. Disso eu já não conseguia ter medo (incrível!). O problema de pensar em cometer (*** censurado ***) tantas vezes é que numa hora “eu fico sério” (como diz uma canção). Brincadeirinha, pessoal. Estou aqui, não estou? Eu estou. Teimosia estranha, teimosia estranha. O orgulho e o egoísmo que me atrapalham são os mesmos que conseguem me salvar.

Onde eu estava? Me perco sempre. Ah! Aí eu me lembrei da história do “1997-2007”, a minha “década perdida”. Então vejamos, vamos fazer uma experiência mental como o Einstein gostava de fazer: digamos que eu não tivesse os meus 33 anos e se eu fosse um sujeito normal de 23 anos: o que eu estaria fazendo? De diferente? O que era para eu fazer? A vida burguesa, simples e nobre: namoro, trabalho, amigos. Perfeito, invejável e longe. Namorada e amigos são ruins pelo mesmo motivo: exigem cuidados e exigem entrega. Eu não quero me entregar e eu não quero cuidar. Não consigo nem cuidar de mim, quanto mais dos outros. Aliás, como eu ainda consigo me olhar no espelho? Ou o caminho da salvação esta mais perto de mim do que eu imagino ou eu estou viciado em agonia. Pois a verdade é que eu ainda consigo me olhar no espelho. Teimosia estranha, teimosia estranha.

“O meu portfólio de fotos esta muito grande. Quem vai ver 200 fotos? Tenho que conseguir a proeza de resumir. Transformar aquelas “duzentas e tantas” em “50 e tantas” ou ainda menos. Já tentei fazer isso e não consegui, vou tentar de novo: deve ser possível fazer isso. Aí me sobra dinheiro para a terra vegetal e o frete. Aí eu imprimo o portfólio e saio por aí oferecendo o meu serviço. Nem me importo em não conseguir, me atrai a experiência humana de ter esse tipo de conversa. Vou me sentir um George Orwell, um Jack London no meio da miséria, lutando para sobreviver. Bom, pelo menos a situação é miserável. E eu não vou entrar em pânico se me contratarem e eu não conseguir fazer o que me pedem. O que de pior pode acontecer? Estou no Brasil, o que mais há aqui é serviço mal feito. E nos países desenvolvidos também tem gente ganhando dinheiro e fazendo serviços mal feitos. Não tenho que sentir culpa. Sou bonzinho, um bom moço, mas se acontecer eu não preciso me deprimir por isso. É cada um por si. Bebês na selva também.”

A ideia acima é que me tirou da sensação ruim. Parece a vocês um bom motivo? Parece-me sim. De qualquer forma, saí daquela sensação toda.

Agora alegria: uma ideia minha que parece original! Não deve ser original, como aquele trecho do Eclesiastes sobre “nada de novo sob o sol” nos fala, mas eu não consigo me lembrar de onde eu poderia ter copiado isso. Dane-se. La vai o trem: estamos mesmo longe do misticismo da Índia? Aquela coisa toda oriental de “se libertar do “eu””? Trabalho, religião, amigos, casamentos, torcidas organizadas do Glorioso Atlético Mineiro, serviços voluntários no Vale do Jequitinhonha, Forças Armadas e artes: tudo isso não é para a gente esquecer o nosso “eu”?
- Eu sou insuportável.
- Boa, boa, esse jogo de palavras foi ótima.

Nota Pequena: Se é que eu sou “orgulhoso”. Quem fala que eu sou “orgulhoso” é o meu pai; e eu sempre achei tosco que um homem que nunca pede desculpas e que nunca admite que erre reclame que o seu filho único, que quer impressioná-lo, seja “orgulhoso”. Principalmente sendo o meu pai um homem tão racional e compreensível para tudo.
Eu não devia tentar impressionar. Não devia tentar conseguir elogios dos outros, dessa maneira. Que coisa inédita, o texto de hoje esta chegando ao fim com eu descobrindo que eu estou errado! E que ninguém me entende! Eu devia me ajoelhar diante do mundo e pedir “O mundo anda tão complicado”, música da Legião Urbana, no programa do “Fantástico”, da Rede Globo, em vez de criar tanto “caso” e ser tão “aborrecente”.
- Te faltou porrada antes quando você estava crescendo, te falta sexo hoje para você esquecer, essa angústia de sua alma é apenas luxo de ocioso.
Vão todos a merda! Vou virar burguês, sem problema. Não me importo em virar burguês, mas aqui, apenas entre nós, eu então vou tentar mostrar como se faz uma Revolução Francesa. Pelo menos isso! Se é que tentar fazer isso vale a pena. Não sei. Talvez eu tente mesmo. Não sei. Esperanças estranhas, esperanças estranhas. Não sei.


Então de repente pensei que seria interessante fazer uns trabalhos humanitários na África e aí depois de tudo o Nelson Mandela me chamaria de “o anjo selvagem da África”. Temos uns problemas aqui, uns problemas de tempo e espaço; mas nada muito dramático. E é uma imagem bonita para terminar. 

domingo, 21 de agosto de 2016

Na Cama com Thomas Mann e Outros Escritos

Na Cama com Thomas Mann
Demorei tanto para registrar aqui que eu e meu pai estamos nos relacionando melhor, que a coisa voltou um pouco a ser como antes.
Falei ao meu pai que eu vou ao Leroy Merlin, em Belo Horizonte, comprar terra vegetal, adubo e essas coisas. Para a nossa horta, entendem?

Meu pai quase teve um infarto. Não chegou a gritar comigo, mas ficou bem nervoso. “Aqui em Rio Acima tem, vai trazer esses sacos como?, você não tem dinheiro para pagar o frete, o cara da moto me custou 20 reais” e blá e blá... Ele realmente queria me colocar no caminho certo, mais uma vez. Enquanto eu tento lembrar uma ocasião em que eu e meu pai não nos decepcionamos um com outro em todos esses anos, eu vou tentar me explicar.

Sem dúvida meu pai não tem culpa d´eu ser tão imaturo, mas meu pai tem culpa se o cara da loja aqui em Rio Acima não saber se aqueles sacos de terra vegetal em sua loja tem ph6? É que ph6 é a media de acidez para uma terra vegetal ser boa para muitas sementes diferentes. Bonito, não é?, eu li isso na internet.

