Voltaire ajuda

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terça-feira, 31 de maio de 2016

Rascunho de um problema

Quando criança.
Uma pobre formiga, presa em uma terrível teia de uma terrível aranha malvada. 
Eu tiro a formiga da teia. Meu pai me repreende:
- Não interfira na natureza! 
- Mas eu também não sou parte da natureza? 
(Não que, criança que eu era, eu soubesse do que estava falando, mas de certa forma eu pelo menos intuía.)

Hoje. Palestra sobre eutanásia e bioética. Eu lembro da cena da lanchonete no filme You don´t know Jack (Barry Levinson, 2010).
Você sabe. Você age.
Agir e saber. Saber e agir.
Que a injeção vai matar na hora.
Que a interrupção do tratamento também vai matar, daqui a um dia ou uma semana. E não importa a morfina ou o soro, não importa. Você sabe.

Se ortotanásia é uma "eutanásia domesticada" ou não, é algo pesado. E vamos continuar no clima.

Aborto.
Então temos um religioso compreensível ou um ateu razoável a dizerem:
- Aborto, não. Camisinha? Camisinha, sim.
Hum...
Você sabe. Você age.
Agir e saber. Saber e agir.
Que diferença faria se você não usasse camisinha? 
E mesmo para o mais inofensivo dos métodos anticoncepcionais temos o peso do saber e do compromisso:
Que diferença faria se você fizesse amor nestes dias marcados no calendário?

Então é assim.
Quando diante dos seus olhos os caminhos se mostram, você já assumiu o compromisso e já é culpado. Não importando que caminho, entre infinitos, você escolha finalmente. Não importa. Você já assumiu um compromisso. Você já é culpado. 

Mas qual compromisso? Qual culpa? 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Desculpas

Tem que ser diário, mas também tem que ter boa qualidade.

Estou participando de três dias de palestras filosóficas sobre a morte e fiquei fora o dia inteiro. Muito cansado para conseguir passar a limpo a quantidade de anotações que fiz. Não sou um virtuose da língua portuguesa, mas também não vou ficar escrevendo qualquer bobagem. Pelo menos não intencionalmente.


domingo, 29 de maio de 2016

29 de maio de 2016

Entrevista que a Betty Friedan concedeu aos jornalistas do Pasquim em abril de 1971, por ocasião do lançamento do seu livro no Brasil (As Grandes Entrevistas do Pasquim, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1975). [2 de 3]

- No início da década de 1970 o "Woman´s Lib" era o movimento que mais crescia dentro do seguimento da população que clamava por mudanças na política partidária e em questões sociais básica, nos Estados Unidos. 

- Mudar o status da mulher na sociedade para algo mais justo e digno é pouca coisa? Se conseguir isso, não teríamos reflexos em outras áreas de nossa sociedade e país? A luta do feminismo não almeja alvos pequenos, mas os seus sonhos são ainda maiores e mais importantes do que até as mulheres poderiam pensar. 

- Aqui temos um problema na entrevista e em mim. A questão das mulheres que queimaram o sutiã. Betty Friedan não gostou. Não sei o motivo: talvez o protesto tenha sido motivo de piada e isso desviou muito o foco da imprensa? Realmente eu não sei. No final da entrevista, Betty Friedan e Millôr Ferandes focaram bravos uns com o outro. Não sou historiador ou especialista em feminismo, mas me parece que essa questão da queima do sutiã é meio complicada.
Coisa curiosa. No documentário que mais amo, o "Nós que aqui estamos, por vós esperamos" (Marcelo Masagão, 1999), a cena das mulheres queimando o sutiã é bonita e engraçada e é difícil entender como isso pode ter sido encarado como algo negativo. Mas isso é algo que não posso perguntar a Betty Friedan e o livro do Pasquim não tem introdução, posfácio ou uma nota de rodapé para contextualizar as coisas. Tudo bem que ele foi publicado em 1975, quatro anos depois da entrevista; mas podiam ter pensado que alguém poderia estuda-lo em 2016. 

- A caminhada das mulheres em busca por igualdade e dignidade, é uma luta que ultrapassa as fronteiras da idade, da cor de pele, das classes econômicas...
É algo que pode unir.

- Muitas feministas só parecem falar de sexo, sexo e sexo.
É uma questão de mal entendido e também algo compreensível pois as feministas são muitas e elas são diferentes. O discurso das feministas muitas vezes tem o início a partir das suas próprias experiências pessoais e o sexo é algo importante na vida.

- É preciso repetir: se uma mulher quiser se libertar, ela vai ter que se preocupar com os problemas de água e segurança do seu bairro, a questão do imposto de renda na política, a lei sobre patente na ciência e etc. e etc. 

- Uma legislação liberal quanto ao aborto é justa. A mulher precisa desta liberdade sim. Os que reclamam devem pensar no que é feito aos homens envolvidos: a punição não é a mesma. 

