Voltaire ajuda

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sexta-feira, 11 de março de 2016

11 de março de 2016

Sem ideia de como começar a escrever aqui. Vou à janela para ver se o resto do universo pode me ajudar. E o resto do universo me respondeu na forma de dois beija-flores fazendo a dança voadora do acasalamento. Ai, que lindo! Vou ver mais uma vez uma foto que ela me mandou. O quadril, um pouquinho da barriguinha aparecendo por causa da camiseta um pouquinho levantada, a calça jeans com as alças para cinto convidando os meus dedos a puxarem o seu quadril fino para mais perto de mim... Mas como eu sou egoísta e ingênuo, ela me mandou essa foto há um tempão! Ela já deve ter mudado de ideia a um tempão também. Ah, a liberdade dos outros! Como respeitar e aceitar a liberdade dos outros da trabalho! Veja o Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, afirmando que a rua é de todos e ao mesmo tempo garantindo que o próximo domingo é apenas daqueles que não gostam da Dilma e do Partido dos Trabalhadores. Eu desconfio das intenções da minha amiga e nosso Geraldo desconfia da passividade do paulistano. Ser prudente é bom, mas aqui neste caso é um bocado triste também.

Protesto contra Dilma e o Partido dos Trabalhadores é no próximo domingo. Será que o Reinaldo Azevedo vai querer ir à manifestação usando o metrô, novamente? Tomara que ele não encontre outra vez aquela fotógrafa paparazzi comunista sem noção. Foi no começo de 2015 e eu já escrevi sobre isso aqui no blog. Deu o maior “barraco” o trem no metrô (perdão pelo trocadilho). Resolvi ser maduro e não perguntar mais porque o Portal Imprensa cedeu ao Reinaldo Azevedo e tirou do seu site a matéria em que eles escreveram sobre o caso. Perguntei várias vezes no FaceBook e eles nunca me responderam. Até fiz o printscreem do site e tudo. Mas eu entendo, eles são muito vulneráveis.

Problemas na educação nossa.
- Palmadinhas são sempre desagradáveis e dá-las em nossos próprios filhos é algo que corta o nosso coração, mas pelo menos as suas cicatrizes são visíveis e...
- E ... ?
- E você não sabe as vantagens que as cicatrizes que podemos ver tem sobre as cicatrizes que não podemos ver?
- Eu sei.
- Então?
- Então você esta se esquecendo de que não é possível produzir cicatrizes visíveis sem, também, produzir as invisíveis. E você sabe quais são os problemas das cicatrizes que não podemos ver?

Algum dia, se acaso eu encontrar uma militante feminista, eu a desafiarei a me dizer o nome de uma, - só uma! -, comédia romântica em que o personagem masculino não faça o papel de imaturo e de bobo. Ah, eu vou perguntar mesmo!

É um filme de terror, apenas um filme de terror. E tem uma cena bem nojenta, como esperado em filmes de terror. Ocorre que eu acho essa cena meio excitante, não muito, mas um pouco excitante. Não vou descrever essa cena, pois me deu uma vergonha aqui na última hora. O importante é que isso tudo me fez pensar que o sexo é algo agressivo também. Agressivo e poderoso.
Lembro de uma antiga propaganda da MTV Brasil, bem bem antiga. Coisa de 10 anos ou mais. Era uma dessas propagandas em que eles mostram vários programas do canal de TV juntos. Tipo as novidades de férias ou de fim de ano, entenderam? Aí mostra a parte de um programa dedicado ao sexo. Era um trecho de um comentário feito por uma das apresentadoras. Coisa muito rápida. As palavras exatas me escapam, mas “espírito da coisa” eu guardei bem e era assim:
- Cama, mesa e banho. Aquela coisa básica, didática. Cama, mesa e banho, sabe como é? Namoradinho virgem, fazer a cama, a mesa e banho...
Era mais ou menos isso. Entenderam, sentiram? Isso não é agressivo e poderoso?
- Não importa quantas você for comer, você vai lembrar-se de mim para sempre! Podem ser mulheres baixinhas, altinhas, branquinhas ou pretinhas, magrinhas ou fofinhas, você vai se lembrar! Como uma “tatuagem” naquele lugar.
Isso não é poder?
Estou escrevendo tudo isso e pareço-me com aquele personagem do filme The Wall. O cara leva o pé na bunda da amada e fica preso em seu apartamento, com pesadelos de culpa e medo  diante do poder feminino e tal. Conhecem o filme? A cena de animação entre as duas flores? Bonita e forte cena em que uma das flores entra na outra? A música, o movimento, na hora você leva um susto danado e aquilo bate fundo em você.
Poder, baby, poder. É sempre disso que se trata.