Nova Lima é mais desenvolvida que Rio Acima e é mais perto que Belo Horizonte, mas o problema aqui é o ônibus. A caminho de Nova Lima o ônibus lotação passa por um trecho perigoso. Curva fechada, pista dupla, ribanceira alta e motoristas brasileiros, - o pacote completo. Sei que a maioria das pessoas não tem o direito de escolher como vai morrer, por inúmeros motivos; mas eu posso tentar, não é? Quem esta me lendo esta rindo? Rindo de que? Você acha que vai morrer como o personagem principal de “Morte em Veneza”, diante daquilo que acha bonito? Ou então que vai morrer calmamente em sua cama, totalmente cercado de pessoas que te amam? Ou durante algum ato heroico? Não me digam que me falta humildade, eu falei em tentar: sou tão impotente quanto quem esta me lendo nesta área e eu ainda tenho a desvantagem de não ter os mesmos consolos que vocês.

Desculpem-me se falei coisas feias para quem esta me lendo:  é que nesta minha necessidade de desabafar, acabo sendo um pouco ríspido às vezes.
Além do mais eu nunca fui ao Leroy Merlin, parece que o trem ali é grande e “cheio de coisas”. Deve ser gostoso passear ali e “se perder”. Só costumo fazer algo parecido quando estou no hipercentro de Belo Horizonte, por algum motivo qualquer, ou quando vou a um shopping, também por algum motivo qualquer.


THOMAS MANN: - “Morte em Veneza”, é? É? Primeiro que, para variar, você comprou e ainda não leu. O máximo que fez foi assistir um trecho do filme de Visconti no YouTube. E não foi por causa da literatura, foi por causa da música de Mahler.

AMOR: - O Adagietto da “Sinfonia N. 5”! Mas não achei a música tão bonita assim. Preciso ouvi-la de novo, para um melhor julgamento. Comprei o livro porque era barato mesmo e eu ainda não tinha algum romance seu em minha biblioteca.

THOMAS MANN: - E foi quando você, sem querer, passou uma cantada na vendedora do sebo! Tão bonitinho aquilo! E a “censura oficial” ainda pode te acusar de ser um homoafetivo, um velho tarado, se alguém tiver a curiosidade de conferir como termina o filme... Não se lembra do crítico literário da revista “Veja” dizendo que eu tomava banhos gelados todas as manhãs para conter os meus impulsos homoafetivos? Quando se trata de sexo, a maioria das pessoas se comporta com excepcional imaturidade.

AMOR: - Não é “crítico” da revista “Veja”, é “resenhista”. Escrevem “apenas” resenhas. A maneira que encontraram de “lavar as mãos” diante da responsabilidade. Ele destacou tanto essa informação dos banhos gelados no texto sobre você que a insinuação dele a mim era clara: você era um homoafetivo enrustido, eis a chave para decifrar a sua obra toda. Que coisa doente!

THOMAS MANN: - Apenas um pobre coitado, condenado a tentar atacar mortos muito mais vivos que ele. Vamos continuar. Não paremos a nossa caravana.

AMOR: - E homoafetivo, eu? Me acusar disso? A “censura oficial” faz o que faz todo dia com o jogador de futebol Neymar e com o juiz da Polícia Federal Sérgio Moro e eu que sou homoafetivo? A “censura oficial” que vá a merda!

Estou sendo perfeccionista quanto à construção da horta? Isso para disfarçar minha falta de iniciativa na hora de construir a mesma? Não é saudável ser tomado frequentemente por pensamentos mórbidos desde de criança?
Hum, hum.
Hum, hum.

Patriotismo e o Camundongo
Não consegui torcer pelo Brasil nesta Olimpíada Rio 2016 porque a televisão estava com o volume ligado. Eu tinha que ter assistido aos jogos com a televisão no mudo.
Esses locutores $#@##!&! Nem me conhecem e querem me animar? Nem me conhecem e querem que eu sorria e grite com eles? Algum sorriso naquela televisão sabe que eu existo? Vai todo mundo pra putaquepariu! A Indústria Cultural me vende livros e músicas baratas, mas também me trata como um camundongo de laboratório.

Um Mistério Ortopédico
O dedo... o dedo... Qual é o nome? “Mindinho”? O menor dedo? Enfim, o dedo menor de meu pé esquerdo tem a unha deformada. E é interessante porque a unha e o dedo ficaram deformados porque eu acho que eu o quebrei e não tratei.

Nós tínhamos trago o sofá velho do apertamento de Belo Horizonte. Velho e todo manchado de suor. Aquela porcaria que tinha mais cupins que madeira, só serviu para que eu batesse meu pé nele. Três vezes por dia, era a nossa media.
Doía muito. Mas muito mesmo.

E teve um dia que doeu além da conta. Eu não quis ir ao hospital, não me lembro porque. Costumo ser um hipocondríaco responsável na maioria das vezes. Realmente não lembro porque não quis ir ao hospital.

Enfim, eu não fui ao hospital. A cor da pele não mudava, então pensei que não era tão serio assim. Eu conseguia andar, também. O máximo que fiz foi usar meia. Meia, calor, vasos dilatados, sistema imunológico, alô?, entenderam?

Aí depois de um tempo a unha começou a nascer deformada e ficar alaranjada. O dedo ficou deformado. Sempre que tenho que ir à Belo Horizonte eu passo em frente à loja do “Doutor Scholl” e fico morrendo de vontade de perguntar:
- Quebrar o dedo faz a unha da gente ficar diferente?

Algum dia eu crio coragem de entrar nessa loja. Vai ver eles dão balas Chita de graça. Amo balas Chita. Ainda vou fazer um poema sobre as balas Chita.

Consciência
O que é a consciência? Pergunta boa, pois talvez seja isso que nos diferencia de uma ameba. E é importante diferenciar-nos de uma ameba quando vemos o que fizemos com aquela criança síria da ambulância, na semana que passou.

