Voltaire ajuda

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

9 de fevereiro de 2016

Não pulei o carnaval de Belo Horizonte e nem mesmo o de Rio Acima, pelo mesmo motivo: nas últimas semanas o dinheiro desapareceu. Desapareceu mesmo. E não foi culpa minha. Da até certo orgulho em mim escrever essas palavras, pois elas soam tão “normais”. Estou melhorando, não estou?

Com aquele frio na espinha entrei no FaceBook hoje. Mas na verdade eu não sou bem um ciumento, estou mais para um voyeur: em todas as minhas fantasias quase nunca sou eu que estou comendo as mulheres que já me apaixonei. Quando sou eu mesmo não é exatamente eu. É um eu mais melhorado. Assim é tamanho o desprezo que sinto por mim, mas acho que essa é uma situação bastante ordinária: muitos homens devem fazer como eu. Acho que todo mundo faz. Afinal, se é para fantasiar que fantasiemos direito. Acho que é assim. Nunca conversei com alguém sobre isso.

O meu eu melhorado não tem um pênis maior e um carro conversível, ele apenas tem um emprego legal e vive em um apartamento cheio de cartazes e desenhos bonitos na parede.

Minha casa ia ser legal. Logo ao abrir a porta a visita iria ver duas imagens. Aquela mulher pelada de Woodstock (tem muitas fotos de mulher pelada desse festival, me refiro a uma que usa óculos e se parece com uma jovem professora. Ela esta em pé em meio a uma multidão sentada, e ela esta dançando, em êxtase, com os braços levantados. Além dela, claro, posso ficar minutos olhando para os rostos olhando para ela. Não sei descrevê-la, para vocês procurarem na internet. Lamento. Se ajuda, ela usa aqueles óculos grandes e redondos tipo John Lennon.).
Ao lado dessa foto teria um desenho ironizando aqueles quadros em que os pintores retratavam a nobreza do século XIX. Não sei o nome do artista, mas seu desenho mostra uma jovem nobre fazendo um gesto obsceno para quem a vê (ou seja, o gesto é para todos nós). Mas tão importante quanto o seu gesto obsceno é a expressão fria dessa jovem nobre. O choque entre o gesto e a técnica “conservadora” do artista ao imitar antigos mestres, é o segredo deste desenho.

Essas duas imagens estariam na entrada, bem em frente a porta e funcionariam como uma espécie de “segunda campainha”. Dependendo dos comentários, eu saberia se a visita sabe o que é importante ou não. Por exemplo: se ela ficasse chocada com os pelos pubianos da mulher de Woodstock e não dissesse uma só palavra sobre beleza, liberdade e felicidade, eu saberia que essa visita é uma besta. Se diante do gesto obsceno da nobre do desenho, a pessoa se sentisse ofendida e não desse um sorriso espontâneo e compreensível quanto ao que acabou de ver, eu também saberia que a visita é meio besta.
- Quem é você para julgar? Você não é uma besta também?
Claro que eu também sou besta e muito muito besta. Ocorre que mesmo eu sendo uma besta de primeira, tem besteiras que me irritam.

Amanhã falo sobre as outras imagens que minha casa teria, os exercícios físicos que ando fazendo (quero ficar gostoso), sobre as pulguentas Julieta e Cordélia, sobre livros e outras coisas dessa aberração que vos escreve.

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