Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

domingo, 31 de julho de 2016

31 de julho de 2016.

SORRISO DO CAPITALISMO: 38 ou 279?
O capitalismo, ou melhor, o modo capitalista de produção, assim como o comunismo, ou melhor, o modo comunista de produção: não entrega o que promete. Mas, assim como o comunismo, o capitalismo tem os seus momentos simpáticos. Eu paguei 38 reais pelo "O Povo do Abismo", de Jack London, numa grande livraria. Pela internet eu encontrei o mesmo livro por 279 reais! 

Não sou especialista em economia, mas algumas coisas eu sei mesmo porque, entre outras coisas, ainda não morri de fome (pareço dramático? Sou brasileiro!). Uma das coisas que eu sei é que o coração da economia é uma mistura de ciência (cálculos, previsões, estatísticas e blá blá) e moralismo (as pessoas devem fazer isso, se espera que as pessoas façam aquilo e blá blá). Uma mistura complicada e difícil, se fosse fácil, os economistas já nos teriam deixado um mundo bem melhor. No caso da diferença entre preços do livro de Jack London, como explicar? "Oferta e procura", a única "lei" da economia que a gente ouve falar? Outra coisa mais? Bom, deixa pra lá.

Mas eu só descobri isso bem depois de ter comprado o livro. É que eu estou achando o livro maravilhoso e fiquei imaginado, e desejando, que alguém pudesse ter se interessado pelo livro depois de ter me lido, aqui, quando falei sobre ele. 
Esse é o grande objetivo deste blog: estimular as pessoas a procurarem outros autores, estimular as pessoas a pesquisarem assuntos legais e coisas do tipo. Algo cultural. 
OTELO: - Justiça cultural!
AMOR: - Exatamente!
DESDÊMONA: - Não deixa de ser uma forma de ajudar o planeta a se tornar um lugar mais habitável. 
AMOR (sorrindo, feito uma besta; porque uma mulher bonita o elogiou): - Merci, merci...
DESDÊMONA: - É claro que um blog cultural não é como liderar uma revolta armada... 
OTELO: - Desdêmona, minha orquídea selvagem e meu brilho da lua, quer que eu te conte quantos reis perderam a suas cabeças ao me encontrar?
DESDÊMONA: - Adoro ouvir suas histórias selvagens, meu bad boy e meu caminho contente, adoro! Adoro! (Mordendo os lábios e fazendo um olhar sensual) Adooooooro...
AMOR: - Affz! ...
IAGO: - E pensar que isso tudo aqui é para evitar que pensem que você gastou 300 reais em um livro que nem capa dura tem! Nem capa dura e nem 400 páginas!

AMOR: - Eu tive sorte. 
QUEIJO: - Muita sorte!
AMOR: - Fui na livraria e perguntei se tinha alguma coisa do Jack London. Dos dois ou três títulos, não lembro, que havia ali, eu escolhi aquele que me pareceu ser mais interessante. Tive sorte. Mas é aquela coisa: livraria grande-comercial-bláblá é uma coisa, um vendedor ou um sebo de livros usados, é outra coisa... Os caras sabe valorizar os trem!
QUEIJO: - É e as livrarias grandes podem esperar e tem outras formas de renda, também. Aqui...
AMOR: - Fala, queijo!
QUEIJO: - Faltou dizer aqui, que este blog não é mais um blog cultural que vai salvar todo mundo com o gosto pessoal de um sozinho...
AMOR: - Igualzinho aos jornais, rádios, tevês...
QUEIJO: - Um exército de jornalistas culturais...
AMOR: - Que escrevem para os próprios espelhos!
QUEIJO: - Egocêntricos. Um dos inúmeros riscos que um jornalista corre em seu trabalho. Mas você é isso, mas não é só isso.
AMOR (fazendo careta e coçando a cabeça e com aquele sorriso de orgulho): - Não, não, não, não! Não estamos aqui apenas para isso...
Gosto de escrever, então escrevo.
Gosto de ler, então eu conto.
Quero me divertir com todo mundo, então estudo história.
Quero saber quem sou, então sou outro na hora de escrever e não é que nunca consigo me lembrar se preciso de leitores mais espertos que eu?

quinta-feira, 28 de julho de 2016

28 de julho de 2016.

QUEIJO: - Se você fosse Deus, qual a primeira coisa que você faria?

AMOR: - Essa é fácil, eu mandaria queimar todas as bandeiras hasteadas do mundo ao mesmo tempo. Todas, todas. Todas as bandeiras! Pegando fogo. Ao mesmo tempo. O pessoal ia ficar maluco. 

QUEIJO: - Sem dúvida. E a segunda coisa que você faria, se tivesse o poder de Deus em suas mãos?

AMOR: - Eu faria do nada uma piscina de caldo de figo e ficaria nadando e comendo figo. O dia inteiro!

DESDÊMONA (fazendo uma careta, como se estivesse com dor de dente ou por ter acabado de lembrar-se de alguma mancada): - Ai...

IAGO: - Eu não falei, não falei? 

OTELO: - Estava mesmo demorando...


"DEUS É FIEL"
Essa declaração que a gente vê em vários lugares, como em carros e muros, sempre me intrigou.
Fiel, mas fiel a quê? Nós humanos não somos a sua maior criação? E assim sendo Ele teria outra opção
Algo me escapava aqui, mas o quê? A resposta para este enigma profundo, assim como para os outros enigmas da vida, esta em Monty Python. 
Em "O Sentido da Vida" (The Meaning of Life, Terry Gilliam, 1983), o padre, em sua homilia, declara em uma igreja lotada de estudantes de algum desses colégios internos londrinos todo sofisticado:
- "Senhor, por favor, não nos queime!"
Entenderam?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

25 de julho de 2016.

O POVO DO ABISMO (1903) - Jack London (1876-1916).

OTELO: - Pelas barbas dos libertadores da Argélia, ficastes meses sem ir a Belo Horizonte e quando finalmente vai só compra um livro? Ficastes maduro, criatura!

