Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

quarta-feira, 29 de junho de 2016

29 de junho de 2016.

Tudo que é sólido desmancha-se no ar.
Ao menor cheiro de sistema
a desintegração entra em cena!
Assim é em 2016 respirar.

Então vamos continuar assim por aqui: aforismos, imagens, gotas, brisas inesperadas e quentes, abraços surpresas e surrealismo espontâneo para os pontos de vistas.

O HOMEM REVOLTADO – Albert Camus.
Quando descobri que o Alberto existia, este foi o livro dele que mais me interessei. Meio por motivos razoáveis e meio por pirraça.

O motivo razoável é que é um livro em que Camus, um dos principais autores do século XX, aborda os pontos centrais da política dos últimos tempos e faz uma defesa da liberdade frente às diversas experiências autoritárias que existiram e existiam em seu tempo. O livro foi publicado em 1951, mas como o mundo continua ferrado de um jeito incrivelmente repetitivo a sua leitura ainda é bem útil. O fato do franco-argelino ter levado pedradas vindas da esquerda (Sartre e outros) e da direita, apenas confirmaram que o livrinho merecia uma consideração. Aprendemos com Jesus que a verdade liberta todo mundo, mas também com Voltaire que ela ofende a todos. É um belo teste a se considerar sempre: se você não se sentir ofendido, das duas uma: ou você continua iludido ou você é um péssimo aprendiz.
A pirraça, o meu segundo motivo para me interessar pelo “O Homem Revoltado”, é que eu amei o título. Por mais adolescente e aborrecente que seja admitir isso. (risos)

Albert Camus é, há muito tempo, consagrado internacionalmente como um romancista. O ensaísta político e filosófico é sempre lembrado, mas como uma dimensão dele secundária. O pessoal prefere aprender filosofia com Camus por meio das suas obras literárias. E acho que é até uma coisa razoável. Acontece o mesmo com o Sartre: ninguém liga para “O Ser e o Nada” trabalho filosófico de um zilhão de páginas, mas todo mundo se importa com “A Náusea”. É o respeito a uma regra dourada: a arte sempre esta mais perto do que importa.

Camus, Camus! Comprei seu livro em 2007 e só vou lê-lo agora. Tu me perdoa, meu “santo sem Deus”?

terça-feira, 28 de junho de 2016

28 de junho de 2016.

Onde esta os pontos interessantes e úteis da entrevista da Betty Friedan ao Pasquim?
Onde esta o meu relato dos três dias em que fui à UFMG assistir a uma série de palestras sobre filosofia e morte?
Este blog é prodigo em séries que não terminam. Peço perdão. Mas é aquela coisa: meus pedaços estão dançando aqui.

Seja útil, mas não brilhe tanto a ponto acabar rapidamente a sua chama. Por mais cretino que seja dizer isso, mas temos que ser práticos: muita solicitude de sua parte e o mundo, depois de abusar, vai acabar jogando você fora. Se preserve um pouco para manter viva a sua estima aos olhos dos outros. 
(Inspirado em Baltasar Gracian)
(“Estima” é diplomacia de minha parte, Gracian fala em se preservar para manter os outros razoavelmente dependentes de você.)

ILÍADA – Homero.
O bichinho tem mais de 100 páginas só de introdução, incluindo mapas. É     quando você percebe que o trem é barra pesada.
“A primeira obra literária do Ocidente e blá blá....” Certo, certo, mas o que isso significa? Nem respeito intimidante isso gera direito. Uma ideia vaga, para sermos sinceros. Lendo a Ilíada vou me lembrar de um truque narrativo que vi em alguma comédia do Adam Sandler, feita quase 3 mil anos depois?

A introdução de 100 páginas tem textos de três autores, o meu favorito é o texto do senhor E. V. Rieu. Duas frases e eu já tinha certeza de estar diante de um prosador que domina o ofício e o tema. Que texto gostoso o dele! O cara diz o que sabe e a gente fica feliz em estar nesta aula com ele. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

27 de junho de 2016.

Aristófanes, Rabelais e Tocqueville.
Serei eu como uma madame que para compensar as frustrações de sua vida vazia, se entrega a este mundo materialista? Mas em vez de comprar sapatos e colares, eu compro livros?
E assim como uma madame presa em sua compulsão,
ou qualquer outra pessoa nesta situação,
(não podia perder esta rima, como um índio caçando um bisão)
tento racionalizar para mim mesmo por meio de um objeto de fé: a possibilidade de uma ocasião em que essa minha erudição caótica sirva para alguma coisa útil?
Claro que estou exagerando e fazendo drama. Em média devo comprar um ou dois livros por ano, muito menos do que anos atrás. Eu realmente criei juízo nessa área. Ocorre que eu estou lendo mais lentamente e isso é ruim. Tenho que voltar a ser produtivo nesta área.

O Moacyr Franco já telefonou várias vezes para a minha casa e hoje (estou escrevendo este aforismo fotográfico no dia 18 de junho de 2016) foi a vez de Luan Santanna.
Essas gravações de propaganda são fabulosas e me fazem pensar: como essas empresas conseguiram o meu número de telefone? Um computador calcula números prováveis ou, o que mais acredito, há um comércio obscuro de dados de pessoas que fica circulando entre empresas? Um pouco dos dois, provavelmente. Mas uma coisa é certa: quando você faz um cadastro, mesmo que não seja assim tão completo, em alguma loja e tal, os seus dados circulam tão rápido quanto o dinheiro.
Apenas mais alguma coisa de “1984”, de George Orwell, aqui agora em nosso mundo.


Charles Eddie – “Would I lie to you”.

Lendo Lúcio Flávio Pinto.
De repente me ocorre se o grande público compreende a extensão da intimidade dos políticos com a imprensa. Secretários, prefeitos, governadores, ministros e mesmos chefes do poder executivo conversam frequentemente com os grandes líderes dos órgãos de imprensa. E enfatize-se: essas conversas são sempre produtivas. Tudo isso não é tão óbvio assim, pois diante de matérias negativas a políticos acabamos esquecendo que no Brasil normalmente o que impera é uma parceria obscura.

SUDAM. Entre o dispositivo 17 e o dispositivo 18, o pessoal cria o "17 e meio". (Segunda metade da década de 1980).

Rubem Alves conversando com Henry David Thoreau. Jardins, jardins! Quem não gosta de jardins? E temos muitos jardins por aí. Incluindo o jardim de flores virtuosas que mora em nosso peito humano. (Aliás, isso me lembra a história do baobás de O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exúpery.)

Thoreau, um dos precursores do movimento ecológico. Sem o verde as nossas cidades ficam anômicas. Alguém esta anotando isso? 

A visão total: não há morte, dor ou veneno; há amor, renascimento e a sede de viver.


domingo, 26 de junho de 2016

26 de junho de 2016.