Não gosto quando se aproximam muito e ao mesmo tempo tenho uma necessidade tremenda de aceitação. De qualquer forma, não quero que as leitoras fiquem bravas comigo. Acho que elas devem estar me achando meio machista. Deixe-me ver se lembro de alguma história mais agradável... Ah, lembrei! Estava na faculdade e fazia uma reportagem sobre o Golpe Militar de 1964. Fui à sede do PCB (ou PC do B, não lembro. Confundo os dois.), entrevistar uma famosa militante, que tinha sido presa e torturada pelas Forças Armadas enquanto era uma estudante. Enquanto eu a esperava, conversei com a secretária que recebia as visitas. Ela gostou dos panfletos sobre direitos das mulheres que eu carregava. É que no mesmo dia, um pouco antes, eu tinha ido a uma secretaria do governo que trata de direitos humanos e eu tinha pegado todos os panfletos que consegui: direitos humanos em geral, negros, homossexuais e etc. Um monte! A secretária comunista viu e gostou daqueles que tratavam sobre os direitos da mulher. Deixei que ela ficasse com esses panfletos. Pois pois, eu lembro só de uma parte desses panfletos. Uma parte que falava sobre violência contra a mulher. Entre os vários tipos de violência que uma mulher costuma sofrer, havia uma que eu nunca tinha imaginado:
“Forçar a sua parceira a ouvir histórias suas com outras mulheres.”
Agora isso parece algo óbvio, uma tortura psicológica repugnante e tal. Mas em todos esses anos desde que eu estive com a secretária, eu nunca vi alguém mencionar esse tipo de violência contra a mulher. Na TV, jornal, radio ou FaceBook.

Guerra de propaganda é coisa séria, a gente tem que ser inteligente e astuto. Querem apostar quanto que desta vez vamos ter um recorde de fotografias e de entrevistas com manifestantes negros, nessa manifestação de domingo contra Dilma e o Partido dos Trabalhadores? É que ficou uma crítica bem popular a gente lembrar o quão branquela e riquinha é esse tipo de manifestação, parece que o pessoal saiu da Disney e foi direto para a Avenida Paulista no domingo. Parece mesmo aquele pessoal de consultório particular de dentista e aquele pessoal que gosta de brigar com caixa de supermercado:
- Mas minha senhora...!
- Cala a boca, não fale comigo! Chame o gerente e chame agora! Você esta me roubando! Eu não admito, não a-di-mi-to!
Eu sei que é maldade escrever uma coisa dessas, com o Brasil tenso deste jeito; mas caramba: que heroizinhos nos arranjamos, hein?

Eu escrevi que queria muito vê-la e ela não me respondeu que queria me ver. Ela não é obrigada a escrever do jeito que eu quero, estando apaixonada ou não por mim. Ah, a liberdade dos outros! Sempre sempre essa liberdade dos outros! Por outro lado, eu trocaria aquela resposta dela, educada e bonitinha, por uma resposta de franqueza rasga-peito?
- Olha, eu já estou querendo a muito te dizer...
- Calma, calma!  Deixe eu primeiro pegar meus CDs do The Smiths, Maria Bethânia cantando Gonzaguinha e deixa eu pegar também “Mentiras” da Adriana Calcanhoto!
- Vai ser melhor...
- Ainda não, caramba! Deixe eu pegar o vinho barato martela cabeça.
- Acho que a gente já sabe que...
- Porque você sempre fala essas coisas nessas horas?
- E porque você nunca me ouve? Eu tenho que repetir tudo...
- Você o que?
- Por que você... Mas o que afinal você esta fazendo agora?

- Liquidificador, é a minha batida de manga, leite e segredos. 

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