- "Isso aconteceu até mesmo comigo. Quando escrevi meu livro (A Mística Feminina), cada capítulo que eu terminava eu me perguntava: será que fiquei louca? Tudo era tão contrário ao pensamento convencional." - Betty Friedan. 

(continua)

sábado, 28 de maio de 2016

28 de maio de 2016

Ontem eu escrevi aqui de improviso, diretamente no site. Até que acho que não falei muitas coisas bobas. Mesmo tratando de um assunto complexo como é o feminismo e seus sonhos; e um assunto grave como é o caso do estupro coletivo que aconteceu no Rio de Janeiro e que continua sendo tão comentado por todos. 

Mas subestimei a minha biblioteca: embora eu tenha pouquíssimas autoras e nenhum título feminista, não estou assim tão mal: em "Filosofia da Vida" (The Mansions of Philosophy, 1929; minha edição brasileira é de 1948), o meu amado Will Durant fala muito sobre as mudanças que as mulheres viveram (para vocês terem uma ideia de como tudo foi tão rápido: já em 1929 elas já tinham conquistado muito e impressionado a todos) e muito também sobre a educação da sua filha Ethel. 

Outra coisa interessante aqui é uma entrevista que a Betty Friedan concedeu aos jornalistas do Pasquim em abril de 1971, por ocasião do lançamento do seu livro no Brasil (As Grandes Entrevistas do Pasquim, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1975). 
- Qual livro da Betty Friedman, "A Mística Feminina"? 
(risos) Boa pergunta, o jornalismo do Pasquim é um tanto exótico e eu não fiquei sabendo. 
Essa entrevista, muito interessante, me colocou em meio a um dilema: eu transcrevo ela aqui na íntegra ou tento fazer um resumo? A transcrição me daria muito trabalho, mas teria a vantagem de colocar a "bola" com as leitoras e os leitores que estariam mais livres para suas interpretações. Por outro lado, um resumo seria um desafio para mim: interpretar e tentar ser fiel à ideias dos envolvidos.
Vou ficar com a preguiça e o desafio da interpretação. 

Então vai ser assim para os dois livros: um resumo com os pontos principais. Vou tentar citar a Betty Friedam o máximo possível.

Entrevista que a Betty Friedan concedeu aos jornalistas do Pasquim em abril de 1971, por ocasião do lançamento do seu livro no Brasil (As Grandes Entrevistas do Pasquim, Editora Codecri, Rio de Janeiro, 1975). [1 de 3]

- A entrevista começa com uma descrição das roupas da Betty Friedam. "(Descrição de Joyce, mulher do Miguel Paiva)"

- Betty Friedam: Brasil é um país interessantíssimo, um "quebra cabeça"; não vim aqui para subverter as relações entre homens e mulheres, as mulheres brasileiras podem sim fazer isso. 

- "Flávio Rangel - Você disse que está se informando sobre a posição da mulher brasileira. Que especies de posições você já encontrou?
BETTY - Oh! Eu sei exatamente a piada que você está querendo insinuar."

- Betty Friedam: a minha revolução não é piada, a situação das mulheres não é uma piada. Piadas são engraçadas, mas também são eficientes em destruir a busca por um mundo mais justo. Liberdade, mas também cuidado ao rir e ao fazer rir. 

- Betty Friedam: um dos perigos do humor é que você ri e sem perceber as pessoas e seus problemas perdem a sua dimensão humana. A gente ri e, sem perceber, ficamos frios.

- "Eu acho que é justamente essa despersonalização e desumanização do sexo que ajudam a criar uma espécie de frustração, alienação e solidão até que se tenha vontade de urrar. Tanto os homens como as mulheres estão presos a esquemas de sexo obsoletos em meu país." - Betty Friedam. 

(continua)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

27 de maio de 2016

Sou um homem e, portanto, não posso comentar o caso de estupro coletivo que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro?
Uma amostra do que pude ler no FaceBook. Sim, esse terrível caso policial esta mexendo muito com todos. 

Gosto muito de filosofia. Filosofia não ensina a pensar "corretamente", o termo não é esse. É melhor falar em: "pensar com atenção real". Você sabe bem o que esta fazendo. Subindo, descendo, indo à direita, indo á esquerda, dando meia volta, começando do zero ou começando depois do infinito... O nosso dia a dia é muito sufocante e nos esmaga, o resultado é que a gente fica um pouco "zumbi" quanto ao mundo. A filosofia é um ótimo remédio contra isso. 

Pelo que pude acompanhar hoje no FaceBook, entre as coisas sensatas ditas pelas feministas com a melhor das intenções e os exageros ditas pelas mesmas e também com a melhor das intenções; pude captar isso. E aqui temos um bom começo para mudanças reais. Espero ter conseguido captar bem.

- Feminismo e seus desejos não podem continuar tendo um status de "coisa exótica", ao contrário: deve ser algo familiar a todos. Sua presença nas conversas, mesmo entre homens, não deve ser algo raro. A razão é cristalina: a vitória do feminismo é a vitória de todos nós.

