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sábado, 28 de maio de 2016

28 de maio de 2016

Ontem eu escrevi aqui de improviso, diretamente no site. Até que acho que não falei muitas coisas bobas. Mesmo tratando de um assunto complexo como é o feminismo e seus sonhos; e um assunto grave como é o caso do estupro coletivo que aconteceu no Rio de Janeiro e que continua sendo tão comentado por todos. 

Mas subestimei a minha biblioteca: embora eu tenha pouquíssimas autoras e nenhum título feminista, não estou assim tão mal: em "Filosofia da Vida" (The Mansions of Philosophy, 1929; minha edição brasileira é de 1948), o meu amado Will Durant fala muito sobre as mudanças que as mulheres viveram (para vocês terem uma ideia de como tudo foi tão rápido: já em 1929 elas já tinham conquistado muito e impressionado a todos) e muito também sobre a educação da sua filha Ethel. 

Outra coisa interessante aqui é uma entrevista que a Betty Friedan concedeu aos jornalistas do Pasquim em abril de 1971, por ocasião do lançamento do seu livro no Brasil (As Grandes Entrevistas do Pasquim, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1975). 
- Qual livro da Betty Friedman, "A Mística Feminina"? 
(risos) Boa pergunta, o jornalismo do Pasquim é um tanto exótico e eu não fiquei sabendo. 
Essa entrevista, muito interessante, me colocou em meio a um dilema: eu transcrevo ela aqui na íntegra ou tento fazer um resumo? A transcrição me daria muito trabalho, mas teria a vantagem de colocar a "bola" com as leitoras e os leitores que estariam mais livres para suas interpretações. Por outro lado, um resumo seria um desafio para mim: interpretar e tentar ser fiel à ideias dos envolvidos.
Vou ficar com a preguiça e o desafio da interpretação. 

Então vai ser assim para os dois livros: um resumo com os pontos principais. Vou tentar citar a Betty Friedam o máximo possível.

Entrevista que a Betty Friedan concedeu aos jornalistas do Pasquim em abril de 1971, por ocasião do lançamento do seu livro no Brasil (As Grandes Entrevistas do Pasquim, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1975). [1 de 3]

- A entrevista começa com uma descrição das roupas da Betty Friedam. "(Descrição de Joyce, mulher do Miguel Paiva)"

- Betty Friedam: Brasil é um país interessantíssimo, um "quebra cabeça"; não vim aqui para subverter as relações entre homens e mulheres, as mulheres brasileiras podem sim fazer isso. 

- "Flávio Rangel - Você disse que está se informando sobre a posição da mulher brasileira. Que especies de posições você já encontrou?
BETTY - Oh! Eu sei exatamente a piada que você está querendo insinuar."

- Betty Friedam: a minha revolução não é piada, a situação das mulheres não é uma piada. Piadas são engraçadas, mas também são eficientes em destruir a busca por um mundo mais justo. Liberdade, mas também cuidado ao rir e ao fazer rir. 

- Betty Friedam: um dos perigos do humor é que você ri e sem perceber as pessoas e seus problemas perdem a sua dimensão humana. A gente ri e, sem perceber, ficamos frios.

- "Eu acho que é justamente essa despersonalização e desumanização do sexo que ajudam a criar uma espécie de frustração, alienação e solidão até que se tenha vontade de urrar. Tanto os homens como as mulheres estão presos a esquemas de sexo obsoletos em meu país." - Betty Friedam. 

(continua)

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