Veja a democracia. A democracia em um país rico e a democracia em um país pobre seriam a mesma coisa?
O cidadão do primeiro país ao ver o segundo país poderia exclamar:
- Ah, vermelhos, vermelhos! Vejo comunismo!
E o cidadão do segundo país ao visitar o primeiro poderia exclamar:
- É isso que eles chamam de previdência social? É isso que eles chamam de programas sociais? Não sei quem é mais louco, o governo de seu país ou o seu povo!

Mas dessa coisa toda, o ideal seria definir com alguma exatidão científica o que é democracia. E isso é bem complicado. Algumas coisas a gente já sabe: democracia é bom, democracia exige muito de nós e democracia é mais do que votar.
Este último ponto é interessante: muitos votam e acham que isso é tudo. Ou que o que resta nos próximos quatro anos é reclamar e reclamar. Bom, os motivos para reclamar não faltam e infelizmente vai ser assim por algum tempo. O Brasil ainda é um país pobre (não devido exclusivamente a crianças famintas e corrupção, mas a um fenômeno econômico curioso que faz o dinheiro escorrer para os locais mais equivocados). Mas o que vem antes e o que vem depois de votar são tão importantes quanto o ato de votar. E outra coisa: reclamar é bom, mas agir também é bom e é necessário.

Limonadas e bússolas. E estrelas. Estrelas guias. Saber, saber usar.
Ter um modelo para imitar e combater; isso é muito útil para a gente construir a arte final que é nós mesmos.
Novamente repetimos: saber usar o que a vida nos dá.
Mesmo que entre a matéria prima que tenhamos que usar seja o ódio, elogios venenosos e os nossos inimigos.
MILTON SANTOS: - Amargo este conselho, Baltasar.
BALTASAR GRACIAN: - Sim e eu o lamento. Mas é prudente preparar-nos para quando não tivermos em mãos as situações da vida que não são doces.
AMOR: - É difícil não sujarmos as mãos ao preparar uma limonada com os limões que a vida nos dá...
BALTASAR GRACIAN: - Atenção, atenção constante, constante e implacável.
QUEIJO: - Agora é um bom momento para convidarmos mais alguém para a nossa conversa.
AMOR: - Quem? Saoirse Ronan?
QUEIJO: - Tome jeito, Amor! Ivan? Ô, Ivan?
MILTON SANTOS: - Ele esta de boca cheia, de tanto comer a Opção do Dia do McDonalds!
BALTASAR GRACIAN: - Agora me ocorre que eu não devo ter escrito o suficiente sobre “prudência na mesa”!
IVAN TURGUÊNIEV: - Nossa, mas hoje estamos sem paciência, héin?
QUEIJO: - Não temos paciência e seu estômago, fundo!
AMOR: - Fale, fale! Fale, Ivan!
IVAN TURGUÊNIEV: - “São muitas vezes coisas bem insignificantes que causam a nossa perda definitiva e irremediável.”
(Todos aplaudem, aplaudem a sabedoria de Ivan.)

Lendo um pouco de Lúcio Flávio Pinto, a gente percebe que um dos problemas políticos brasileiros é o costume antigo de colocar a disputa política particular em primeiro lugar. Coletividade? Em segundo lugar.
No Pará é comum inaugurar várias vezes a mesma coisa (se bem que isso também é comum em outros lugares do Brasil. Se você observar bem, vai ver lugares públicos com várias placas para homenagear vereadores e prefeitos por reformar os banheiros, trocar o teto do hospital e etc. Não raro a placa dura mais que as reformas).
Outra coisa comum na Política do Pará são as coligações políticas meio doidas. Adversários viram duplas amigas, essas coisas. Isso também é comum no resto do Brasil. É bacana aqui, sugerir a quem estiver me lendo, que leia com atenção os folhetos de propaganda eleitoral: todas aquelas siglas de partidos. Uma verdadeira “salada” política que causa um mau estar no estômago da ideologia.
Outra coisa interessante lendo o Lúcio Flávio Pinto: o José Sarney, como presidente, era bem esperto, mas um pouco inseguro também.

Tudo respira, tudo pulsa, tudo vive – eis uma interpretação bem bonita em Henry David Thoreau.
A Terra é um ser vivo, o Cosmo também. Seres vivos dentro de seres vivos, seres vivos dançando com seres vivos.
É como a mudança “canta de galo” aqui, como Heráclito iria achar o máximo, é bom sermos humildes. Tudo e todos são passageiros, menos o cobrador de passagem e o motorista de ônibus. Tudo, até a nossa orgulhosa e cega civilização.
Henry David Thoreau não precisa de muito para, ao ver um pedacinho do espetáculo da mata que cerca o lago Walden é capaz de proporcionar, fazer as mais profundas e ousadas reflexões. O sujeito viaja muito. E olha que para eu dizer que um sujeito viaja muito, é porque o sujeito viaja muito mesmo.
“Et primitus oribur herba imbribus primoribus evocada.” (Ê editora L&PM e tradutora Denise Bottmann! Ê, ê! Precisávamos ter traduzido este trecho, héin?)


Durutti Column – “At First Sight”.



sábado, 25 de junho de 2016

25 de junho de 2016

Vamos, vamos! Escreve e publicar alguma coisa por aqui. Uma das regras mais importantes e mais difíceis: tem que tentar ser diário.

Tá.
Mas vou escrever o quê? 
Não sou nada, mas nada tenho. 

Bom, como aqui é um pouquinho mais que um diário maluco; algumas palavras sobre o que já me aconteceu hoje. 

Hoje eu conheci um homem que não bebe... que não bebe de maneira feliz. Não bebe de maneira feliz.

Sabe?, essas coisas eu não ignoro e não esqueço. 
Na maioria dos assuntos eu sou progressista, vermelhinho, esquerdista e tudo; mas quado chega à toxicomania eu fico meio conservador, meio chato mesmo. 
O pessoal discute tornar as leis mais liberais e tudo e eu fico completamente incrédulo. Eu penso: "esse pessoal não se lembra do cigarro? Esse pessoal não vê os problemas com as bebidas alcoólicas?" 

Tudo é conversado, claro. Mas em geral a minha postura é essa e não acho que vou mudar de opinião. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

24 de junho de 2016 (2).

"Plumas coloridas"? rs rs Bem alegre essa metáfora. Ui! 
A propósito, estou mexendo no meu arquivo de jornais então vamos voltar a ter textos sobre homoafetivos, negros, política, educação, ciência, índios, toxicomania, mulheres e etc e etc. 
- Nada como mais uma promessa...
- Sem dúvida!
(aí resolve a curiosidade sobre a lista grande de tags que este blog tem, ali em sua coluna lateral)
(se a umidade e os cupins não tiverem deteriorado tudo)

De olho no box "Coleção Ditadura", de Élio Gaspari e no relançamento de "Em Busca do Tempo Perdido", de Marcel Proust pela Editora Nova Fronteira também em formato "box". Tenho que me conter.
Fiz um serviço fotográfico e ganhei 20 Reais. Pouco e muito, como manda David Hilbert e Einstein. Pouco, pois as fotos ficaram não ficaram aquela maravilha. E muito, pois elas estavam impressas e em CD e tive que ir a Belo Horizonte. Sem mencionar que a poeira que aquele helicóptero levantou deve ter detonado o sensor da minha câmera. 