DESDÊMONA: - Ó... Ó... (apertando minhas bochechas, igualzinho àquelas nossas tias sem noção, quando a gente era criança e estava na casa da vovó) Já tá virando um homenzinho, já tá virando um homenzinho! Viu, minha barra de chocolate com muito cacau e pouco leite? Viu?

AMOR: - Ai, ai, me larga!

OTELO: - Vi sim, meu doce de coco com cravinhos da índia, vi sim!

IAGO: - Grande festa, uai! Nas livrarias não tinham os autores e os livros que ele procurava! Foi um milagre achar esse volume de Jack London, que por sinal, esta todo estragado. 


FIN DE SIÈCLE
Se eu fosse um autor com algo a dizer, iria fazer uma pesquisa sobre o período histórico que eu acho mais legal: 1890-1920. Ou talvez mais, quem sabe? 1850-1950. O grande espetáculo do término do século XIX e o nascimento do século XX.
Aquele espírito "nobre", o "outro lado da cortina do tempo", "a Europa antes da máquina louca", "todas as nuances do grande nascimento do século XX"... Vocês me entendem? Sentem o que quero dizer? O choque! O choque! O choque-choque e o choque suave... A graaande transição... 
De tanto sonhar com isso, eu acabei descobrindo duas coisas que estavam na ponta de meu nariz.
Primeiro, eu mesmo sou um cidadão de fin de siècle: nasci em 1983 e estou em 2016. 
OTELO: - Fabuloso! E o que você tem a dizer sobre isso? Algumas palavras preliminares, pelo menos? 
AMOR: - Merda!
OTELO: - ??
AMOR: - Olhe, a internet é maravilhosa e no ônibus, eu acho divertido ver idosos humildes entretidos com celulares sofisticados; mas a fome e a guerra continuam onde sempre estiveram. Então eu diria que a merda é merda, com transistor ou sem transistor. 
OTELO: - (risos) Acho que você precisa de mais tempo. O amor sempre precisa de tempo...
A segunda coisa é que, sem querer, desde que comecei amar a literatura e as grandes ideias, os autores mais importantes em minha formação são justamente os que viveram e sentiram a virada do último século. Bertrand Russell, Friedrich Nietzsche, Hermann Hesse, Anatole France, Will Durant, George Orwell, Henry Miller... Essa turminha do mal sabe?, todo mundo ali nasceu, ou na segunda metade do século XIX ou um pouco antes ou depois. 
Então tenho em mim dois fin de siècle bem abraçados e fazendo bagunça. Ou três fin de siécle, porque logo logo vou começar a namorar o período renascentista. E o Renascimento não deixa de ser um período de transição também, entre a época medieval e a modernidade.


"A procura de um melhor salário o levou a empregar-se numa usina de força da estrada de ferro em Oakland, onde passou a trabalhar alimentando as fornalhas de carvão. Tal foi a eficiência demonstrada por ele na execução, que dois outros operários do período diurno e um do noturno foram imediatamente demitidos após sua contratação, sendo que um deles veio a cometer suicídio em decorrência da depressão pela perda do emprego.
Esse acontecimento levou Jack London a repensar seriamente sua relação com o trabalho e a desenvolver o mais absoluto horror pelas condições de exploração e de miséria vigentes. Sua análise da situação o fez concluir que dispunha de duas únicas alternativas diante do sistema: matar-se ou tornar-se um vagabundo. E sua escolha recaiu sobre a segunda."
Maria Sílvia Betti em sua introdução para O Povo do Abismo, de Jack London, com a tradução de Hélio Guimarães e Flávio Moura para Editora Fundação Perseu Abramo (2004, São Paulo, SP). 

domingo, 24 de julho de 2016

24 de julho de 2016.

- O cabelo é vida.
Escutei isso no ensino médio, lá lá no Colégio Santo Agostinho. Foi minha professora de português e literatura quem declarou isso. Esqueci o sobrenome dela. Vera alguma coisa. Faz tempo, tempo. Ela era muito fã do “Dicionário de Símbolos” e falava dele muitas vezes. Ela gostava de mim, me achava inteligente apesar das minhas notas.
- O cabelo é vida.
Agora uma revisão: foi por concordar e acreditar nisso que minha professora falou que eu parei de pentear o meu cabelo? O máximo é passar uma mão arrumando os fios ou as vezes nem mesmo isso? (risos) A coisa fica ainda mais excêntrica quando digo que só passei a raspar o cabelo uns dois anos ou mais após sair do colégio. É que como eu não raspo o cabelo com muita frequência, ele acaba ficando grande do mesmo jeito.
É uma coisa típica minha: tomar uma decisão dessas com um motivo desses. O cabelo é vida, logo o meu é livre e bagunçado. Pelo menos esta parte de mim esta viva, tem gente que nem o cabelo esta pulsando.

Compromisso chato daqui a pouco.
Se eu conseguisse ser mais organizado e focado, conseguiria fazer alguma coisa útil com o pouco tempo que me resta e canalizar utilmente a energia produzida pelo meu descontentamento.
Como não sou isso tudo aí em cima, apenas deixo meu descontentamento escolher o passatempo mais comum e bobo e inútil. Até a hora do compromisso. Como uma espécie de “protesto”.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazônidas
A Ditadura Militar produziu muitos homens públicos, diretamente e indiretamente. Opositores ou não, podemos dizer que eles ainda mandam no resto do país.
São Raimundo nunca se recuperou do fracassado Projeto Jari, uma pena.

Nietzsche Apaixonado
Apesar da fome e da guerra que ainda insistem em nos derrotar, a nossa época tem dois grandes motivos para sentir-se feliz. Pela primeira vez nós temos um passado rico, exuberante de lições que as civilizações mais antigas nos deixaram. É muita riqueza a ser explorada quando olhamos para trás. Pela primeira vez o futuro nos promete um sonho humano ecumênico em grandes proporções. É muita promessa de união e paz quando olhamos para o futuro.
Deixem os pessimistas que só tem lábios para o que tem gosto de fel trabalharem no cantinho deles, enquanto isso nós sabemos e vivemos que um pouco de otimismo faz muito bem.

