Voltaire ajuda

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terça-feira, 7 de junho de 2016

7 de junho de 2016

Sempre que escuto “It´s the end of the world”, do REM, eu imagino que estou desafiando alguma pessoa desconhecida a cantar comigo. Tipo metrô, chão do aeroporto ou na plateia em um daqueles jogos de basquetebol em que a televisão filma tudo.
Como este sonho é incrivelmente tosco, infantil, clichê, constrangedor e bobo; vocês podem imaginar o quanto ele profundo e verdadeiro.

É ficar assistindo sem parar o “Dom Helder – Santo Rebelde”. Nem que seja o caso de colocar em repetição contínua o trailer deste documentário.

Os gifs irão voltar a este blog. Achei curioso o gif que fiz sobre um dos vídeos da Alanis Morissette ter ficado tão popular por aqui. 
A Betty Friedam e as anotações da UFMG irão voltar aqui também.


Foi em meados de 1999 que eu descobri a Filosofia, pelas mãos de Bertrand Russell e Friedrich Nietzsche. E como foi feliz eu ter, logo inicialmente, dois professores tão opostos! Opostos, mas não inimigos.

Estava, naquela época, beijando a nuca da Matemática por meio do “O Último Teorema de Fermat” (Simon Singh, 1998, Editora Record) e “O Diabo dos Números” (Hans Magnus Enzensberger, 1998, Editora Cia das Letras. O tradutor, Sérgio Tellaroli, ganhou o Prêmio Monteiro Lobato de Melhor Tradução em 1997.).  Russell sempre aparecia nas partes dos paradoxos, do infinito e da parte do zero. Que eram, claro, as partes mais divertidas e líricas da coisa toda. Então é claro que guardei o nome “Russell” em mim. A biblioteca mágica de meu avô paterno, eu descobriria depois, teria uma surpresa para mim. Mas aqui falei do britânico magro. E o alemão bigodudo?

O ano 2000 marcaria o primeiro centenário da morte de Friedrich Nietzsche, mas já em 1999 todo o mundo acadêmico e cultural já estava excitado com as expectativas das comemorações e se manifestava com frequência. Naquela época a minha família assinava a “Folha de S. Paulo” e eu encontrei-me com alguma dessas manifestações. As duas mais importantes foram os textos de Gustavo Ioshpe no “FolhaTeen” e um artigo do Rubem Alves na página 3 do primeiro caderno. O texto de Ioshpe não concordava com as ideia do filósofo alemão, mas o estrago estava feito: pois ele tinha exposto alguma das ideias mais provocantes de Nietzsche. O texto de Rubem Alves mudou minha vida porque em determinado momento ele escrevera: “Nietzsche é o filósofo que mais amo”. Aquilo bateu, mas bateu muito em meu íntimo! Usar esse termo, - “amor” -, em um assunto desses? Pode? É certo? Não destrói tudo? Rubem Alves amava e eu me coloquei, voluntariamente, a caminho da flecha do Cupido que o seu texto tinha trazido.

Nessa época, por motivos pessoais, meu pai comprou o “Filosofando: Introdução à Filosofia”. E aí o compromisso já estava firmado. (Muitos anos mais tarde, para “combinar” com meu pai, a minha mãe fez um curso de ArteTerapia e acabaria comprando um livro de Joseph Campbell [O Poder do Mito, Joseph Campbell e Bill Moyers, Editora Palas Athena, São Paulo, 2003]. Nietzsche e Campbell são os dois autores mais titânicos que conheço e unir os projetos deles seria uma coisa que eu gostaria de tentar fazer.)


Bertrand Russell era um cético, mas um cético apaixonado. Friedrich Nietzsche era o grande destruidor de ídolos fantasmas, ídolos estes que ainda fingimos obedecer.
Então por estas mãos que eu entrei pela porta da frente da mansão da Filosofia. Já entrei sabendo que não existia verdade e nem certeza absoluta.
- E isso é verdade? Perguntaria um apressado.
“É verdade”, eu responderia.
- Mas é contraditório, é circular!
Exatamente, esta em movimento. Se não existe a verdade, não da para ter uma certeza final, o que nos resta é a procura e a criação, os desejos vivos, o caminho e o caminhar.
E é a gente mesmo que tem que se consolar.
Difícil, mas vai dar certo no final. Esperança e um amor que respira.

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