- Os homens devem fazer um movimento "para dentro": repensar bem o que realmente pensam e o que realmente sentem a respeito das mulheres e dos direitos delas. Não é preciso ser um "Freud" para perceber que aqui o terreno é muito, muito nublado e escorregadio. Você esta sendo cauteloso e sensato, ou machista e autoritário ao pedir pudor à sua prima na hora dela vestir para ir a um show a noite? Você manteria a mesma opinião se tivesse se colocado no lugar da sua colega de trabalho? 
As mulheres, por sua vez, devem fazer um "movimento para fora": viver a vida sem medo. Vivemos em um mundo cheio de preconceitos e cheio de violências, é verdade e infelizmente vai ser assim por algum tempo; mas ser mulher não pode ser crime e motivo de culpa. 

- Agora o "campo cultural". Aqui a coisa fica muito muito complicada, pois com a melhor das intenções a gente pode reclamar da liberdade em vez de reclamar das autoridades. Por exemplo, é desagradável, como aconteceu comigo, comprar pão em uma tarde e ouvir vinda da rua mais uma daquelas músicas de "funk ginecológico cheio de referência a garotas jovens". Ocorre que a liberdade do artista deve ser sagrada e artistas que fazem mal uso dela devem prestar contas às autoridades prontamente. Agora me pergunte sobre o estado da placa da delegacia daqui da cidade...
A nossa sociedade é machista e o caminho para que a mulher tenha o reconhecimento justo é longo e cheio de armadilhas. 
(Esse ponto precisa ser melhor tratado aqui.)

Me levanto e vou à minha biblioteca. Poucas autoras e apenas uma que poderíamos identificar como sendo feministas e mesmo assim não tenho certeza quanto a isso, pois não li os dois livros que tenho dela: Jurema Finamour.
É, o caminho é logo para todos. Para todos.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

26 de maio de 2016.

Uma jovem foi estuprada recentemente no Rio de Janeiro. Não sei detalhes, mas parece que foi vingança de seu namorado e o crime envolveu pelo menos 30 estupradores. E, como se quisessem superar o mal absoluto, ainda tiveram a frieza de filmar e compartilhar as imagens horrendas. Inacreditável. Inacreditável.

Um desses momentos em que palavras não bastam e nossa indignação, por mais justa e poderosa, não consegue também deixar de ser vã.

Mas nos temos que seguir em frente e a jovem vítima também. Acompanhemos as repercussões, por exemplo: se não me engano, uma campanha nacional contra os crimes sexuais anda um pouco sumida dos meios de comunicação de massa. E as repercussões entre as forças de segurança, naturalmente devemos também acompanhar.

Falar alguma outra coisa depois de um assunto desses não deixa de ter algum mau gosto e peço perdão a alguma sensibilidade que tem o privilégio de ser ainda mais indignada. Mas temos que seguir, temos. Gostaria de ser pai e penso que uma educação que ensine a respeitar o feminino é uma das coisas mais básicas. E isso basta, pelo menos por enquanto.


Há mais de uma semana atrás participei de um debate entre alunos de Direito. Era um desses encontros “filme-debate”. O filme no caso era o encantador “A Vida dos Outros” (Das leben der Anderen, Florian Henckel von Donnersmarck, 2006). Passou na TV Cultura de São Paulo há muito tempo. Há alguns anos atrás a TV Cultura passava alguns filmes e documentários bons durante a semana, sempre às 22 horas. Depois eles pararam e eu sinceramente tenho medo de saber por quê.

(Deixa eu contar uma história divertida. Ela não é divertida e nem seria certo considera-la “interessante”, mas eu acho divertido e nem quero saber. Foi assim, uma vez, entre os documentários, a TV Cultura passou um sobre a primeira e “mais famosa” terrorista/guerrilheira palestina árabe. Esqueci o nome dela. Tenho que lembrar de procurar na internet antes de terminar de publicar este texto aqui. [ Leila Khaled ] Pois pois, não lembro se foi na mesma semana, mas foi com certeza foi na seguinte: arranjaram um documentário a respeito do holocausto que os judeus sofreram nas mãos dos nazistas para ser exibido na TV. Acho que telefonemas tocaram e algumas orelhas foram puxadas nos bastidores da TV Cultura. Não se “equilibra” as coisas assim, embora eu confesse que não saberia oferecer uma alternativa. Talvez exibir o documentário sobre o Holocausto duas ou três semanas depois? Um seguido do outro me pareceu artificial e forçado. Além disso se cometeu um erro comum: palestinos árabes pacíficos se ressentem com as comparações com os nazistas mesmo quando dirigidos aos seus grupos violentos, mesmo ressentimento que os judeus pacíficos sentem quando sofrem a mesma comparação e que acontece quando o exército israelense apronta mais uma das suas. Bom, mas eu achei tudo isso interessante. A “guerra de propaganda” é sempre interessante. Quem mandou a minha professora de português/literatura Vera gostar tanto de mandar a gente analisar as propagandas de jornais e revistas, lá nos tempos de Colégio Santo Agostinho?)