Joseph Campbell Apaixonado
O que nossos olhos veem e o que os símbolos nos fazem. Não nos levantamos para o juiz Fulano de Tal quando ele acaba de entrar no recinto, nós nos levantamos para o juiz e tudo aquilo que ele representa como defensor da lei e da ordem. E aqui há uma ambiguidade complicada: é certo julgar o que um soldado fez durante a guerra usando como referência a lei civil para pessoas como nós? Ah, Joseph Campbell, aqui acho que você esta enganado: não interessa se é guerra ou paz, injustiça é injustiça, pô!
Nossa sociedade esta se dividindo em pedaços e estes pedaços estão doentes, pois estamos esquecendo os mitos. O problema piora porque a religião em vez de olhar para o futuro, olha para um passado que não da mais para voltar.
Por causa do René Descartes, lá no século XVII, a gente ainda acredita que a nossa cabeça produza a nossa consciência; mas estamos enganados. Consciência é energia vital, o nosso coração também é fonte de consciência nossa e até uma flor também tem consciência.
Havia vários deuses, mas quando os judeus estavam presos na Babilônia... era preciso de apenas um salvador. “Um”, entende? Monoteísmo, baby!
A globalização, a informática e o comércio internacional: não há mais fronteiras e com isso a mitologia válida é apenas aquela que seja “ecológica”, por assim dizer. Mesmo que a gente colonize outros planetas, não há como escapar: não pode não pode jogar lixo no chão e poluir a natureza. A casa é uma só e os vizinhos estão morando conosco.
Mitos que tratam de você e da natureza ao seu redor e mitos que ligam você à uma sociedade em particular que o cerca.

A sindérese!
(Inspirado em Baltasar Gracian)

sábado, 23 de julho de 2016

23 de julho de 2016.

A TRÉGUA – Primo Levi.
Não sei por que, mas agora me lembrei deste caso. Faz quase quatro anos isso. A memória é uma coisa meio mágica e uma dessas coisas mágicas é a sua relação com os nossos sentidos.
(Sou mineiro e respeito o ditado: “mineiro não enlouquece, apenas piora.” Então as tenho que me explicar, por mais chato que isso seja.)
Assim como o cheiro de iogurte gelado lembra a casa dos meus avós paternos, alguns livros e trechos de livros me lembram a ocasião em que li determinadas palavras.
O trecho de “Ivanhoé”, de Walter Scott, em que há a famosa disputa de cavaleiros em seus cavalos (aquela coisa de correr um de encontro ao outro, com aquelas lanças compridas e pelo coração das damas que a tudo assistiam de camarote...), me lembra o ônibus me levando à faculdade de jornalismo e passando pela rodoviária de Belo Horizonte. Pois foi exatamente ali que li este trecho do livro de Walter Scott.
Já com livro de Primo Levi a “coisa” é bem diferente. Puro contraste! Um sobrevivente de um campo de concentração nazista tentando vencer a dor, o frio, as lembranças, os modos russos; sendo lido por este marmota aqui em pleno Rio de Janeiro no verão! O ar, o mar, o quente, o vento quente, o melhor tapete do mundo que é a areia e aí eu abria o livrinho (e era livrinho mesmo, a edição era bem pequenininha, parecendo uma caixinha de brinquedo) e ali naquele outro universo eu jogava meu coração e atenção.
A memória é mesmo uma coisa mágica.

Espinosa Apaixonado
“ “No Brasil, hoje, ninguém é campeão de ética” ”, entrevista do político Roberto Jefferson à repórter Tina Vieira, e publicada pelo Jornal do Brasil, em sua edição de 8 de outubro de 2006.
Um trecho (mantive o básico da diagramação original: negrito nas perguntas e “normal” nas respostas):
O ator Paulo Betti disse que “é impossível fazer política no Brasil sem colocar a mão na merda”. O senhor, que conhece tão bem a política brasileira, concorda?
- Isso pode até ser verdade. Só que o sonho é acertar. E a promessa do PT sempre foi acertar. Ele jamais podia dizer: “Sou, mas quem não é?”
Mas é possível fazer política sem “colocar a mão na merda”?
- Dá, sim. Se fizer uma política em torno de projetos claros, de discutir com a sua base antes de mandar uma medida provisória, dá para fazer política sem botar a mão na merda. O que o PT fez foi alugar uma base, empurrar goela abaixo, não discutir, não negociar, levar no peito.
Com a estrutura partidária do país, tucano Geraldo Alckmin também não era refém das negociatas políticas?
- Negociata, não sei. Talvez ele tenha que fazer negociações. Mas deve avisar: “Vocês vão governar comigo, mas quem errar eu exponho à opinião pública”.
O senhor já elogiou Lula dizendo que ele é um homem bom. O senhor mudou de opinião?
- Quando eu disse isso a primeira vez, a impressão que tive foi de que o presidente estava sendo traído naquela história do mensalão. Mas agora tudo acontece e ele nunca sabe de nada? Aí já é demais, né? Ele pode até ser bom, só que é tolo.”

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
O Brasil é o país dos grandes projetos e dos postos de saúde que atendem aos bairros sem terem esparadrapos.
Rio Trombetas, no Pará. Pobre rio Trombetas!
Mais de um bilhão de dólares para projetos medonhos. Metade já foi gasta e o único projeto que esta funcionando, é claro, é o que extrai a bauxita.
Que tal ás portas do século XXI, 12 pessoas morrerm de... de... gastrenterite?
Nossa, até tifo teve ali durante a exploração do rio Trombetas. A primeira é única vez que eu tinha ouvido falar em tifo foi quando assisti “Doutor Jivago”.
As desculpas repugnantes das autoridades.
Geisel e a lei que isenta as empresas que fazem obras de construção civil ou hidráulicas, de pagarem o Imposto Sobre Serviços, o ISS. E assim os municípios perdem muito em arrecadação. Cadê os liberais brasileiros que choram por causa dos impostos, nesta hora? Cadê?
A Camargo Corrêa aprontando em Tucuruí. A coisa chega a ser didática.
A EletroNorte...