Esta frio, muito frio. O frio é ruim, paralisa (como se a porcaria da preguiça precisasse dessa ajuda). 
E toda vez que penso em falar sobre o frio aqui, eu me lembro do começo do livro "Trópico de Câncer" do Henry Miller. Aquele caos de filosofia, erotismo, lirismo... É que o começo desse livro tem um pouco de meteorologia. Bóris, o "profeta meteorológico"! E como bom profeta, Bóris não vê um céu de primavera a se aproximar.

Afeto é uma interpretação, me ensina Espinosa. 
Isso facilita as coisas?

Poder poder fazer as coisas, entende? Energia vital. 
Excitação por ter um pedaço do espaço e do tempo.
Ação e reação. Gargalho e choro, logo existo. Penso, logo preciso que amarrem-me o pé!

Alegrar-se é quase, quase, um ato de resistência e guerra ante o mundo. 

24 de junho de 2016.

Espinosa! Espinosa! Um pouquinho, só um pouquinho de Espinosa e eu já não consigo pensar outra coisa: "Espinosa, Espinosa e o resto é plumas coloridas". 

Eu conheço o mundo mais que o mundo me conhece? 
Carnaval. Salão de festas. Baile de mascarados, o famoso baile dos mascarados.

O que seria mais chocante?
A - O mundo não é como nos livros?
B - O mundo é como nos livros?


quinta-feira, 23 de junho de 2016

23 de junho de 2016.

Falei de política e falei em “pessimismo”. Ocorre-me, agora, que tão importante quanto falar em “democracia”, “liberdade”, “igualdade” e etc, quando falamos em política, seja também falar em “pessimismo” e “otimismo”. Tudo bem, o cara leu Platão e Karl Popper, mas diga-me: o sujeito é otimista ou pessimista?

Sou bobo, mas nem tanto, sei que qualquer um que queira melhorar as coisas deve ser otimista. Nem que seja só um pouco. Eu sei disso. Mas veja a burocracia sufocante nos regimes totalitários: não são elas uma maneira indireta dos governantes totalitários dizerem que não confiam no próprio povo? E mesmo em países democratas pobres como o Brasil, a burocracia é sufocante e também ela indica uma desconfiança profunda quanto ao povo. Mesmo quando falam em “tempos difíceis se aproximando em nosso horizonte”, político que é político é essencialmente um otimista. Olha a contradição.
O problema é ser otimista na última frase de um discurso vago e em suas atitudes o líder revelar-se um pessimista quanto ao próprio povo.



Existe alguma fronteira cujos limites sejam objetivos e fixos?

quarta-feira, 22 de junho de 2016

22 de junho de 2016.

Perfeição é desejável, mas esta flor tem muitos e muitos espinhos.
Você quer ser perfeito? E quem gosta de alguém perfeito?  
Não seja muito rigoroso consigo mesmo e nem com os outros. 
Como é a fórmula para este equilíbrio?
Difícil difícil saber. Uma solução me ocorre é termos deixado o nosso lado criança bem vivo em nós. Como naquela música do grupo 14 - Bis. 
(Inspirado em Baltasar Gracian)

"Sou um pervertido, e teria o maior interesse em conhecer o museu da Força Aérea de Brasília, onde esta exposta a taça de champanhe manchada de batom que dona Marisa usou na inauguração do avião presidencial. Mas como convencer um turista dinamarquês de que vale a pena fazer o mesmo?"
Digo Mainardi em "O Brasil para os brasileiros", texto publicado pela revista Veja em sua edição de 26 de janeiro de 2005.

Imagine este calculo: o quanto a economia brasileira perde com os trabalhadores presos nos congestionamentos das grandes cidades? 
Sem mencionar uma "cruz clássica" nossa nesta área: o que o Brasil perde por ter destruído a sua malha ferroviária. 

Trabalhar em casa?
Cuidado para não acabar trabalhando o dia inteiro!

Ler um pouquinho das palavras de Milton Santos me fez viajar e viajar. 
Se os estudantes aprenderem Geografia no ensino médio de maneira correta, eles, mais tarde, vão estar mais preparados para conhecer a ecologia, a economia, os problemas dos bairro onde moram e etc.

Gustavo Franco e seu artigo "O menino e a dívida", publicada pela revista Veja em sua edição de 13 de setembro de 2000. 
- Ele chamou o Celso Furtado de "mestre", embora, naturalmente, discorde de pontos relevantes dele. 
- Discussões sobre alguns temas precisam de bastante conhecimento prévio. Alguns temas os nossos estudantes do ensino médio não precisavam estar enfrentando. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

20 de junho de 2016. (2)

Oi, oi?
Passo novamente por aqui para avisar que estou lendo uma entrevista que o geógrafo Milton Santos concedeu à revista Caros Amigos.
Geógrafo Milton Santos. Professor Milton Santos.
É.
É para vocês ficarem com inveja do trem mesmo. 

http://carosamigos.com.br/index.php/grandes-entrevistas/6047-entrevista-explosiva-com-milton-santos


20 de junho de 2016.

Daí que o “levar vantagem em tudo” seja “apenas” 47% da questão, o principal é: “mostrar, aos outros brasileiros, o quanto você é independente em relação às leis”. É querer mostrar para os vizinhos, parentes e colegas de trabalho, que você só segue a lei quando quer. O quadro é, por assim dizer, mais amplo. 
Quem, no Brasil, durante mais de 300 anos era obrigado a obedecer e a seguir as regras dos outros? Quem? Durante mais de 300 anos? Quem esta me lendo é uma pessoa livre? E qual é a melhor maneira de você mostrar aos outros ao seu redor que você é uma pessoa livre? Vai adiantar um guardinha falar coisas abstratas como “bem da coletividade” para cima de você, vai adiantar?
Viu como nós somos um povo maravilhoso e complicado de lidar? Pois é. Então. Pensar nessas coisas me da um pouco de desespero. Nem na família e nem nas escolas os sinais de uma disciplina que poderia fazer do Brasil uma grande nação são abundantes aos meus olhos. Veja a nossa eficiência quanto ao combate a Dengue e por um trânsito menos trágico! Mas talvez eu esteja sendo pessimista.

“Cleóbulo era grande compositor de enigmas.”
- Morus, o tradutor, comentarista e autor de notas para a edição que possuo de Oráculo Manual e Arte de Prudência (Ediouro, São Paulo, 1979), de Baltasar Gracian.
A frase acima é de uma das notas desse “Morus”. Quem é esse Morus? (risos) Não da para saber. O livro da Ediouro não informa.
Vou procurar informações, também, sobre esse tal de Cleóbulo. Compositor de enigmas é? Adorei, adorei. Somos nós!