O que é a consciência? A consciência é sobretudo algo que escapa. Imagine que nós somos iguais àqueles bonecos de ventríloquo. É, aqueles bonecos de madeira ligados à fios e tal. Pois bem, imagine que nós, sendo aqueles bonecos, conseguimos olhar para cima. Olhar para cima para ver quem esta segurando os fios e nos manipulando. Mas ai! Justamente neste instante quem segura os fios pega um espelho e o que vemos é apenas a nossa imagem refletida olhando para cima. Ponto, fim da história.
E não, não adianta trazer a mais sofisticada radiografia do celebro que vocês conseguirem. Trazer a mais sofisticada radiografia para decifrar a consciência só mostra que não entenderam a imagem do cachorro tentando alcançar o próprio rabo.
A consciência escapa.

(Inspirado em um ensaio do Bertrand Russell, onde ele reclama do René Descartes e do seu “Penso, logo existo”. Não sei se consegui resumir e reapresentar o que Russell queria dizer. Não sei se entendi o que Russell queria dizer. E não sei se Russell esta correto em sua crítica a Descartes. Mas sei que amo Russell. E sei que por causa disso vocês todos tem que gostar do Russell. E também sei que se Russell não gosta do Descartes, eu sei que Descartes tem que ir à merda!)

sábado, 20 de agosto de 2016

20 de agosto de 2016.

Extremos
Finalmente o portfólio irá ser impresso. Perdi o medo que alguém na loja de fotografia roube alguma foto minha, e aí fique milionário e com uma banheira cheia de gostosas em Las Vegas.

Como vocês podem ver, eu passo rapidamente do sentimento de ser o mais verme dos vermes para os pensamentos de grandeza mais delirantes.

Leandro Karnal disse que ter muita consciência “nos faz covardes”, pois também pensamos nas coisas ruins que podem acontecer e isso nos paralisa e blá blá... E é verdade, quando criança eu já fiquei em um banheiro com um morcego voando sobre minha cabeça e eu estava bem tranquilo sentado na privada. Hoje eu já não faria o mesmo, sendo muito mais provável que eu pulasse da janela.

Muita consciência nos faz covardes... Hum... No meu caso, acho,  eu apenas não sei onde estou na montanha-russa.
Admito que seja uma tragédia metafísica de meia tigela, mas me respeitem! Ora!

Obrigado, FaceBook
Depois da faculdade só teve ela. Ela, ela, ela, ela...    E    l    a   .
E
L
A
!
Ela...
Ela...
Ela...
...

Faz tempo. Que nós acabamos e que ela me deu um “pé na bunda”? Três anos. De vez enquanto eu lembro. Se estou na internet eu dou uma espiada. E deve ser amor. Deve ser amor se basta a sua expressão petulante em uma foto para me deixar de pau duro. Os olhos pequenos, o narizinho fino, os lábios também finos. Aí ela levanta um pouco o rosto, a luz trás uma sombra e... bingo! Arght! Deve ser amor ou falta de opção.
Aí um dia desses, sei lá em que “clima” ou “ocasião” eu e o universo estávamos na dança para que a semente da ação nascesse, achei que sobreviveria se lhe mandasse uma solicitação de amizade no FaceBook.
Mandei e ela aceitou o pedido, uns 10 minutos depois.

Meu coração quase parou. Pensei em um monte de coisas românticas, mas depois fui ver as suas fotos. E foi muito, mas muito mais gostoso do que eu poderia esperar. Deve ser amor. Deve ser a raiva. Deve ser a história que ainda pulsa.

IAGO: - Posso fazer um comentário?
OTELO: - Cale-se, verme! Guarde suas palavras venenosas para você mesmo.

Aí ela me bloqueou novamente. Quase exatamente após a minha volta ao banheiro. A raiva domina e cria: “ela deve ter feito de propósito, colocando em minhas mãos uma miragem feita para machucar! Cadela!”.

Eu me ofendo, logo deve ser amor. Eu me apequeno, logo deve ser amor. Eu sinto raiva, logo deve ser amor. Eu fico confuso, logo deve ser amor. Eu não sei, logo deve ser amor. Eu quero que seja amor, logo não deve ser.
E aí a história acabou.


DESDÊMONA: - Mas você não fica triste por ter transformado um caso que poderia terminar em amor, em um “personagem” de um texto fictício sarcástico e amargo? Se existe vida, existe a esperança que faz!
AMOR: - Fico, é claro que fico. Mas ela brincou com os meus sentimentos e ninguém faz isso. Então que o meu orgulho seja mais real que tudo!

Aí o modo aleatório do Windows Media Player me toca “Aquilo”, do Lulu Santos. Sou um Henry Miller preso em uma comédia romântica da Meg Ryan.

Um caso de um livro mágico
Existem livros que são mágicos. Não vou acrescentar, aqui, um “e falo sério!” O que eu falei esta perfeitamente de acordo com a opinião de todos que amam a palavra. A Palavra.

De repente descubro que leio muito alemães e anglo-saxões. Até literatura brasileira anda sumida de minhas mãos e olhos.
QUEIJO: - E literatura latino-americana? Aqui a coisa é totalmente zero!
AMOR: - Eu preciso resolver isso.

Eu resolvo o problema ao encontrar um enorme “Poesia Contemporânea da Costa Rica”. O decote provocante esta no subtítulo: “Selección y Prólogo Carlos Rafael Duverrán”.
Caracas!, a última vez que li um livro em língua estrangeira foi sobre um terrível combate contra um incêndio gigantesco na floresta! O livro tinha dez páginas, os heróis eram uns pirralhos escoteiros e eu estava no Fisk aprendendo inglês. Isso foi há muito tempo.

Aí eu pego o livro e deixo na minha mesa. Passa um, passa dois dias, passa uma semana, passa duas seman Mas antes disso, eu o folheio mais uma vez ao acaso.

“Creo en el tigre y creo en el zarpazo.
Pero creo en el hombre sobre todo.
Creo em el mar desesperadamente.
Pero creo em el hombre sobre todo.
Creo en la rebelión, creo em la cólera,
en la desolación y em la ternura.” (Rebelion, Marco Aguilar [1944 - ?])

P*!
P*!
Humanismo vigoroso e paradoxos indomáveis? Isso me excita tanto quanto ver fotos de quem eu nunca vou beijar e morder os ombros na manhã seguinte a uma noite de amor! AAAAAArrrgghtt!!!!
Livros são mágicos.
Livros são mágicos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

19 de agosto de 2016.

