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sexta-feira, 27 de maio de 2016

27 de maio de 2016

Sou um homem e, portanto, não posso comentar o caso de estupro coletivo que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro?
Uma amostra do que pude ler no FaceBook. Sim, esse terrível caso policial esta mexendo muito com todos. 

Gosto muito de filosofia. Filosofia não ensina a pensar "corretamente", o termo não é esse. É melhor falar em: "pensar com atenção real". Você sabe bem o que esta fazendo. Subindo, descendo, indo à direita, indo á esquerda, dando meia volta, começando do zero ou começando depois do infinito... O nosso dia a dia é muito sufocante e nos esmaga, o resultado é que a gente fica um pouco "zumbi" quanto ao mundo. A filosofia é um ótimo remédio contra isso. 

Pelo que pude acompanhar hoje no FaceBook, entre as coisas sensatas ditas pelas feministas com a melhor das intenções e os exageros ditas pelas mesmas e também com a melhor das intenções; pude captar isso. E aqui temos um bom começo para mudanças reais. Espero ter conseguido captar bem.

- Feminismo e seus desejos não podem continuar tendo um status de "coisa exótica", ao contrário: deve ser algo familiar a todos. Sua presença nas conversas, mesmo entre homens, não deve ser algo raro. A razão é cristalina: a vitória do feminismo é a vitória de todos nós.

- Os homens devem fazer um movimento "para dentro": repensar bem o que realmente pensam e o que realmente sentem a respeito das mulheres e dos direitos delas. Não é preciso ser um "Freud" para perceber que aqui o terreno é muito, muito nublado e escorregadio. Você esta sendo cauteloso e sensato, ou machista e autoritário ao pedir pudor à sua prima na hora dela vestir para ir a um show a noite? Você manteria a mesma opinião se tivesse se colocado no lugar da sua colega de trabalho? 
As mulheres, por sua vez, devem fazer um "movimento para fora": viver a vida sem medo. Vivemos em um mundo cheio de preconceitos e cheio de violências, é verdade e infelizmente vai ser assim por algum tempo; mas ser mulher não pode ser crime e motivo de culpa. 

- Agora o "campo cultural". Aqui a coisa fica muito muito complicada, pois com a melhor das intenções a gente pode reclamar da liberdade em vez de reclamar das autoridades. Por exemplo, é desagradável, como aconteceu comigo, comprar pão em uma tarde e ouvir vinda da rua mais uma daquelas músicas de "funk ginecológico cheio de referência a garotas jovens". Ocorre que a liberdade do artista deve ser sagrada e artistas que fazem mal uso dela devem prestar contas às autoridades prontamente. Agora me pergunte sobre o estado da placa da delegacia daqui da cidade...
A nossa sociedade é machista e o caminho para que a mulher tenha o reconhecimento justo é longo e cheio de armadilhas. 
(Esse ponto precisa ser melhor tratado aqui.)

Me levanto e vou à minha biblioteca. Poucas autoras e apenas uma que poderíamos identificar como sendo feministas e mesmo assim não tenho certeza quanto a isso, pois não li os dois livros que tenho dela: Jurema Finamour.
É, o caminho é logo para todos. Para todos.

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