Voltaire ajuda

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sexta-feira, 18 de março de 2016

18 de março de 2016.

Eu ia escrever um texto sobre política no dia 15 de março, para ele ser publicado no mesmo dia neste blog. Atraso três dias e veja o que acontece: pedido de prisão escrito às pressas (não é possível que doutores com todo aquele salário e latim não saibam a diferença entre Hegel e Engels) contra o ex-presidente Lula,
o mesmo Lula comete o grande erro de querer ser Ministro de Estado (assume assim a sua culpa, pois se for exclusivamente perseguição política: o correto era ele se expor ao risco de prisão para revelar a natureza verdadeira de seus algozes),
o juiz Sérgio Moro libera para imprensa os grampos que havia pedido e que não havia pedido (essa coisa do horário dos grampos, tão grave por mostrar que a turma da Polícia Federal mandou a imparcialidade para o brejo mesmo!),
as multidões contra o Governo Dilma voltaram para rua e com elas as multidões a favor do Governo Dilma. O mesmo Governo Dilma que esta cada vez mais fraco.
Esqueci  de mencionar a delação premiada de Delcídio do Amaral, senador do Partido dos Trabalhadores (e um desses sujeitos que esta a tanto tempo em Brasília, que conhece todo mundo),  que atingiu integrantes importantes do Governo Dilma e estrelas da oposição, embora a grande imprensa tenha citado mais o Aloísio Mercadante e protegido o Aécio Neves. Essa parcialidade da grande imprensa é outra coisa que complica a situação.
No FaceBook um lema, revelador quanto ao espírito da maioria das pessoas diante de tudo, esta se tornando popular: “Um governo que não da para defender e uma oposição que não da para confiar”.

IAGO: - Você só precisa andar nas ruas para saber a diferença que faz um Lula ou um Sérgio Moro. Quase nada, o Brasil ainda vai precisar de muito tempo para realmente deixar de ser um país pobre.

AMOR: - A epidemia de cólera, eu lembro bem do comercial na televisão...

OTELO: - Há menos de 25 anos, às portas do terceiro milênio? Uma prova definitiva de que ainda somos um país essencialmente pobre.

IAGO: - Sim, sim, sim, mas e daí? Vamos falar de coisas mais próximas. É mais interessante, mesmo porque corrupção e economia ferrada não é novidade para nós brasileiros. Tanto é verdade que o que temos nas ruas são militantes defendendo fantasmas traidores e uma classe média que devia ir ao psiquiatra em vez de estar nas ruas. Povão, povão mesmo, continua da casa ao trabalho.

OTELO: - Preso ao seu egoísmo e a uma fé forte, mas confusa.

AMOR: - Nós brasileiro também temos valores maravilhosos, mas somos violentos e a nossa história é quase insuportável de tão dramática. Ela pesa tantos em nossas costas! Não era a toa que os que eram contra as cotas raciais repetiam tanto que esse “papo de dívida histórica” era um engano. Para eles o passado não era mesmo fácil de aceitar. Somos um povo sofrido, muito sofrido. Isso tudo acaba desanimando a maioria a querer sair de casa para protestar, o que deixa a rua livre para os socialistas profissionais e os fascistas de black-tie. Mas a situação hoje é grave, Iago. O judiciário brasileiro esta flertando com o arbítrio. Isso coloca a democracia brasileira em risco.

IAGO: - Sombras de uma ditadura? Acho difícil, temos bastantes democratas e muita gente poderosa se acostumou a lucrar em uma democracia. E essa democracia representativa cheia de problemas, a violência policial na periferia, alguém poderia dizer que temos uma ditadura homeopática ou mesmo uma democracia homeopática! Pequenas gotas, apenas pequenas gotas. E o judiciário, por mim, continua o mesmo: em seu mundo à parte. Aliás, mundo à parte é o que mais temos no Brasil.

OTELO: - O mesmo Iago de sempre: uma visão aguda que se deixa perverter pelo gosto de provocar e machucar.

[ ... ]

AMOR: - Estou tão cansado!

