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quarta-feira, 25 de maio de 2016

25 de maio de 2016

Stevie Wonder – “Isn't She Lovely”.
Ah… Que triste ouvir isso: “ela não esta apaixonada por você”! Mas ao mesmo tempo, por não conhecer a letra e assim toda minha intenção é me deixar levar inconscientemente pela canção, eu adoro ouvir. Bem gostosa mesmo de escutar.
Não seria formidável se as piores notícias chegassem aos nossos ouvidos por meio do piano e voz de Stevie Wonder?

É engraçado. Bem, eu acho que sim. Acho que se pudessem me ver, achariam alguma graça. Estou tirando a grama do meio das pedras da estrada e, ao meu lado no chão, uma agenda preta e um lápis. Não preciso muito para viajar pela maionese, agora imagine se estou no meio de um trabalho que seja um saco? Vai vai, agenda preta, tente capturar meia dúzias de palavras para eu transformar em um aforismo mais tarde no computador! De grão em grão eu formo um testemunho de quem eu fui. Galileu sussurrou “e pur si muove”, eu escrevo em um blog. Cada um com sua guerra e vaidade.

A fonte é suspeita: a editora brasileira que publicava as suas obras nesta época. Bom, mas acho que deve ser verdade mesmo que Hermann Hesse é um dos autores estrangeiros que mais fizeram sucesso no Brasil. Nos anos de 1960 e na década seguinte. E mesmo em todos os tempos por aqui.
- E daí?
E daí que qualquer biografia vagabunda de Hesse nos informa que ele valorizava a sua produção poética tanto ou mais que sua obra em prosa. Pergunte à Academia Sueca quando lhe deu o seu Nobel de Literatura. E depois de mais de 50 anos de Hesse no Brasil, a sua poesia é inédita para nós. Isso vai começar a mudar quando?


Hesse me lembra o “Jogo das Contas de Vidro”, a única obra em prosa dele que meu avô paterno tinha e que eu não terminei de ler.

“Demian” (quando Hesse finalmente vira Hesse. Li em uma tarde. Fabuloso, fabuloso!),

“Gertrud” (o melhor livro de todos do ponto de vista estético e minha obra favorita de Hesse. A ambiguidade do personagem principal pode agradar quem leu e gostou de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.),

“Narciso e Goldmund” (a parte da cigana assanhada foi tão viva que eu tive que me levantar da cama e prestar uma “homenagem” às virtudes narrativas do escritor alemão. Este livro perdeu pontos comigo porque o seu final foi obviamente escritos as pressas e não é preciso ser um especialista acadêmico para notar isso. Eu realmente fiquei bravo com Hesse por causa disso, pois poucas vezes me entreguei em uma leitura como eu fiz aqui com ele.),

“O Lobo da Estepe” (dispensa comentários, é mesmo tudo aquilo que dizem: um dos vértices de toda arte literária do século XX. Por outro lado, a submissão de Harry diante de Hermínia e o final ambíguo podem irritar bastante.),

“Sidarta” (finalmente o equilíbrio entre estética e sabedoria e, portanto, a obra-prima de Hesse? Talvez, talvez. Sem dúvida foi fundamental para o orientalismo da segunda metade do século XX, os hippies e tudo. O trecho em que Sidarta lembra seu pai, quase no final do livro, derrota até o mais gelado dos corações. É sério, leia guardando um lenço. Eu sei do que falo.)

e uns dois volumes reunindo narrativas curtas (algumas realmente magistrais e outras em que Hesse apenas se repete).

Acho que citei todas da coleção de meu avô paterno. Os livros não estão aqui para eu conferir agora.
Bom, o fato é que me faltava justamente “Jogo das Contas de Vidro”. O livro se arrastava um pouco, eu me entediei e, para coroar a falta de gás do projeto de conhecer Hesse completamente, eu perdi o meu incentivo externo.
Incentivo externo que era, obviamente a um romântico marmota como eu, uma garota. Já falei dela aqui. A minha baixinha-fofinha-ruiva-psicóloga-paulista-e-que-gosta-de-usar-óculos-escuros-tipo-Bono-Vox.
Ela conhecia Hesse e eu queria impressionar ela. Engraçado que quando eu falava isso, ela ficava brava comigo. Mas o que ela queria? Sendo amigo ou namorado, a gente tem que fazer alguma coisa! E ela me falava toda hora sobre os seus empregos fabulosos e ao mesmo tempo se mostrava insegura quanto a mil coisas, em toda aquela ambiguidade típica dos seres femininos. Se apenas escutar é difícil e imagine depois de tantos meses! Eu me sentia um lixo e inseguro diante dela, mas não podia falar isso; óbvio. Eu tinha que tentar impressionar, ser mais do que eu era, sei lá. Bom, eu só faço besteira mesmo. Coração inteligente e vagabundo, e que eu sempre deixo no comando.
Mas isso tudo faz bem mais de um ano, eu não quero mais ela. Eu e ela vimos as cicatrizes nossas que não queríamos mostrar e isso castra mesmo.
- Então porque você contou tudo isso?
Pois é, para ser sincero eu me perdi e deixei que as palavras me levassem. Deve também ser influência de uma série de entrevistas literárias que ando vendo por meio da internet. Dois por dia, para vocês verem como eu estou curtindo. Era só para dizer que vou tentar evitar abandonar “Walden”, de Henry David Thoreu, como abandonei “Jogo das Contas de Vidro”. A leitura do livro de Thoreau travou e travou que é uma coisa.


Onde estou? Fome, banho e cansaço. Tenho que publicar isso e salvar o mundo com os meus comentários políticos no FaceBook. Como eu disse: cada um com sua guerra e vaidade. E as vezes sendo a gente mesmo. Pelo menos quando a vida e o nosso peito deixam.

Nossa, o modo aleatório do computador colocou para tocar agora “Gota D’água”, de Chico Buarque.
E na interpretação clássica da Simone.
Mas que p*, héin computador?
Mas que p*...
E não adianta tocar depois Gang of Four, não adianta.
Mas que p*.

Desatenção?
Faça não.
Deixa em paz.

Por favor.

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