Bom. Onde a gente tava? Ah, no encontro “filme-debate” com estudantes de Direito.

Foi maravilhoso eu ter ido e quase que não fui. Tímido que sou, quase tive um ataque cardíaco de tanto que meu coração pulsava quando levantei a mão para fazer uma pergunta. Sério, não é charminho barato de hipocondríaco, o trem batia e batia forte. Bom, mas eu fiz perguntas e acho que o pessoal deve ter me achado um pouco inteligente, os estudantes de Direito. Pessoal simpático, aliás. Gostei muito. Eles estavam bem vestidos e me pareceram até bastante idealistas e até ingênuos mesmo. E eu com o meu tênis tão sujo e coração tão amargo...


Sobre o filme “A Vida dos Outros” (Das leben der Anderen, Florian Henckel von Donnersmarck, 2006), tem um ponto interessante: o espião estava vigiando o casal de artistas. Aí acontece o “milagre” e o espião se torna um homem justo. Ora ora, espionagem deste tipo era comum na Alemana Oriental sobre o regime comunista em que ela vivia. Assim sendo, havia muitos outros espiões também vigiando... E também se convertendo? Hum, hum... Se aconteceu com um, pode acontecer com outros... Hum, hum... Hum, hum... Temos que um regime político ferrado espontaneamente se transformaria de dentro para fora em algo mais livre e justo? O problema disso é que parece algo determinista, ingênuo, além do detalhe do tempo: vai demorar quanto tempo esse “espalhar juízo nos corações e mentes”?

quarta-feira, 25 de maio de 2016

25 de maio de 2016

Stevie Wonder – “Isn't She Lovely”.
Ah… Que triste ouvir isso: “ela não esta apaixonada por você”! Mas ao mesmo tempo, por não conhecer a letra e assim toda minha intenção é me deixar levar inconscientemente pela canção, eu adoro ouvir. Bem gostosa mesmo de escutar.
Não seria formidável se as piores notícias chegassem aos nossos ouvidos por meio do piano e voz de Stevie Wonder?

É engraçado. Bem, eu acho que sim. Acho que se pudessem me ver, achariam alguma graça. Estou tirando a grama do meio das pedras da estrada e, ao meu lado no chão, uma agenda preta e um lápis. Não preciso muito para viajar pela maionese, agora imagine se estou no meio de um trabalho que seja um saco? Vai vai, agenda preta, tente capturar meia dúzias de palavras para eu transformar em um aforismo mais tarde no computador! De grão em grão eu formo um testemunho de quem eu fui. Galileu sussurrou “e pur si muove”, eu escrevo em um blog. Cada um com sua guerra e vaidade.

A fonte é suspeita: a editora brasileira que publicava as suas obras nesta época. Bom, mas acho que deve ser verdade mesmo que Hermann Hesse é um dos autores estrangeiros que mais fizeram sucesso no Brasil. Nos anos de 1960 e na década seguinte. E mesmo em todos os tempos por aqui.
- E daí?
E daí que qualquer biografia vagabunda de Hesse nos informa que ele valorizava a sua produção poética tanto ou mais que sua obra em prosa. Pergunte à Academia Sueca quando lhe deu o seu Nobel de Literatura. E depois de mais de 50 anos de Hesse no Brasil, a sua poesia é inédita para nós. Isso vai começar a mudar quando?


Hesse me lembra o “Jogo das Contas de Vidro”, a única obra em prosa dele que meu avô paterno tinha e que eu não terminei de ler.

“Demian” (quando Hesse finalmente vira Hesse. Li em uma tarde. Fabuloso, fabuloso!),

“Gertrud” (o melhor livro de todos do ponto de vista estético e minha obra favorita de Hesse. A ambiguidade do personagem principal pode agradar quem leu e gostou de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.),

“Narciso e Goldmund” (a parte da cigana assanhada foi tão viva que eu tive que me levantar da cama e prestar uma “homenagem” às virtudes narrativas do escritor alemão. Este livro perdeu pontos comigo porque o seu final foi obviamente escritos as pressas e não é preciso ser um especialista acadêmico para notar isso. Eu realmente fiquei bravo com Hesse por causa disso, pois poucas vezes me entreguei em uma leitura como eu fiz aqui com ele.),

“O Lobo da Estepe” (dispensa comentários, é mesmo tudo aquilo que dizem: um dos vértices de toda arte literária do século XX. Por outro lado, a submissão de Harry diante de Hermínia e o final ambíguo podem irritar bastante.),

“Sidarta” (finalmente o equilíbrio entre estética e sabedoria e, portanto, a obra-prima de Hesse? Talvez, talvez. Sem dúvida foi fundamental para o orientalismo da segunda metade do século XX, os hippies e tudo. O trecho em que Sidarta lembra seu pai, quase no final do livro, derrota até o mais gelado dos corações. É sério, leia guardando um lenço. Eu sei do que falo.)

e uns dois volumes reunindo narrativas curtas (algumas realmente magistrais e outras em que Hesse apenas se repete).

