Voltaire ajuda

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domingo, 20 de março de 2016

20 de março de 2016.

SIN CITY e TAXI DRIVER

Palavras duras e líricas, visão aguda, metáforas sempre surpreendentes e a aquele poder de nos fazer identificar com o personagem facilmente: poucas coisas são tão charmosas quanto uma boa narração em off nos filmes. Todo mundo gosta, eu também. Como leitor de Nietzsche eu não posso esquentar a minha cabeça (e muito menos as dos outros) por causa de incoerências. Mas... Como personagens que tem uma educação formal deficiente e tão pouca leitura, podem se expressar de forma tão magnífica?

- Mas o vocabulário empregado é sempre simples...
- Mais ou menos, mais ou menos quanto ao universo desse vocabulário ser pequeno. Mesmo assim, a questão é a capacidade de, depois de ver, poder se expressar.

(Narração em off aqui é em primeira pessoa, feita pelo personagem central. Não me refiro a uma narração em terceira pessoa.)

( (Adoraria ter minha vida narrada pelos heróis de Sin City e realmente não sei por que isso não é possível. Deve ser porque não tenho uma Eva Green me perseguindo para me fazer seu escravo, enquanto tenho que salvar uma Jéssica Alba. ) )

A REGRA DE CLAUDIO ABRAMO

Na faculdade de jornalismo eu aprendi muito lendo livros que professores nunca me mandaram ler. Livros que poderiam ser chamados de “memórias de jornalistas experientes”. Jornalista bom, quando resolve recordar, faz o trem pegar fogo. De cara eu me lembro de uma dica útil: pode andar a vontade na favela se tiver crianças na rua, mas se você se distrair e perceber que a criançada desapareceu da vista: é melhor procurar um carro para se esconder embaixo.

De todos os livros que li aquele que me deixou mais surtado foi “A Regra do Jogo”, de Claudio Abramo (pai). Tão alucinado fiquei que copiei a mão inúmeros trechos do livro. Acho que 20% do livro eu copiei a mão. Ia página por página pescando as partes que eu gostava mais. Tanto esforço me deixa feliz, pois parece mesmo que eu sou capaz de amar. Isso mesmo que você entendeu: amar é verbo no sentido mais escravo-construindo-Queópis-levando-chicotadas-embaixo-de-sol-do-decerto-ao-meio-dia-todos-os-dias.

Mas eu estou contando tudo isso porque eu recentemente li partes dessa minha seleção. Partes que tratavam sobre a véspera do Golpe de 1964. Complicado resumir, o importante é alguns poucos pontos.
- João Goulard caiu porque era um fraco irresponsável, provocava demais e não sabia sequer o que acontecia na sala ao lado da sua. Inúmeros membros do seu governo as vésperas do Golpe pareciam que tinham acabado de voltar do Festival de Woodstock. Faziam a menos ideia do que estava acontecendo e daquilo que poderia acontecer. Não era o caso de ser profeta ou evitar traições, isso tudo é difícil mesmo, era apenas uma questão de se manter concentrado. Bom, sabemos que Dilma é fraca e que a sua equipe é formada por uns tontos. Ok, mas é preciso saber os quão responsáveis eles conseguem ainda ser. Mas pedir ajuda, ceder, delegar poderes à oposição ainda da tempo?

SE DILMA CAIR E TEMER SUBIR

Tem duas coisas que me preocupam em um governo de transição. A primeira é as mudanças importantes não acontecerem e usarem a desculpa de “temos que arrumar primeiro a casa que o Partido dos Trabalhadores bagunçou, depois cuidamos dessas reformas que são complicadas, entende?”.

Outra coisa que pode acontecer de ruim em um governo de transição é que, além de fazer hora com a nossa cara quanto às reformas, é o Temer e sua turma jogar para torcida e fazer mudanças demagógicas. Além de caro, esse tipo de coisa anestesia a indignação das multidões que acabariam saindo das ruas.

Ficar de olho.

[ ...]

OTELO: - Um momento: e nós? Um general do norte da África, para ser um amigo positivo e sábio? Não vou aparecer?

IAGO: - E eu, que estou aqui para abrir as gaiolas invisíveis? Não vou aparecer?

DESDÊMONA: - E eu para bancar a irmã mais velha e compreensível que você nunca teve?

IAGO: Desdêmona? Desdêmona??!!?? Há! Há!Há! Há! Há! Há!HáHá!Há Há! Há!Há! Há! Como se o autor desse blog estivesse maduro o suficiente para dar forma e substância à sua voz femi

(Desdêmona se aproxima de Iago e dá-lhe um chute em seus... “Países Baixos”.)

OTELO: - Essa até eu senti.

AMOR: - Depois dessa, quando ele conseguir falar, vai se comportar melhor.

DESDÊMONA: - Não é revelador que a primeira atitude de uma voz feminina a aparecer aqui seja algo violento?

OTELO: - Cof! Cof! ...

FREUD: - Chamou? Chamou?

AMOR: - Por favor, podem fechar as cortinas?

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