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sábado, 23 de julho de 2016

23 de julho de 2016.

A TRÉGUA – Primo Levi.
Não sei por que, mas agora me lembrei deste caso. Faz quase quatro anos isso. A memória é uma coisa meio mágica e uma dessas coisas mágicas é a sua relação com os nossos sentidos.
(Sou mineiro e respeito o ditado: “mineiro não enlouquece, apenas piora.” Então as tenho que me explicar, por mais chato que isso seja.)
Assim como o cheiro de iogurte gelado lembra a casa dos meus avós paternos, alguns livros e trechos de livros me lembram a ocasião em que li determinadas palavras.
O trecho de “Ivanhoé”, de Walter Scott, em que há a famosa disputa de cavaleiros em seus cavalos (aquela coisa de correr um de encontro ao outro, com aquelas lanças compridas e pelo coração das damas que a tudo assistiam de camarote...), me lembra o ônibus me levando à faculdade de jornalismo e passando pela rodoviária de Belo Horizonte. Pois foi exatamente ali que li este trecho do livro de Walter Scott.
Já com livro de Primo Levi a “coisa” é bem diferente. Puro contraste! Um sobrevivente de um campo de concentração nazista tentando vencer a dor, o frio, as lembranças, os modos russos; sendo lido por este marmota aqui em pleno Rio de Janeiro no verão! O ar, o mar, o quente, o vento quente, o melhor tapete do mundo que é a areia e aí eu abria o livrinho (e era livrinho mesmo, a edição era bem pequenininha, parecendo uma caixinha de brinquedo) e ali naquele outro universo eu jogava meu coração e atenção.
A memória é mesmo uma coisa mágica.

Espinosa Apaixonado
“ “No Brasil, hoje, ninguém é campeão de ética” ”, entrevista do político Roberto Jefferson à repórter Tina Vieira, e publicada pelo Jornal do Brasil, em sua edição de 8 de outubro de 2006.
Um trecho (mantive o básico da diagramação original: negrito nas perguntas e “normal” nas respostas):
O ator Paulo Betti disse que “é impossível fazer política no Brasil sem colocar a mão na merda”. O senhor, que conhece tão bem a política brasileira, concorda?
- Isso pode até ser verdade. Só que o sonho é acertar. E a promessa do PT sempre foi acertar. Ele jamais podia dizer: “Sou, mas quem não é?”
Mas é possível fazer política sem “colocar a mão na merda”?
- Dá, sim. Se fizer uma política em torno de projetos claros, de discutir com a sua base antes de mandar uma medida provisória, dá para fazer política sem botar a mão na merda. O que o PT fez foi alugar uma base, empurrar goela abaixo, não discutir, não negociar, levar no peito.
Com a estrutura partidária do país, tucano Geraldo Alckmin também não era refém das negociatas políticas?
- Negociata, não sei. Talvez ele tenha que fazer negociações. Mas deve avisar: “Vocês vão governar comigo, mas quem errar eu exponho à opinião pública”.
O senhor já elogiou Lula dizendo que ele é um homem bom. O senhor mudou de opinião?
- Quando eu disse isso a primeira vez, a impressão que tive foi de que o presidente estava sendo traído naquela história do mensalão. Mas agora tudo acontece e ele nunca sabe de nada? Aí já é demais, né? Ele pode até ser bom, só que é tolo.”

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
O Brasil é o país dos grandes projetos e dos postos de saúde que atendem aos bairros sem terem esparadrapos.
Rio Trombetas, no Pará. Pobre rio Trombetas!
Mais de um bilhão de dólares para projetos medonhos. Metade já foi gasta e o único projeto que esta funcionando, é claro, é o que extrai a bauxita.
Que tal ás portas do século XXI, 12 pessoas morrerm de... de... gastrenterite?
Nossa, até tifo teve ali durante a exploração do rio Trombetas. A primeira é única vez que eu tinha ouvido falar em tifo foi quando assisti “Doutor Jivago”.
As desculpas repugnantes das autoridades.
Geisel e a lei que isenta as empresas que fazem obras de construção civil ou hidráulicas, de pagarem o Imposto Sobre Serviços, o ISS. E assim os municípios perdem muito em arrecadação. Cadê os liberais brasileiros que choram por causa dos impostos, nesta hora? Cadê?
A Camargo Corrêa aprontando em Tucuruí. A coisa chega a ser didática.
A EletroNorte...

Nietzsche Apaixonado
Algumas lembranças são mais doces que o mais doce caldo de figo. Acontece também quando na historio olhamos para trás com afeto e saudade. É retrógrado todo esse choque que acontece, mas fazer o quê? A gente acaba gostando... E os artistas acabam fazendo uma festa danada, mas os mortos que eles ressuscitar tem que voltar para os cemitérios tão logo o dia amanheça.

Joseph Campbell Apaixonado
Os humanos são diferentes, mas os nossos mitos revelam uma igualdade entre nós que é estimulante.
Não é para procurar o sentido da vida, é para procurar o que é sentir estar vivo. É mais arrepio de pele e mais espiritual, ao mesmo tempo.
É, os bregas e cafonas estão certos: casamentos de verdade formam uma unidade.
Aqui Joseph Campbell e a raposa, amiga do Pequeno Príncipe, se encontram: perdemos aquilo que faz um momento ser diferente do outro momento, perdemos o sentido do ritual. Virou mera formalidade. Então lembramos a falta que os ritos de transição realmente significativos fazem às nossas crianças e jovens.
Ter um ethos é importante para um país. Que tipo de “lei não escrita” existe no Brasil? Infelizmente, é provável que seja do tipo violenta.
Temas atemporais, os comentários é que são específicas de cada época.

Não poste todas as suas fichas na primeira jogada. Espere, dê um pouco de comida para alimentar a expectativa.
(Inspirado em Baltasar Gracian.)

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