Voltaire ajuda

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

29 de fevereiro de 2016

“Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós!”, diz um poema bonito de nossos primos da América do Norte.
Eu cantaria outra coisa: “Energia, energia, onde você se esconde em minhas manhãs?”.
Acordar, acordar, vamos acordar.

E antes do almoço eu já reencontrei todos os meus dramas existenciais e emocionais. Todos eles. Ou pelo menos aquele top five favorito de minha mágoa e de minha melancolia. Deve ter outros dramas incrustados que eu nem faço ideia que existam em mim.
Bom, o que importa é que isso me cansa. Impossível de evitar e me cansa. É como se eu completasse uma maratona olímpica todas as manhãs.
Se eu pelo menos aprendesse alguma coisa ou mudasse... Parece, porém, que a medalha olímpica que recebo depois da maratona existencial é sempre este relógio feito de neve. Cadê a manhã? Virou neve. Cadê a neve? Virou água. Cadê a água? Evaporou. Cadê o vapor da água?
Amanhã tem mais. E depois de amanhã.

Fazer um filho + Escrever um livro + Plantar um Ipê
E eu que nem sei o que é andar de mãos dadas, com orgulho e timidez, em meio à cidade de gente estranha; e na lanchonete dividir o mesmo copo de milk-shake, com aquela troca de olhares e sorrisos tão retardados e invejáveis?

Já contei que as vezes aqui me chamam de “amiguinho”? Tenho 32 anos. Devo ter fama de retardado nesta cidade pequena e eu sei todas as pistas que as pessoas conhecem para concluir isso de mim. E admito que realmente essas pistas sejam razoáveis. Se essas pistas são verdadeiras, afinal? Eu não consigo contá-las aqui. Isso responde à sua pergunta?

Eu sou muito lento. Muito lento. Mas pelo menos acho que nos últimos anos eu pelo menos não dei um passo importante para trás. Pelo menos isso, não é? Mas realmente eu sou lento. No colégio eu tinha uma maldita mochila pesada (os armários só vieram quando eu fui convidado a me retirar de lá. Depois conto essa história, pois ela se parece um pouquinho com a “insubordinação mental” do Drummond.). Depois a mochila pesada do colégio deu lugar às memórias pesadas.
Eu sou muito lento e talvez seja assim até o fim.
Mas também, se algum dia eu consegui finalmente voar vai ser uma (xxx censura xxx) para cima de todos vocês! Uma chuva cheirosa de deixar com inveja o mais punk dos pombos!
Brincadeirinha, vocês poderiam usar esse material como adubo e nem isso eu quero que vocês tenham de mim.


O melhor desse repelente natural é o cheiro de cravo da Índia que ele deixa no ambiente.
Pronto, apenas isso que irei escrever sobre. Não quero contar sobre o bobo que ficou encantado como uma criança, a andar pela casa inteira exclamando: “Que cheiro maravilhoso!” “Que cheiro maravilhoso!” “Parece que estou em um acampamento hippie e minhas entranhas entraram em sintonia com o centro da Via Láctea! Ah! Ah! A glória e a paz plena! Ah! E agora só vou comer repolhos, arroz, mingau e chá! Ah!”.

Eu mudo de ideia o tempo todo. Já disseram que eu não sou “confiável”, mas apresso-me em dizer que nunca isso aconteceu em casos dramáticos e sérios de verdade.
Não assisti à festa do Oscar, ontem. Perdi a premiação do Leonardo DiCaprio. Decidi aproveitar o sinal aberto de uns canais de filmes. Assisti “BirdMan – A Inesperada Virtude da Ignorância”. Um filme badalado que nunca tinha assistido antes, em vez de uma festa que esta distante demais.
Gostei do filme “BirdMan”, apenas espero que os comentaristas não esqueçam do “A Arca Russa”. O filme estadunidense finge maravilhosamente ter apenas um plano sequência, mas é o russo que realmente é todo filmado em um único plano sequência. Um trem de doido! E você não consegue deixar de pensar: como o pessoal técnico não tropeçou nos fios ao andar de costas o tempo todo?

“BirdMan” é excelente, eu assistiria muitas e muitas vezes. A arte, o artista, o público, o que fazemos de nossas vidas, a imprensa, a internet, o que amamos, a vaidade, a fragilidade... Boas impressões e boas reflexões. Mas a principal conclusão que construí ao assistir o filme é bem singela: quero morar dentro de um teatro. 

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