Senhor Barriga e Homero
Não sou tão chato como o Senhor Barriga, eu mal consigo preencher direito o recibo de pagamento; mas a verdade verdadeira é que se aqueles jovens encontrarem um lugar melhor para se divertir, eu estarei no sal.

HOMERO: - Ó Aldrin, filho do belo planeta Saturno e da honrosa cidade de Rio Acima! Ó Aldrin, de grande imaginação e de pênis ainda maior, PORQUE NÃO VAIS TRABALHAR SEU TRASTE INÚTIL??!?

Pegar fotos velhas e depois de usar um scanner, eu as edito no computador para que fiquem um pouco mais “novas”. O problema, como sempre no caso de imagens digitais, é a impressão. Vou imprimir em casa mesmo. Ainda tenho algum resto de papel “sofisticado” aqui em casa e, depois de tantos anos, eu já consegui domar a Epson CX5600: já sei o brilho e o contraste que eu tenho que colocar para vencer a “escuridão” que a impressora coloca na foto na hora de imprimir. Qual é o preço que irei cobrar? O pessoal aqui em Rio Acima é tão carente quanto pão duro, - eu sei, eu sou um deles. Vou fazer propaganda desse serviço em meu programa no radio. Deve me dar alguns trocados. 20 Reais por foto! 1 e 99 é apenas o preço de meu coração. E eu tenho certeza que quase ninguém vai querer meu serviço.

No meu primeiro emprego eu estava tão em pânico e nervoso que minhas pernas doíam, em uma manifestação poderosa do fenômeno psicossomático. Como eu estava sozinho para enfrentar todo o processo, a coisa ficou feia. A dor aparecia e sumia, mas na prática eu acabava andando mancando.
Mas na verdade não foi por isso que eu fracassei neste trabalho, é que ali a coisa era muito informal e eu me sentia meio intimidado com essa história de reescrever o texto dos outros. “Criação artística é coisa sagrada” eu pensava. Como eu consigo ser santo, às vezes! Eu tinha que ter sido mais prático, mais frio, aquele emprego era pequeno e por isso mesmo poderia me ajudar muito. O que ficou foi mesmo algumas cenas pitorescas que testemunhei: um idoso imigrante mostrando-me o “menor jornal do mundo”(acho que italiano) e uma discussão bem barra pesada entre um dos meus chefes e um outro sujeito. Em vez de reescrever o texto eu fiquei olhando para aqueles dois quase saindo “no braço”. Eu e quem esta me lendo somos brasileiros, sabemos o quanto a violência pode fascinar.

Teve uns empregos que eram maravilhosos, mas o pessoal não me pagava. Teve o trem tipo “Maria Fumaça” e o projeto “Shakespeare e as Crianças”, mas esses casos me partiram o coração e eu não quero falar sobre eles. Como recenseador temporário do IBGE eu vi muitas casas precárias, o que marca mesmo a gente; mas eu recebi direitinho o que eu tinha que receber. A melhor coisa daqueles meses no IBGE era andar com um chapéu mexicano gigante, acho que o nome é “sombreiro”, pelas ruas de Rio Acima. Adorava a reação tímida dos adultos e das gargalhadas incontidas das crianças. Amava aquilo! Sou basicamente um palhaço, apesar da minha timidez (não “criminosamente vulgar”, como diz uma canção, mas meio orgulhosa) e do meu gosto por solidão.

O melhor emprego que tive foi quando substituí um vigia-porteiro. Não era 24 horas, eu ficava apenas na parte da manhã e tarde. Eu ficava o tempo todo tomando o café que a mulher da cozinha me dava e lendo Joseph Campbell na guarita. Adorava o café e descobri que Joseph Campbell era quase tão importante quanto Friedrich Nietzsche e que unir os dois poderia ser algo interessante. E eu era um ótimo vigia-porteiro: enchia o “saco” de todo mundo que queria entrar (principalmente os que estavam de carro).

terça-feira, 16 de agosto de 2016

16 de agosto de 2016.

Outro Banheiro
A memória e a vaidade de fazer literatura me deram uma rasteira aqui: não é na radio comunitária que há uma caixa d’água bem acima da privada e da pia, ancoradas por duas toras de madeira. O teto do banheiro da radio é bem arrumadinho. Me enganei e me enganei feio.

Bad Einstein
O que aconteceu semana passada? O que aconteceu ontem? O que aconteceu esta manhã?
Nada, nada, nada, nada.
Parece que nunca estiveram lá e aqui, parece que nunca existiram e que eu realmente nasci há dez segundos. Tempo é relativo, é mágico.
Se fosse “apenas” uma questão de não ter algo que valesse a pena relatar pela falta de drama e/ou de aspectos pitorescos dos fatos, vá lá, mas é mesmo uma impressão forte de falta de significado e de ausência.
Como não quero morrer por medo do inferno, uma vez que não acredito em inferno, tenho pelo menos o consolo de ter uma pequena brisa de vontade poderosa aqui em mim.
Querer viver por causa de uma brisa, que f***do e que bonito também.


Salve, salve, tarefa pequena
Preparar o meu programa de radio que vai ser amanhã. Ponto. Uma tarefa. Uma simples tarefa. Fazendo isso todas as outras coisas importantes serão feitas também, como quando os instrumentos começam a tocar de maneira harmônica ao executar uma sinfonia. É o que dizem.
Uma tarefa simples, mas que seja suficiente para a sua consciência perder-se e não ser capaz de encher o saco. E o coração também não encher o saco. Se perder assim. Deve ser algo disso que consiste no segredo da organização de uma fábrica no começo do século XX, das torcidas nos jogos de futebol e no trabalho de meditação de um monge. Uma ordem, uma tarefa simples e deixar-se levar. Mandar a consciência, mandar o “eu” para longe, muito longe. Ser a multidão, ser a massa.
Se parar, você pensa mais do que duas vezes e o coração, também na hora, trás todo aquele enxame de desejos e sonhos. Você fica mais humano, mas também mais Hamlet paralisado.
Já imaginou qual seria o tamanho do terror de cansar de ser você mesmo e de descobrir que você só pode ser você e só? Não arrepia isso? De Alcatraz e do labirinto do Minotauro, pelo menos alguns conseguiram fugir.