Nietzsche Apaixonado
Algumas lembranças são mais doces que o mais doce caldo de figo. Acontece também quando na historio olhamos para trás com afeto e saudade. É retrógrado todo esse choque que acontece, mas fazer o quê? A gente acaba gostando... E os artistas acabam fazendo uma festa danada, mas os mortos que eles ressuscitar tem que voltar para os cemitérios tão logo o dia amanheça.

Joseph Campbell Apaixonado
Os humanos são diferentes, mas os nossos mitos revelam uma igualdade entre nós que é estimulante.
Não é para procurar o sentido da vida, é para procurar o que é sentir estar vivo. É mais arrepio de pele e mais espiritual, ao mesmo tempo.
É, os bregas e cafonas estão certos: casamentos de verdade formam uma unidade.
Aqui Joseph Campbell e a raposa, amiga do Pequeno Príncipe, se encontram: perdemos aquilo que faz um momento ser diferente do outro momento, perdemos o sentido do ritual. Virou mera formalidade. Então lembramos a falta que os ritos de transição realmente significativos fazem às nossas crianças e jovens.
Ter um ethos é importante para um país. Que tipo de “lei não escrita” existe no Brasil? Infelizmente, é provável que seja do tipo violenta.
Temas atemporais, os comentários é que são específicas de cada época.

Não poste todas as suas fichas na primeira jogada. Espere, dê um pouco de comida para alimentar a expectativa.
(Inspirado em Baltasar Gracian.)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

22 de julho de 2016.

E essa foto da Chlöe Sevigny em que ela esta bem andrógina? O rostinho, o cabelo curtinho, os seios pequenos? E a expressão de “estou me divertindo, não vê?”?
Não consigo desviar meu olhar.
FREUD: - Quer que eu explique?
Não.

“Impacto Profundo" (Deep Impact, 1998, Mimi Leder)
“Independence Day” (Independence Day, 1996, Roland Emmerich)
“Armagedon” (Armagedon, 1998, Michael Bay)
“O Dia depois de Amanhã” (The Day After Tomorrow, 2004, Roland Emmerich)
“Guerra dos Mundos [refilmagem]” (War of the Worlds, 2005, Steven Spielberg)
“Vulcano – A Fúria” (Volcano, 1997, Mick Jackson)
Adoro o início destes filmes. A apresentação dos personagens, vocês me entendem? É tão bobo, é tão mediano, é tão suficiente para a proposta de um filme para divertir, tem aqueles preconceitos que a gente tem vontade de rir e de esquecer... Adoro o início destes filmes. A mente precisa deste tipo de indulgência de nossa parte às vezes.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
Queimar a mata nativa como umas das formas de evitar ser atingido pela reforma agrária (a questão técnica da benfeitoria; sabe?). Ah, os momentos que antecederam a Constituição de 1988! E a famosa União Democrática Ruralista de Ronaldo Caiado nascendo na época que se discutiu tanto a reforma agrária. Você tem medo do Movimento dos Sem Terra ou de Ronaldo Caiado? Medo, medo, medo, medo. A história do direito à terra no Brasil é um filme de terror, mas não aquele terror divertido e trash de alguns filmes, é terror mesmo.
Jader Barbalho acalma os ânimos na disputa de terra com um golpe de gênio que nem seus maiores inimigos perceberam a tempo, igualzinho aos mais inteligentes vilões das histórias em quadrinhos.
O famoso Projeto Jari, do “homem mais rico do planeta” (como a imprensa brasileira gostava de chamar o Daniel Keith Ludwig). Nunca ouviu falar deste caso? Nem eu.
E o Governo Federal tendo que salvar um projeto medonho da Andrade Gutierrez em São Félix do Xingu. (tudo isso que estou escrevendo aconteceu no finalzinho da década de 1980 e do comecinho da década de 1990, mas acho que nem sei se valeria a pena falar em datas aqui).

Nietzsche Apaixonado
A arte consegue? A arte quer? Será a arte onipotente?
A questão é mais complicada do que parece. Aquilo que é simples e pleno, aquilo que continua com o mesmo coração e não se toca com essas particularidades tantas. Alguém conseguiu com a arte nos dar o humano tão completamente? Ainda não, diz Nietzsche. Talvez nos sonhos de Palas Atena descubramos algo.

Joseph Campbell Apaixonado
Tem que ser importante para você, tem!
O que conta? Estarmos aqui, vivos.
Imagine finalmente alcançar uma aposentadoria digna (ou mais ou menos digna, não posso esquecer que estou escrevendo para brasileiros) e seu espírito descobrir que não tem em mãos uma bússola? Você vai saber o que é desespero.
É preciso encontrar essa bússola mágica. E quando falamos em mágica aqui, estamos falando a sério. Muito sério.
Romances ensinam (por favor, tomem aqui a palavra “romance” nos dois sentidos). Thomas Mann e James Joyce podem ser seus professores particulares, se assim você desejar.
A mente sonha alto demais? Use a âncora do coração, para que você não perca seu amor pela pequena humanidade.
Dizendo uma palavra que machuque com amor. A famosa “ironia erótica” de Thomas Mann.

Somos humanos, somos divinos e antes de tentar entender o que isso significa; sorria porque uma borboleta acabou de pousar em você.
(Inspirado em Baltasar Gracian)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

13 de julho de 2016.

Espinosa Apaixonado
“Viúva compra terra no céu e abre as arcas do BNDE$ e da $udam”, artigo de Josias de Souza para a edição do jornal Folha de S. Paulo do dia 24 de dezembro de 2000.
Vicente de Paula Pedrosa da Silva, José Sarney, Fernando Collor, cidade de Vizeu (localizada no Pará).
“Diz que o senador (Jader Barbalho) irá propor duas CPIs no Congresso: a da construtora OAS e a do Banco do Nordeste. Com a primeira, alvejaria ACM (senador Antônio Carlos Magalhães). Com a outra, Tasso Jereissati. Quem puder deve estimular a onda de intrigas entre os aliados de FHC (presidente Fernando Henrique Cardoso). Esta guerra ainda há muito que fazer bem ao erário.” – Josias de Souza em “Viúva compra terra no céu e abre as arcas do BNDE$ e da $udam”, artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo do dia 24 de dezembro de 2000.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
Sendo ponderado e equilibrado, mas sem deixar de puxar as orelhas de Hélio Gueiros.
Sabemos que a vida de um político não é exatamente fácil, mas se ele for um bom político seu nome será lembrado com nobreza.