Uma família de aranhas esta em festa e bem acima da mesa de jantar. A aranha é do tipo bem conhecida aqui de casa. Meio gordinha e vermelha, ficando principalmente na porta. Vi uma mancha, de mais ou menos uns dois centímetros, e logo percebi o que era: filhotes. 
Festa, festa!

domingo, 19 de junho de 2016

19 de junho de 2016.

Não termino as coisas porque terminando ou não, o maldito comentário vai ser o mesmo:
- Ficou bom, mas e se...
- Ficou bom, mas você poderia...
- Mas... Mas... Mas... Mas...
Esse "mas" me destruía muito bem. Devia ter sido mais forte e ter ouvido "segundas opiniões". Onde estavam os meus amigos? Deveria ter sabido ouvir e não me sentir traído quando descobri que o juiz não era feliz. 

Saber conversar é difícil. Saber elogiar é difícil. Saber ouvir também é difícil.

Ser feliz me parece um dos bons requisitos para alguém que quer ensinar e tudo. Mas ao mesmo tempo eu penso que é um bocado fútil exigir que alguém seja feliz. 

sábado, 18 de junho de 2016

18 de junho de 2016.

Êêê... Jornalismo da Rede Globo Minas de Televisão! Querendo fazer média com o público, héin?! Estou assistindo a eles falando dos milhares e milhares de radares em Belo Horizonte para ajudar a fiscalizar o trânsito.
A indireta é essa: muitos radares, muitas multas. Ora bolas, além de investir em educação, temos mesmo que punir os motoristas que desrespeitarem a lei.

A relação entre nós brasileiros e as regras em geral é triste e animosa. Violência dos líderes políticos e educação formal cuja estrutura é totalmente oposta a natureza do povo (alguém lembra do João Manguabeira Unger falando sobre a nossa educação no “Roda Viva”: “sem inimigos externos, resolvemos guerrear contra nós mesmos”?) colaboraram para isso.
Se alguém cisma de escrever “obrigatório”, mesmo que seja alguma regra 101% maravilhosa e racional, a maioria vai torcer o nariz e não vai querer seguir. Claro, ninguém gosta de coisas obrigatórias e outros povos de outros países também são teimosos e tudo; mas nós brasileiros somos um pouco mais beligerantes diante das normas.

Tentar começar o dia com este paradoxo bonito: você é o mesmo, mas é diferente. É renovado.
O mesmo sempre, por melhor que seja, pode acabar sendo derrotado por uma novidade que seja bem boba. Seja como o sol: é sempre o mesmo, mas temperado com mudanças sutis suficientes para despertar a saudade e aplausos em nós.
(Inspirado em Baltasar Gracian).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Editorial: 20 coisas que vocês não precisavam saber sobre mim.

Acho que depois de duas horas, já para ter alguma confiança. O pessoal no FaceBook parece que gostou. Então vamos publicar aqui também. Mesmo porque andei sumido por aqui. 

20 COISAS SOBRE MIM QUE VOCÊS TINHAM BONS MOTIVOS PARA NÃO SABER
(Ninguém me convidou para a brincadeira, mas eu me convido mesmo assim)
1 - Sou filho único, então é claro que eu gostaria de ter irmãos. De preferência um irmão mais velho e bem sucedido, que me dê um emprego no super prédio onde ele é dono. Teria uma sala só para mim e uma secretária bem... bem... simpática. E um irmão mais novo para, o dia inteiro, descontar toda a minha raiva e frustração.
2 - Sou grato pela minha família, apenas lamento que ela não seja mais feliz. Apesar de todos os motivos para ser mais feliz. As famílias tem que ter mais coisas em comum e ter mais habilidade para conversar.
3 - Se eu fosse ator eu só faria papel de vilão. Mexe muito mais com a platéia e é muito mais interessante. Todo mundo sabe o que o mocinho tem que fazer e vai fazer, antes mesmo do mocinho se levantar da cadeira e falar a primeira palavra. Tudo bem, eu faria um papel de mocinho, mas teria que ser um personagem completamente, completamente diferente de mim.
4 - Quando assisto a um filme eu sempre prendo a respiração quando o personagem principal esta debaixo d´água. É para eu saber se também conseguiria sobreviver se estivesse no lugar dele.
5 - Já vi um homem tirar comida do lixo para comer. Foi no antigo restaurante popular da região hospitalar. Já vi casas realmente pobres quando fui recenseador do IBGE. Essas coisas nos fazem pensar.
6 - Sou tão fanático por farofa e açúcar mascavo que eu devia era ter nascido no Nordeste. A cegonha que me trouxe era vesga ou esqueceu a bússola em casa, quando saiu para trabalhar naquele dia. Também sou louco por queijo, mel e doce de amendoim.
7 - O meu parto foi difícil. Engasguei com o líquido da placenta, o cordão umbilical estava me enforcando, eu era grande demais e, para completar, o médico teve que me virar porque nasci com o bumbum para cima. rs rs Considero este o meu primeiro gesto político: ainda bebê eu já sabia que este mundo estava todo errado.
8 - Não tenho religião, mas me considero espiritualizado. Aqui o Joseph Campbell foi fundamental. Gostaria de ser judeu, pois a história deste povo é extraordinária e fazer parte dela ia ser o máximo. Gostaria de ser budista, pois as histórias tradicionais dessa religião são profundas. Se bem que a "Rede de Indra", no Hinduísmo, e a "Conferência dos Pássaros", no Sufismo...
Mas seguir uma religião é muito difícil. Essas regras externas dos outros... Difícil, difícil... É melhor alguma coisa mais interna e pessoal? Sei lá. Talvez eu seja é preguiçoso.
9 - Se eu fosse rico eu viajaria a vida inteira. Ficaria o tempo todo dando a volta ao mundo. Não teria família ou amigos, mas tentaria destruir o tédio e a insatisfação com todas as belezas dos mundo. (Teoricamente eu sei que eu não conseguiria, mas pelo menos ia valer a pena tentar)
10 - Sou muito egoísta. Vivo no mundo da Lua e as minhas emoções são mais loucas que uma roda gigante.
11 - Acredito na salvação pela arte. Isso é uma das poucas coisas em que realmente eu acredito. Música para mim é tudo. Acho que sem música eu já teria me matado. Acho, pois essa é uma hipótese difícil de especular pois eu teria que pensar em um mundo sem música. E eu não consigo pensar em um mundo sem música.
Música, filmes, livros, filosofia... Tudo isso é fundamental como a higiene das mãos. O termo é: formação humanista. Acreditar no humano.
12 - "O Meu Pé de Laranja Lima" e "O Pequeno Príncipe" são os dois livros mais importantes que eu conheço.
13 - Dizem que eu sou inteligente. É o único elogio que recebo. Eu sei que se eu deixasse as pessoas se aproximarem de mim, eu poderia receber outros elogios. Eu sei, mas é difícil.
Se mais alguém falar que eu sou inteligente eu vou jogar uma cadeira nesta pessoa.
14 - Esqueci: a arte também me impede de ser ateu.
15 - Não tenho um tipo específico de mulher. Mas as personagens femininas do Robert Crumb...
16 - Tchaikovsky é o autor da trilha sonora de minha alma. A sua "Valsa das Flores" e "Pas de Deux", do balé "O Quebra Nozes", são duas das músicas mais belas que conheço. Chaplin é a única figura histórica que queria ter conhecido. Queria ter ido ao enterro do ator que interpretou o Chaves e o Chapolin, pois sou muito grato a ele.
17 - Queria ser uma pessoa otimista e ser uma pessoa que tem pensamentos leves.
18 - Encomendei um poema para um amigo poeta. Mas ele, como bom poeta, esta me enrolando a meses.
O meu plano é simples e factível. O meu amigo poeta vai acabar ganhando o Nobel de Literatura. Aí vai ter a cerimônia no palácio da família real sueca. Obviamente que eu seria um dos convidados. Aí no meio do jantar eu tiro a minha roupa e fico pendurado em um daqueles lustres gigantes que a gente vê nos filmes. No meio da confusão eu raptaria uma das cozinheiras (que seria a Sarah Silverman) e declararia guerra à Suécia. E no final eu fugiria da confusão a bordo de um avião bombardeio. Lá no céu a Sarah Silverman perguntaria para mim:
- Mas... Mas... Mas afinal quem é você??
E eu responderia:
- Iglesias, Aldrin Iglesias!
19 - Tenho que confessar que as vezes eu sou meio bobo.
20 - Tenho orgulho de ser brasileiro, mas sei que o nosso país é bem selvagem ainda. Ele precisa de mais amor. Como o mundo inteiro precisa de mais amor.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