Corpo e espírito
Estou ruim de estômago, o que, obviamente, faz tudo que eu escreva aqui seja mais marmota que a minha média. E lembrem-se vocês que minha media de marmotices é generosa.
Mas vamos colocar alguma dignidade neste aforismo sobre a relação entre o corpo físico e aquela parte, digamos, não física. Se não me falha a memória, este exemplo se encontra em Bertrand Russell.
Um homem qualquer. Perdeu uma das pernas em algum acidente qualquer. É muito comum nestes casos que o homem sinta a perna amputada coçando ou mesmo doendo. Obviamente essas sensações são ilusórias, uma vez que a perna, como foi dito, foi atingida pelo acidente de tal forma que precisou ser amputada. Aí vem a pergunta: e onde estava a origem da sensação quando ele ainda tinha a perna?

Rede Globo nas Olimpíadas
Os repórteres da Globo saem dos escritórios da emissora com a seguinte ordem: “Não voltem para cá sem ao menos com imagens de dois atletas olímpicos chorando”? O que fizeram com o Zanetti e a Fabiana Muller; por Júpiter, que trem tosco!

O medo do silêncio
Não assisti a abertura da Olimpíada Rio 2016, mas um pedacinho eu assisti e eu tenho na memória dezenas de outras cerimônias semelhantes que assisti pela televisão.
Chama sempre a atenção o pânico que o “silêncio” provoca. “Silêncio”, aqui, é modo de dizer o som ambiente da cerimônia. Os narradores não podem calar a boca mais de um minuto senão o patrão os demite e a audiência brasileira para de entender o trem e muda de canal? É isso?
Outra coisa tosca. Impede a gente de sentir o clima. Até os narradores não conseguem sentir o clima.
E por falar em clima...

ÍLIADA – Homero.
Interrompi a leitura por causa do Jack London, mas dei uma lida aqui e outra ali. Mais ou menos umas 10 páginas.
Ainda não terminei London. Até para ler um livro que eu quero, eu complico e desobedeço ao celebro.
Detalhes, detalhes. Deixem-me ser feliz. Até para um galho torto a brisa deixa o seu beijo.
Só queria dizer aqui algumas coisas sobre a “Ilíada” que eu já entendi:
Os personagens são extremamente religiosos,
Os Deuses respondem prontamente às orações (mas não exatamente como se espera, mas não se espera muita exatidão por parte dos Deuses),
Os Deuses são humanos,
E assim como nas peças de Shakespeare a coisa é atávica: em poucas páginas você se deixa levar pela atmosfera da Ilíada e você mesmo torna-se um pagão autêntico, um personagem do livro. Daí que a gente entende como a Igreja Católica não conseguiu varrer todos os ritos pagãos, por mais que eles tentassem por mais de 2 mil anos e ainda tentam: é que aquele passado ainda esta bem próximo e ainda tem um profundo apelo em nós.
E como a mensagem de Cristo ainda é bem estranha e inédita para o nosso tempo.

"Ovos de dragões"
É mesmo uma dialética doida. Na maior parte da minha vida eu tinha vergonha de mim, apesar de não ter motivos para ter vergonha de mim. Agora hoje, escrevo sobre como é ser esta marmota que sou. Fiz tudo ao contrário. (risos)
Bom, mas o mundo nunca mentiu para mim; porque eu mentiria para o mundo? 

sábado, 6 de agosto de 2016

6 de agosto de 2016.

Humildade, Humildade

Acordei, abri a janela e a primeira coisa que vi foi o Peludo, o velho e doente cachorro do vizinho, tentando defecar mais uma vez. Ele arqueou o corpo, dobrou-se todo e nada. Nada das fezes saírem. Além do corpo arqueado, ele chegava a dar um lento rodopio também. Mas nada das fezes saírem.
Quer dizer, a metade das vezes já tinha saído e estava pendurada em seu ânus. O difícil era a outra metade sair. Pobre Peludo, sentindo dor pela prisão de ventre e não tento remédio ou um amigo ou colega cachorro com quem desabafar. Ou não: vai ver os cachorros conversam entre si e entre os assuntos estejam os problemas da velhice, o que incluiria a prisão de ventre. E também assuntos amenos e engraçados, como quando eles riem da companhia destes insatisfeitos e confusos mamíferos que são os humanos.
Recusei-me a assistir à abertura das Olimpíadas Rio 2016. Isso foi ontem, sexta-feira à noite. Hoje, sábado de manhã, as algemas ainda voavam livres em bancos, igrejas e as bandeiras negras do anarquismo estavam amarradas em elásticos dentro de caixas de papelão. Parece mesmo que uma andorinha é uma andorinha. Mas o relógio não para.

Dois Momentos Gays

Quando o Galvão Bueno aparece na televisão eu só consigo olhar para o queixo dele. É tão perfeitamente quadrado! Incrível, incrível! Realmente parece algo desenhado! Espero que alguém já tenha dito isso a ele e que ele tenha se sentido orgulhoso.
Eu sinceramente acho que o Kim Kataguiri tem o direito, - e eu diria mais: o dever -, de defender as ideias e valores da escola de pensamento político liberal. Se ele acredita que é por ali o melhor caminho para o Brasil, ele tem mesmo que escrever, organizar protestos e tal. Apenas não consigo compreender porque ele usava o mesmo corte de cabelo da Margareth Tacher, as vezes. Exagero.

Deveres
“30 de junho de 1983”
“30 de junho de 1984”
“30 de junho de 1985”
“30 de junho de 1986”
...
Pesquisar pela internet o que aconteceu. Imprimir e guardar. Fazer uma pasta. Vocês me entendem? Acho que pode ficar o máximo. Sugiram que vocês façam o mesmo com o aniversário de vocês. Não precisa ser algo completo, mas algo que ajude a entender o contexto do trem (o mundo em que a gente vive).
E por falar em “trem”: pesquisar pela internet tudo sobre “ser mineiro”, “mineiridade” e “mineirice”. Aqui o trem tem que ser completo. Tudo, tudo mesmo.