Nietzsche Apaixonado
A questão poética tem muita mistura de esquecimento, de ilusão e de vaidade.
O poeta. O que é um poeta? O poeta é a “boca e a flauta” daquilo que é mais alto e bonito de um povo.
Mas o poema... O poema em si, sabe? O poema tem toda uma técnica, uma métrica, uma gramática... Aí isso confunde o povo, que acaba achando que o poeta disse algo novo, que eles nunca tinham ouvido antes. Que o poeta é o mensageiro dos deuses!
E o próprio poeta acaba se confundindo também e esquece-se de onde veio a sua verdadeira inspiração espiritual: não de Deus, mas do povo.
“Vox populi, Vox Dei”? Para Friedrich Nietzsche, a fórmula é inversa: a voz de Deus é a voz do povo.

Nemine discrepante.
Ser objetivo e sensato ao falar. Bons resultados acabam se produzindo.
(Inspirado em Baltasar Gracian)

IAGO: - Blá, blá, onde esta o laticínio?

QUEIJO: - Aqui.

IAGO: - Hoje “lembramos de” trazer o truco?

QUEIJO: - O truco, o vinho e o salgadinho!

IAGO: - Qual salgadinho?

QUEIJO: - Aquele de pimentinha, uai.

DESDÊMONA: - O jogo de futebol na TV nem começou e vocês já acabaram com a metade do salgadinho????

OTELO: - Pelos patriarcas guerreiros da Etiópia, chamarei o Discovery Channel! O estômago de vós não tem fundo?

DESDÊMONA: - Eles acabaram com tudo, meu chocolate cremoso!

OTELO: - Não se preocupe minha gelatina de morango com leite condensado no potinho, não se preocupe meu licor de uva à beira da lareira, não se preocupe. Se ainda há justiça debaixo deste céu abençoado, teremos a nossa parte destes salgadinhos!

AMOR: - Meses de ausência neste blog e quando a turma reaparece, é para sujar toda a sala e... E abaixa o som dessa p**** de televisão! Será simbólico? Será profético?

QUEIJO: - Aqui...

AMOR: - Fala sua ricota...

QUEIJO: - Não me chame de ricota! É... Aqui...


AMOR: - Fale, queijo!

terça-feira, 12 de julho de 2016

12 de julho de 2016.

Ensaio sobre a Tristeza Brasileira – Paulo Prado
É uma pergunta já feita por aqui: como? Como?
Como o romantismo,
Tão europeu, tão velho mundo,
Floresceu tão magnificamente aqui,
No Brasil, tão quente e tropical, tão não-Europa?
Eis uma pergunta difícil. (Pelo menos aparentemente difícil)

Quase duas horas para eu, finalmente, me sentar e começar a escrever. Coisa assustadora. Onde se compra uma corda para amarrar os pensamentos e desejos?

Nietzsche Apaixonado
Olha Nietzsche tendo aqui um momento precursor do feminismo: “assim as mulheres, a quem falta um trabalho bom, que preencha a alma”. Século XIX!
Existe tempo para cada coisa. Um tipo de arte para cada tempo.
Os adolescentes e jovens adultos, com os seus desejos selvagens, precisam de uma arte que também seja bem selvagem. Para se completarem, para ambos, artistas e espectadores, se superarem.
Algum tempo depois, muito tempo ou pouco tempo depois, quando a alma tiver plena daquela serenidade poderosa e sublime; todos eles saberão conhecer Racine, Calderón e Teócrito.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
"Ler documentos oficiais é uma das mais enjeitadas e mais importantes tarefas de um jornalista. Se todos os papéis saídos das entranhas do governo ou de outras instâncias do poder passassem pelo rigoroso crivo da imprensa, os poderosos manipulariam bem menos e o povo saberia muito mais. A burocracia oficial seria de melhor qualidade e as empresas mais atentas às éticas e às responsabilidades sociais. A racionalidade não seria um produto para consumo externo, como frequentemente é. Cidadãos mais bem informados fiscalizariam melhor os responsáveis por atos e situações com efeito coletivo."
CONTRA O PODER - Lúcio Flávio Pinto. 

Se esta receoso, se há algo em seu interior duvidando... É melhor não fazer. Espere, tenha calma. Espere, espere. 
O fundamental aqui é a harmonia em si mesmo: o corpo todo tem que dizer a mesma coisa.
(Inspirado em Baltasar Gracian) 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

11 de junho de 2016.

O dia inteiro de trabalho braçal: estrada, horta, os próprios planos que apenas por pensar nos cansam... E à tardinha, na hora do recolhimento, é hora do trabalho que os livros me ditam.
O braçal é organizado, lógico. A parte dos livros é uma completa bagunça, superficial essa bagunça, mas bagunça.

ILÍADA – Homero.
O livro é mais moderno do que eu podia esperar, mas escrever isso não é suficiente para exprimir a primeira impressão que eu estou tendo. “Modernidade”, “modernidade”, que porcaria isso significa hoje? As guerras são sobre religião e mesmo com toda a nossa tecnologia atual, temos que fingir que a África não grita de dor.
3000 anos atrás.
Agamêmnon é um rei, um político. O primeiro a aparecer na literatura. O cara é um crápula.
Aquiles, o nosso primeiro herói do ocidente. Independente como era de se esperar do patriarca de todos os heróis ocidentais. Mas já já as suas correntes irão aparecer.
O sacerdote clama por justiça e o deus Apolo não hesita: desce aqui, na terra e dissemina uma peste e flechas tão poderosas quanto bombas atômicas. Uau!