13 de junho de 2016.

- O que eu invejo?
- O que eu desejo?
- Quais são os meus valores?
- O que você já sabe sobre você, pô!
(Algumas pistas para você se conhecer)

O passado já era e o futuro nunca chega
e o presente é um escorrer escorrer pelos dedos.

Se uma pessoa é preguiçosa, ela não pode ser uma existencialista. 

Reflexão, refletir. Muitos espelhos a escolher. Transformar em ouro e limonada, todas essas coisas que caem sobre meu peito. 

É curioso perguntar: o que do período histórico em que vivemos a influência em nós é mais poderosa e importante?

Seja sincero, seja realista quanto a sua produtividade.
É capaz de fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo?
Priorizar: não deixe de acreditar e de construir as tarefas a longo prazo. Existe as tarefas importantes e existe as tarefas urgentes. 
Não deixe a ansiedade usar o amanhã para envenena-lo. 
A tecnologia tem que ajudar você.
Varie as tarefas. O corpo e a mente agradecem. O corpo agradece o movimento e a mente não gosta de tédio.
Planeje o tempo para as tarefas a médio e longo prazo. 
Clareza em suas atitudes.
Ócio. Mas não tédio.

Encontrar um palco, encontrar uma platéia.

Maquiavel. É o poder, companheiras e companheiros. É a potência.

domingo, 12 de junho de 2016

12 de junho de 2016

Palestras. Discursos.
Eu gosto. É realmente um grande prazer ouvir e ver alguém falando bonito e falando algo inteligente. E quem não gosta? Aliás, aqui no Brasil a oratória é uma paixão. Temos diversos palestrantes que são quase estrelas de cinema.
Mario Sergio Cortella, Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, são três nomes populares. Eu lamento ter conhecido o Rubem Alves tão tarde.
Tem muitos vídeos de palestras dos autores que citei no YouTube. Recomendo que quem esteja me lendo os procure e os veja o máximo que puder. 

Houve um terrível massacre nos Estados Unidos. Uma coisa louca, difícil de compreender. Assusta e nos deixa paralisados. 

Não quero terminar a postagem de hoje com tristeza. Ontem, na radio comunitária, tive um improviso feliz. Tinha separado as músicas, mas não tinha preparado um texto de apresentação sobre a música e sobre os artistas. Resolvi fazer em cima da hora. Antes de começar o programa (eu tinha chegado antes do meu programa), consegui preparar o texto para as três primeiras músicas. Mas o tempo correu rápido e eu acabei tendo que escrever o texto da música seguinte, enquanto a música anterior tocava. E deu certo. O texto não ficou muito profundo, mas teve o "charme" do improviso que eu tive que fazer. O que para um programa feito ao vivo é alguma coisa. 

sábado, 11 de junho de 2016

11 de junho de 2016.

Também acabei vendo um pedacinho do “Brasil Urgente”, um programa de televisão que trata do cotidiano das cidades, mas principalmente é um programa que trata de casos policiais. É na Rede Bandeirantes de Televisão e é apresentado pelo José Luiz Datena.

Jornalismo policial, com os seus casos macabros, sempre foi popular no maior país católico do mundo que é o Brasil, - Nietzsche explica. Ou a inércia da criatividade dos produtores e a inércia dos telespectadores é que explicam? Eu já verifiquei, pessoalmente, que “da boca para fora”, as pessoas não gostam desse tipo de jornalismo.

Nietzsche Apaixonado

A arte mais bobinha é muito popular, mas é que a arte anda recuada e recolhida. E a situação é difícil também porque muitos que falam em levar arte de qualidade ao público mais humilde na verdade estão mentindo.

Já entre a classe média e rica, a relação com a arte forma um cenário melancólico: sozinhos eles não conseguem ser felizes e por isso precisam de arte. A arte salva, salva sim, mas um público vivo e potente também salva a arte. Mas não somos gregos de verdade há algum tempo.

É interessante como Nietzsche descreve essa classe média e rica de seu tempo, que usa a arte como salva vidas e não como uma águia companheira e amiga:

- A missa é chata para ele, mas este jovem ou adulto culto ainda não conseguiu a total liberdade e por isso ainda precisa do consolo religioso.

- Um quase nobre que, apesar de tudo, é fraco demais para poder renunciar e heroicamente colocar a própria vida de cabeça para baixo.

- A pessoa rica que se acha rica demais para um trabalho humilde e que é indolente para um trabalho nobre.

- A garota que não sabe muito bem encontrar os deveres para o seu crescimento interno.

- A mulher que esta em um casamento infeliz e tem plena consciência que este casamento pode acabar a qualquer instante.

- Qualquer profissional liberal que entrou no mercado de trabalho cedo demais, antes de conhecer a sua vocação; e assim ganha prêmios como funcionário do mês ao mesmo tempo em que carrega um verme em seu peito.


“Vivemos mais é de informação e menos do que vemos: vivemos na fé alheia.” – Baltasar Gracian em Oráculo Manual e Arte de Prudência.

Quando nos informamos a respeito de algo, temos que prestar muita muita atenção!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 de junho de 2016

Bom, mas essas coisas acontecem. Esquecer uma senha, não defender um pênalti diante de 50 mil pessoas no estádio; essas coisas realmente acontecem. Como era aquela frase do Ricardo Bach? “Só o impossível acontece, o possível apenas se repete”? Acho que essa citação quebrou o clima de piada, mas eu sou meio assim mesmo: escrevendo errado por mim nas linhas certas dos outros.