Acho que citei todas da coleção de meu avô paterno. Os livros não estão aqui para eu conferir agora.
Bom, o fato é que me faltava justamente “Jogo das Contas de Vidro”. O livro se arrastava um pouco, eu me entediei e, para coroar a falta de gás do projeto de conhecer Hesse completamente, eu perdi o meu incentivo externo.
Incentivo externo que era, obviamente a um romântico marmota como eu, uma garota. Já falei dela aqui. A minha baixinha-fofinha-ruiva-psicóloga-paulista-e-que-gosta-de-usar-óculos-escuros-tipo-Bono-Vox.
Ela conhecia Hesse e eu queria impressionar ela. Engraçado que quando eu falava isso, ela ficava brava comigo. Mas o que ela queria? Sendo amigo ou namorado, a gente tem que fazer alguma coisa! E ela me falava toda hora sobre os seus empregos fabulosos e ao mesmo tempo se mostrava insegura quanto a mil coisas, em toda aquela ambiguidade típica dos seres femininos. Se apenas escutar é difícil e imagine depois de tantos meses! Eu me sentia um lixo e inseguro diante dela, mas não podia falar isso; óbvio. Eu tinha que tentar impressionar, ser mais do que eu era, sei lá. Bom, eu só faço besteira mesmo. Coração inteligente e vagabundo, e que eu sempre deixo no comando.
Mas isso tudo faz bem mais de um ano, eu não quero mais ela. Eu e ela vimos as cicatrizes nossas que não queríamos mostrar e isso castra mesmo.
- Então porque você contou tudo isso?
Pois é, para ser sincero eu me perdi e deixei que as palavras me levassem. Deve também ser influência de uma série de entrevistas literárias que ando vendo por meio da internet. Dois por dia, para vocês verem como eu estou curtindo. Era só para dizer que vou tentar evitar abandonar “Walden”, de Henry David Thoreu, como abandonei “Jogo das Contas de Vidro”. A leitura do livro de Thoreau travou e travou que é uma coisa.


Onde estou? Fome, banho e cansaço. Tenho que publicar isso e salvar o mundo com os meus comentários políticos no FaceBook. Como eu disse: cada um com sua guerra e vaidade. E as vezes sendo a gente mesmo. Pelo menos quando a vida e o nosso peito deixam.

Nossa, o modo aleatório do computador colocou para tocar agora “Gota D’água”, de Chico Buarque.
E na interpretação clássica da Simone.
Mas que p*, héin computador?
Mas que p*...
E não adianta tocar depois Gang of Four, não adianta.
Mas que p*.

Desatenção?
Faça não.
Deixa em paz.

Por favor.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

19 de maio de 2016.

Não consigo dormir cedo, não consigo. Eu não consigo.
É fascinante, pois a depressão e outras flores tristes que existem em nós sempre parecem para quem as possui algo sempre abstrato e que não pode ser tocado ou visto. Então esse meu não conseguir dormir cedo é surpreendente, pois é material e factual de algo meio espectral. E aquilo que pode ser tocado, pode ser transformado...
- Esta tudo bem com você? Me parece que...
- Eu?, mas eu estou bem.
De onde estou. De onde você esta.
O que eu posso ver. O que você pode ver.
Para onde vamos? Para onde vamos.

Tudo bem, eu confesso que minha concentração é uma lástima. Confesso que sempre caio para cima e fácil fácil lá estou eu na Lua, à espera do próximo balão a voar pela maionese infinita.
Mas custava tanto assim terem piedade de mim e eu ter em mãos, pelo menos uma vez na vida, alguma atividade que seja interessante e de valor?

Escutando sem parar a música tema de Pain&Gain, filme de Michael Bay, composta por Steve Jablonsky.
Gosto deste filme, um dos melhores que já assisti. Ele me faz rir e pensar e emociona também. Já passou muitas vezes na TV e eu sempre dou um jeito de assistir. Nem que seja só um pedaço.
Gosto de tudo neste filme, mas um dos motivos é testemunhar como os personagens principais gradualmente se perdem nas garras de uma espiral trágica. Uma decisãozinha ali, uma decisãozinha acolá e bingo: roubo, morte e os personagens vão a júri onde são condenados a morte. E aqui surge o ponto importante: de onde estavam eles não viram que iam constantemente em direção à merda? Para quem assiste ao filme é óbvio desde o começo que o caminho percorrido era esse, mas para os personagens isso não estava claro. Uma narrativa que consiga mostrar esse incrível paralelo não é algo ordinário e o super criticado Michael Bay ganhou o meu respeito ao fazer isso. Espero que ele faça mais filmes que sejam ágeis e que sejam profundos também.