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas

Preciso procurar mais músicas do Ney Matogrosso. Tenho que confessar que “apenas” fico nos sucessos do grupo Secos & Molhados e na canção “Até o Fim” (parceria com Chico Buarque) e ignoro as outras obras desse artista que, no palco, coloca a plateia em suas mãos como poucos. “Por baixo dos panos...”.
Às vezes o jornalista esta andando na rua e aí ele olha para trás e bingo: a notícia sai correndo atrás dele. Isso acontece bastante, viu? Ficar atento sempre.
Temos que ser conscientes de nosso poder e responsabilidade, mas sem perder o foco da humildade.
As relações entre imprensa e políticos.

Nietzsche Apaixonado

A arte é poderosa, a arte salva. Sabemos disso. 
Mas não vamos nos desviar: não usemos arte como distração. 

O caminho bom é um caminho longo. Não seja mal ou burro. Seja inteligente e virtuoso e aí a festa dura.
(Inspirado em Baltasar Gracian)

domingo, 10 de julho de 2016

10 de julho de 2016.

Atualizações. Escrevi e disse aqui, outro dia, que o ideal era ser um tipo de Rubem Alves. Certo, certo. Mas não pode ser igual, naturalmente. Pois, pois, eu descobri o tempero que faltava: a crítica social e política do geógrafo Milton Santos. Um pouquinho de tempero áspero vai servir.
Milton Santos, meu filho, me fale mais sobre o Brasil e o planeta em que vivemos. Tudo de cabeça para baixo? Sim, mas fale mais...

O Século da Violência: O longo Século XX (Obrigado Abril Cultural [1974] e BPC Publishing LTD [1968])
NACIONALISMO EM AÇÃO
Irlanda por J. M. Dillon.
A legendária rixa entre os nacionalistas irlandeses.
O jovem W. B. Yeats acha que a rainha Vitória esta fazendo essa visita é para recrutar mais irlandeses a lutarem pela Inglaterra.
Maud Gonne organiza um piquenique entre alunos para boicotar outro piquenique programado para homenagear a rainha.
Charles Parnell era um líder político poderoso, mas o divórcio... Ah, esses assuntos pessoais!
A África do Sul sob o domínio da Inglaterra: marcariam a visão de Gandhi e de Arthur Grifth.
Olha só: a Inglaterra faz uma reforma agrária na Irlanda e isso ajuda. Viu, Bancada Ruralista no Brasil, viu?

Assistir a um filme dublado, mas também com legendas, é uma maneira fascinante de compreender a diferença que faz o trabalho dos tradutores. Mesmo em comédias adolescentes, as duas traduções são muito diferentes.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
Diplomacia, etiqueta. O político arranja um compromisso de última hora para não ter que ir à alguma cerimônia de algum desafeto.

Nietzsche Apaixonado
A arte deve
Primeiro: embelezar o mundo e nós. Paisagens divinas e humanos sublimes. Fazer tudo ficar bonito.
Segundo: pegar tudo aquilo que é feio, tudo aquilo que é sofrimento e tampar ou transformar. Transformar o que é ruim ou dar um jeito de extrair de tudo que não gostamos os seus significados. 
Terceiro: a parte lógica da obra de arte, a parte mais fria e de pura técnica que os artistas usam na hora de botar "a mão na massa". O que os artistas fazem para exprimir e nos mostrar as suas mensagens.
Ai, ai!
Nós modernos estamos fazendo tudo errado, tudo ao contrário: começando pelo fim e aí não começamos. Começamos pela técnica da obra de arte e achamos que isso é a mensagem, isso é o conteúdo espiritual. Confundimos a superfície com o coração. Assim não tem como a arte nos salvar.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

8 de julho de 2016.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazonidas
Henry Kayath e Jader Barbalho: uma geração brilhante de homens públicos que surgiram no Pará Pós-1964, mas que pensavam mais em si mesmos. Exemplos tristes.

Um país precisa tanto ter uma elite com bons valores, precisa muito. Aqui no Brasil a situação é bem feia.

No Brasil existem muitas e muitas leis. É justo aqui falar em exagero. Começou, parece-me, no reinado de Dom Pedro II. No Brasil sempre tivemos governos violentos e a democracia aqui sempre foi deficiente, imagino que este excesso de leis fosse uma maneira de proteger as pessoas mais humildes e desprotegidas. Tinha como dar certo? Bom, não esta dando certo. E faz mais de um século. 
Pobres sofrem violência dos poderosos, pequenos empresários morrem sufocados pelos tentáculos da burocracia e as ambiguidades da lei são bem usadas pelas "almas sebosas" de terno e gravata (a gente percebe isso pela dificuldade em combater os grandes casos de corrupção).

Espinosa apaixonado
“Engrenagem Enferrujada”, matéria de Consuelo Dieguez e publicado pela revista Veja em sua edição de 13 de setembro de 2000.
Fernando Henrique Cardoso, Eliezer Batista, Pedro Malan, Ronaldo Sardenberg e Alcides Tápias.
O Brasil é mais desenvolvido que o Chile, Argentina e México?
O estudante brasileiro fica em médio menos tempo estudando que estudantes de outros países.
Uma velha chaga: exportamos muita matéria-prima e pouca tecnologia.
Pesquisadores brasileiros vão embora, não querem ser sacrificados pelo país natal.
Problemas de funcionários de grandes corporações brasileiras: dificuldade em escrever, dificuldade em fazer contas e dificuldade em trabalhar em equipe. (Fundação Seade)
Ainda na dedada de 1980 o Brasil tinha moral para olhar nos olhos da Coréia do Sul.


“Nos EUA, em cada 1000 habitantes, 485 usam a internet. Na Argentina são 32 em cada 1000 e no Brasil, 25.” – Consuelo Dieguez em “Engrenagem Enferrujada”, matéria publicada pela revista Veja em sua edição de 13 de setembro de 2000.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

7 de julho de 2016.