Em um lugar só
Gostosa. P**, como ela era gostosa!

Alta, morena, aquele cabelo crespo em formato Black Power, o batom exageradamente vermelho, magra e as pernas grossas, shortinho grande tipo safári (?), olhar e um caminhar confiante e seguro de si. Uma deusa.
Gostosa, gostosa, gostosa, gostosa demais! E me dava raiva e me dava medo, e dava vergonha daquilo que eu via e não via quando me olhava no espelho. Se na fila para pagar o almoço ela olhasse para mim e me perguntasse onde era o banco da cidade, era capaz d´eu chorar e gritar e de construir com os restos do meu desejo frustrado um altar a ela.
Desejo, medo, raiva e frustração. Na mesma moeda e no mesmo pedacinho de tempo entre vê-la se dirigir ao caixa e ir embora com uma amiga.
E o pior: toda essa tempestade no mesmo peito. Que naturalmente não tem os músculos necessários para ser visto e para segurar.

Freud e a Ofensa

Nada me ofende como ver um vira-lata passar por mim com medo.
Mas que p*! É ele que pode morder-me, infectar-me com alguma doença e tudo e é ele que esta com medo de mim?
Isso não esta certo. Isso mexe comigo de uma maneira estranha. Ofende-me. Acreditem se quiser, expliquem se puderem. Alô, Freud?

De onde veio a escolha?
- “Não andoo no breeeeeeu, nem aaandoo nas trevas... Não aaandooo no breeuu e nem andoo nas trevas... Éé por onde eu vou, que o santo me leva, é-por-onde-eu-vou que o santo me levaa...”

Um mistério realmente digno. De onde saiu a escolha para que esta música seja a trilha-sonora de meu dia hoje?
Acordei cantando essa música da Maria Bethânia e estou cantando ela o dia inteiro, inclusive agora enquanto escrevo estas palavras no computador. De onde saiu a escolha dessa música?

O suspiro foi duplo
A torneira esta pingando sem parar, desperdiçando a água preciosa.

Estou no minúsculo banheiro público da Igreja de Santo Antônio. O banheiro é mínimo, mas seu teto é máximo: loooongo e em seu final vemos uma caixa d’água gigante e que não cai em nossa cabeça por causa de duas toras de madeira. Sempre fico com um pouco de torcicolo quando uso este banheiro. Mas isso vocês já devem ter suspeitado.
Fui ali para fazer três coisas: urinar, escapar do enxame de telefonemas dos ouvintes da radio comunitária e congratular-me por uma pequena vitória.

Eu cheguei atrasado e estava uma pilha de nervos. 20 minutos para fazer meu programa e ficar ali por três horas para ajudar outro locutor a fazer o programa dele. Os mesmos telefonemas e as mesmas músicas. Repetições me matam. Mas basta achar a fórmula e facilmente viro um anjo: duas ou três músicas a ouvir e basta para mim.

Mas qual foi a vitória? Eu enrolei um pouco, me fiz de bobo e consegui tocar “fora do meu tempo”, “Dear Prudence” da Sioux and The Banshees e “Cars”, de Gary Numan. Adoro tocar essas músicas. Gosto de fantasiar: em uma cidade do interior, em uma rádio humilde e escondida alguém toca Gary Numan... Mas que p*, isso não merece uma medalha olímpica? Cadê a justiça deste mundo? 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

5 de agosto de 2016.

Futuro
Um bicho do mato que leu os livros errados na hora certa.
Escrevendo errado por linhas certas. A hora de mostrar os absurdos passou, agora é hora de fazer os absurdos dançarem.
O que sobra no chão do salão, depois do melhor baile de todos? É este o nosso futuro. Não gostaram dessa profecia, leitoras e leitores? E vocês tem alguma outra opção? É melhor dançar. Acreditem em mim: é melhor dançar.
A Lua manda em mim, mas não gosto de sair à noite. Gosto de sair ao dia. Não é medo, é que sou espião da Lua.

Solidão
Peludo, um dos cachorros criados pelo vizinho, não consegue defecar na casa dele. Ele só consegue fazer cocô no terreno de minha família. Pelo menos isso você consegue encontrar aqui: um lugar para defecar.
Pobre Peludo, doente e sempre à espera do último sono. O olhar deste cachorro em direção da gente! Eu devia brincar mais com você, assim como eu devia brincar com o meu cachorro Bingo. Eu sempre penso nisso, mas nunca brinco. Uma entrega que eu não consigo realizar, uma constância de atenção que eu não consigo realizar. E não foi preciso nem 4 meses!
É de cortar o coração ver a tristeza e solidão dos dois cachorros. Quantos animais solitários cabem aqui?

Fugindo da Gi.
Almoço.
Assistindo à TV. A moça do tempo é perfeita, não é? Cabelos longos e lisos, boca carnuda, branca, nariz fininho, alta, olhos claros... Ôô... Tão perfeita... Tão tãão perfeita... Quem vê uma mulher igual a ela na rua? Numa rua aqui do Brasil?
Mas esta beleza na verdade me da é sono, sono precedido de alguns bocejos de tédio. Esta beleza já tem a admiração da TV, das revistas, da boca pra fora de milhões que concordam que ela é mesmo perfeita; pois aprenderam direito a aceitar esta estética externa.
Não precisa de mim. Um, pelo menos. Um pelo menos não precisa admirar. O um que não consegue desviar o olhar para aquela pinta perto da boca de Marylin Monroe.
Entenderam a metáfora da “pinta”? Um defeitinho-tempero que me é fundamental para que meus olhos e pensamentos sejam capturados por um rosto feminino, e que assim deixa de ser defeitinho-tempero e torna-se tempero-tempero.

O Chuveeeeeiiroo... O Chuveeeeeiiroo vai te pegaaarr...!
Por que os psiquiatras, psicólogos, terapeutas e “médicos de cabeça” em geral, não tem medo de um chuveiro quente? O que três semanas consecutivas tomando banho em um chuveiro quente não curariam?

Quanto tempo vocês acham que a consulta durou?
Antes do emprego, ficar de cueca para o médico e abrir minha alma para o doutor.
- Aqui em sua ficha posso ver que você é filho único e torce pelo Clube Atlético Mineiro.
- Sim.
- Sim?
- Sim.
- Então você confirma? A informação? Você confirma a informação?

