Voltaire ajuda

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

6 de maio de 2016.

Correr na chuva e sentir o gosto de terra molhada. Olhar para a Lua como se fosse a primeira vez e deixar que o trabalho de uma abelha derrote o que você pensa sobre dinheiro. Não há sob o céu jogos muito melhores do que esse. E não é, Henry David Thoreau?

Ser organizado multiplica o tempo. Caracas, mas isso muita gente diz e eu já devo ter escrito algo assim por aqui. Mas é outra vez aquela velha história: a preguiça, o vento e a falta de atenção fazem as palavras de valor escoar pelo ralo.

Eu ouvi ou li em algum lugar que uma boa maneira de julgar uma pessoa é pelas perguntas às quais ela procura resposta em sua vida. Por quais respostas você sairia em perseguição alucinada? Eu tenho duas perguntas: O que há de verdadeiro neste mundo? O que eu tenho que seja meu? Infelizmente as respostas provisórias que tenho a essas perguntas não são muito animadas. Ainda bem que estas respostas chatas são provisórias.

Eu escrevi aqui outro dia sobre a Dengue. De como eu e meus pais tivemos essa doença e nos recuperamos bem. Mas eu não contei tudo. Aliás, é impossível contar tudo e isso é uma virtude e não um defeito das palavras. As palavras, diferente de nós, sabem melhor quando é preciso parar. A questão da mentira e das “meias verdades” é uma responsabilidade nossa e não das palavras. Enfim, a Dengue. A recuperação foi rápida e tudo terminou mais ou menos bem (ganhei duas manchas brancas nas unhas, o que não acontecia desde que eu era uma criança). Mas houve um pequeno momento ruim para mim. Pequeno, mas muito intenso a ponto d´eu não conseguir esquecer. Foi no fim de uma tarde, entre as 18 horas e 22 horas. Não sei traduzir bem o que aconteceu. Não sei se foi a consciência de que eu poderia morrer ou foi a consciência que a minha vida é um desperdício. Um pouco dos dois? Não sei. De concreto foi uma sensação de profundo desespero e ansiedade, como se eu fosse um animal selvagem recentemente preso em uma cela e estivesse apenas começando o auge de seu arranhar as garras nas paredes. Não era tanto o não morrer quanto o não ver o que eu via como a última coisa; entendem? Difícil explicar. Queria gritar. Queria estar em outro lugar. O peito querendo explodir. Fugir e mandar todas, todas, todas as pessoas que eu conhecia para o inferno e nunca mais. A ideia de suicídio já não era aquele consolo infalível e se eu tivesse em mãos um vidro de veneno, eu poderia dizer pela primeira vez que a oportunidade convidou o desejo e ele ia dizer “sim”. Mas a crise passou. Ninguém ficou sabendo. E eu continuo aqui, um pouquinho, pouquinho diferente de antes.
Acho que essas duas manchas nas unhas significam falta de vitamina ou algo do tipo.

Programas gratuitos de edição de fotos e imagens em geral têm aos montes por aí, gratuitos e com todos os recursos necessários. Sério: gratuidade e a sofisticação que o amador e o profissional precisam. Ao alcance de um clique, ao viajar pela internet. O que se esquece de contar é que as vezes o TIFF não abre e o JPEG também não abre, e aí você fica totalmente dependente de um mesmo programa de computador e isso não é bom.
Já levei uns bons sustos em relação a isso.

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