Gigi D'agostino – “I'll fly with you”.
Bobinha e leve levinha. Mas é suficiente para me levar e por isso sou grato. Sabe-se lá o que é ser “suficiente” nos dias de hoje.
Coisas assim me fazem lembrar que eu nunca devo ficar com o “nariz empinado” diante da cultura pop. Nunca ser um erudito pedante e chato. Não reclamo do “Domingão do Faustão”, pelo menos não muito com os outros, simplesmente digo que não assisto e pronto.
(Mas entre nós: poucas coisas são mais depressivas que um programa de auditório pela televisão brasileira. Fico curioso para saber como é em outros países, tipo México ou Hungria.)

Nietzsche Apaixonado
Aí um dramaturgo faz as suas peças e a plateia diz em seus corações: “podemos nos levantar e entrar no palco e, naquele mundo, vivermos para sempre, pois ali é o nosso mundo! ”
Para vocês repararem como os artistas são importantes.
Há muito tempo já, jovens cariocas poderiam dizer o mesmo quanto à algumas músicas de rap e funk.


“Ávidos de lágrimas".

Nietzsche Apaixonado
Acredite se quiser: houve um tempo em que nossos poetas eram mais serenos. As suas almas eram mais firmes ditante das paixões tempestuosas e dos sentimentos desgovernados. O que os gregos antigos exigiam de seus poetas? Que eles fossem mestres dos adultos.
Mas hoje em dia é diferente. Os nossos atuais poetas são termômetros e sintomas de toda a nossa crise.

Lúcio Flávio Pinto e suas Lições Amazônidas
Talvez seja mais importante considerar os políticos, não como apenas malandros, mas como seres de uma astúcia permanente. Atitude impensada? Mudanças rápidas? Calma, eles sabem o que fazem e estão a dois ou três passos à nossa frente. 
Ficar de olho e prestar atenção em detalhes inofensivos... 

Conhecer a si primeiro, então dominar o mundo depois. 
Conhece-te a si mesmo fazendo atividades corretas e constantes. Ao agir bem você acaba se descobrindo.
(Inspirado em Baltasar Gracian)

quarta-feira, 6 de julho de 2016

6 de julho de 2016.

Desejo satisfeito não é a solução final, é apenas a porcaria de uma lanterna que acabou de acordar perto de uma fome que ainda dorme.

“Copo Vazio” – Gilberto Gil.
Arrepia a espinha e os pelos da alma em mim. Mas a alma não tem pelos e nem espinha.
E eu nem sei se tenho alma. Mas o arrepio... Sei lá onde esse arrepio esta boiando quando eu ouço essa música.

Joseph Campbell Apaixonado
Essa coisa do vegetarianismo... Talvez não seja o que a maioria dos vegetarianos pensam quando eles falam sobre isso, mas há um fato: os nossos frigoríficos e matadouros, não tem aquela harmonia mística que há entre os povos primitivos e os animais caçados. O ritual, o círculo eterno, o perdão, a benção, o sentido transcendente.
Ser vegetariano pode ser algo para uma minoria e tal, mas é fato: a humanidade não caça, não come carne de maneira nobre há muitos anos. O que perdemos com isso? Difícil saber.
Mas Joseph Campbell nos lembra duma coisa: os nossos mais antigos antepassados, quando deixaram de ser predominantemente caçadores e começaram a se tornar mais fixos à alguma região e começaram a tornar-se predominantemente agricultores, todo o seu vocabulário espiritual mudou. Outros deuses, outro universo.

E em 2016, qual é o nosso?

Nietzsche Apaixonado
A música tem muito de retardatária. Um "canto de cisne" de toda uma cultura e seus pensamentos, sentimentos e mundo interior. Talvez Bach não conseguiria ouvir um Beethoven, assim como Cartola talvez não conseguisse compreender um MC Bin Laden. Assim como a Tropicália da década de 1960 foi o efeito de um canibalismo cultural que existia muitos anos antes e que antes de "morrer", em seu último suspiro gerou este movimento cultural brasileiro.
A música também tem muito de particular, mais do que muitos que falam da música como algo "universal" costumam falar.
Nietzsche insiste muitas e muitas vezes o quanto a música é uma chave para ser conhecer um povo, uma cultura, uma época.
- Ah, isso é razoável e muita gente pesquisa desse jeito.
- Sim, sim, mas... Não sei se com tanto empenho...

Alguém já disse: "Nenhum detalhe pequeno demais, nenhum esforço grande demais."
Tudo bem, mas considere o seguinte.
É bom ter uma postura meio nobre e elitizada quanto a quantidade enorme de fofocas, mesquinharias e intrigas e outras coisas pequenas e que tanto nos atrapalham na amizade, na família e no serviço. Fique alerta, mas passe direto por essas porcarias. 
(Inspirado em Baltasar Gracian)

terça-feira, 5 de julho de 2016

5 de julho de 2016.

Uma tia do lado paterno esta com grandes problemas de saúde. Hoje ela já esta melhor, mas ainda estamos todos bem assustados.
Esse é aquele tipo de “evento peneira”, aquilo que faz a gente separar com mais eficiência as coisas de valor e aquelas coisas bobas que temos em nossas vidas.

Eu, assim como todo mundo (imagino), gosto de coisas bonitinhas e fofinhas como filhotes de gatos e cachorros fazendo bagunças, coisas coloridas e sorridentes e blá blá. Essas coisas todas. Mas eu tenho que confessar que essas coisas fofinhas me dão uma grande angústia, pois não consigo deixar de pensar o quanto isso ali é frágil e que eu mesmo posso acabar atrapalhando.

Deve ser esse sentimento que anima algumas pessoas a dizerem, com idealismo trágico, para as crianças aproveitarem o quanto são crianças. Porque quando forem adultas... (A dimensão psicológica e violenta que é um adulto dizer indiretamente a uma criança que não vale a pena tornar-se um adulto, me parece ser algo que escapa a todos. Talvez não haja má intenção, mas apenas um suspiro desesperado na atitude dos adultos que fazem isso.).