O real problema da senha do cartão é eu ter que ir à agência em Nova Lima. É que o ônibus lotação que vai a Nova Lima faz uma viagem suicida. Há um trecho de curva “fechada” (quando você não consegue ver quem vem em sua direção) numa estrada estreita a beira de um precipício. Para a “cereja do bolo” temos os motoristas que só passam por aquele trecho em alta velocidade.
Isso é uma das coisas que me deixam louco e, desta vez pelo menos, com razão: morrer tão futilmente. Pelas mãos de motoristas distraídos e loucos, esmagado por uma marquise malfeita, pelas mãos de um menor de idade que não teve pai e escola, por falta de um remédio simples em um posto de saúde, por causa de alguma doença tropical tão facilmente evitável...
Brasil é mesmo um país selvagem. E como se preparar contra isso sem ser um materialista/hedonista ou um religioso cego?
(Estou escrevendo e rescrevendo estes aforismos desde junho de 2016 e nada de publicá-lo no blog. Eis que no dia 9 de junho, ouço pelo radio a notícia de um acidente com um ônibus transportando universitários em São Paulo. Até agora temos 8 mortos e 30 feridos. Aqui não tivemos um precipício, mas a curva “fechada” se fez presente. Naturalmente que a curva não causa acidentes sozinha, ela precisa de companhia. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas. )

Esperando o telejornal do dia, eu acabo vendo um pedaço de uma das novelas da Rede Globo. Quando uma empregada doméstica e a sua patroa irão se relacionar de verdade nas novelas da Globo? É sempre essa intimidade infantil e surreal entre empregadas domésticas e patroas, e que sempre esconde o veneno da alienação.
A empregada, no caso, era negra e branca era sua patroa. De repente me ocorre a discussão sobre o sistema de cotas raciais nas universidades. Pois é, para combater o racismo temos que primeiro assumir que existe um problema. É desagradável, eu sei, produz “um clima” e tudo; mas é o começo. E muitas vezes nas discussões nem isso temos.

Um pouco de alegria tempera tudo.
Mas repare na metáfora: eu escrevi “tempero”.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

9 de junho de 2016

O cartão da poupança finalmente chegou. A Caixa Econômica demorou tanto para me entregar o cartão que os juros devem ter acrescentado pelo menos uns 25 centavos à minha conta.
O problema é que nessa novela toda eu esqueci a nova senha. Bem que alguém podia, na época, ter me lembrado de anotar a nova senha em algum lugar. Mas é como diz o ditado: o problema de ser burro, é que muitas vezes você não esta sendo burro sozinho. Quem já fez trabalho em grupo no colégio ou na faculdade sabe do que estou falando: burrice “boa” é burrice acompanhada.

Acho que sei qual foi a senha que escolhi e sei que esse problema todo é bem pequeno. Eu sei. Mas essas pequenas frustrações me deixam louco. Frustrações em geral me deixam louco, mas as pequenas me deixam mais louco ainda. Sei que isso não faz sentido e não estou dizendo que se eu tivesse em uma enrascada, por exemplo, no meio da Guerra do Golfo, eu ficaria mais sereno. É que essas pequenas frustrações são pequenos detalhes que me fazem lembrar que eu nunca serei um adulto pleno.

Como vocês podem ver eu gosto de fazer um drama. Acho que meu coração gosta de pensar que ele é algum ex-goleiro, alcoólatra e constantemente assombrado por aquele pênalti não defendido naquela final realmente histórica.

A arte salva, mas também temos que salvar a arte. Como os bons gregos antigos.


Fados. Os fados nos arrastam. Quem são os meus fados? Eles gostam de Beatles e de doce de amendoim? Eles andam de skate? Como faço para conhece-los? Acho que vou escrever uma carta.

terça-feira, 7 de junho de 2016

7 de junho de 2016

Sempre que escuto “It´s the end of the world”, do REM, eu imagino que estou desafiando alguma pessoa desconhecida a cantar comigo. Tipo metrô, chão do aeroporto ou na plateia em um daqueles jogos de basquetebol em que a televisão filma tudo.
Como este sonho é incrivelmente tosco, infantil, clichê, constrangedor e bobo; vocês podem imaginar o quanto ele profundo e verdadeiro.

É ficar assistindo sem parar o “Dom Helder – Santo Rebelde”. Nem que seja o caso de colocar em repetição contínua o trailer deste documentário.

Os gifs irão voltar a este blog. Achei curioso o gif que fiz sobre um dos vídeos da Alanis Morissette ter ficado tão popular por aqui. 
A Betty Friedam e as anotações da UFMG irão voltar aqui também.


Foi em meados de 1999 que eu descobri a Filosofia, pelas mãos de Bertrand Russell e Friedrich Nietzsche. E como foi feliz eu ter, logo inicialmente, dois professores tão opostos! Opostos, mas não inimigos.

Estava, naquela época, beijando a nuca da Matemática por meio do “O Último Teorema de Fermat” (Simon Singh, 1998, Editora Record) e “O Diabo dos Números” (Hans Magnus Enzensberger, 1998, Editora Cia das Letras. O tradutor, Sérgio Tellaroli, ganhou o Prêmio Monteiro Lobato de Melhor Tradução em 1997.).  Russell sempre aparecia nas partes dos paradoxos, do infinito e da parte do zero. Que eram, claro, as partes mais divertidas e líricas da coisa toda. Então é claro que guardei o nome “Russell” em mim. A biblioteca mágica de meu avô paterno, eu descobriria depois, teria uma surpresa para mim. Mas aqui falei do britânico magro. E o alemão bigodudo?

O ano 2000 marcaria o primeiro centenário da morte de Friedrich Nietzsche, mas já em 1999 todo o mundo acadêmico e cultural já estava excitado com as expectativas das comemorações e se manifestava com frequência. Naquela época a minha família assinava a “Folha de S. Paulo” e eu encontrei-me com alguma dessas manifestações. As duas mais importantes foram os textos de Gustavo Ioshpe no “FolhaTeen” e um artigo do Rubem Alves na página 3 do primeiro caderno. O texto de Ioshpe não concordava com as ideia do filósofo alemão, mas o estrago estava feito: pois ele tinha exposto alguma das ideias mais provocantes de Nietzsche. O texto de Rubem Alves mudou minha vida porque em determinado momento ele escrevera: “Nietzsche é o filósofo que mais amo”. Aquilo bateu, mas bateu muito em meu íntimo! Usar esse termo, - “amor” -, em um assunto desses? Pode? É certo? Não destrói tudo? Rubem Alves amava e eu me coloquei, voluntariamente, a caminho da flecha do Cupido que o seu texto tinha trazido.

