Voltaire ajuda

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

26 de maio de 2016.

Uma jovem foi estuprada recentemente no Rio de Janeiro. Não sei detalhes, mas parece que foi vingança de seu namorado e o crime envolveu pelo menos 30 estupradores. E, como se quisessem superar o mal absoluto, ainda tiveram a frieza de filmar e compartilhar as imagens horrendas. Inacreditável. Inacreditável.

Um desses momentos em que palavras não bastam e nossa indignação, por mais justa e poderosa, não consegue também deixar de ser vã.

Mas nos temos que seguir em frente e a jovem vítima também. Acompanhemos as repercussões, por exemplo: se não me engano, uma campanha nacional contra os crimes sexuais anda um pouco sumida dos meios de comunicação de massa. E as repercussões entre as forças de segurança, naturalmente devemos também acompanhar.

Falar alguma outra coisa depois de um assunto desses não deixa de ter algum mau gosto e peço perdão a alguma sensibilidade que tem o privilégio de ser ainda mais indignada. Mas temos que seguir, temos. Gostaria de ser pai e penso que uma educação que ensine a respeitar o feminino é uma das coisas mais básicas. E isso basta, pelo menos por enquanto.


Há mais de uma semana atrás participei de um debate entre alunos de Direito. Era um desses encontros “filme-debate”. O filme no caso era o encantador “A Vida dos Outros” (Das leben der Anderen, Florian Henckel von Donnersmarck, 2006). Passou na TV Cultura de São Paulo há muito tempo. Há alguns anos atrás a TV Cultura passava alguns filmes e documentários bons durante a semana, sempre às 22 horas. Depois eles pararam e eu sinceramente tenho medo de saber por quê.

(Deixa eu contar uma história divertida. Ela não é divertida e nem seria certo considera-la “interessante”, mas eu acho divertido e nem quero saber. Foi assim, uma vez, entre os documentários, a TV Cultura passou um sobre a primeira e “mais famosa” terrorista/guerrilheira palestina árabe. Esqueci o nome dela. Tenho que lembrar de procurar na internet antes de terminar de publicar este texto aqui. [ Leila Khaled ] Pois pois, não lembro se foi na mesma semana, mas foi com certeza foi na seguinte: arranjaram um documentário a respeito do holocausto que os judeus sofreram nas mãos dos nazistas para ser exibido na TV. Acho que telefonemas tocaram e algumas orelhas foram puxadas nos bastidores da TV Cultura. Não se “equilibra” as coisas assim, embora eu confesse que não saberia oferecer uma alternativa. Talvez exibir o documentário sobre o Holocausto duas ou três semanas depois? Um seguido do outro me pareceu artificial e forçado. Além disso se cometeu um erro comum: palestinos árabes pacíficos se ressentem com as comparações com os nazistas mesmo quando dirigidos aos seus grupos violentos, mesmo ressentimento que os judeus pacíficos sentem quando sofrem a mesma comparação e que acontece quando o exército israelense apronta mais uma das suas. Bom, mas eu achei tudo isso interessante. A “guerra de propaganda” é sempre interessante. Quem mandou a minha professora de português/literatura Vera gostar tanto de mandar a gente analisar as propagandas de jornais e revistas, lá nos tempos de Colégio Santo Agostinho?)

Bom. Onde a gente tava? Ah, no encontro “filme-debate” com estudantes de Direito.

Foi maravilhoso eu ter ido e quase que não fui. Tímido que sou, quase tive um ataque cardíaco de tanto que meu coração pulsava quando levantei a mão para fazer uma pergunta. Sério, não é charminho barato de hipocondríaco, o trem batia e batia forte. Bom, mas eu fiz perguntas e acho que o pessoal deve ter me achado um pouco inteligente, os estudantes de Direito. Pessoal simpático, aliás. Gostei muito. Eles estavam bem vestidos e me pareceram até bastante idealistas e até ingênuos mesmo. E eu com o meu tênis tão sujo e coração tão amargo...


Sobre o filme “A Vida dos Outros” (Das leben der Anderen, Florian Henckel von Donnersmarck, 2006), tem um ponto interessante: o espião estava vigiando o casal de artistas. Aí acontece o “milagre” e o espião se torna um homem justo. Ora ora, espionagem deste tipo era comum na Alemana Oriental sobre o regime comunista em que ela vivia. Assim sendo, havia muitos outros espiões também vigiando... E também se convertendo? Hum, hum... Se aconteceu com um, pode acontecer com outros... Hum, hum... Hum, hum... Temos que um regime político ferrado espontaneamente se transformaria de dentro para fora em algo mais livre e justo? O problema disso é que parece algo determinista, ingênuo, além do detalhe do tempo: vai demorar quanto tempo esse “espalhar juízo nos corações e mentes”?

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