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segunda-feira, 25 de julho de 2016

25 de julho de 2016.

O POVO DO ABISMO (1903) - Jack London (1876-1916).

OTELO: - Pelas barbas dos libertadores da Argélia, ficastes meses sem ir a Belo Horizonte e quando finalmente vai só compra um livro? Ficastes maduro, criatura!

DESDÊMONA: - Ó... Ó... (apertando minhas bochechas, igualzinho àquelas nossas tias sem noção, quando a gente era criança e estava na casa da vovó) Já tá virando um homenzinho, já tá virando um homenzinho! Viu, minha barra de chocolate com muito cacau e pouco leite? Viu?

AMOR: - Ai, ai, me larga!

OTELO: - Vi sim, meu doce de coco com cravinhos da índia, vi sim!

IAGO: - Grande festa, uai! Nas livrarias não tinham os autores e os livros que ele procurava! Foi um milagre achar esse volume de Jack London, que por sinal, esta todo estragado. 


FIN DE SIÈCLE
Se eu fosse um autor com algo a dizer, iria fazer uma pesquisa sobre o período histórico que eu acho mais legal: 1890-1920. Ou talvez mais, quem sabe? 1850-1950. O grande espetáculo do término do século XIX e o nascimento do século XX.
Aquele espírito "nobre", o "outro lado da cortina do tempo", "a Europa antes da máquina louca", "todas as nuances do grande nascimento do século XX"... Vocês me entendem? Sentem o que quero dizer? O choque! O choque! O choque-choque e o choque suave... A graaande transição... 
De tanto sonhar com isso, eu acabei descobrindo duas coisas que estavam na ponta de meu nariz.
Primeiro, eu mesmo sou um cidadão de fin de siècle: nasci em 1983 e estou em 2016. 
OTELO: - Fabuloso! E o que você tem a dizer sobre isso? Algumas palavras preliminares, pelo menos? 
AMOR: - Merda!
OTELO: - ??
AMOR: - Olhe, a internet é maravilhosa e no ônibus, eu acho divertido ver idosos humildes entretidos com celulares sofisticados; mas a fome e a guerra continuam onde sempre estiveram. Então eu diria que a merda é merda, com transistor ou sem transistor. 
OTELO: - (risos) Acho que você precisa de mais tempo. O amor sempre precisa de tempo...
A segunda coisa é que, sem querer, desde que comecei amar a literatura e as grandes ideias, os autores mais importantes em minha formação são justamente os que viveram e sentiram a virada do último século. Bertrand Russell, Friedrich Nietzsche, Hermann Hesse, Anatole France, Will Durant, George Orwell, Henry Miller... Essa turminha do mal sabe?, todo mundo ali nasceu, ou na segunda metade do século XIX ou um pouco antes ou depois. 
Então tenho em mim dois fin de siècle bem abraçados e fazendo bagunça. Ou três fin de siécle, porque logo logo vou começar a namorar o período renascentista. E o Renascimento não deixa de ser um período de transição também, entre a época medieval e a modernidade.


"A procura de um melhor salário o levou a empregar-se numa usina de força da estrada de ferro em Oakland, onde passou a trabalhar alimentando as fornalhas de carvão. Tal foi a eficiência demonstrada por ele na execução, que dois outros operários do período diurno e um do noturno foram imediatamente demitidos após sua contratação, sendo que um deles veio a cometer suicídio em decorrência da depressão pela perda do emprego.
Esse acontecimento levou Jack London a repensar seriamente sua relação com o trabalho e a desenvolver o mais absoluto horror pelas condições de exploração e de miséria vigentes. Sua análise da situação o fez concluir que dispunha de duas únicas alternativas diante do sistema: matar-se ou tornar-se um vagabundo. E sua escolha recaiu sobre a segunda."
Maria Sílvia Betti em sua introdução para O Povo do Abismo, de Jack London, com a tradução de Hélio Guimarães e Flávio Moura para Editora Fundação Perseu Abramo (2004, São Paulo, SP). 

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