Voltaire ajuda

Voltaire ajuda

terça-feira, 31 de maio de 2016

Rascunho de um problema

Quando criança.
Uma pobre formiga, presa em uma terrível teia de uma terrível aranha malvada. 
Eu tiro a formiga da teia. Meu pai me repreende:
- Não interfira na natureza! 
- Mas eu também não sou parte da natureza? 
(Não que, criança que eu era, eu soubesse do que estava falando, mas de certa forma eu pelo menos intuía.)

Hoje. Palestra sobre eutanásia e bioética. Eu lembro da cena da lanchonete no filme You don´t know Jack (Barry Levinson, 2010).
Você sabe. Você age.
Agir e saber. Saber e agir.
Que a injeção vai matar na hora.
Que a interrupção do tratamento também vai matar, daqui a um dia ou uma semana. E não importa a morfina ou o soro, não importa. Você sabe.

Se ortotanásia é uma "eutanásia domesticada" ou não, é algo pesado. E vamos continuar no clima.

Aborto.
Então temos um religioso compreensível ou um ateu razoável a dizerem:
- Aborto, não. Camisinha? Camisinha, sim.
Hum...
Você sabe. Você age.
Agir e saber. Saber e agir.
Que diferença faria se você não usasse camisinha? 
E mesmo para o mais inofensivo dos métodos anticoncepcionais temos o peso do saber e do compromisso:
Que diferença faria se você fizesse amor nestes dias marcados no calendário?

Então é assim.
Quando diante dos seus olhos os caminhos se mostram, você já assumiu o compromisso e já é culpado. Não importando que caminho, entre infinitos, você escolha finalmente. Não importa. Você já assumiu um compromisso. Você já é culpado. 

Mas qual compromisso? Qual culpa? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, tudo jóia?
Escreva um comentário e participe.