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domingo, 26 de junho de 2016

26 de junho de 2016.

Veja a democracia. A democracia em um país rico e a democracia em um país pobre seriam a mesma coisa?
O cidadão do primeiro país ao ver o segundo país poderia exclamar:
- Ah, vermelhos, vermelhos! Vejo comunismo!
E o cidadão do segundo país ao visitar o primeiro poderia exclamar:
- É isso que eles chamam de previdência social? É isso que eles chamam de programas sociais? Não sei quem é mais louco, o governo de seu país ou o seu povo!

Mas dessa coisa toda, o ideal seria definir com alguma exatidão científica o que é democracia. E isso é bem complicado. Algumas coisas a gente já sabe: democracia é bom, democracia exige muito de nós e democracia é mais do que votar.
Este último ponto é interessante: muitos votam e acham que isso é tudo. Ou que o que resta nos próximos quatro anos é reclamar e reclamar. Bom, os motivos para reclamar não faltam e infelizmente vai ser assim por algum tempo. O Brasil ainda é um país pobre (não devido exclusivamente a crianças famintas e corrupção, mas a um fenômeno econômico curioso que faz o dinheiro escorrer para os locais mais equivocados). Mas o que vem antes e o que vem depois de votar são tão importantes quanto o ato de votar. E outra coisa: reclamar é bom, mas agir também é bom e é necessário.

Limonadas e bússolas. E estrelas. Estrelas guias. Saber, saber usar.
Ter um modelo para imitar e combater; isso é muito útil para a gente construir a arte final que é nós mesmos.
Novamente repetimos: saber usar o que a vida nos dá.
Mesmo que entre a matéria prima que tenhamos que usar seja o ódio, elogios venenosos e os nossos inimigos.
MILTON SANTOS: - Amargo este conselho, Baltasar.
BALTASAR GRACIAN: - Sim e eu o lamento. Mas é prudente preparar-nos para quando não tivermos em mãos as situações da vida que não são doces.
AMOR: - É difícil não sujarmos as mãos ao preparar uma limonada com os limões que a vida nos dá...
BALTASAR GRACIAN: - Atenção, atenção constante, constante e implacável.
QUEIJO: - Agora é um bom momento para convidarmos mais alguém para a nossa conversa.
AMOR: - Quem? Saoirse Ronan?
QUEIJO: - Tome jeito, Amor! Ivan? Ô, Ivan?
MILTON SANTOS: - Ele esta de boca cheia, de tanto comer a Opção do Dia do McDonalds!
BALTASAR GRACIAN: - Agora me ocorre que eu não devo ter escrito o suficiente sobre “prudência na mesa”!
IVAN TURGUÊNIEV: - Nossa, mas hoje estamos sem paciência, héin?
QUEIJO: - Não temos paciência e seu estômago, fundo!
AMOR: - Fale, fale! Fale, Ivan!
IVAN TURGUÊNIEV: - “São muitas vezes coisas bem insignificantes que causam a nossa perda definitiva e irremediável.”
(Todos aplaudem, aplaudem a sabedoria de Ivan.)

Lendo um pouco de Lúcio Flávio Pinto, a gente percebe que um dos problemas políticos brasileiros é o costume antigo de colocar a disputa política particular em primeiro lugar. Coletividade? Em segundo lugar.
No Pará é comum inaugurar várias vezes a mesma coisa (se bem que isso também é comum em outros lugares do Brasil. Se você observar bem, vai ver lugares públicos com várias placas para homenagear vereadores e prefeitos por reformar os banheiros, trocar o teto do hospital e etc. Não raro a placa dura mais que as reformas).
Outra coisa comum na Política do Pará são as coligações políticas meio doidas. Adversários viram duplas amigas, essas coisas. Isso também é comum no resto do Brasil. É bacana aqui, sugerir a quem estiver me lendo, que leia com atenção os folhetos de propaganda eleitoral: todas aquelas siglas de partidos. Uma verdadeira “salada” política que causa um mau estar no estômago da ideologia.
Outra coisa interessante lendo o Lúcio Flávio Pinto: o José Sarney, como presidente, era bem esperto, mas um pouco inseguro também.

Tudo respira, tudo pulsa, tudo vive – eis uma interpretação bem bonita em Henry David Thoreau.
A Terra é um ser vivo, o Cosmo também. Seres vivos dentro de seres vivos, seres vivos dançando com seres vivos.
É como a mudança “canta de galo” aqui, como Heráclito iria achar o máximo, é bom sermos humildes. Tudo e todos são passageiros, menos o cobrador de passagem e o motorista de ônibus. Tudo, até a nossa orgulhosa e cega civilização.
Henry David Thoreau não precisa de muito para, ao ver um pedacinho do espetáculo da mata que cerca o lago Walden é capaz de proporcionar, fazer as mais profundas e ousadas reflexões. O sujeito viaja muito. E olha que para eu dizer que um sujeito viaja muito, é porque o sujeito viaja muito mesmo.
“Et primitus oribur herba imbribus primoribus evocada.” (Ê editora L&PM e tradutora Denise Bottmann! Ê, ê! Precisávamos ter traduzido este trecho, héin?)


Durutti Column – “At First Sight”.



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