Novo Herói
Ele anda de bicicleta e não de carro, ele repreende o próprio chefe quando o mesmo joga um copo de plástico no chão do escritório e não em um lixo exclusivo para peças de plástico para reciclagem e já é engajado politicamente antes da história do filme começar etc.
Faz alguns meses já que revi “Independence Day” (Independence Day, 1996, Roland Emmerich), e me atinei para este detalhe interessante: o nascimento do novo herói.
Novo, apesar de divorciado. Os heróis de Hollywood continuam a maioria sendo divorciados. Mas eles agora já estão preocupados com ecologia e com a política antes de uma crise começar a história deles e dos seus filmes.

O Mais Importante
Então eu interrompo o meu trabalho ou qualquer outra coisa que eu estiver fazendo.
Eu.
Paro.
Paro.
.
Uma aranha Salticidae caiu no balde de água.
Mas quem colocou este balde, meu Deus! “Pela minha culpa, minha ó grande culpa”!
Então eu paro.
Salvo a aranha. Fico feliz. Até converso com a aranha e penso no São Chico de Assis.
E se alguém me perguntar:
- O que de melhor você fez hoje?
Respondo:
- Salvei a Salticidae de uma morte indigna e molhada, e me recusei a assistir a abertura da Olimpíada Rio 2016.

“Um, dois, feijão com arroz; três, quatro, eu tenho um pato...”
Eu sou lento. Um presente que recebi no berço e que transformei em protesto político.
O que acontece se você não respeitar o ritmo de seu corpo, o ritmo de seu coração?
Escolhe: vira máquina, morre e é carregado pela multidão sem rosto para um lugar que não tem nome.
Alguns não obedecem ao ritmo da maioria, alguns impõem o seu ritmo á maioria.
Sei lá o que você deve fazer.
Aqui do meu lado eu tento manter a cabeça erguida, apesar de tantos tropeçarem e caírem em cima de mim.

Prova
Eu não limpo a minha câmera fotográfica há muito tempo. Calma. Isso não me impede de, agora, ou até daqui uns meses, tirar muitas fotos com qualidade.
Mas não limpar a câmera é desagradavelmente revelador. Revelador. Revelador e tira o foco qualquer desculpa que eu possa enquadrar para dizer.

Onde você esta? Onde você esta?
É mesmo todo um infinito profundo pensar na questão de como a gente marca as outras pessoas. Sem querer ou querendo, a gente passa e marca. Outros passam e também podem nos rasgar em dois pedaços, no mínimo. Vai lá saber qual é a razão que determina se é um caso ou outro?
De repente me lembrei de uma lembrança especial. (risos) Especial, pois esta me deixa com saudade de saber. Outras lembranças à gente lembra apenas por lembrar, como quando a gente come um doce e pronto.
Onde essa garota esta agora?
Terceira ou quarta série, 10 ou 11 anos, 1993 ou 1994. A professora mandou a gente fazer um trabalho. Era escrever uma pequena biografia de uma figura histórica. Escolhi Chaplin. Até um tio paterno me ajudou, emprestando-me um daqueles livrinhos biográficos da Martin Claret. Estes livrinhos são bem populares, vai ver você deve ter algum deles em casa. Este meu tio paterno gosta muito de Chaplin e acho que deve ter sido ele que arranjou aquele quadro grande do Chaplin que esta até hoje na casa dos meus avós paternos. Este quadro é importante para mim. É que minha família por alguns anos morou no barracão atrás da casa dos meus avós. Eu via este quadro todo dia e ele marcou visualmente minha infância. Sei lá como. A gente até sabe que a marca esta ali, que uma marca esta ali, mas vai saber o que a marca é? As vezes quando a gente não lembra é exatamente quando a lembrança esta trabalhando mais ainda na gente. Como eu disse: sei lá!
Então fiz meu trabalho, minha pequena biografia sobre Chaplin. Caprichei no trem. Eu era um bom aluno mesmo.
No dia de entregar, houve um evento. A professora juntou as mesas e todos nós exibimos nossos “pequenos livrinhos”.
Um me chamou a atenção.
Assim, eu não me lembro dos trabalhos de meus colegas. Lembro que estava contente com o meu trabalho e orgulhoso dele. Devo ter achado os personagens históricos escolhidos pelos meus colegas meios bobinhos ou óbvios. Nunca fui muito sociável e devia achar meus colegas “todos iguais”.
Então.
Bom, ali do lado havia um “Gandhi”. Gandhi???? Olhei para a menina que havia feito. Lembro do rostinho dela até hoje. Cabelo curtinho, loirinho e uma expressão facial que juntava as palavras “atenção” e “esperteza”.
Eu levei um tremendo susto. “Oh!, oh!, ela fez sobre Gandhi!”
E pronto.
É.
Pronto.
(risos)
A lembrança termina aqui. Lembro-me de mais nada. Nunca conversei com a garota.
Acabou. Acabou a lembrança.

Cartões Postais
Uma tia materna esta me ajudando. Parece que eu não posso simplesmente ir negociar diretamente com os lojistas para que eles vendam, eu tenho que ir à prefeitura me informar sobre meus direitos e deveres e tal. Nunca vendi um cartão desse jeito e o monstrinho da burocracia brasileira já veio me dizer “bom dia!”.
Já posso imaginar-me aguardando por horas em uma sala de espera lotada e quente.
- O senhor precisa pagar XX, precisa pagar X de porcentagem de cada venda à prefeitura e ao Governo Federal e precisa ir ao cartório arranjar um documento que prove que você nasceu.
- Certo.
- Mês que vem você faz tudo de novo.

Política da Natureza
A natureza gosta de fazer política. Salvei uma salticidae de morrer afogada e ganho como obrigado ver uma salticidade, cujo corpo tinha desenhos em branco em preto formando traços que me lembraram da arquitetura islâmica espanhola.
Aliás.
Aliás.
Eu devia viajar. George Orwell, Jack London não precisavam de tanto dinheiro assim para fazer as suas odisseias. Eu devia viajar e fazer a minha tão sonhada expedição fotográfica científica pelo cerrado e caatinga.
Mas acho que não da tempo. Amanhã mesmo tudo ali já deve ter virado pasto para bois holandeses e sojas transgênicas.