Assisti recentemente a um dos clássicos do Rei do Cinema, Charles Chaplin. O filme é “Luzes da Ribalta”. O filme tem as convencionais duas horas de duração, mas eu levei mais tempo para assistir. Ansioso e tão atingido por magnífica obra de arte, eu tinha que pausar o DVD. A desculpa era fazer uma atividade qualquer, “urgente” e depois voltar.
Chaplin é maravilhoso. Chaplin é maravilhoso.
Por Chaplin eu me curvo. Por Chaplin eu deixo o chão tocar meus joelhos.

Vá a um site de busca e digite “Sarah Silverman”, depois clique em “imagens”.

Ah...! Música, Chaplin e umas poucas coisas mais (incluindo um chuveiro quente e o doce de cocada [o de calda, marrom]), os ombros e o sorriso de Sarah Silverman é uma das coisas que fazem a gente dar uma segunda chance a esse teimoso hábito de ficar deste lado da terra. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

18 de maio de 2016

Aniversário da minha primeira paixão intelectual: Bertrand Russell. O Bertie! 

Estou assistindo a todos os episódios de "Literatura Universal", uma série sobre literatura feita pela Univesp TV. Um entrevistador, uma professora ou professor e uma obra literária ou um nome importante da literatura.
Estou achando maravilhoso, mas não consigo deixar de pensar:
- Ei, eu faria diferente!
Isso é um sinal para eu voltar a fazer entrevistas. Engraçado eu, tão antissocial e tímido, ser bom em entrevistas. 

Parafraseando Roland Barthes sobre Gustave Flaubert:
Agregar um valor-trabalho ao escrever e ao pensar.

Lessing: estudar, estudar, divagar, divagar e sempre; e não tenha vergonha das besteiras que você ira fazer por causa disso.

terça-feira, 17 de maio de 2016

17 de maio de 2016

“Meet me halfway” – Black Eyed Peas.
Quantas vezes já escutei esta canção? Por quê? Devo ter lido a tradução da letra, mas não me lembro. A letra toda não deve ter me marcado. Mas eu só preciso viajar pelo título e viajar pelo clima e ritmo.
Me encontre no meio da caminhada e do caminho...
Me encontre no meio da caminhada e do caminho...
Me encontre no meio da caminhada e do caminho...
Me encontre no meio da caminhada e do caminho...

“Um por todos e todos por um!”
Se os líderes do mundo gostassem de Alexandre Dumas pai nós teríamos solucionado o milenar conflito entre liberdade criadora e a igualdade pacificadora?


Na faculdade eu achei que estava amando pela primeira vez. Era uma ilusão e eu só fiz besteira e perdi oportunidades que hoje são mais que raras. Imagino as coisas constrangedoras que as pessoas devem ter comentado e a fama de retardado que eu devo ter adquirido.
Uma das besteiras que fiz foi dar de presente a coleção de anos que eu tinha montado de tirinhas de quadrinho para a garota. É aquela velha história: tentar materializar algo que não é material. Mostrar a todos o meu amor e impressionar, mais ou menos como as pessoas fazem quando realizam a cerimônia de casamento. Um pouco mais que apenas aparência e motivo para festa. Na verdade eu queria era me convencer que estava amando e ter certeza quanto a isso. Para conseguir isso eu precisava, não de olhar-me no espelho com atenção, e sim da aprovação de terceiros. O que seria idiota por si só, ainda mais que a maioria desses terceiros eu nem sequer me importava.
Bom, de todas as tirinhas que perdi apenas duas séries são sentidas mais por mim. Pela qualidade principalmente, mas também pela dificuldade de reencontrá-las. As cito aqui para que quem estiver me lendo procure. Por favor, confie em mim. Eu sou um fracasso, mas por essas ironias do destino eu sempre tive bom gosto.
“Deusinho e Sua Turma” – Kipper.
“Monty” (no Brasil as tirinhas recebiam o nome de “Robô”) – Jim Meddick.
Anotaram? É para vocês anotarem e procurarem. Contei mais uma história minha de idiota, por favor, façam isso tornar-se algo construtivo.

Acabei de ver um trecho de um documentário de 1990 sobre a Billie Holiday. Talento e tragédia. Mas como é difícil um artista cercar-se de gente com juízo na cabeça! Mas como é difícil para um artista identificar a tempo quem pode realmente te ajudar! E como o “ideal romântico” ainda vive em nós neste século XXI (lembro-me de Nietzsche, ele mesmo um romântico inveterado, escrevendo, desesperadamente, para que as novas gerações superassem mais esse ideal “doentio”)!
Vou aproveitar e procurar algumas músicas cantadas pela Billie Holliday e tocá-las na radio comunitária. Sim, muitas canções são tristes, mas também são belas e pela beleza podemos fazer tudo.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

6 de maio de 2016.

Correr na chuva e sentir o gosto de terra molhada. Olhar para a Lua como se fosse a primeira vez e deixar que o trabalho de uma abelha derrote o que você pensa sobre dinheiro. Não há sob o céu jogos muito melhores do que esse. E não é, Henry David Thoreau?