O saber educa e assim deixamos de ser selvagens. Mas saber não basta. Não basta erudição e riqueza interior e espiritual, é preciso elegância e esmero no falar e agir.
(Inspirado em Baltasar Gracian).  

sábado, 2 de julho de 2016

Hitman: Agente 47 | Segundo Trailer Legendado HD





Como complemento à postagem anterior. 

The Space Between Us Official Trailer 2016 HD





A história deste filme, claro, é linda. Eu gostei. Realmente. Mas quando pensei em falar sobre a questão dos trailers com contam toda a história dos filmes... Eu poderia ter escolhido um exemplo melhor? (risos) Talvez o segundo trailer do Hitman: Agent 47 (2015). 

Sim, pois não basta errar uma vez... Agora além de trailers que cansam por ter uma linguagem alucinante por quase 5 minutos (e que acabariam contando de qualquer forma a história do filme, a não ser que usassem uma narrativa não linear pelo menos...), temos duas, três versões de trailers.


Estou cansado e não quero me alongar muito por aqui. Apenas deixo duas questões sobre os trailers que contam toda a história dos filmes.


- Quem é responsável pelos trailers?

Imagino que pode acontecer, muitas vezes, que uma pessoa jovem que comece no cinema fique tão agradecida que um grande estúdio tenha acreditado nela e assim deixe que façam o que quiser na hora de criar o trailer de seu filme.


- O grande público não quer ser surpreendido?

É uma questão profunda. Não acredito que um trailer ruim atrapalhe tanto assim um filme. Ou seja: as pessoas vão acabar mesmo vendo os filmes. E aí: elas não querem ser surpreendidas? Nem que seja para assistir acompanhados de amigos, para fazer "guerra de pipocas" e elogiar efeitos especiais e reclamar do roteiro. Essa história de não querer ser surpreendido na hora de assistir a um novo filme é uma coisa perigosa e profunda. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

30 de junho e 1 de julho de 2016

30 de junho, meu aniversário, 33 anos.
A idade de Cristo. Estou o dia inteiro sem coçar o nariz e a “minha Escandinávia” (a maioria usa a expressão “Países Baixos” para humoristicamente referir-se ao saco escrotal, mas eu resolvi inovar).

Apesar da precariedade financeira e espiritual de minha posição, eu posso ver algumas coisas com certa clareza e isso me da algum orgulho. Algumas fotos e algumas palavras, apenas isso. Aceito toda a padronização sacra a qual eu devo me submeter como todo resto também faz; desde que eu possa dar o meu pequeno testemunho. Isso o cosmo e o tempo tem que me deixar fazer.

Nesta madrugada eu acordei. Não sei por quê. Calor, algum medo querendo deixar de ser oculto, pernilongo fêmea, eu não sei. Mas acordei.
Aproveitei para ir ao banheiro “fazer o número um” (urinar) e beber água. Acabei descobrindo uma cigarra grande (quase três pontas de dedos da mão de cumprimento, se minha memória não me falhou) em meu quarto.
Ter encontrado essa cigarra me encheu de alegria. Ter que aguentar a sua música seria um incômodo que eu amaria enfrentar. A maioria das cruzes que temos que carregar são encomendas de outras pessoas que não se importam conosco, além de serem chatas e mortais para a nossa saúde. Aguentar uma cigarra tocando a sua música em meu quarto seria o tipo de cruz legal.

O HOMEM REVOLTADO – Albert Camus.
Hölderlin + O Nascimento de Empédocles = Valorizar todos os enigmas da terra séria e doente, aqui nesta noite sagrada.

A ILÍADA – Homero.
O livro não é o que imaginamos. A velha história: nos contaram tudo errado e precisamos experimentar por nós mesmos. Ah, escola e imprensa! Ah, imprensa e escola, alguma coisa vocês fazem direito? Até nas questões eruditas nós temos que experimentar por nós mesmos.
Homero conta um pedacinho da Guerra de Tróia um pedacinho, mas ao mesmo tempo ele faz mais. Ele conta o antes e o depois, e aí a gente pode sentir o gosto do seu mundo. A Grécia de Homero.

A TRADUÇÃO É UMA FEMME FATALE
A busca pela tradução ideal tem o seu charme.

No meio de sua introdução para Ilíada (Companhia das Letras e Penguin, São Paulo, SP, 2014), um livro de bolso barato, o premiado helenista lusitano Frederico Lourenço (1963) escreve:

“Aos leitores que gostariam de ter lido na Odisséia “Atena com olhos de coruja” (glaukôpis Athéne) em vez de “Atena de olhos esverdeados”, lembro que não há dados concretos oferecidos pela linguística grega que nos permitam aproximar etimologicamente o som inicial de glaukôpis do substantivo glaux (coruja), ainda mais levando em conta que não só a palavra para coruja em Homero não é glaux como a ligação entre Atena e a coruja é ateniense e posterior à época homérica.”

O livro, como objeto físico, é uma obra de arte. Poderia ficar apenas na estante, que os nossos olhos se dariam por satisfeitos. Detalhes dourados, gravuras em páginas separadas, papel e fonte com cores diferenciadas, tirando a capa de papel mostra-se a capa interna de um roxo vigoroso de dar água na boa... A Editora Cosac Naif sabia fazer livros.
Folheando apenas por folhear, prazer por prazer. Mesmo porque cronologicamente devo ler a Ilíada primeiro, antes desta edição de luxo da Odisséia (Cosac Naif, 2014, São Paulo, SP). Eis que bem no início, pelas mãos do jovem helenista Christian Werner (não consegui descobrir sua idade, mas pela sua aparência eu diria que ele tem uns 30 anos) eu acabo encontrando sem querer:

“E a ele respondeu a deusa, Atena olhos-de-coruja:”

Oh, Christian! Oh, Christian Werner!
OBS: Claro que cada tradutor tem os seus métodos e igualmente todos vendem “os seus peixes”, mas a pouca idade de Werner e o fato de Lourenço ter ganho prêmios como tradutor... rs rs Mas isso tudo é uma coisa curiosa. A busca pela tradução ideal é mesmo fascinante.