Nessa época, por motivos pessoais, meu pai comprou o “Filosofando: Introdução à Filosofia”. E aí o compromisso já estava firmado. (Muitos anos mais tarde, para “combinar” com meu pai, a minha mãe fez um curso de ArteTerapia e acabaria comprando um livro de Joseph Campbell [O Poder do Mito, Joseph Campbell e Bill Moyers, Editora Palas Athena, São Paulo, 2003]. Nietzsche e Campbell são os dois autores mais titânicos que conheço e unir os projetos deles seria uma coisa que eu gostaria de tentar fazer.)


Bertrand Russell era um cético, mas um cético apaixonado. Friedrich Nietzsche era o grande destruidor de ídolos fantasmas, ídolos estes que ainda fingimos obedecer.
Então por estas mãos que eu entrei pela porta da frente da mansão da Filosofia. Já entrei sabendo que não existia verdade e nem certeza absoluta.
- E isso é verdade? Perguntaria um apressado.
“É verdade”, eu responderia.
- Mas é contraditório, é circular!
Exatamente, esta em movimento. Se não existe a verdade, não da para ter uma certeza final, o que nos resta é a procura e a criação, os desejos vivos, o caminho e o caminhar.
E é a gente mesmo que tem que se consolar.
Difícil, mas vai dar certo no final. Esperança e um amor que respira.

domingo, 5 de junho de 2016

5 de junho de 2016

- Eu te amo.
Deve ser uma coisa muito bonita de se ouvir. A mais bonita, talvez. 
E qual seria a segunda coisa mais bela de ser ouvida?
- Bom dia, professor. Bom dia, professora.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

No dia 30 de maio de 2016 (dia 3 de junho de 2016)

Mais uma série de debates “Interseções”, na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais. Na edição de 2016, “Diálogos com a Morte” (grifo meu). Auditório Baesse, de 30 de maio a primeiro de junho de 2016, sempre de 14 horas as 16 horas.
Três dias batendo um papo com a Morte, vendo garotas bonitas da UFMG e brincando com a sabedoria. Publicar aqui, agora, o que eu anotei nesses três dias. (o que anotei com adaptações que faço na hora de revisar)

É para não dizerem, depois, que eu fui à UFMG e não fiz uma “revolução”. Na Praça de Serviços, estou embaixo daquela lona de circo gigante que cobre um pequeno anfiteatro (aqueles teatros tipo Grécia Clássica, sabe?). Ninguém usando aquelas cadeiras e aquelas mesas que estavam ali no centro, bem ao lado do palco. Todo mundo lendo, escrevendo, consultando celulares ou notebooks usando o chão ou os seus próprios joelhos.
Aí eu, ignorando a minha condição de forasteiro maldito da UFMG, levantei-me e fui até o centro do anfiteatro e puxei uma cadeira e uma mesa. E comecei a escrever, com muito mais conforto. Eu, todo corajoso e destemido! Querendo ser humilde e lutando contra o meu orgulho que quer porque quer saber se tem alguém me olhando, admirado, pela minha atitude!
LÊNIN: - Pelas barbas de Marx e do materialismo dialético, mas quanta intrepidez e voluntarismo! Todo mundo deve ter olhado para você e pensado: “Oh, oh!, porque eu também não tive tão louca atitude?!”
EU: - Merci, merci ...
LÊNIN: - Eu estava sendo sarcástico, seu classe média!
( Na hora eu me lembrei de uma cena do filme “Homens de Preto” (Men in Black, Barry Sonnenfeld, 1997), a cena em que o personagem do Will Smith fica fazendo um teste para ingressar naquela organização secreta. Tem uma hora que ele e os concorrentes estão fazendo uma prova e o Will é o único que tem a iniciativa de pegar uma mesa e tal. )

Assim como muitos sonhos que temos abandonam a nossa memória antes mesmo que cheguemos à mesa do café da manhã, eu devo ser rápido e capturar e jogar palavras no papel antes que a imagem daquela mulher evapore de meus olhos.
No ônibus 5102, a caminho da UFMG.
Ela era muito alta. Devia ter uns 43 anos, por aí. Não muito mais velha que eu. Pele clara e toda cheia de pintinhas. Um vestido muito longo (nesses tempos vulgares, alguém lembra que um vestido longo também é perigoso?). Anel grande, pulseira, colares, ela estava toda enfeitada. Cabelos longos e lisos, de um vermelho escuro ou escuro com sombras vermelhas? Sem franja. Os traços de seu rosto não eram delicados. Difícil descrevê-los. Se eu tivesse que pedir ajuda de imagens comuns a todos, eu pediria que quem estivesse me lendo pensasse naquelas atletas da Europa Oriental durante a Guerra Fria, nas Olimpíadas, ao imaginar o rosto dela. Ou talvez os rostos daquelas irmãs mais velhas e altas, sempre solteironas, nos filmes de comedia, sacaram? Um rosto grande, duro, quase, - eu disse “quase” -, masculino.
Tantas palavras, tanto preâmbulo para dizer que aquela mulher era linda. Acontece que eu achei ela linda, mesmo ela não tendo nenhum dos traços que eu gosto em uma mulher. E isso é uma tremenda vantagem: não saber, nunca saber, de antemão, previamente, que algo pode ser belo para mim. Tremenda vantagem! Tremenda vantagem!
Esta mulher acabou sentando do meu lado no ônibus. Sentou ao meu lado e imediatamente me transformou em um pirralho de 14 anos que resistia com todas as forças para não virar o pescoço e fazer para ela aquela cara de criança que inesperadamente esta diante do seu ídolo. E na verdade eu só pensava em dizer: “Moça, ô moça, você é uma das mulheres mais lindas que eu já vi! Ok? Promete para mim que nunca, nunca vai se achar feia?”

Agora isso. Uma garota morena, quase negra. Baixinha e fofinha. Em sua camiseta cor de vinho podemos ler “fonoaudiologia” (ou será “filosofia”?). Ela esta a mais de dez metros de mim e caminha rapidamente. E ela usa um... Um... Um... A morena baixinha fofinha com camisa cor de vinho usa um... chapéu! Um chapéu! Ficou ótimo nela, mas... um chapéu??
Pronto, eis mais uma musa nascendo para os meus olhos... Testemunhem todos vocês com isso quanto o meu coração e minha imaginação são prostitutos! Eles querem ser fisgados, mas qual será a senha?
Apenas saberei na hora. Até lá, diante do feminino, estarei como que passeando distraído em um museu infinito até ser surpreendido por uma mão delicada que saia de um quadro e segure a minha mão nervosa.