OTELO: - Durma mais cedo.

IAGO: - Desista mais...

AMOR: - Vou mesmo fazer o workshop de fotografia.

IAGO: - Você já fez Senac. Esse curso, além de caro, é no fim do mundo. Domingo a tarde? Desde quando você é Indiana Jones? Já borrou as calças, Mestre da Ansiedade?

AMOR: - Não é no “fim do mundo”, é apenas mais um bairro que eu não conheço. E qualquer coisa existe taxi.

IAGO: - Esse pessoal sabe que você não tem nem flash externo? Que você nunca viu o Photoshop ou o Lightroom? Você vai é passar vergonha!

OTELO: - O mais importante não são as aulas e sim os contatos. Você vai conhecer outros fotógrafos e isso vai ser tudo. Projetos malucos, coletivos idealistas, uma grana justa: tudo pode acontecer quando se conhece gente com interesses parecidos.

IAGO: - Vai ter modelo gostosa tirando a roupa pela glória da arte?

OTELO: - Não, mas vamos ter um Iago perdendo um braço. Cale a sua boca, cachorro!

IAGO: - Sei, sei... Para assistir aulinhas que ela não vai, a sua amiguinha te convida, mas para ir a festas em que ela usa vestidos curtos como a gente vê nas redes sociais: naaaada ainda...

AMOR: - O convite foi para me ajudar, ela acredita que o workshop vai ser bom para mim. Ela é livre para me convidar para o que quiser, quando ela quiser. Tenho que estar agradecido pelo carinho e atenção.

IAGO: - Huum... Sei... Tanta sinceridade que me arde os olhos!

OTELO: - Vilão... Afaste este seu cálice de veneno...

AMOR: - Mas às vezes me pego pensando se realmente gosto dela. Se gostasse de verdade, já a teria procurado ela no serviço ou algo do tipo. Certo? Mas tenho até dificuldade para puxar papo com ela pela internet, acho que não tenho realmente coisas em comum com ela. Estou confuso, continuo confuso.

OTELO: - Mas como você deve se sentir? O que você deve fazer? Por acaso se existe algum manual para as coisas do coração, que me apresentem! Você esta indo bem. Esquece que é tão gostoso quando esta com ela? Que gostaria que aqueles encontros durassem mais que o próprio tempo? Estudando muito, ela esta com pouco tempo livre. Tenha calma.

IAGO: - Ela é uma mulher, seus idiotas! Já sabe tudo que você esta pensando, sempre esta um passo ou dois à sua frente. E com a experiência ferrada que você tem, jamais saberia quando estaria sendo enrolado em “banho Maria” e quando realmente...

AMOR: - “Friendzone”.

IAGO: - O que?

AMOR: - “Friendzone”. Não se diz “sendo enrolado por uma garota” ou “uma garota te colocou em “banho Maria””. A expressão mais usada agora é “friendzone”. A “zona do amigo”, em inglês. É mais moderno e atual.

OTELO: - A amizade é sempre uma coisa positiva, que facilita a nossa caminhada pela vida. Essa expressão, além de estrangeira, ataca injustamente a amizade.

IAGO: - Filologia de botequim! Mas é interessante que se tenha mencionado em suas conversas a palavra “zona”. Comer muitas garotas, além de gostoso, tem a vantagem da proteção: fazendo todas ficarem iguais, é mais difícil uma conseguir te machucar.

[    “Eu preciso acreditar que sou feliz    ]
[    Mas persigo os teus mistérios como um cão    ]
[    E tudo parece tão claro    ]
[    E tudo parece perfeito    ]
[    Mas quando acordo e me vejo    ]
[    O espelho diz que “não”.”    ]

OTELO: - Errado. Não é possível evitar a dor aqui, como em qualquer ocasião. E transformar todas as garotas em iguais assim, só vai tornar você um fantasma do sentir.

AMOR: - Estou cansado, não quero mais conversar hoje.

OTELO: - Foi bom que a gente tenha se encontrado novamente. É sempre bom. Devagar, mas sem parar. Seja discreto e corajoso.

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