Ser organizado multiplica o tempo. Caracas, mas isso muita gente diz e eu já devo ter escrito algo assim por aqui. Mas é outra vez aquela velha história: a preguiça, o vento e a falta de atenção fazem as palavras de valor escoar pelo ralo.

Eu ouvi ou li em algum lugar que uma boa maneira de julgar uma pessoa é pelas perguntas às quais ela procura resposta em sua vida. Por quais respostas você sairia em perseguição alucinada? Eu tenho duas perguntas: O que há de verdadeiro neste mundo? O que eu tenho que seja meu? Infelizmente as respostas provisórias que tenho a essas perguntas não são muito animadas. Ainda bem que estas respostas chatas são provisórias.

Eu escrevi aqui outro dia sobre a Dengue. De como eu e meus pais tivemos essa doença e nos recuperamos bem. Mas eu não contei tudo. Aliás, é impossível contar tudo e isso é uma virtude e não um defeito das palavras. As palavras, diferente de nós, sabem melhor quando é preciso parar. A questão da mentira e das “meias verdades” é uma responsabilidade nossa e não das palavras. Enfim, a Dengue. A recuperação foi rápida e tudo terminou mais ou menos bem (ganhei duas manchas brancas nas unhas, o que não acontecia desde que eu era uma criança). Mas houve um pequeno momento ruim para mim. Pequeno, mas muito intenso a ponto d´eu não conseguir esquecer. Foi no fim de uma tarde, entre as 18 horas e 22 horas. Não sei traduzir bem o que aconteceu. Não sei se foi a consciência de que eu poderia morrer ou foi a consciência que a minha vida é um desperdício. Um pouco dos dois? Não sei. De concreto foi uma sensação de profundo desespero e ansiedade, como se eu fosse um animal selvagem recentemente preso em uma cela e estivesse apenas começando o auge de seu arranhar as garras nas paredes. Não era tanto o não morrer quanto o não ver o que eu via como a última coisa; entendem? Difícil explicar. Queria gritar. Queria estar em outro lugar. O peito querendo explodir. Fugir e mandar todas, todas, todas as pessoas que eu conhecia para o inferno e nunca mais. A ideia de suicídio já não era aquele consolo infalível e se eu tivesse em mãos um vidro de veneno, eu poderia dizer pela primeira vez que a oportunidade convidou o desejo e ele ia dizer “sim”. Mas a crise passou. Ninguém ficou sabendo. E eu continuo aqui, um pouquinho, pouquinho diferente de antes.
Acho que essas duas manchas nas unhas significam falta de vitamina ou algo do tipo.

Programas gratuitos de edição de fotos e imagens em geral têm aos montes por aí, gratuitos e com todos os recursos necessários. Sério: gratuidade e a sofisticação que o amador e o profissional precisam. Ao alcance de um clique, ao viajar pela internet. O que se esquece de contar é que as vezes o TIFF não abre e o JPEG também não abre, e aí você fica totalmente dependente de um mesmo programa de computador e isso não é bom.
Já levei uns bons sustos em relação a isso.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

5 de março de 2016.

Entreguei meu cartão de fotógrafo em uma imobiliária. Já tirei fotos de terreno para vender uma vez. Caprichei e até “usei” um pedestre que ocasionalmente estava passando por perto para dar melhor a dimensão da terra e tudo. Fotografia de casa nessas condições eu nunca fiz, mas também não tem muito segredo: a luz do Deus Sol é suficiente e só teríamos problema caso caísse um dilúvio na hora e a casa fosse feia de doer.

Revi os meus dois pequenos filmes que já fiz. É, eu tenho um canal no YouTube e lá publiquei dois pequenos vídeos originais meus. Não é por parcialidade, eu realmente acho que eles ficaram bons. O que eu mais gosto é como a música e o fato dos vídeos serem muito curtos conseguem se “casar”. Acho que quem assiste e gosta fica com um gosto de “quero mais”.
É que tem uma coisa. Na primeira vez que a minha família assinou um serviço de TV por assinatura, há quase 20 anos, marcou muito em minha memória uma reação que eu tinha após assistir aos episódios do Monty Python. Eu queria continuar. Acho que quem esta me lendo não deve ter entendido. Eu queria mesmo continuar. Eu poderia ficar dias inteiros vendo aqueles britânicos malucos (ok, eu sei que o Gilliam é estadunidense)!
Esse gostinho de “quero mais”... Isso não é tão inocente assim... É uma das formas que o artista e a obra de arte podem entrar e nós e nos provocar.
Tudo isso que eu falei pode parecer bobo. Chamar a atenção e valorizar tanto assim uma coisa como esse “gostinho de quero mais”. Ora bolas, vivemos em um mundo onde a obra de arte perdeu alguma coisa de seu brilho germinador. Consumimos e consumimos e não mudamos tanto assim. É como se fosse apenas brisa e não fizesse diferença. Nesta briga toda entre os que querem censurar e se escondem sob a bandeira do “politicamente correto” e os que querem dar voz aos seus preconceitos mais repulsivos e se escondem sob a bandeira do “politicamente incorreto”, a criatividade rebelde dos artistas fica completamente vulnerável às ameaças do dinheiro castrador.