Estou na UFMG, Universidade Federal de Minas Gerais. Contando com hoje, esta deve ser apenas a terceira vez que eu venho por aqui. As minhas impressões anteriores eram negativas por causa dos prédios. Muita escuridão, muito concreto (apesar dos cartazes e da pichação sempre coloridos) e uma sugestão de frieza no ambiente. Intimamente me perguntava se era possível ensinar e aprender algo em prédios como aqueles.
A unidade do Centro Universitário Newton Paiva em que me formei em Comunicação Social em 2006 era completamente diferente. A arquitetura era mais “humana”, mas havia ali um invencível “ar de colégio”. O que para mim foi fatal e até para outros colegas eu acredito que igualmente não ajudou. Vendo com olhos de 10 anos, eu lamento: a atmosfera de “colégio” poderia ajudar a aprender mais e melhor. Esse “ar de colégio” poderia ser traduzido em informalidade e intimidade, e assim dos professores e dos técnicos nós alunos poderíamos ter tirado muito mais. Acho que na UFMG eles devem ter muito mais um desejo de profissionalismo e formalidade, que afasta e intimida um pouco.

As anotações sobre a primeira palestra, “Filosofia e Morte”, já irão aparecer por aqui. Mas antes, mais uma musa. Eu caminhei por todo o prédio onde esta a faculdade de Filosofia (fizera o mesmo no prédio de Belas Artes). Andei, andei. Quem me via deveria pensar que eu era algum turista, devido a cara de bobo deslumbrado que eu tinha ao olhar tudo. Eu mal piscava os olhos. Mas foi só na legendária Fafich é que aconteceu o divino susto: muito branca, cabelo curtinho, traços faciais delicados e muitas tatuagens querendo sair de sua blusa. Com quarenta e poucos anos, ela saiu inesperadamente de alguma sala e por pouco não tromba em mim.
Azar o nosso. Se nossos narizes tivessem se trombado, obviamente que começaríamos a dançar e, voando, pousaríamos apenas quando chegássemos ao rio Eufrates.

Filosofia e Morte
A palestra foi legal, mas preciso puxar algumas orelhas. A palestra na verdade foi “A Morte em Montaigne” e “A Morte em David Hume”. Não foi muito geral, como podemos ver e que o título sugeriria. Os dois palestrantes até que falaram de maneira simples, um não acadêmico que não conhecesse filosofia só precisaria prestar muita atenção.
Lúcio Vaz (Filosofia – UFES)
A morte em Michel de Montaigne. Paganismo. Não ter medo de morrer. A “bela morte”. Homero e as tragédias gregas. Agostinho de Hipona chega e “tchau paganismo”. Inspirado em Montaigne: Que a morte nos encontre fazendo algo bonito e imperfeito, e que nós não nos abalemos nem pela Morte e nem pelas nossas vidas imperfeitas. Lúcio Vaz acredita em um Montaigne ateu, o que é uma opinião contrária ao que os acadêmicos pensam.

Lívia Guimarães (Filosofia – UFMG)
Esta mulher é uma professora e se parece com uma professora. Baixinha, magrinha, óculos e cabelos grisalhos. E uma voz que sugere fragilidade. Sempre sorrindo. Muito querida pelos alunos presentes que, como ela, não deixavam de sorrir a todo instante. Me deixei levar. Simpatizei com ela na hora.
E não tinha outro jeito. Além do sorriso, o seu amor por David Hume era contagiante. Simplesmente contagiante! David Hume! David Hume!
“Apenas deixo para trás os que também irão morrer.” David Hume desejou expressamente que a sua obra filosófica fosse conhecida paralelamente com os detalhes de sua vida pessoal. O que ele pensou e como ele escolheu viver. Cícero + Virgílio  = Hume gosta. [ Acho que o filósofo romano Cícero é mais profundo que o Reali e Antiseri disseram em suas História da Filosofia (Editora Paulus, 1990). Tenho que lembrar de prestar a atenção nesse Cícero.]


E fim das anotações do primeiro dia. Esperam que tenham gostado, pois temos mais dois dias.

3 de junho de 2016 (parte dois)

Ouvindo sem parar o segundo movimento da Sinfonia Número 40 em Sol Menor (RV 550), de Mozart.
Depois pulo para outro segundo movimento de Mozart.
O segundo movimento de Sinfonia Número 41 em Dó Maior (KV 551), também conhecida como "Sinfonia Júpiter". 

Aaaaahh !!!!

Quero, depois, que escrevam sobre mim
Que quando eu ouvia essas duas músicas eu me rasgava em dois
virava estrela no céu e espuma no mar
nascia e nascia de novo, freneticamente
e se partia em mil e dois pedaços
e ficava feliz e pleno
completo e compreendido e compreensível 
e autêntico 
e filho da Deusa Mãe, da Mãe Natureza.

Aaaaahh !!!!

3 de junho de 2016.

Junho. Este mês é mês de meu aniversário. Desde que deixei de ser criança eu não tenho festa de aniversário e passo por essa data de maneira estranha: sentindo ela e não sentido. As vezes raspo o cabelo como forma de "ritual". (risos)

E sempre que meu aniversário passa eu lembro de uma coisa que eu ia achar o máximo de fazer. É uma ideia que compartilho aqui agora com vocês.
A cada aniversário
comprar um jornal do dia
separar a primeira página e uma reportagem ou alguma parte do jornal que você acha interessante ou bonita e guarde-a.
e colocar em uma pasta.
fazer isso em todos os aniversários.
Não ia ocupar muito espaço. E ia ser fabuloso eu ter isso. 
(Este ano irei fazer. E também irei procurar na internet os dados sobre 1983, 1984, 1985... Não sera a mesma coisa, mas sera o possível.)

Junho. Meu aniversário. 
33 anos.
Minha mãe não para de falar que esta é "a idade de Cristo". É aquela coisa que não é preciso nem lembrar: "praga de mãe sempre pega".
E como se não bastasse tudo isso, ainda tem um fato óbvio e claro: eu sou um latino-americano. Então com 33 anos... Bom, é bom eu realizar alguma coisa que preste nesta minha vida.

O dinheiro do aluguel, a fotografia que é um serviço que parece que ninguém por aqui precisa, o trauma do teatro e do trem "maria fumaça"... 
No segundo dia de debates na UFMG, na volta, no ponto de ônibus, tive uma das conversas mais gostosas da semana (e do mês, do ano e deixa pra lá). Era com um funcionário de lá. Ele tinha uns 45 anos, era grisalho e cego (ele pediu minha ajuda para pegar o ônibus 5102 e a partir daí começamos a conversar). Quando disse que eu era formado em jornalismo ele disse que sentiu desânimo em minha voz. A partir daí ficamos falando sobre as maneira de ficarmos ricos. Rimos bastantes. Ele adorou a fórmula que citei: "acorde cedo, trabalhe muito e ache petróleo". Rimos bastante. Gostei de fazê-lo rir. Gosto de fazer os outros rir. Uma das poucas coisas que preste que eu faço.



quarta-feira, 1 de junho de 2016

foi bom

Terminei meus três dias de palestras na UFMG. Nossa, foi muito bom. Foi tudo perfeito. Até conversei e fiquei de entrar em contato depois. 
Gostei, gostei demais. 

Quero mais. 

sono

Isso que acontece quando se escreve com sono. Tem que corrigir pelo menos três vezes a postagem já publicada. 
E que diagramação foi aquela que aumentou o tamanho de uma das palavras? rs rs 

Deixa pra lá.