Metáforas
Alguém aí do outro lado do monitor do computador gosta de metáforas? E quem não gosta de metáforas? Metáforas são borboletas coloridas e loucas, ou são aqueles filhotinhos alegres e que plantam sorrisos em nossos rostos e corações.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

4 de agosto de 2016.

“QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?”

Boa pergunta do Caetano Veloso. Aqui em casa, na hora da janta, a gente assiste a todo o “Jornal da Band”, um pedacinho do “Jornal do SBT” (eu levanto a minha mão para não olhar o rosto da Rachel Sheherazade) e depois assistimos o “Jornal Nacional” da Rede Globo. As vezes assisto ao “Jornal da Cultura”, da TV Cultura; que embora seja o menos popular dos quatro mencionados aqui, já exibiu alguns “furos” de reportagens. 

Irã, Igreja Católica, Islamismo, crise econômica, crise política, greve, índios... A mensagem é basicamente a mesma. Não discuto a legitimidade aqui, vai ver a verdade objetiva exista mesmo. Não discuto o conteúdo das mensagens, onde elas ficam no espectro das ideias políticas. O que me choca é a semelhança em tamanho grau! Os adjetivos, as expressões, as imagens... Da vontade de dar um grito radical: “é tudo igual, pô! Igual e que seja bom o tempo todo, só os discos dos Ramones e só!”
Me entendem? Pareço exagerado?

Criticar a imprensa rica, eu sei, pega mal: o pessoal criticado se faz de vítima e fica falando que você é “o maior Stálin do trem”. É mentira, mas a gente entende. Ser criticado é chato, mas a imprensa livre e corajosa é fundamental para uma democracia.

CAMINHO ESCURO

Fui criado para ser um funcionário público. A estabilidade eterna e invencível do funcionalismo público permitiria que meus pais tivessem certeza que cumpriram corretamente o dever e que assim poderiam “sair de cena” em paz, por assim dizer.

Mas eu não me tornei um funcionário público. Minha inteligência que era aclamada por “todos” não foi capaz de vencer esta instituição nacional de nossa educação que é a “decoreba” nas provas. Não marquei “b” e nem “d”, quando precisei. Como é se sentir derrotado por uma disputa que você nem queria participar? Você é um perdedor em dobro? A proclamada inteligência que eu tinha então se revelou o que ela sempre fora para os outros: uma simpática aberração?

O caminho que se abriu, então, é escuro. Não escuro por maldade, como se fosse “escuro” metáfora de um romance policial barato; mas escuro muito simplesmente porque nunca foi sequer considerado.

O que me atrasou tanto é que foi nos últimos anos que o meu espelho começou a ficar menos embaçado e mais nítido.

LIVROS E SEIOS

Calor, cansaço e secura do ar. Homero, Jack London, Henry Miller ou um que nunca lembro: Luiz Câmara Cascudo? Sem dinheiro e tempo, e sabendo que preciso de dinheiro para sair, é melhor pensar em outra coisa.

Peitos e as pernas grossas em um vestido curto de couro! Serei machista se eu disser que esta atendente formava um contraste interessante com os doentes pobres ali do lado, na sala de espera?

O que eu via e o que ela queria mostrar por meio de seu decote e pelo tamanho de seu vestido de couro. A fome de meus olhos me atrapalha de ser discreto nessas situações. Mas tudo bem, somos um pouco menos que “nada” um para o outro: a política ali era pouca.

O que fica é apenas a primeira vez que nossos olhos se cruzaram, em uma das vezes que eu tinha acabado de olhar para os seus seios. Apenas este instante, apenas este instante ficou. Mas não muito. Quando cobri a distância de um pouco mais de três metros que nos separava e conversamos sobre a saúde de minha mãe, tudo acabara e tudo tinha sido esquecido. E me ocupei de odiar a porcaria de ônibus que demorou a me levar daquele lugar e que balançava tanto que derrubou a  minha “Ilíada” ao chão. Aliás, o barulho que o livro fez no ônibus merecia pelo menos um... parágrafo!

Todo mundo olhou assustado quando o livro caiu no chão. Foi realmente um barulho tremendo.


Pronto, o parágrafo aí.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

3 de agosto de 2016.

CHAME AS CIGARRAS
A coisa mais importante a se dizer a um artista é que ele é um artista. "Artista, você é um artista!"
Dizer que ele é original ou medíocre é importante também, mas em um grau inferior, apenas pragmático: apenas para evitar que a cigarra morra de fome. 
Dizer que ele é medíocre ou original não depende de você, que faz parte do público, não depende de você, que é o artista criativo em questão; depende do futuro.
O conselho de Will Durant é válido: não perca tempo procurando a opinião dos críticos e imaginando qual poderia ser o veredito da posteridade. Claro, claro, ser curioso é bom e críticas são importantes para corrigir algumas falhas, mas vocês entenderam o que o Will quis dizer.

PEDRAS 3
Separei algumas. O fundo vai ser o forro de mesa mais brega e cafona que eu encontrar aqui em casa. A mesa no meio do mato, sob o a luz e bênção do Deus Sol. Algumas fotos. "Natureza morta", entenderam? 
Sou um fotógrafo bem chinfrim, tenho que admitir. Preciso dar a volta por cima. 

DEUS PARA AS MULHERES
Ia ser o máximo se as atletas femininas brasileiras ganhassem muito mais medalhas de ouro que os atletas masculinos brasileiros. (risos) 
Deus podia dar aqui uma interferência, héin? Se bem que Deus deve interferir o tempo todo, então é meio redundante a gente ficar pedindo exclusividades para nós
Mas é compreensível e humano. Então vamos torcer para isto aqui também.

SER BRASILEIRO
Quantos autores estrangeiros! Quantos! Quantos! Tão poucos títulos brasileiros em minha biblioteca pessoal!
Isso é um problema sim. 
Mas de qual tamanho é este problema?
Eu tenho realmente como deixar de ser brasileiro?
A antropofagia continua e a saudade também. 
Então estou tranquilo.