Voltaire ajuda

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

22 de fevereiro de 2016.

“... que rir é bom, mas rir de tudo é desespero ...”
Entendo e concordo Frejat, mas também sei que todos nós vamos rir muito do mundo antes que ele realmente mereça essas risadas. Mereça risadas puras. O desespero generalizado é mais poderoso que a solidariedade pequena e desorganizada.
Os corações estão enterrados demais em nossos peitos.

Nem toda regularidade nos transforma em robôs, eu sei que existe uma regularidade saudável e construtiva. Eu sei. Deve esta aqui em algum lugar.

O problema da regularidade é manter o foco nos prêmios. Você tem que ter os prêmios nos olhos, coração, na mente... Os prêmios estão no futuro, mas eles têm que ser reais para você!
E é essa a parte mais difícil para mim.

Depressão não é vagabundagem, o pessoal confunde porque o depressivo aparenta gostar da sua depressão e assim é por ela parecer o mundo real dele.
Essa agressividade não ajuda na recuperação da pessoa depressiva, mas existe outro problema tão ou mais difícil aqui. O faro apurado que os depressivos têm para detectar falsos felizes em seu caminho.
Falar em “inveja”, “rancor” e que “a felicidade perfeita não existe” não ajuda,  pois parece que estamos buscando a medida da “felicidade mediana alcançável”. E que porcaria seria isso de “felicidade mediana alcançável”? Se a pessoa com depressão ainda tiver um pingo de amor próprio, e eu acho que é sempre o caso, ela vai preferir ficar com a sua depressão.
O que é mais seu: a depressão ou as frases feitas de pessoas distantes? Se for para ser assim, é muito mais barato assistir comerciais na televisão.
O depressivo tem que descobrir outro mundo, sabe se lá como e pelas mãos de quem.

De repente me ocorre que eu sou bem niilista e isto é um tanto irônico por causa do meu carinho por Nietzsche.
Ou talvez seja o contrário: o filósofo alemão queria justamente combater o niilismo que havia no coração do mundo civilizado. Então o Nietzsche em mim quer derrotar o niilismo também em mim.
Vencendo o niilismo em mim, também ajudo um pouco todo o mundo.

Tenho que voltar a consumir mais a grande imprensa. Assistir mais telejornais, escutar mais o radio e ler jornais e revistas. Andei meio afastado disso tudo. Mas além de não gostar de ser enganado, já tenho repetições aos montes sem precisar pagar por isso ou ligar a tomada. Irã, aborto, greves? Já decorei os preconceitos todos que tentaram inocular em mim.

A leitura de “Walden”, de Henry David Thoreau, travou. Mas estou voltando. Thoreau as vezes é muito chato. Não porque ele me chama de escravo covarde e burro, isso ele só fez no começo do livro, é as descrições dele que são chatas. Nunca vi alguém gostar tanto de descrever a natureza. Acho que ele assim o faz por pressentir que a industrialização estadunidense esta chegando com o seu cinza e óleo a cobrir toda a paisagem. Mas essa quantidade de descrições e detalhes pormenorizados me dão alguma enervação.

Mas “Walden” vale a pena. O livro é uma obra-prima do espírito humano e uma arma eterna contra o que há de mais mortal e mentiroso em nosso mundo tecnológico moderno. 

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