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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

25 de fevereiro de 2016.

Há alguns meses atrás, o historiador Marco Antônio Villa declarou no “Jornal da Cultura”, da TV Cultura, onde ele é comentarista, que a Ditadura Militar no Brasil começou mesmo meeeesmo foi após o Ato Institucional Número 5 e não em 1964. 1964 é o ano que geralmente é declarado que a ditadura militar tenha começado aqui no Brasil.
Isso me deixou com a pulga atrás da orelha. Havia ali mais do que se podia ver à primeira vista.
Pode ser apenas uma questão técnica de um historiador sofisticado, que tenha até uma tabela Excel com colunas: “isso é ditadura”, “isso não é ditadura”, “isso parece ditadura, mas não é”, “isso parece democracia, mas não é” e “isso aqui eu não faço a menor ideia do que seja”.
Pode ser.
E também pode ser uma maneira de tornar mais indolor um possível fim prematuro do Governo Dilma Rousseff ao grande público. Até quem não gosta da Dilma e do PT e não gosta mesmo, pode muito bem achar que o fim do seu governo antes de 2018 algo como “ir longe demais”.

A Rede Bandeirantes de Televisão foi bem esperta, novamente. Terça-feira passada, 23 de fevereiro de 2016, houve um programa político do Partido dos Trabalhadores e teve o “panelaço” como protesto. Para não exibir as cenas de sempre de moradores de prédios de luxo batendo nas panelas em suas janelas, o “Jornal da Band” destacou imagens de carros buzinando nas ruas contra o Governo Federal. Assim o “panelaço” não pareceria ser apenas algo de gente rica.
Deve ter funcionado, não sei. Mas sei que os carros mostrados buzinando não era muito baratos. Mas nada é perfeito. Mas a Bandeirantes foi esperta.

Esta marcada para mais um domingo um protesto gigante contra o Governo Dilma. Mês que vem.
Mais um protesto em mais um domingo.
Muita coisa me incomoda nesses protestos de domingo. A grande imprensa apoia e muitas vezes nem tem o pudor de esconder, fala da data várias e várias vezes sem um pingo de vergonha da falta de imparcialidade. A polícia age com todo o cuidado possível para não ter confusão. E quase não tem confusão mesmo nesses protestos contra o Governo do Partido dos Trabalhadores; é sempre uma coisa limpa, clara, dourada como sol e muito bem nutrida. Uma perfeição só!
Tão perfeito que eu devo mesmo ter um coração envenenado para achar defeitos ali.
Ocorre que esses protestos bonitinhos no domingo pode ter um terrível efeito colateral que quase ninguém pensou ainda: se só “gente de bem” protesta no domingo, quem protesta em dias úteis? A grande imprensa, nos dias de semana, praticamente só cobre protestos no meio de semana usando helicóptero. Tudo muito longe. O trânsito parado é uma explicação, mas junho de 2013 é outra explicação também. Então o que acontece: se só protesto no domingo for o “bonitinho”,  “direito” e “coisa de gente que trabalha e paga imposto”, a violência contra manifestantes em protestos no meio da semana acabariam não chocando tanto.
Só pode protestar no domingo. Em breve será: só pode protestar nessa e naquela rua. E depois... Nem quero imaginar!

Eu posso mudar de ideia e achar que é melhor para todos nós o fim do Governo Dilma Rousseff. Posso, é claro que posso e a opinião de gente de envergadura como Lúcio Flávio Pinto e Gilberto Dimenstein tem grande peso para mim e eles estão bem decepcionados com o governo. O compromisso tem que ser com o Brasil e a verdade. Nada mais natural do que ser uma metamorfose ambulante. Desde claro, você sempre esteja atento. Você esta atento? Porque é difícil ficar atento. Sem querer a gente se vê no meio de um terrível engano e ser chamado de “traidor” sempre dói.
O problema é que a política não é fácil. Tem muitas armadilhas. Defender a saída da Dilma, mas e se a gente acabar como massa de manobra de gente como Reinaldo Azevedo, Rachel Sheheradazade, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro, Radio Iatiaia “do PSDB” e revista Veja “do PSDB”? Já imaginou? Eca! Mil vezes eca! Você conhece essas pessoas? Seus valores e ideias? Conhece mesmo? Conhece mesmo? A mãe ensina que as aparências enganam e a gente tem que ficar perto de quem realmente se importa.
Continuo achando que é melhor que o Governo Dilma tome jeito e apenas termine em 2018, mas vou ficar atento.

O Brasil foi o último país das Américas a permitir o direito ao divórcio e um dos últimos do mundo inteiro. Aqui em casa tem muitas revistas e jornais antigos, coisa de mais de 40 anos. Vocês precisam ver o que o pessoal falava das pílulas anticoncepcionais nos anos de 1960-70: cegueira, câncer, essa coisas. Imagine! A nossa religiosidade tem a anarquia que permite o sincretismo e os católicos que visitam Chico Xavier e leem horóscopo, mas também a nossa religiosidade é bem reacionária.
Não vai ser o sofrimento dos bebês com microcefalia que vai mudar o coração dos nossos piedosos conservadores agindo em nome de Deus. Aliás, nos debates que já vi na televisão, esse pessoal todo contra liberdade de escolha que inclua o direito a interrupção terapêutica da gravidez, adora falar que não age “movido pela sua religião”. Que seus argumentos são apenas científicos! É científico achar que a mulher brasileira só esta esperando uma edição nova do Diário Oficial para sair correndo em direção a um hospital? Porque é isso que eles dizem: bastaria mudar a lei que o número de interrupção terapêutica da gravidez aumentaria e aumentaria para tooodo o sempre!
Aliás, essa visão negativa e horrenda da liberdade e da natureza humana explica porque os cristãos conservadores brasileiros adoram atrapalhar qualquer campanha educativa sobre sexualidade. A não ser, claro, que a campanha educativa seja igual às mais caretas que havia em 1920.
Mas além de puxar a orelha desses cristãos conservadores que abandonam o hospital tão logo a mulher da a luz que mostra que eles mentem quando dizem que “se importam”, é preciso puxar a orelha das mulheres: ou elas começam a participar de vez da política partidária ou então a situação continuará a mesma e pode até piorar.
Piorar como aliás a BBC disse que poderia, ontem mesmo.  
Liberdade de escolha e campanhas educativas, - eis a minha fórmula. É o que acredito ser o mais humano e racional.

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