Voltaire ajuda

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 de junho de 2016

Bom, mas essas coisas acontecem. Esquecer uma senha, não defender um pênalti diante de 50 mil pessoas no estádio; essas coisas realmente acontecem. Como era aquela frase do Ricardo Bach? “Só o impossível acontece, o possível apenas se repete”? Acho que essa citação quebrou o clima de piada, mas eu sou meio assim mesmo: escrevendo errado por mim nas linhas certas dos outros.

O real problema da senha do cartão é eu ter que ir à agência em Nova Lima. É que o ônibus lotação que vai a Nova Lima faz uma viagem suicida. Há um trecho de curva “fechada” (quando você não consegue ver quem vem em sua direção) numa estrada estreita a beira de um precipício. Para a “cereja do bolo” temos os motoristas que só passam por aquele trecho em alta velocidade.
Isso é uma das coisas que me deixam louco e, desta vez pelo menos, com razão: morrer tão futilmente. Pelas mãos de motoristas distraídos e loucos, esmagado por uma marquise malfeita, pelas mãos de um menor de idade que não teve pai e escola, por falta de um remédio simples em um posto de saúde, por causa de alguma doença tropical tão facilmente evitável...
Brasil é mesmo um país selvagem. E como se preparar contra isso sem ser um materialista/hedonista ou um religioso cego?
(Estou escrevendo e rescrevendo estes aforismos desde junho de 2016 e nada de publicá-lo no blog. Eis que no dia 9 de junho, ouço pelo radio a notícia de um acidente com um ônibus transportando universitários em São Paulo. Até agora temos 8 mortos e 30 feridos. Aqui não tivemos um precipício, mas a curva “fechada” se fez presente. Naturalmente que a curva não causa acidentes sozinha, ela precisa de companhia. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas. )

Esperando o telejornal do dia, eu acabo vendo um pedaço de uma das novelas da Rede Globo. Quando uma empregada doméstica e a sua patroa irão se relacionar de verdade nas novelas da Globo? É sempre essa intimidade infantil e surreal entre empregadas domésticas e patroas, e que sempre esconde o veneno da alienação.
A empregada, no caso, era negra e branca era sua patroa. De repente me ocorre a discussão sobre o sistema de cotas raciais nas universidades. Pois é, para combater o racismo temos que primeiro assumir que existe um problema. É desagradável, eu sei, produz “um clima” e tudo; mas é o começo. E muitas vezes nas discussões nem isso temos.

Um pouco de alegria tempera tudo.
Mas repare na metáfora: eu escrevi “tempero”.

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