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domingo, 29 de maio de 2016

29 de maio de 2016

Entrevista que a Betty Friedan concedeu aos jornalistas do Pasquim em abril de 1971, por ocasião do lançamento do seu livro no Brasil (As Grandes Entrevistas do Pasquim, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1975). [2 de 3]

- No início da década de 1970 o "Woman´s Lib" era o movimento que mais crescia dentro do seguimento da população que clamava por mudanças na política partidária e em questões sociais básica, nos Estados Unidos. 

- Mudar o status da mulher na sociedade para algo mais justo e digno é pouca coisa? Se conseguir isso, não teríamos reflexos em outras áreas de nossa sociedade e país? A luta do feminismo não almeja alvos pequenos, mas os seus sonhos são ainda maiores e mais importantes do que até as mulheres poderiam pensar. 

- Aqui temos um problema na entrevista e em mim. A questão das mulheres que queimaram o sutiã. Betty Friedan não gostou. Não sei o motivo: talvez o protesto tenha sido motivo de piada e isso desviou muito o foco da imprensa? Realmente eu não sei. No final da entrevista, Betty Friedan e Millôr Ferandes focaram bravos uns com o outro. Não sou historiador ou especialista em feminismo, mas me parece que essa questão da queima do sutiã é meio complicada.
Coisa curiosa. No documentário que mais amo, o "Nós que aqui estamos, por vós esperamos" (Marcelo Masagão, 1999), a cena das mulheres queimando o sutiã é bonita e engraçada e é difícil entender como isso pode ter sido encarado como algo negativo. Mas isso é algo que não posso perguntar a Betty Friedan e o livro do Pasquim não tem introdução, posfácio ou uma nota de rodapé para contextualizar as coisas. Tudo bem que ele foi publicado em 1975, quatro anos depois da entrevista; mas podiam ter pensado que alguém poderia estuda-lo em 2016. 

- A caminhada das mulheres em busca por igualdade e dignidade, é uma luta que ultrapassa as fronteiras da idade, da cor de pele, das classes econômicas...
É algo que pode unir.

- Muitas feministas só parecem falar de sexo, sexo e sexo.
É uma questão de mal entendido e também algo compreensível pois as feministas são muitas e elas são diferentes. O discurso das feministas muitas vezes tem o início a partir das suas próprias experiências pessoais e o sexo é algo importante na vida.

- É preciso repetir: se uma mulher quiser se libertar, ela vai ter que se preocupar com os problemas de água e segurança do seu bairro, a questão do imposto de renda na política, a lei sobre patente na ciência e etc. e etc. 

- Uma legislação liberal quanto ao aborto é justa. A mulher precisa desta liberdade sim. Os que reclamam devem pensar no que é feito aos homens envolvidos: a punição não é a mesma. 

- "Isso aconteceu até mesmo comigo. Quando escrevi meu livro (A Mística Feminina), cada capítulo que eu terminava eu me perguntava: será que fiquei louca? Tudo era tão contrário ao pensamento convencional." - Betty Friedan. 

(continua)

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