Em vez de se preocupar em dominar o mundo, deixar o mundo e você deliciarem-se mutuamente. Dica do Henry David Thoreau que acrescenta: fé e iniciativa. Esta última fórmula lembra-me uma fórmula popular na internet: “Os três Efes – Foco, Força e Fé”.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

2 de maio de 2016

E eu acabei não fazendo mesmo o workshop. Peito partido, mas não teve jeito. Assim como, principalmente, não fui ao festival de surf music. E nem à Bienal do Livro. Ah, o “vil metal”! Esses problemas financeiros são comuns e acontecem com qualquer pessoa, o diferencial é sempre quando a gente consegue aprender e mudar. Tomara que eu consiga. Acho que vou conseguir sim.

Faz um pouco mais de um mês que eu e minha família nos curamos da Dengue. Dengue é uma doença endêmica no Brasil e tem uma taxa de mortalidade respeitável. Foi uma vitória em tanto, portanto. Eu me curei em seis dias, mas poderia ter sido menos: o culpado fui eu, que não fiquei em repouso imediatamente e nem bebi tanta água quanto deveria.
Essa coisa da água, da vela do filtro de barro que precisava ser trocada... Eu e toda a minha família temos ensino superior completo, - o que para os padrões brasileiros vai demorar uns 10 anos ainda para deixar de ser um recorde -, mas quando a gente resolve ser estúpido: sai de perto!
Casos de doenças graves e outras grandes crises servem para aumentar o relevo dos problemas de cada família. A da minha, o principal é que temos nada em comum. Nada. Absolutamente nada. Nada e levando em consideração os problemas da gravidez e da quantidade de vezes que me engasguei gravemente ainda na primeira infância, sou tentado a pensar que alguém lá em cima tentou várias vezes consertar este erro trágico. Mudou de ideia? Lembrou-se que gosta de histórias e, portanto, resolveu prolongar a brincadeira? Mas a minha história é tão sem graça! Talvez a minha história tenha uma graça que eu ainda não tenha percebido... De qualquer forma: merci.
Não sou exatamente um sedentário, eu tento me alimentar bem e graças à minha ansiedade louca eu não paro quieto. Devo ter dado a volta ao mundo de tanto que já caminhei, até mesmo porque nunca aprendi a dirigir (eu sei dirigir um trem do tipo “Maria Fumaça”, mas acho que isso não conta). E já faz um tempinho que ando fazendo uns alongamentos e exercícios aeróbicos de leve. Mesmo assim me curei muito rápido da Dengue, acho justo considerar isso uma chance tremenda que me foi dada.

Na noite deste último sábado passou na TV um filme com a Madeline Zima, uma das atrizes mais lindas que já vi. Era um desses filmes “alternativos” e “moderninhos” e tinha todos os seus vícios adoráveis: diálogos forçados, câmera se movimentando demais, longos silêncios, narrativas dando cambalhotas e etc. Mas não foi esse “charminho barato” e nem a dublagem realmente horrorosa que me fizeram mudar de canal, eu agi assim porque o filme contava uma história de amor. Sábado a noite e se eu assistisse a mais uma história de amor eu ficaria ainda mais nervoso do que costumo ser.


Quando ligo o computador e edito as minhas fotos tem três coisas que eu obrigatoriamente faço: escureço-as, torno as suas cores mais intensas e aumento o relevo. Não que no final fique assim com todas as fotos, mas essas três coisas eu faço sempre para ver como fica. Só para testar, entendem? De repente me ocorreu saber que escola artística eu me aproximaria baseado nesses meus três gostos: escuridão, cores fortes e relevo destacado. Pensei em renascimento, mas não sei. Mas realmente é uma boa pergunta para qualquer fotógrafo se fazer. Tomara que eu ainda tropece em alguém que entenda desse assunto.

AMOR: - Eu devia ter ido ao workshop, mas estava mesmo sem dinheiro para passar tanto tempo em Belo Horizonte. Além do mais, com o equipamento que tenho eu ia era passar vergonha...
QUEIJO: - Babaca.
OTELO: - Pelo menos tentou ajudar o realizador a encontrar um patrocinador. Fez contatos e a intermediação. Pode dar certo! Pode dar certo!
DESDÊMONA: - E a exposição fique bonita! Gostei de ver você se animar em ajudar, dando telefonemas e escrevendo mensagens... Se interessou em ajudar, não foi egoísta. Muito bom!
IAGO: - Blá, blá, blá! Eu só quero que alguém me explique aquela fotografia do aniversário. Que ombros são aqueles? E que barriguinha é aquela? Muita areia para o nosso caminhão!
JULIA MARGARET CAMERON: - Devia ter ido ao workshop!